Dicas de Roteiro

10/11/2011

Como Criar Grandes Metas de História

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:20
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Este artigo é de autoria do roteirista, cineasta, professor universitário de roteirismo e consultor de roteiros, V. Prasad, e foi tirado do site Script Lab:

rosebud

Se você já se encontrou na beirada de seu assento no final de um jogo de futebol, saberia que um roteirista pode aprender muito com esportes. Um ótimo jogo de bola (futebol americano, basquete ou qualquer outro) pode ensinar-lhe lições importantes sobre suspense e manter o interesse do público.

Esportes usam os mesmos princípios dramáticos que o roteirismo. Há um protagonista (o time pelo qual você está torcendo) e um antagonista (o time contra o qual ele está jogando). E o seu time tem um objetivo claro: marcar mais pontos do que a outra equipe antes do jogo acabar.

Se o jogo está quase empatado nos minutos finais, você é cativado pela esperança de que o seu time vá ganhar, e pelo medo de que ele vá perder, porque você sabe exatamente o que o seu time precisa fazer para vencer e quanto tempo ele tem para fazer isso.

No futebol americano, para marcar um touchdown, tem que se colocar a ponta da bola no outro lado do plano da linha de gol. Faz-se isso e o seu time consegue seis pontos. Se errar, mesmo que seja por um milímetro, não ganha nada.

Esse é o tipo de objetivo que você deseja definir para o seu personagem principal: Um em que ele consegue tudo ou não consegue nada. A linha entre o sucesso e o fracasso deve ser clara e inconfundível.

A maleta cheia de dinheiro. Os planos de guerra secretos. O Falcão Maltês. Às vezes, o objetivo é o aspecto menos interessante da história. Alfred Hitchcock cunhou o termo "MacGuffin" para descrever a coisa que seus personagens estavam tentando conseguir. Para Hitchcock, o "MacGuffin" em si não era importante, desde que ele fosse específico e que o público entendesse o que estava em jogo se o personagem principal não o obtivesse.

Se você não estiver escrevendo um filme de ação ou um suspense, provavelmente não terá um MacGuffin. Mas você ainda deve encontrar um objetivo distinto para o seu personagem principal, um onde o sucesso ou o fracasso seja completo. Onde não haja meio-termo.

Certifique-se de expressar o seu objetivo como uma conquista. Evite usar as palavras "ser" ou "tornar-se." "Tornar-se um dançarino" não é um objetivo claro. "Entrar na Academia Real de Balé" ou "Ganhar o Concurso ‘Se Ela Dança Eu Danço’" funcionam melhor, porque eles dão ao personagem algo específico pelo qual trabalhar e, no clímax do filme, o público vai saber definitivamente se ele foi bem-sucedido ou fracassou.

Agora, e se você está fazendo um filme "movido pelo personagem"? Um em que a história centra-se sobre o que o personagem inconscientemente necessita, em oposição ao que ele conscientemente quer? Aquela necessidade inconsciente ainda vai manifestar-se em objetivos tangíveis.

Em Cidadão Kane, ao longo da história, Kane tenta construir um império jornalístico, concorrer a um cargo público, e transformar a sua amante em uma estrela da ópera. Cada uma dessas metas é clara em si mesma e todas elas são guiadas pela necessidade inconsciente de Kane, que é enigmaticamente sugerida em sua fala ao morrer: "Rosebud."

Então, da próxima vez que você se encontrar envolvido em um jogo emocionante, preste atenção às metas de curto e longo prazo e como elas mantêm você, o espectador, na beirada de seu assento.

gol

Boa partida escrita pra você hoje! 😄

27/09/2011

Meus Erros Preferidos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é do roteirista, autor e consultor de roteiros Dave Trottier, e foi tirado de seu site, Keep Writing:

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Eu li um zilhão roteiros durante os últimos anos, e os seguintes são os meus dez clichês e deslizes gritantes favoritos. Evite estes erros em seu roteiro, ou lide com eles de uma forma criativa.

1. A primeira cena do roteiro é um sonho, após o que o personagem se senta ereto em sua cama. Isto é tão clichê que o Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3 abre com ele. Confira no YouTube. É lógico que se isso já era um clichê naquela altura, certamente é um agora. Entretanto, a sua abordagem criativa a ele pode ser simplesmente certa para o seu filme.

2. A última cena do roteiro nos diz que tudo era apenas um sonho. Sim, eu vi O Mágico de Oz, mas os leitores não resmungavam depois de lerem o roteiro de O Mágico de Oz. Seja tão inteligente quanto um espantalho e espante esta tática.

3. Não reconhecer os pontos fortes do seu roteiro. Você já ouviu a expressão Mostrar é melhor do que contar. Eu gostaria de acrescentar um corolário a isso: Reconheça os momentos cinematográficos.

Por exemplo, eu acabei de ler uma cena de quatro páginas de diálogos, onde os personagens discutiam o que tinham feito e o que iam fazer. Aquelas quatro páginas foram seguidas pelo seguinte parágrafo:

tiroteio1

Fascinante, não é? De alguma forma, eu acho que o leitor gostaria de ver mais detalhes da ação deste momento cinematográfico e ouvir um pouco menos de diálogo sobre tudo o que está acontecendo e vai acontecer. No mínimo, nós gostaríamos de saber quem matou Martinelli. Como isso foi feito? Como a ação se desenvolveu? E Martinelli foi morto por causa de uma garrafa de suco de maçã?

4. Descrições de coisas que não podem aparecer na tela do cinema. Por exemplo:

mãe idosa

Os pensamentos, os sentimentos, as percepções e a agitação interior de John não são capazes de aparecer na tela do cinema simplesmente por descrevê-los como ação. No lugar disso, você deveria descrever as ações, os gestos, as expressões faciais e os sons que ajudam a comunicar ao leitor o que está acontecendo dentro de John.

5. Escrever em excesso tanto o diálogo quanto a descrição. Imagine o vilão apontando uma arma na cabeça de uma refém, enquanto o mocinho aponta a sua arma para o vilão.

arma apontada

Não há espaço para subtexto no discurso acima. O seguinte funciona melhor:

Dirty Harry

Aqui está um exemplo de descrição excessiva:

descrição academia

A "revisão" abaixo foi tirada diretamente do roteiro de Rocky.

descrição academia2

Menos é mais.

6. Exposição óbvia.

lipoaspiração

…E assim por diante. Deixe a exposição emergir naturalmente nas conversas… a menos que você esteja escrevendo uma óbvia comédia.

Exposição óbvia inclui narração em off que acrescente pouco ao que já vemos na tela do cinema; também inclui flashbacks que interrompam a dinâmica do filme. Como orientação geral (o que significa que pode haver exceções), não nos conte sobre o passado até que nos preocupemos com o presente.

7. O personagem central é um escritor tentando entrar no ramo e que tem êxito no final, ao vender a história que acabamos de assistir na tela do cinema. É de fato uma ideia inteligente. Eu mesmo tive esta ideia uma vez, assim como milhares de outros roteiristas.

Outro clichê favorito de enredo é este: A família de Sue é morta e agora Sue tem de encontrar o assassino para provar a sua inocência/vingar a sua família. Se esta é a sua ideia, acrescente uma reviravolta diferente a ela ou execute-a de uma maneira original e atraente.

8. Cabeçalhos de cena no roteiro que são confusos. Por exemplo, nenhum local é identificado no seguinte cabeçalho de cena:

cabeçalho de cena

Outro problema são os cabeçalhos secundários que surgem do nada. Por exemplo, note como o cabeçalho secundário abaixo não segue logicamente o cabeçalho de cena principal:

pântano

Como pode um banheiro ser parte de um pântano, e como passamos de uma tomada externa para uma interna? Certifique-se de compreender os cabeçalhos de cena principais e os secundários, e como eles são usados.

Finalmente, eu vejo com frequência descrição demais nos cabeçalhos de cena. Por exemplo:

noite de ventania

Isso, na verdade, deveria ser escrito da seguinte forma:

lua pálida

Guarde a descrição para a parte de descrição do seu roteiro.

9. O personagem principal é "rusticamente bonito." Se o seu personagem é rusticamente bonito, deixe-o provar isso com suas ações rústicas. [N.T.: Em português, a palavra “rústico” também pode designar uma aparência, além de um comportamento. No original, o termo escolhido pelo autor referia-se mais a uma atitude.]

10. Este último exemplo de clichê é de uma carta consulta: "Suzie confronta os seus demônios."

Deve haver um monte de demônios por aí, porque eles são constantemente confrontados em cartas de consulta. E as cartas de consulta não são o único lugar. Ao escrever esta confissão pessoal, eu tentei confrontar os meus próprios demônios. Mas, oh, os pesadelos continuam…

rusticamente bonito

Continue escrevendo… e faça isso com um toque criativo.

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Boa escrita pra você hoje! =D

11/08/2011

História

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:00
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Olá! Hoje temos um artigo bacana do site Film School Online, que tem um curso interessante de cinema, com mais de 300 páginas sobre Roteiro, Direção, Fotografia, Edição, Som e Produção, ou seja, cobre todas as matérias práticas de uma faculdade de Cinema. Esses cursos são pagos, mas baratíssimos perto da maioria dos cursos presenciais de um mês de duração que existem por aí. O texto a seguir é um dos sete artigos gratuitos que eles disponibilizaram como exemplos (eu traduzirei todos eles este mês):

História

Os Fundamentos da História

O roteiro conta uma história usando personagens e ação.A armadilha mais comum ao escrever o roteiro é fazê-lo unidimensional. Histórias que se concentram demais na ação tendem a ser superficiais, enquanto aquelas que se concentram demais nos personagens tendem a ser enfadonhas. As melhores histórias evitam isso desenvolvendo uma ação claramente definida e personagens complexos e realistas. Ambos estes ingredientes são essenciais para o valor temático e de entretenimento de um roteiro.

Para alcançar este equilíbrio, o personagem principal, ou protagonista, deve estar envolvido em duas linhas de história. Uma linha de história lida com a sua motivação externa, e a outra lida com a sua motivação interna. As histórias interna e externa são concretizadas através de conflito e tema.Vamos dar uma olhada nestes elementos:

Motivação Externa

A motivação externa é sobre o objetivo exterior do protagonista (ou seja, desejo). Este objetivo deve ser tangível e se manifestar em ação física. A ação não precisa ser de alta energia, mas deve ficar claro para o público. A motivação externa é resolvida quando o protagonista tem sucesso ou fracassa em alcançar o seu objetivo.

A motivação externa é relativa à ação física, de modo que ela fornece a maior parte do valor de entretenimento do roteiro. Ela se move a história para a frente, mantendo o público interessado no resultado. Sem uma forte motivação externa, há pouca aceleração e o resultado é um roteiro chato.

Em O Poderoso Chefão, a motivação externa de Michael é vingar o fuzilamento de seu pai. Em Rocky – um Lutador, a motivação externa de Rocky é vencer a luta pelo campeonato.

Rocky – um Lutador

Motivação Interna

A motivação interna é sobre a necessidade interior do protagonista (ou seja, falha de caráter). Ela não é plenamente reconhecida pelo protagonista, apesar do fato de ela governar o jeito negativo como ele trata a si mesmo e as pessoas que se importam com ele. A motivação interna pode ser a culpa, a ambição ou o egoísmo, para citar alguns. Ela é resolvida quando o protagonista a reconhece e a supera.

A motivação interna é geralmente causada por uma experiência traumática do passado do protagonista. A motivação interna é, em última análise, sobre relacionamentos, então é deste modo que o personagem e o tema são explorados.

Em O Poderoso Chefão, a história interna de Michael é sobre a sua transformação em um assassino impiedoso. Embora ele siga os passos de seu pai para se tornar o Don, ele faz isso sem nada da compaixão de seu pai, matando igualmente os inimigos e os membros da família. Diferentemente da maioria dos protagonistas, Michael mostra um crescimento negativo no final da história, ao invés de positivo.

Em A Escolha de Sofia, Sophie é assombrada pela culpa depois de ser forçada a escolher qual de seus dois filhos deveria morrer numa câmara de gás nazista.

A Escolha de Sofia

Motivação Interna x Externa – A motivação interna dá profundidade à história porque ela explora personagem e tema. É, no entanto, lenta e depende muito da motivação externa para fisgar o público com ação excitante. Por esta razão, a motivação externa é chamada de espinhado roteiro.

Conflito

Conflito

Conflito é a oposição entre os personagens. Quando defrontado com o conflito, o protagonista é forçado a agir. Conforme a história avança, cada novo conflito deve tornar-se aparentemente mais intransponível e exasperador do que o anterior. Em última análise, o protagonista deve desenvolver um plano de ação para ter sucesso.

Ambas as histórias interna e externa devem conter conflito. A história externa envolve o conflito com um adversário que impede o protagonista de alcançar o seu objetivo. A história interna envolve o conflito com um aliado, tal como um interesse amoroso ou um amigo, que está tentando ajudar o protagonista. A história interna lida com uma luta pessoal, por isso dá ao protagonista profundidade e realismo.

O conflito pode ser na forma de uma disputa, um desafio, uma deficiência, uma decisão, uma ameaça ou um obstáculo. Ele cria tensão na plateia e curiosidade em relação ao resultado. Isso contribui para uma história interessante e que se movimenta rápido. Conflito, portanto, é o elemento mais eficaz da história para manter o público envolvido. É a essência do drama!

Tema

Boa escrita pra você hoje! =)

18/06/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 2

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 16:00
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Oi, pessoal! Estou de volta com a segunda parte de nossa série tirada do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips:

Book question

1. A Determinação do Personagem Principal – Se Altera ou É Firme?

O Personagem Principal representa a posição do público na história. Portanto, se ele muda ou não tem um enorme impacto na experiência da história que o público vivencia e na mensagem que você está enviando a ele. Alguns Personagens Principais crescem a ponto de mudar a sua natureza ou atitude a respeito de uma questão pessoal central, como Scrooge em Um Conto de Natal. Outros crescem em sua determinação, agarrando-se à sua natureza ou atitude contra todos os obstáculos, como o Dr. Richard Kimble em O Fugitivo.

A Mudança pode ser boa se o personagem estiver no caminho errado, para começar. Ela também pode ser ruim, se o personagem estava no caminho certo. Da mesma forma, manter-se Firme é bom se o personagem estiver no caminho certo, mas ruim se ele estiver equivocado ou errado.

Pense sobre a mensagem que você deseja enviar para o seu público, e se o caminho do Personagem Principal deve representar o modo apropriado ou inapropriado de lidar com a questão central da história. Então selecione a mudança ou a firmeza do Personagem Principal de acordo com isso.

Você quer que a sua história leve o público ao ponto de alterar ou ao de reforçar a visão atual dele? Curiosamente, escolher um Personagem Principal firme pode levar o público a mudar, e escolher um personagem que mude pode influenciar o público a permanecer firme. Por quê? Depende se o seu público compartilha ou não do ponto de vista do Personagem Principal, para começar.

Suponha que o seu público e o seu Personagem Principal NÃO concordem quanto ao modo de proceder em relação à questão central da história. Mesmo assim, o público ainda vai se identificar com o Personagem Principal, porque ele representa a posição do público na história. Assim, se o Personagem Principal desenvolve a determinação de permanecer firme e é bem sucedido, então a mensagem para o seu público é: "Mude e adote a visão do Personagem Principal se você deseja ter sucesso em situações semelhantes."

Claramente, uma vez que mudar ou permanecer firme pode levar tanto ao sucesso ou ao fracasso em uma história, quando você leva em conta onde o público se coloca, um grande número de diferentes tipos de impacto no público podem ser criados por sua escolha. Ao responder esta questão, portanto, considere não somente o que você quer que o seu Personagem Principal faça como um indivíduo, mas também como isso influencia a mensagem da sua história e onde o seu público se situa em relação a essa questão, para começar.

Exemplos de Personagens Principais que Mudam & que são Firmes:

MUDA

É FIRME

Scrooge, Um Conto de Natal Jó, A Bíblia

William Munny, Os Imperdoáveis

Dr. Richard Kimble, O Fugitivo
Luke Skywalker, Guerra Nas Estrelas Laura, À Margem da Vida
Judah Rosenthal, na história Crimes, em Crimes e Pecados Cliff Steam, na história Pecados, em Crimes e Pecados
James Bond, 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade James Bond, na maior parte dos outros filmes de 007
Frank Galvin, O Veredicto David Moscow, em Quero Ser Grande

Mudar ou permanecer firme

Boa escrita pra você hoje!

12/06/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 1

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:54
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Hoje começamos uma série em 13 partes tirada do ótimo site Storymind, que pertence a Melanie Anne Phillips (que também é a autora desta série de artigos) e é criadora do software de roteiro StoryWeaver, assim como co-autora do software Dramatica:

perguntas essenciais

As 12 Perguntas Essenciais:

Visão Geral

Existem 12 Perguntas Essenciais que todo autor deve saber responder a respeito de sua própria história. As próximas dicas irão explorar o significado e a melhor maneira de responder às 12 Perguntas Essenciais do Dramatica. As perguntas estão divididas em três áreas – Personagem, Enredo e Tema.

Perguntas sobre os Personagens:

1. A Determinação do Personagem Principal – Se Altera ou É Firme

2. O Crescimento do Personagem Principal – Começar ou Parar

3. A Abordagem do Personagem Principal – Fazer ou Ser

4. O Sexo Mental do Personagem Principal – Masculino ou Feminino

Perguntas sobre o Enredo:

5. Condutora da História – a Ação ou a Decisão

6. Limite da História – Determinado por Tempo ou por Opção

7. Resultado da História – Sucesso ou Fracasso

8. Julgamento da História – Bom ou Ruim

Perguntas sobre o Tema:

9. Domínio – quatro opções: Universo, Física, Mente ou Psicologia

10. Preocupação – uma escolha entre quatro, dependendo da escolha do Domínio

11. Alcance (Assunto) – uma escolha entre quatro, dependendo da escolha da Preocupação

12. Problema – uma escolha entre quatro, dependendo da escolha do Alcance (Assunto)

Por que 12 perguntas? Imagine a estrutura de uma história como a rede de vigas que formam a estrutura de um arranha-céu. Cada lugar em que duas ou mais vigas se ligam para formar um cruzamento é um ponto-chave de stress na estrutura. Nas histórias, todo lugar em que duas ou mais forças dramáticas convergem é um ponto-chave da história.

Se você quiser saber algo sobre a forma do edifício em geral, os quatro pontos mais importantes são os quatro cantos. Uma vez que estes estejam determinados, todo o resto cai dentro desse perímetro.

Enredo, Personagem e Tema são como três edifícios diferentes em uma história – três diferentes tipos de estruturas. O melhor modo de conseguir identificar o contorno completo de cada um é definindo os quatro cantos.

Ao responder às 12 Perguntas Essenciais, você determina o formato básico de cada uma das três áreas em que todos os outros pontos da história devem cair, às quais todos os outros pontos da história devem se adaptar. É como determinar o pano de fundo ou a arena na qual todos os elementos da história deve ser disputados.

E quanto ao Gênero? O Gênero é como um quarto edifício na história. Ele fornece o quarto canto da estrutura completa. Na verdade, ele determina como os outros três edifícios (Personagem, Enredo e Tema) irão se relacionar entre si.

Por que não existem mais quatro perguntas para o Gênero, tornando-se 16 Perguntas Essenciais? Porque o Gênero não é uma estrutura real como as outras três áreas, mas uma descrição de como as outras três se relacionam entre si. É mais como uma cidade no céu.

O Gênero é determinado pela forma como você CONTA a história, as outras três descrevem a história que será contada. Como resultado, o Gênero é dependente do talento, da inspiração e da mística qualidade artística do autor. É por isso que nenhum computador jamais vai escrever uma história tão significativa quanto uma pessoa é capaz. Em contraste, pensar que as histórias são SÓ arte e que nada definitivo e mecânico existe é ir para o extremo oposto.

Até o Dramatica, a arte de contar histórias geralmente era considerada como sendo inseparavelmente entrelaçada com a substância da estrutura da história. Como resultado, os autores muitas vezes criaram belas expressões de estruturas com defeito.

Ao responder as 12 Perguntas Essenciais no Dramatica, os autores podem obter uma boa compreensão dos imperativos estruturais que eles determinaram para suas histórias. Então, usando essa estrutura de Modelo de História como tela e paleta, eles podem atrair as suas respectivas musas para expressarem a essência intangível do coração humano de uma forma significativa e compreensível.

MAPA DAS NOVE MUSAS DOS TEMPOS MODERNOS

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Boa escrita pra você hoje, e até a parte 2!

06/07/2010

Variações Sobre Um Tema

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:30
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Continuando com o assunto de ontem, esta é outra versão da “Dica nº 12” do site Script Secrets do roteirista William C. Martell. Ontem eu havia informado que este texto não estava mais no ar, mas eu estava enganada. A terceira versão da dica foi parar no número 44 (que costumava ser o que agora é a dica nº 12, ou seja, trocaram de lugar)! A tradução abaixo é a da terceira versão, que inclui todo o texto da segunda e mais um trecho ampliado. Eu utilizei o título da segunda versão no post. O título da terceira é O Tema Assombroso de Piratas 3. Tá confuso demais, né? Deixa pra lá, é só ler o texto a seguir! 😀

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O que é um tema? É sobre o que o seu filme realmente se trata – o ASSUNTO ao invés do enredo. A moral da história. Quando eu comecei a escrever roteiros não pensei que tema sequer existisse. As pessoas me perguntavam sobre o que era o meu filme, e eu respondia: “É sobre um policial perseguindo um assassino em série”, e elas retrucavam: “Não, sobre o que se trata REALMENTE?”. Eu achava que elas eram todas pseudo-artistas pomposas e pretensiosas procurando por um significado oculto profundo num roteiro de ação.

Você sabe o que é estranho? Agora eu acho que tema é a parte mais importante de um roteiro. Eu acho que o danado do roteiro inteiro vem do tema. Quando as histórias dos filmes desmoronam, geralmente é porque não há nenhum tema para segurar tudo junto. É apenas uma série de eventos sobre um personagem que não chega a lugar algum. Contos de fadas têm temas, rimas infantis têm temas, então por que os filmes não deveriam ter?

Tema é o que nos atrai para uma ideia de história em particular. Todos nós temos temas pessoais, coisas que aparecem várias e várias vezes em nosso trabalho. Questões ou conflitos pessoais e emocionais que nos interessam a um nível subconsciente. Muitos dos meus roteiros são sobre lealdade. Outros são sobre fazer a coisa certa mesmo que você possa sofrer. Alguns são sobre levantar-se do chão após ter sido derrubado. Quando eu escrevi o meu filme-família Mamãe Invisível / Querida Você Sumiu! (Invisible Mom, 1996), eu sabia sobre o que ele “realmente era”, não subestimar o valor daqueles que você ama. Josh acha que a sua mãe é uma praga que está sempre querendo que ele arrume seu quarto. Ele deseja que ela simplesmente desapareça. Ele tem seu pedido concedido… e começa a sentir falta dela. O tema surgiu com o título neste caso!

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Mas e que tal grandes filmes de verão divertidos como Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean – At World’s End, 2007)? Filmes bobos precisam de um tema? Filmes bobos sequer têm tema?

A SEGUIR, SPOILERS DO FINAL DO FILME!

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Primeiro deixe-me dizer que esta é uma análise “não autorizada”. Ela não tem nenhuma informação dos bastidores – Eu não converso com Terry & Ted há algum tempo, mas eu assisti o filme (então isto é apenas baseado em tudo o que eu descobri a partir do filme)…

O tema parece ser sobre escolher um lado. No começo todo mundo está trocando de lado – cada um tem seu próprio lado e só se alinha com o dos outros para conseguir o que quer. Mas há dois lados principais – o da Companhia Britânica das Índias Ocidentais (CBIO) e o dos Piratas. Os corsários coletivos não têm nenhum código de conduta – esfaquear pelas costas é apenas um bom negócio. E os Piratas, que também são corsários, têm um código (embora eles pareçam pensar que sejam mais sugestões). O problema é que os piratas se dividiram em facções e parecem todos estar esfaqueando uns aos outros pelas costas – eles perderam o seu rumo. Eles não estão do lado uns dos outros…

Quando deixamos os nossos heróis no final do último filme, Jack (Johnny Depp) tinha sido banido para o paiol de Davy Jones – uma espécie de limbo – onde ele não estava nem mesmo do seu próprio lado. Ele esfaqueou a si mesmo pelas costas. Para resgatá-lo, Will e Elizabeth e Barbosa e Tia Dalma formam uma aliança – mas cada um está realmente do seu próprio lado e sem se entenderem.

A história vai mostrá-los em seus próprios lados até eles perceberem que de fato devem escolher um lado e unirem-se para derrotar a CBIO e o Devy Jones. Para resgatar o Jack, eles têm de ultrapassar a borda do mundo para o outro lado – a morte. Aí é onde o Davy Jones deveria estar escoltando almas para o outro lado – mas ele saltou fora disso para perseguir os seus próprios objetivos egoístas.

Uma vez tendo resgatado o Jack, a única maneira deles saírem deste mundo é balançar o barco de lado a lado e virá-lo de cabeça para baixo. Mudando os lados de novo e de novo… até que o mundo mude de lado.

Depois de voltar para este lado da vida, o grupo continua a mudar os lados – traindo uns aos outros para conseguirem o que eles querem para si próprios (ao invés do que é melhor para o grupo). O Jack se alinha com a CBIO… Will se alinha com a CBIO… todo mundo tem uma chance de mudar de lado para conseguir o que quer.

Mas mudar de lado nunca dá a eles o que eles querem.

O objetivo egoísta de Will é resgatar o seu pai – que faz parte da tripulação de Davy Jones… Parte da tripulação, parte do navio. Há uma cena onde Will e seu pai lutam porque seu pai está do lado da tripulação de Davy Jones. O pai é outro personagem central que deve escolher um lado – Davy Jones ou seu filho?

A cena da mesa-redonda do Tribunal dos Piratas tem todos os tipos de pessoas trocando de lado – e fazendo tudo por razões egoístas. Todos os piratas votam em si mesmos para rei – ao invés de fazerem o que é melhor para o lado dos piratas. O voto de Jack é na verdade egoísta – mas esta também é a cena onde o Código dos Piratas e a ideia de um “lado dos piratas” são apresentados para os piratas por Teague, o guardião do código (Keith Richards). Antes disto eles estavam todos em seus próprios lados, e depois disto eles percebem que precisam na verdade trabalhar juntos para o bem maior – mesmo se isso significar que eles devem fazer sacrifícios.

Há também uma cena muito estilizada, onde os piratas e a CBIO se encontram numa faixa de areia em grupos de três e as pessoas trocam de lado. Para mim, este foi o “tema dos lados” decisivo.

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Há também uma cena em que Elizabeth diz a Norrington que ele deve escolher um lado… e, eventualmente, Norrington escolhe um lado e ajuda os piratas. Em Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean – Curse of The Black Pearl, 2003), ele era um antagonista; em Piratas do Caribe – O Baú da Morte (Pirates of the Caribbean – Dead Man’s Chest, 2006) ele era um pirata; em Piratas do Caribe – No Fim do Mundo, ele começa como um antagonista e muda de lado quando percebe que o cara da CBIO estava jogando com ele – eles assassinaram o pai da Elizabeth – seu amigo e mentor. A Companhia Britânica da Índias Ocidentais fará qualquer coisa para vencer esta batalha, mas apesar dos piratas serem egoístas, eles realmente param subitamente de matar uns aos outros. Enganar uns aos outros, com certeza… mas Sao Feng não mata Will por tê-lo roubado, ele o usa como alavanca. Se Will tivesse roubado da Companhia Britânica das Índias Ocidentais haveria uma corda em seu pescoço… Na verdade, haveria uma corda em seu pescoço apenas por estar ligado a alguém que rouba da CBIO.

Quando todos os piratas resistem juntos – todos do mesmo lado – eles conquistam a CBIO… e a cena central aqui é quando o navio Holandês Voador muda de lado. O cara da CBIO acha que ele está do lado deles… mas o navio tem um novo capitão e está do lado dos Piratas. Quando cada um desses piratas (incluindo Jack) pára de ficar apenas do seu próprio lado e junta-se para formar o lado dos Piratas, eles podem derrubar a corporação repressiva do mal que dirige o governo e suspende os direitos humanos e enforca crianças (este filme parece ser secretamente sobre a política atual).

O grande momento do filme é quando o totalmente egoísta Jack – sempre do seu próprio lado – decide sacrificar a sua imortalidade para fazer o que é melhor para a equipe… e nos dá um feliz final pós-créditos.

Mesmo os dois soldados trapalhões efetivamente mudam de lado e fingem ser Piratas. Esta é a minha opinião. Talvez eu esteja errado, mas você pode assistir ao filme e ver tudo isso. Muitas conversas sobre lados e tomar partidos.

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FIM DOS SPOILERS

Dois lugares para se encontrar o tema:

1) A maior decisão que o seu protagonista tem de fazer no roteiro.

2) A maior diferença filosófica entre o seu protagonista e o antagonista.

Algumas vezes o tema do seu roteiro é fácil de localizar, outras vezes você pode ter que escrever o roteiro para descobrir o tema. Você geralmente terá uma ideia geral do tema, mas é difícil indicar com exatidão os pormenores. Você precisa entrar lá e cavucar ao redor da história para encontrá-los. Uma vez tendo descoberto o tema, você pode reescrever o roteiro para destacar as cenas que exploram o tema através de ações. Crie personagens coadjuvantes que ilustrem aspectos diferentes do tema. Aluda ao tema nos diálogos. Crie cenas que ilustrem os lados positivo e negativo e os diferentes pontos de vista do seu tema. Tema é o que fica grudado em seu cérebro muito depois das luzes do cinema terem se acendido.

Então o que você está tentando dizer? Qual é a moral da sua história? O que é que o seu protagonista aprende na história que o torna uma pessoa melhor ao chegarmos ao final? Qual é o objetivo de contar esta história? Qual é o seu tema? Sobre o que o seu roteiro REALMENTE se trata?

Fantastic Paper Works30  helping man Paper Works

Boa escrita pra você hoje!

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