Dicas de Roteiro

07/07/2011

Dicas de Cursos em São Paulo

Filed under: Direção,Documentário,Fotografia,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 14:48
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Oi, pessoal! Eu recebi um e-mail com a dica desses cursos de cinema no espaço Inspiratorium na cidade de São Paulo. Me pareceram bem legais e achei que valia a pena divulgar aqui pra quem estiver interessado. Eu fiquei com muita vontade de fazer alguns deles, pena que eu não possa viajar para SP no momento. Quem sabe na próxima, né?

Inspiratorium

Se alguém frequentar um desses cursos e quiser compartilhar a sua experiência aqui, fique à vontade para comentar!

Um ótimo curso pra você!

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22/06/2010

Videoclipe – Argumento de Oops!… I Did It Again – Britney Spears

Filed under: Direção,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 11:28
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Como eu havia prometido, volto agora a traduzir mais um argumento de videoclipe escrito por Nigel Dick, e tirado do site dele. Este argumento diferencia-se dos outros porque é o único que ele publicou que possui diálogos. Vale a pena dar uma olhada:

BRITNEY SPEARS – Oops!… I Did It Again
Filme do Dick nº 396
Escrito em 15/03/2000

Preâmbulo

Este vídeo vai ser muito diferente para a Britney. É uma mistura de Janet Jackson, Metrópolis, Fellini, Capricórnio Um e surrealismo! Ele terá uma história simples acontecendo durante ele todo (Britney encontra um lindo aventureiro do espaço na superfície de Marte e dança, mexendo o popozão) e o resultado final será caloroso, alegre e enérgico. E contará com dança, dança, dança. Será uma LOUCURA em dobro!

APRESENTAÇÃO

A câmera faz uma panorâmica e passa por um monte de técnicos em uma sala de controle escura, feita de concreto; vapor e cabos podem ser vistos por toda parte. Topamos com um jovem controlador sentado em uma mesa de controle de aparência ‘irada’ – tubos com líquidos escorrendo cruzam a área do console, luzes piscam e brilham. O controlador espreita a tela hemisférica do monitor (pense em um aquário redondo de peixinho dourado, pela metade) (GAG nº 1), e escuta John, O Astronauta, falando com ele de um planeta distante. O controlador está comendo uma rosquinha e bebendo café numa caneca de papel para viagem.

Diálogo12

Nós vemos imagens de um escâner mostrando os pés de John, O Astronauta, chutando a poeira enquanto ele anda pela superfície do planeta (O escâner é uma pequena câmera de vídeo presa ao seu capacete, uma linha branca corre continuamente através da tela, conforme o sinal chega.) (GAG nº 2).

Diálogo13

Cortamos para uma visão do pé de John – O Astronauta que perturbou algo na poeira vermelha… Cortam os para o quadro geral do planeta, enquanto a mão de John – O Astronauta puxa do meio da poeira uma telha quebrada que tem uma imagem de Britney fundida nela.

Diálogo14

A superfície do planeta de repente começa a tremer. (GAG nº 3). A câmera desloca-se até a face de John – O Astronauta, conforme ele reage ao terremoto de Marte. De volta à Terra, a tela dos controladores começa a estalar – o sinal começa a cortar.

Diálogo15

Cortamos para o rosto de John – O Astronauta, conforme o tremor continua. Ouvimos uma risada distante – uma versão distorcida, transformada, de Britney rindo.

O terremoto pára. A voz de John – O Astronauta está cheia de assombro.

Diálogo16

A câmera se move em torno dele e desloca-se para trás por cima de seu ombro (GAG nº 4) …nós descobrimos que o terremoto revelou uma grande praça em Marte – e John – O Astronauta é apenas uma partícula no meio dela!

britney_spears

A MÚSICA COMEÇA…

….tudo é construído em tons de vermelho e esculpido nas rochas brutas de Marte. John – O Astronauta é ofuscado pelo cenário. A arquitetura desse lugar é simplesmente incrível.

A cifra distinta do teclado de Max Martin aumenta o drama. Ouvimos o gemido sutil de Britney no fundo, e cortamos para onde sentimos ela espreitar através de uma espessa cortina de laço vermelho, observando John – O Astronauta abaixo dela, sozinho na praça.

John – O Astronauta olha ao redor – ele sabe que algo está acontecendo. Correntes se desdobram e escadas descem lentamente, a partir do teto.

Uma grande lufada de vento dá a deixa junto com o efeito de som da faixa musical, quase tirando John – O Astronauta fora do chão. (GAG nº 4A). A faixa começa em grande estilo e John – O Astronauta olha para cima para ver quatro figuras masculinas saradas que subitamente apareceram no alto da estrutura. As quatro figuras bombeiam as alavancas de alguma máquina grande e indescritível, que solta um vapor vermelho e parece prover a praça de energia. Enquanto eles bombeiam, uma gaiola incrível desce do teto, contendo a forma inebriante de uma linda jovem mulher em um impressionante macacão vermelho, com a suas costas viradas para nós. (GAG nº 5). A imagem toda é realçada por uma madeixa de cabelo loiro. Quando a gaiola alcança o chão, a figura se vira – É a Britney.

Que entrada!

“I think I did it again / I made you believe we’re more than just friends…” [“Acho que fiz de novo / Eu te fiz acreditar que somos mais do que apenas amigos…”] A Britney salta para fora em frente ao John – O Astronauta… De repente, todo o cenário vem à vida. Há dançarinos marcianos aparecendo de todo lado, deslizando pelas correntes e voando para baixo em cordas, para se juntarem à Britney em frente de John – O Astronauta. Mas a Britney está na frente e no centro.

A Britney parece incrível enquanto canta e dança com sua equipe inteira. Atrás dela, os bonitões continuam a bombear as suas alavancas. A Britney continua a cantar e dançar com as pessoas dando saltos atrás dela, e conforme a câmera faz uma panorâmica para trás, distanciando-se da Britney, vemos que existem bailarinos dançando afastados, em primeiro plano.

Britney aborda John – O Astronauta e, num movimento estilo Matrix, voa por cima dele, agarra uma corrente pendurada no teto e prende o gancho da extremidade da corrente às costas do traje do John – O Astronauta. No alto, acima dela, os quatro bonitões puxam cordas e John flutua até o teto. (GAG nº 6).

Cortamos e encontramos a Britney esparramada em uma cama surreal em forma de sol, estilo marciano. A câmera desce do alto enquanto ela olha para cima e canta para John – O Astronauta, desamparadamente pendurado acima dela. (GAG nº 7). Em torno da cama-sol, os outros dançarinos estão espalhados e contorcendo-se como tentáculos do sol – é uma imagem visual deslumbrante.

Britney salta para fora da cama-sol, corre e começa a dar um salto como ela fez em Baby One More Time. Enquanto ela gira, cortamos para uma tomada de Britney girando e voando contra uma tela azul, antes dela pousar no meio da praça. (GAG nº 8 ). (Incluiremos a paisagem da praça marciana atrás dela, na tela azul).

Enquanto Britney pousa, John – O Astronauta foi baixado novamente. A Britney arranca fora o capacete dele e vemos que ele é um lindo homem jovem. Por um segundo, a cabeça dele se expande para o dobro do tamanho (efeito de vídeo) antes de se contrair e, enquanto ele entra em pânico e arfa procurando ar, de repente percebe que pode respirar, e não há nada com que se preocupar (GAG nº 9). A Britney sorri para John. John pega a mão dela e sorri de volta. Vemos um ângulo de Britney e John – O Astronauta que mostra a Terra e a Lua bem sobre os ombros deles (pós-efeito de vídeo).

Cortamos de volta para o Controle da Missão conforme a música fica mais lenta. O controlador inclina-se para um microfone em sua mesa, no qual ele fala:

Diálogo17

A partir do POV do controlador, vemos o diálogo que ocorre entre Britney e John – O Astronauta, quando John coloca um presente na mão de Britney.

Diálogo18Britney olha para o presente em sua mão.

 Diálogo19

John – O Astronauta vai embora, deixando Britney e seus dançarinos na Praça de Marte. Conforme a música entra em cena, ela começa a dançar novamente. Agora estamos em um espetáculo de dança plenamente desenvolvido. Os caras com suas alavancas no alto, a Britney e os dançarinos na praça embaixo, pessoas cuspindo fogo.

Finalmente, a Britney pisa de volta em sua gaiola. Ela olha para o céu com saudade e vê uma risca de fogo atravessando o céu, conforme John – O Astronauta deixa a órbita de Marte. Ela aperta o presente em sua mão e olha para o céu… “I’m not that innocent.” [“Eu não sou tão inocente.”]

A gaiola dela se eleva para o céu, rodeada por vapor. (GAG nº 10).

Fim.

© Nigel Dick, 2000

Uma nota do seu patrocinador: Antes de escrever este conceito, eu tive uma palavra com a Britney. Ela disse: “Eu quero um vídeo com um bonito astronauta em Marte, mas sem foguetes espaciais.” Eu respondi, “Mas o diálogo no meio não tem a ver com ‘Titanic’?”. A Britney respondeu: “Não se preocupe, você vai fazer isso dar certo.” As GAGs referem-se aos efeitos visuais que tínhamos planejado na pré-produção. Cada GAG tinha o seu próprio conjunto de storyboards e anotações sobre como iríamos executar o efeito.

Detalhe do vídeo da Britney:

Pergunta: Como a câmera caiu na cabeça da Britney durante a filmagem de Oops, I Did It Again?

Resposta: Ela não caiu. A caixa de matte (um pouco à frente da câmera) de fato caiu na cabeça dela de cerca de 1,5 metro – um acidente infeliz, que espero que nunca mais se repita em minha carreira. Fiquei muito chateado mas, como sempre, a Britney foi uma verdadeira soldado, e depois de um descanso e alguns pontos, ela estava de volta dançando após o acidente. Ela não foi levada às pressas para o hospital, não havia sangue jorrando por toda parte, e isso não aconteceu no meio da noite, como foi noticiado!

Britney Spears - Toy Soldier

Boa escrita musical pra você hoje!

27/03/2010

Escola de Cinema Em 10 Minutos de Robert Rodriguez – Parte 3

Aqui vai a última parte do capítulo do livro Rebel Withou a Crew, de Robert Rodriguez:

Robert Rodriguez

Montando o Seu Filme

Geralmente, ao editar em vídeo você transfere o filme para uma fita digital, ou 1” , e então faz um dub [N.T.: Cópia de um meio eletrônico para outro. Pode ser um som ou uma imagem de vídeo. → Retirado do livro Direção de Cinema – Técnicas e Estética, de Michael Rabiger, Editora Campus; uma excelente fonte de informações para quem quer fazer seu próprio filme] para uma ¾” e faz uma edição off-line. [N.T.: Edição de vídeo manual, não computadorizada]. Mais tarde, você conforma [N.T.: corta o negativo, ou o original na versão final do longa] a fita de 1” usando os números SMPTE correspondentes impressos na fita de vídeo. Isso é ótimo se você for rico, caso contrário, você pode fazer algo como o que eu fiz em Mariachi, mesmo não sendo a melhor opção. Eu simplesmente montei off-line em ¾”, sem números. Eu fiz sem números porque nunca esperei conformar nada. Eu ia direto para o mercado de vídeo, vender a minha fita ¾” editada off-line como fita master [N.T.: fita de onde se originarão todas as demais cópias].

Direção de Cinema

Mas o que isto fará é lhe dar um copião barato de seu filme para mostrar por aí, onde talvez um distribuidor de filmes ou vídeos interessado possa comprar o seu filme e pagar pelos custos de finalização. Veja, isto é diferente do que as faculdades e os livros de cinema lhe ensinariam. Todos eles iriam lhe dizer para pegar os seus rolos de filme de 16mm, editar num copião (work print), conformá-lo, fazer as primeiras cópias (answer prints) e então arranjar exibições para distribuidores, ou mandar as primeiras cópias para festivais. O que não é uma má ideia se você for milionário. Para o resto de nós existem modos mais inteligentes e muito mais baratos de alcançar os mesmos resultados. Fazer uma primeira cópia a partir de um negativo conformado para o Mariachi teria me custado pelo menos outros 20.000 dólares. E o que teria acontecido? Eu teria mostrado ele para um estúdio ou distribuidor e eles teriam-no comprado e pago por uma ampliação para 35mm e mixagem de som estéreo a fim de que os cinemas pudessem exibi-lo. Esse é o trabalho deles. Então por que mostrar a eles uma cópia cara do filme quando você pode mostrar-lhes o filme copiado num vídeo barato? Eles ainda teriam de ampliá-lo para 35mm de qualquer jeito. Deixe-os arcar com os custos; é o trabalho deles fazer isso. Tire vantagem das novas tecnologias, e também repense e questione todos os velhos métodos. Existem maneiras melhores de fazer as coisas e você pode descobri-las.

Algumas pessoas dizem que cortar no próprio filme ao invés de no vídeo ou no computador dá ao cineasta uma relação muito mais íntima com ele por permitir a manipulação manual das imagens, ao invés de apertar botões eletrônicos para montar o seu filme. Se você gosta desta ideia, faça a si mesmo um favor e leve à noite algum filme para casa e afague-o o quanto quiser. Mas quando chegar a hora de montar o seu longa, use um vídeo ou um sistema computadorizado. Em minha opinião, cortar em filme é o modo mais lento e absurdo de se montar um longa. Montar numa droga de sistema de vídeo off-line é mais rápido e isso já é bem incômodo. Quando você está cortando o seu próprio filme, aquele pelo qual você tem vivido e respirado desde sempre, as ideias que você tem ao montá-lo vêm tão rápido que cortar em filme apenas atrasaria aquele impulso – a espera e o tempo consumido lhe matam criativamente. Me mata, de qualquer modo. Eu descobri que editar em vídeo é muito mais condizente com o modo que você pensa, e você pode cortar uma cena quase tão rápido quanto você a vê passando em sua cabeça.

El_mariachi

Eu não mencionei o som. Eu rodei o meu filme mudo, gravando todo o som na locação sem controle, e então sincronizando-o mais tarde à mão. Veja, eles nunca teriam lhe ensinado como fazer isto na faculdade de cinema porque é trabalhoso demais. Eles prefeririam lhe ensinar como fazer isso do modo correto. Que é o modo mais caro. A conclusão é que não existe um modo único de se fazer as coisas. Invente o que quer que funcione para você. Após terminar o Mariachi eu ouvi alguns jovens falando sobre um filme que eles estavam rodando com uma câmera sem som, e apesar deles não terem um Nagra [N.T.: Gravador de som direto mais utilizado no Brasil e no mundo inteiro e que, por ser equipado com motor de quartzo, opera na mesma velocidade da câmera (quando equipada com o mesmo tipo de motor), permitindo o sincronismo total na hora de gravar a imagem e o som → Retirado do livro O Filme Publicitário, de Leighton D. Gage e Cláudio Meyer, Ed. Atlas, 1991. Hoje em dia os mais usados são os gravadores digitais, que são muito mais fáceis de se trabalhar e onde não há perda de qualidade ao se fazer cópias], eles gravaram todo o som digitalmente usando uma câmera Hi-8. Ideia legal. O Hi-8 tem som digital. Eles podem transferi-lo mais tarde e ter um ótimo som. Outros que eu encontrei estavam gravando o som diretamente no disco rígido (HD) de seus computadores e editando-o digitalmente, usando programas de edição de som como o Protools [N.T.: Aqui no Brasil são muito usados o Cubase e o Sonar]. Elabore o seu próprio jeito.

Então por que a maioria dos filmes custa tanto? Um dos motivos principais é que eles levam tempo demais para rodá-los. Existe uma falta de tomada de decisão perante um filme. As pessoas levam cinco meses para rodar alguma coisa que vai durar cerca de uma hora e meia na tela. Na maior parte dos filmes eu não vejo por que alguém precisaria de mais do que catorze dias para rodá-los. Quando você está gastando no mínimo cinquenta mil dólares por dia, pensaria que um diretor consciente dos custos conseguiria o máximo que ele pudesse num dia.

Toda vez que alguém fala sobre rodar filmes, eles não falam a mesma coisa? Eles dizem: “É a espera… a espera.” Todo mundo espera. Eu estou lhe dizendo, esperar é ruim. A espera é sua inimiga. Esperar irá matar a sua criatividade, e irá matar a sua energia.

Então, como você filma rapidamente? Ensaie até que você ache que está bom, rode-o e então esqueça-o. Siga em frente. Tenha em mente que o seu filme será feito de muitas partes, e incutir um monte de detalhes e refilmagens dolorosas de cada pequenino instante é um desperdício de seu tempo e dinheiro. É o efeito geral que você está procurando. Acostume-se com a ideia de que você terá de viver com a primeira ou a segunda tomada, e fazê-la funcionar mais tarde na sala de edição. Se você planejou as suas tomadas cuidadosamente, descobrirá que terá tudo o que precisa quando chegar à fase de montagem. Novamente, siga os seus instintos. A melhor coisa de operar a sua própria câmera é que você sabe quando conseguiu a tomada. Ao olhar através das lentes enquanto a ação está acontecendo, você vê como o seu filme irá aparentar na tela. Você não consegue esta percepção com um monitor de vídeo ou qualquer outra coisa.

Chega de ensinar. Saia daí e faça um filme. Porque eu estou lhe dizendo, Hollywood está pronta para ser tomada. Existem tantas pessoas criativas aí fora se coçando para fazer alguma coisa, mas elas são negativas demais ao pensar que nunca chegarão a lugar algum, ou que o que desejam nunca irá acontecer. Eu sei tudo isso porque eu acreditei na mesma coisa por tempo demais. Então vá em frente com isso e me ligue quando tiver terminado. Você faz o filme e eu levo a pipoca. Até lá… tudo de bom.

Trabalhe duro e seja assustador.

Robert Rodriguez

El mariachi

Acaba aqui o capítulo. A seguir estão mais alguns links interessantes…

Aulas de culinária de Robert Rodriguez:

10 Minute Cooking School – Puerco Pibil

10 Minute Cooking School – Breakfast Tacos

Palestra em que Robert Rodriguez explica porque agora só usa High Definition (e nem liga mais para o fotômetro):

Film is dead – Parte 1

Film is dead – Parte 2

Paródias deste capítulo:

Robert Rodriguez Five Minute Film School

Robbie Rodriguez’s 1-1/2 Minute Film School

E mais o seguinte texto:

Cinco filmes que custaram menos de US$ 100 mil e viraram hits

Espero que tenham gostado. Boa escrita e boas energias para o seu filme. Até!

25/03/2010

Escola de Cinema Em 10 Minutos de Robert Rodriguez – Parte 1

Filed under: Direção,Documentário,Fotografia,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 11:07
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Olá, pessoal! Esta é a surpresa, o “doce” que eu havia prometido no último post. Existe um texto em inglês que rola há um certo tempo na Internet com este título. O diretor, roteirista, editor, compositor, cinegrafista, editor de som, cameraman, ator, produtor e… enfim, o orgasmo múltiplo em pessoa, Robert Rodriguez, explica em dez minutos como fazer um filme. Na verdade, esse texto é uma versão resumida de um capítulo do livro Rebel Without a Crew que, infelizmente, não foi publicado em português (eu não entendo o motivo, essas editoras deixam passar cada livro ótimo!). Ele foi editado em 1996 pela Editora Plume, então de lá para cá muita coisa mudou em relação à tecnologia cinematográfica, mas a ideia geral continua válida e atual.

Aviso, antes de mais nada, que esta (como aliás todas as outras deste blog) é uma tradução livre. Não sou tradutora profissional e faço o meu melhor de acordo com minhas limitações linguísticas. No caso deste livro, o autor tem um estilo de escrever um tanto divagante, mais perto da língua falada do que da escrita. Ele gosta de fazer frases muito longas que começam com um assunto e terminam em outro, quase sem vírgulas e pontuação, o que dificulta muito na compreensão do texto. Por isso, eu o adaptei da melhor forma que pude para a nossa língua, quebrando as frases em outras menores quando dava, reformulando a pontuação para o texto ficar mais claro, sempre tentando ser o mais fiel possível ao original. Foi difícil, mas espero que tenha ficado a contento.

P.S.: Descobri posteriormente a causa do estilo de escrita dele: este capítulo é uma transcrição de um trecho da palestra-seminário que ele apresentou há vários anos, chamada “Guerrilla Filmmaking”. Ou seja, o texto realmente vem de uma linguagem falada.

Rebel Without a Crew “Rebelde Sem Uma Equipe – Como Um Cineasta de 23 Anos Tornou-se Um Artista Hollywoodiano”

Eu traduzi o capítulo completo em três partes, porque ele é meio longo. Procurei na Internet e não encontrei nenhuma versão em nossa língua, vocês estão pegando em primeiríssima mão!!

Obs.: Como eu sempre digo quando traduzo algum capítulo de um livro americano, se e quando este livro for editado em nosso idioma, eu retirarei imediatamente estes posts do ar, ok?

Então vamos aprender em 10 minutos a fazer filmes: 😀

robert rodriguez directs

Companheiro Cineasta:

Então você quer ser um cineasta? O primeiro passo para se tornar um cineasta é parar de dizer que você quer ser um cineasta. Eu levei uma eternidade para ser capaz de falar com uma expressão honesta no rosto que eu era um cineasta, até estar bem avançado em minha carreira. Mas a verdade é que eu tenho sido um cineasta já desde o dia em que fechei os meus olhos e me imaginei fazendo filmes. O resto era inevitável. Então, você não quer ser um cineasta, você é um cineasta. Vá fazer um cartão de visita para si. Próximo!

Bem, e em relação a todo o conhecimento técnico básico que você precisa para realmente fazer um filme? Eu acho que algum cineasta famoso disse uma vez que todas as coisas técnicas que você precisa saber para fazer filmes podem ser aprendidas em uma semana. Ele estava sendo generoso.

Você pode aprender isso em dez minutos.

Com a informação a seguir você pode embarcar na elaboração de seus próprios ótimos filmes, tudo por si só, sem uma equipe de filmagem (e, confie em mim, existem benefícios enormes em ser capaz de entrar neste ramo sendo completamente auto-suficiente. Isto assusta as pessoas. Seja assustador).

É bom ser auto-suficiente em um negócio onde as pessoas estão acostumadas a contar com as outras para conseguir que qualquer coisa seja feita. Porque daí percebem que você pode se mandar e fazer o seu próprio ótimo filme sem elas, então elas deixam você fazer do seu jeito. É por isso que você precisa ser educado em todas as áreas de produção. Se não por outro motivo, para que ninguém tire vantagem de você ou lhe dê informações falsas.

Eu sabia muito menos do que isto aqui quando comecei a rodar El Mariachi (Idem, 1992) e me saí bem, então você deve se sair melhor ainda. A maior parte disto eu aprendi de fato enquanto estava filmando. Mas estou lhe entregando isto agora, um presente meu por você ter comprado o meu livro.

Aqui vamos nós…

O Curso de Cinema em 10 Minutos de Robert Rodriguez

A primeira lição nesta escola de pensamento cinematográfico é que não é a sua carteira de dinheiro que faz um filme, não importa o que lhe digam em sua escola ou em Hollywood. Pense nisso. Qualquer macaco pode se esgotar financeiramente ao fazer um filme. A ideia é se esgotar criativamente primeiro.

De qualquer forma, o que é um filme? É simplesmente um empreendimento criativo. Quanto mais criatividade você empregar para resolver os seus problemas, melhor o filme poderá ser. Problemas surgem o tempo todo, não importa o quão grande seja o seu orçamento. Mas em um filme de grande orçamento, um problema surge e, já que os bolsos do estúdio são profundos, o dinheiro é prontamente disponibilizado. Então o problema geralmente não é resolvido criativamente; ao invés disso ele é rapidamente lavado para longe com a mangueira do dinheiro.

Porém, quando você não tem dinheiro e está trabalhando por conta própria as suas habilidades de resolução de problemas são desafiadas, a sua criatividade tem de trabalhar, e você conserta o problema criativamente. E isso pode fazer toda a diferença entre algo novo e diferente e algo industrializado e antiquado.

A coisa mais importante e útil que você precisa para ser um cineasta é de “experiência em filmes”, em oposição a “experiência de filmes” [N.T.: O autor fez um trocadilho entre “experience in movies” e “movie experience”. Esta foi a melhor tradução que encontrei]. Existe uma diferença. Eles sempre lhe dizem na faculdade de cinema e em Hollywood que, para se tornar um cineasta, você precisa arranjar “experiência de filmes” para que você possa trabalhar e ir subindo na hierarquia do negócio. O raciocínio é que, trabalhando em outros filmes, mesmo que seja como um assistente de produção, você consegue ver em primeira mão como os outros fazem filmes. Bem, esse é exatamente o tipo de experiência de que você não precisa. Você não quer aprender como outras pessoas fazem filmes, especialmente filmes hollywoodianos de verdade, porque nove em cada dez dos métodos usados são perdulários e ineficazes. Você não precisa aprender isso!

“Experiência em filmes”, por outro lado, é onde você mesmo arranja uma câmera de vídeo ou outro aparelho de gravação emprestado e grava imagens, para então manipulá-las em algum tipo de ambiente de edição. Não importa se você for usar os velhos sistemas de edição de vídeo ¾’’, VCR para VCR, ou mesmo edição no computador. Qualquer coisa que você possa arranjar. A ideia é experimentar criar as suas próprias imagens ou histórias, não importa o quão brutas elas sejam, e então manipulá-las através da edição.

Eu acho que todo mundo tem mais ou menos uma dúzia de filmes ruins dentro delas; quanto mais cedo você tirá-los de si, em melhor situação você estará. É melhor fazê-los numa plataforma barata como vídeo, deste modo você não se quebra financeiramente após se ensinar. E assim você poderá produzir tanto quanto puder, o mais rapidamente que puder. Não existe nada melhor do que entrar numa rotina criativa. Se você puder começar e terminar um projeto em vídeo em uma semana por ser barato, então faça isso. É melhor do que prolongar a produção de um filme em algo mais caro como 16mm, que você só pode trabalhar em semanas ou meses alternados porque se esgotou financeiramente. A prática de fazer os seus próprios experimentos do seu jeito irá lhe dar a confiança e a experiência necessárias antes de encarar o seu projeto dos sonhos. E se você fizer tudo isso sozinho, ficará ainda mais confiante, porque não há nada que dê uma sensação melhor do que saber que você é completamente auto-suficiente, e que não tem de perder o seu tempo tentando convencer um bando de pessoas a lhe ajudar.

Durante a minha curta experiência na faculdade de cinema eu vi o que acontecia com os alunos que não arranjavam a “experiência em filmes” de que estou falando. Quando alguns de nós entramos no curso de cinema, já tínhamos brincado por aí com câmeras de vídeo emprestadas e editando filmes de curta-metragem inexpressivos. Entretanto, a maioria dos outros estudantes não tinha feito isso. Eles imaginavam que tudo o que precisavam aprender eles aprenderiam com o professor, mas estavam errados. Não existe nenhum modo de você ir para uma aula e esperar aprender todos os aspectos técnicos de se fazer um filme, além de aprender como contar uma história e, mais tarde, montar efetivamente essa história através da edição. Tem muita coisa para se aprender. Você precisa se introduzir nisso sozinho, em seu próprio ritmo, de seu próprio jeito, antecipadamente. Pense nisso como pesquisar e estudar antes do grande teste. Se você entrar um dia na sala para fazer um teste e não tiver feito algum dever de casa ou estudado por conta própria, você vai se dar mal. Por mais que isso faça sentido, muitos estudantes ainda não tinham feito nada. Então, compreensivelmente, eles fizeram os seus primeiros filmes durante a aula e gastaram cerca de 1.000 dólares em seus projetos, já que eram em 16mm, e os projetos saíram capengas porque eles estavam tentando aprender tudo de uma vez. E esperavam que os resultados fossem melhores. Eu falei com alguns desses estudantes que estiveram falando o semestre inteiro sobre o quanto queriam ser diretores. Eles fizeram os seus filmes e estes foram menos do que esperavam. Eles sentiram-se desencorajados. Eles desistiram e disseram: “Eu não quero mais ser um diretor, eu não acho que esta seja a minha praia. O que eu realmente quero fazer é produzir!”.

Está vendo? Em primeiro lugar, é daí que surgem os produtores. Em segundo, eles não teriam ficado tão desencorajados e desistido tão facilmente se tivessem simplesmente continuado. Os meus primeiros 15 ou 20 curtas em vídeo eram ‘inassistíveis’, mas eu aprendi muito com eles e continuei fazendo-os porque eu me divertia mais com o processo do que com o resultado. Em terceiro lugar, quanto mais experiência você se permitir, melhor preparado você estará para o próximo projeto. Se quiser ser uma estrela do rock, você irá para uma escola de rock e esperará sair como Jimi Hendrix após umas poucas aulas curtas? É claro que não. Não seja preguiçoso, você sabe o procedimento. Você tem de se trancar em sua garagem e praticar até que os seus dedos sangrem.

E na verdade é melhor se você aprender a fazer filmes por conta própria, sem treinamento formal – de outro modo os seus filmes serão formais demais. Agora, você pode ouvir o tempo todo que você precisa aprender as regras para que possa quebrá-las. Não se importe com isso. Eu descobri que é mais eficaz ignorar tudo e questionar tudo. Porque tudo isso pode ser repensado e melhorado, e no final das contas as únicas técnicas que vale conhecer são aquelas que você mesmo inventa.

A teoria de que hoje em dia você pode aprender a fazer filmes gravando vídeos caseiros deixa um monte de cineastas nervosos. É claro, porque isto sugere que qualquer pessoa criativa aí fora pode agora mesmo fazer ótimos filmes imaginativos, significando que poderia haver mais competição em um mercado já competitivo. Mas é verdade. E eles deveriam ter medo. Deveriam ter muito medo.

el_mariachi

ESCREVENDO O ROTEIRO

Quando for aprender a escrever roteiros, é melhor começar com material original, ao invés de adaptar o trabalho de outra pessoa. Você também deveria tentar aprender sem pegar um parceiro ou parceiros de escrita. A experiência é muito mais recompensadora e você aprenderá muito mais. É mais assustador, é claro, porque se você fracassar não poderá culpar mais ninguém. Além disso a carga de trabalho é enorme e a única pessoa que tem para lançar ideias é você mesmo. Mas o que você quer é ser tão auto-suficiente quanto possível. Porque não importa quantas pessoas você arraste com você para criar aquela sensação de segurança grupal que você procura ao formar a equipe, em algum ponto tudo dependerá de você e você precisa estar preparado para isto.

Eu acho que o mesmo pode ser aplicado à produção de filmes. Apesar do cinema ser conhecido como uma arte colaborativa, ele não precisa ser. Certamente não há nenhuma regra que diga que tem de ser, e se houver, então sem dúvida, quebre-a. Porque a experiência e o nível de confiança que você vai ter após lidar com o filme sozinho será maior do que qualquer colaboração que você possa conseguir. Como está nos estágios iniciais, você não quer parceiros demais. Se o seu filme for bom, você irá ficar pensando se foram as outras pessoas que o fizeram ser bom; e se for ruim, é fácil demais usar os seus parceiros como bodes expiatórios, e você nunca aprenderá coisa alguma desse jeito.

Se você estiver pensando que talvez ainda precise ir para a faculdade de cinema para aprender um pouco mais… Esqueça a faculdade de cinema! Pegue aqueles 20.000 dólares ou mais que estava planejando gastar na UCLA ou na Faculdade de Cinema da Universidade de Nova York, e ponha-os de volta no seu bolso. Não podem lhe ensinar como contar uma história na faculdade de cinema, e mesmo que pudessem, você não iria querer aprender com eles de qualquer forma. Eles também não lhe ensinarão como fazer um bom filme de baixo orçamento todo sozinho, com muito pouco dinheiro. Ensinam como fazer grandes filmes, com uma equipe grande, para que quando você se formar após gastar 20.000 dólares ou mais em seu diploma, você possa ir para Hollywood e arranjar um emprego puxando cabos no grande filme de alguma outra pessoa.

O maior erro que você pode cometer é tentar fazer um filme de baixo orçamento usando as técnicas de filmes de grande orçamento que lhe são ensinadas na faculdade. Quando você tiver um grande orçamento e muitos equipamentos, descobrirá que uma equipe de cinema vem bem a calhar. Mas até então, eles são peso morto.

A vantagem de filmar no estilo-Mariachi é que nunca haverá nenhum problema de orçamento, porque não há orçamento! Não haverá motins da equipe ou problemas com bufês porque não há equipe e nenhuma comida para alimentá-los!! Não há nenhum problema com equipamento ou luz, porque a quantidade de equipamentos e luzes são mínimas. Mas também você não precisa filmar em estilo-Mariachi para fazer um filme de baixo orçamento altamente criativo. Questione tudo, faça o seu próprio livro de regras e invente os seus próprios métodos. Eu falei com pessoas que estão fazendo os seus próprios filmes sem orçamento, e suas inventividades são inspiradoras. Existe um milhão de modos diferentes de alcançar o mesmo resultado, então descubra o que funciona para você e faça isso.

 el_mariachi 2

Faremos uma pausa aqui. Além deste texto, Robert Rodriguez lançou essa Escola de Cinema em 10 Minutos em vídeo, como extras dos DVDs de seus filmes. Infelizmente estão todos em inglês, sem legendas. A seguir estão metade dos links que encontrei com esses vídeos. A outra metade eu passarei nos próximos posts, junto com o resto do capítulo.

claquete de cinema

P.S.: É muito engraçado os atores mostrando o número da cena com os dedos, pois eles não tinham claquete! Não precisavam chegar a tanto, no curta que fiz num curso de vídeo, nós mostramos a informação da claquete escrita em papel mesmo. Contar nos dedos já é pobreza demais! Também é interessante notar que ele fazia as mudanças de ângulos numa mesma tomada, já prevendo os cortes da edição, economizando deste modo bastante filme.

Divirtam-se com os making ofs!

The Robert Rodriguez 10 Minute Film School – Parte 1 (de El Mariachi)

The Robert Rodriguez 10 Minute Film School – Parte 2

10 More Minutes – Parte 1 [de A Balado do Pistoleiro (Desperado, 1995)]

10 More Minutes – Parte 2

10 Minute Flick School [de Era Uma Vez no México (Once Upon A Time In Mexico, 2003)]

Boa escrita y hasta mañana!

26/02/2010

Como Dirigir Um Curta-Metragem (3)

Filed under: Direção,Fotografia,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 22:33
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O artigo de hoje é um bom complemento ao de ontem. Este aqui foi escrito pelo usuário romian1 para o site eHow, e chama-se Como Produzir Filmes de Curta-Metragem:

Você está interessado em fazer filmes por conta própria? Isto é possível com curtas. Criar um filme de longa-metragem exige o trabalho de muitas pessoas e muito dinheiro. Um curta é muito mais barato de se fazer. Aqui vai como produzir e dirigir um filme de curta-metragem.

Instruções:

1- Entenda que não há uma definição padrão para a duração de um curta-metragem. Algumas definições determinam que durem entre 20 e 40 minutos, enquanto outras dizem que devem durar de 1 a 15 minutos. O que é certo é que produzir um filme com mais de 40 minutos irá tomar mais tempo e dinheiro. Se você quiser fazer um filme de 40 minutos, você deve ser capaz de editá-lo, caso queira qualificá-lo para um concurso ou festival de cinema que exija um filme de até 15 minutos.

2- Arranje um diploma de uma faculdade ou de um curso técnico qualquer. Os custos de fazer um filme dependem do esforço que você está disposto a dedicar a ele. Um filme de 3 minutos de você falando sozinho pode não lhe custar nada. Um curta de 15 minutos com muitos atores, dublês, muita ação e efeitos especiais pode lhe levar à falência. Você precisará de uma renda para se sustentar e conseguir todo o equipamento e ferramentas necessárias para se fazer um filme. Ser rico ou conhecer alguém rico irá ajudar, mas muitas pessoas não têm tal sorte.

3- Viva a vida ao máximo. Se você for um cineasta pobre, trabalhar e ter uma vida irá lhe permitir acumular ideias e inspiração para fazer boas histórias: de ficção e de não-ficção.

4- Planeje o modo como você irá fazer o seu filme, baseado no roteiro. Algum talento ou programa de gerenciamento irá ajudar, porque há muitas coisas a serem levadas em consideração. Cada coisa dessas exigirá dinheiro. Abaixo estão ideias sobre as maiores áreas a serem consideradas.

5- Escreva ou arranje um bom roteiro. Este é um importantíssimo ponto de partida. Sem uma boa história para comunicar em filme, ninguém se interessará em assistir o seu curta. O modelo ou formato padrão de roteiro pode ser encontrado na Internet. Você pode simplesmente escrever a história sem nenhum tipo de estrutura e colocar o conto em formato de roteiro mais tarde.

6- Alugue ou compre um equipamento de vídeo digital ou câmera de cinema. Você pode comprar ou pegar emprestado uma câmera digital ou uma câmera de vídeo modesta que custe menos de duzentos dólares, ou você pode comprar equipamento de vídeo ou de filme que pode custar cerca de milhares ou dezenas de milhares de dólares.

7- Arranje atores. A sua família talvez seja o melhor trabalho escravo para você. Amigos talvez exijam apenas cerveja e pizza. Você pode ter a sorte de encontrar um ator amador ou profissional que aceite trabalhar como voluntário. Atores esperam ser pagos, e os preços podem ser altos, mesmo em relação a dubladores.

8- Arranje um computador com um processador ponta de linha ou de qualidade mediana para a edição de vídeo. Programas de edição de vídeo trabalham bem nessas máquinas. Eles rodam com lentidão extrema, ou nem funcionam, em computadores baratos.

9- Compre um programa ou um equipamento de edição de vídeo. O Windows Movie Maker vem grátis com as versões do Microsoft Windows lançadas de 2000 para cá. Outros programas podem custar entre 20 dólares e centenas de dólares. Equipamento de edição de cinema pode bater na casa dos milhares.

10- Crie músicas originais. Ter talento musical vem bem a calhar. Pode ser uma dificuldade conseguir permissão oficial para usar as músicas de outro artista em seu filme, e ter de repartir todos os lucros. Mesmo se você estiver fazendo um filme que não pretende vender, usar a música de outra pessoa pode lhe trazer problemas.

11- Produza sons originais. Trate o som como você trataria a música. Acredite ou não, se você usar o som de outra pessoa em seu filme sem permissão, pode acabar enfrentando problemas judiciais.

(N.T.: Existem sites que oferecem efeitos sonoros grátis, sem que seja preciso pagar pelos direitos autorais. Sons de água corrente, trovões, porta rangendo, pássaros, passos no assoalho, e tudo o mais que você imaginar, eles têm. São milhares de opções à disposição. Alguns vendem os CDs com os efeitos sonoros, mas estes podem ser usados em seu filme sem pagar nada a mais. Abaixo estão os links de 4 sites deste tipo que eu encontrei. Se você der uma pequisada no Google, achará muitos outros).

Soundsnap.com

PacDV Free Sound Effects

A1 Free Sound Effects

Partners In Rhyme

12- Fazer o upload de seu curta em sites como o YouTube ou Revver é fácil. Já vender DVDs em quantidades que cheguem a centenas de cópias é mais difícil, pois gravar DVDs consome muito tempo, mesmo em pouca quantidade. Você precisará de DVDs virgens, caixas de DVD, um aparelho para copiar os DVDs, precisará imprimir as capas das caixas e de uma máquina para colocar os rótulos nos discos. Esses itens irão lhe custar muito dinheiro quando você somar tudo.

13- Determine as locações. Usar uma casa ou jardim que lhe pertença, ou a alguém que você conhece, irá lhe economizar uma grana. Se você for filmar em áreas públicas, talvez precise arrumar uma permissão.

14- (Opcional) Construa os cenários e arranje os figurinos. Se você for criar os acessórios e o material de cena, você precisará de capital. O mesmo se aplica aos figurinos.

15- Decida como você irá promover ou fazer propaganda de seu filme. A propaganda boca-a-boca é barata, mas se você quer espalhar a notícia para todo mundo, terá que pagar caro por qualquer tipo de anúncio. Mesmo se você mesmo criar um site para promover o seu filme, ainda irá levar um tempo para aprender e ser capaz de fazer um bom website. Ter um bom computador ou conhecimentos de tecnologia da informação será útil nessa situação.

16- Se você utiliza Withoutabox para distribuir e promover o seu filme, você terá de gastar tempo empacotando e enviando o seu curta para festivais nos EUA e no mundo afora. Custa uma grana enviar e inscrever o seu filme para ser exibido em um festival. Se acabarem não exibindo o seu filme, você não receberá o seu dinheiro de volta.

17- Desenvolva um storyboard. Você precisará desenhar a história para planejar visualmente como cada cena será filmada. Isto lhe dará ideias de como dirigir como a câmera deve operar (fazer uma panorâmica, um tilt, um zoom etc.) e como você deverá dirigir a interpretação dos atores.

(N.T.: Um tilt é uma panorâmica na vertical, semelhante a balançar a cabeça afirmativamente, só que com a câmera. O movimento pode ser só de cima para baixo — tilt down — ou apenas de baixo para cima — tilt up).

18- Comece a rodar. Quanto mais filme, melhor. Se você tiver múltiplos ângulos e tomadas extras, você terá mais opções de cenas para juntar à edição. Você não precisa filmar as cenas na ordem em que estão no roteiro.

19- Junte tudo. Isto pode consumir bastante tempo. Com um programa de edição de vídeo, botar as diferentes cenas numa ordem que você goste pode ser como montar um quebra-cabeças. Em edição, menos é mais. Se há partes do filme que não acrescentam nada à história, você tem de cortá-las. Se a voz não estiver sincronizada com os movimentos da boca por algum motivo, mudar a posição da trilha sonora pode lhe causar pesadelos. Adicionar som e efeitos especiais irão consumir tempo.

20- Acrescente música. Se você for fazer isto por último, botar a trilha sonora significa que você está perto de finalizar o seu projeto de filme de curta-metragem. Entretanto, esta tarefa também consome bastante tempo. Se você for fazer music loops (N.T.: Trechos de música que se repetem, artifício muito utilizado na música eletrônica), você precisará cortar o som para encaixá-lo na cena. O som deve aumentar gradualmente (fade in) se  a música for cortada no começo, e diminuir gradualmente (fade out), se ela for cortada no final, caso contrário ela passará a sensação de um corte brusco.

21- Esteja preparado para coisas maiores. Faça filmes de curta-metragem por amor à arte, não pelo dinheiro. Se as pessoas se interessarem pelos temas de seus curtas, algum dia o pessoal da indústria cinematográfica pode querer que você trabalhe no próximo projeto de longa-metragem deles.

Visite o site d1 Tempo Digital que tem dicas de movimentos de câmera, planos, cenas e toda essa parte técnica e de linguagem cinematográfica. É imprescindível estudar isso se você pretende rodar um filme!

Boa escrita para você e até amanhã, quando voltarei com mais dicas! Inté!

20/02/2010

Rodando Um Documentário de Curta-Metragem

Filed under: Direção,Documentário,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 18:03
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O artigo de hoje chama-se Como Filmar Um Documentário de Curta-Metragem, de autoria de Alan Donahue, para o site eHow:

Documentários são populares. Eles são vistos todos os dias, desde filmes como Sicko – $.O.$. Saúde (2007) e Super Size Me – A Dieta do Palhaço (2004), a programas de televisão como Biography e o Anna Nicole Show. Se você tem um desejo de fazer o seu próprio documentário, siga estes passos para se pôr na direção certa:

Instruções:

1- A primeira coisa que você precisa fazer é escolher um assunto para o seu documentário. Pode ser praticamente qualquer coisa, de família e amigos a completos estranhos. Assista a documentários para ver como a coisa mais simples pode ser interessante. Fique atento também a outras coisas que estejam acontecendo quando você estiver gravando. O seu tema pode mudar completamente, dependendo do que você tiver filmado.

Tentativa malsucedida de impressionar

2- A chave para se fazer um documentário de sucesso é ter toneladas de material filmado e editá-lo com apenas os melhores e mais divertidos momentos. Por causa disso, equipamento é um dos fatores mais importantes aqui.

3- Você deveria ter múltiplas câmeras e múltiplos membros de equipe, se possível. Com cada câmera, deveria haver umas 4 ou 5 baterias e um suprimento externo de energia para um dia inteiro de filmagens.

4- Tripés são necessários apenas para segmentos de entrevista. Eles podem ser irritantes, ou volumosos demais para uma gravação normal.

5- Se você planeja ter muitos membros em sua equipe, pense em um para ser o operador de microfone girafa (boom mic operator). Deste modo, você irá conseguir conversas com um som ótimo, eliminando o barulho de fundo, e será capaz de ouvir qualquer pessoa que não esteja com um microfone.

Operadores de microfone girafa no estúdio e em locação externa

“Não é fácil segurar uma girafa sem deixá-la abaixar. Encontre um operador experiente.”

6- Com todo o equipamento em mãos, você agora já está pronto para rodar o seu documentário. Tente gravar tão seriamente quanto possível, sem ficar no caminho de ninguém, e agindo como se você nem estivesse lá.

7- Se alguma coisa controversa estiver acontecendo, ou se algumas pessoas estiverem chateadas por você estar filmando, não pare até se sentir inseguro. Mantenha a câmera rodando o máximo possível; você pode acabar descobrindo as suas cenas mais divertidas durante a pós-produção.

8- Uma prática comum na área de documentários é fazer entrevistas e seguir persistentemente certas pessoas-chave durante determinados acontecimentos. Faça isso frequentemente, de modo a pegar o primeiro pensamento das pessoas, antes que elas tenham tempo o suficiente para refletir, e possivelmente mudar as suas respostas.

9- Uma vez que toda o seu material filmado esteja reunido, é hora de editá-lo — um dos mais longos e mais difíceis processos. Durante a produção, tome notas das cenas-chave para que você possa rapidamente encontrá-las, evitando assim horas de procura entre as fitas. Se o seu assunto for interessante o suficiente, você não precisará fazer uma edição complicada, e o seu documentário irá tomar forma por si mesmo.

É isso por hoje. Ainda tenho muitos artigos sobre escrever e produzir documentários, vou traduzi-los aos poucos nas próximas semanas. Uma boa escrita para você hoje e inté!

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