Dicas de Roteiro

04/01/2011

Encaixando Personagens Em Sua História Usando Arquétipos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:15
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O artigo de hoje é um complemento do de ontem, e também é de autoria de Yolanda Beasley, e tirado do site Write For Hollywood:

Batman e sua pausa para o cafezinho

Ao criar seus personagens, cada um deve ter um papel específico e servir a um propósito na narrativa de sua história. Há mais em adicionar personagens do que lhes dar falas. (Veja o artigo sobre Criação de Novos Personagens para maiores explicações.)

Todo personagem principal e coadjuvante deveria cair em uma ou mais dessas categorias arquetípicas:

Arquétipos

  • Herói: admirável, simpático, conduz a história
  • Anti-herói: o herói não-tradicional. Ele não é verdadeiramente admirável, mas ainda torcemos por ele; um pobre coitado
  • Vilão: o inimigo que impede o herói de conseguir o que ele quer ou ameaça tomar o que ele tem; fonte de conflito
  • Figura sombria: o que o herói corre perigo de se tornar, se ele não conseguir o que quer
  • Mentor: fornece ao herói apoio, orientação, conhecimento etc. sobre a viagem
  • Malandro, brincalhão, rebelde: trabalha contra o status quo
  • Guardião do Umbral: obstáculo no caminho do herói de conseguir o que quer
  • Metamorfo: alguém que muda de posição ao longo do caminho – amigo que se torna um inimigo
  • Personagem reflexivo, ajudante: serve como uma caixa de ressonância para o herói; muitas vezes diz o que está na mente de herói

Não é necessário que cada um desses arquétipos esteja na sua história, ou que apenas um papel seja dado a um único personagem, mas a sua história precisa ter equilíbrio no conflito.

Às vezes você sente que a sua história não está funcionando e não consegue compreender bem o motivo; é provável que lhe esteja faltando um desses papéis necessários. Por exemplo, você pode descobrir que só tem um herói e um caráter reflexivo. Isto pode significar que você não tem conflito suficiente. Se você elevar o seu ajudante a vilão ou metamorfo, aí você tem conflito.

Brinque com os papéis que cada um desempenha enquanto você ainda está desenvolvendo os seus personagens e a sua história. Você vai descobrir que tem uma história diferente dependendo de quais papéis os seus personagens exercem, e quando você atinge a combinação certa, isso simplesmente fica claro.

    fantastic-paper-artwork05

    Boa escrita pra você hoje!

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    25/05/2010

    Linguagem Corporal Resumida Para Escritores

    Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:20
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    Olá! Hoje é a continuação do último post, e este texto também foi retirado do site Archetype Writing:

    Corpos

    Toda linguagem corporal deve ser considerada em seu contexto, mas se você definiu a sua cena e estabeleceu os seus personagens, um pouco de linguagem corporal pode ajudar!

    RAIVA

    A raiva é uma expressão da modalidade lute-ou-corra – é uma reação automática e instintiva a uma ameaça. Em muitos casos, existe um medo subjacente de ser ferido. Graças à excitação do sistema nervoso autônomo, a frequência cardíaca aumenta, as pupilas dilatam, e o rosto pode enrubescer. Outros sintomas de raiva:

    • Fechar os punhos
    • Cruzar os braços fortemente
    • Cerrar os punhos uma vez que os braços estejam cruzados
    • Sorrir com os lábios apertados
    • Dentes cerrados
    • Sacudir um dedo como se fosse um porrete
    • Apunhalar alguém com um dedo

    ATRAÇÃO

    • Pupilas dilatadas
    • As mulheres cruzarão e descruzarão as pernas para atrair a atenção para elas
    • Espelhamento (geralmente inconscientemente). Mimetizar a linguagem corporal de outra pessoa.

    Robert and Kristen

    FECHADO PARA CONVERSA

    • Manter as mãos nos bolsos (especialmente os homens)
    • Braços e pernas cruzados
    • Sentar-se para trás
    • Segurar as mãos juntas sobre uma mesa (cria uma barreira)
    • Cruzar as pernas formando um “número quatro” (colocar o tornozelo de uma perna no joelho da outra) e então agarrar a parte inferior da perna de cima com ambas as mãos.

    RECEPTIVIDADE E HONESTIDADE

    • Exposição das palmas
    • Braços e pernas descruzados
    • Inclinação para a frente

    SINAIS DE SUBMISSÃO

    • Sorrir – é por isso que algumas pessoas sorriem quando estão aborrecidas ou com medo.
    • Curvar os ombros
    • Fazer qualquer coisa para parecer menor

    ANGÚSTIA

    • Os homens em particular têm uma tendência para afagar ou esfregar a nuca quando estão aborrecidos. Isso funciona como um auto-tranquilizante para lidar com uma “dor no cangote” [N.T.: Em inglês, “a pain in the neck”, termo que nós expressamos com “um pé no saco”. Mas a linguagem corporal daqui não é diferente por causa disso, se é que você me entende! 😆 ;-)]
    • Braços cruzados – os braços agem como uma barreira protetora
    • Cruzada de um braço – um braço cruza o corpo para segurar ou tocar o outro braço – as mulheres mantêm uma mão numa bolsa ou numa alça de bolsa para fazer isto parecer mais natural.
    • Agarrar uma carteira, uma pasta ou uma bolsa com ambas as mãos.
    • Ajustar os punhos da manga ou as abotoaduras (a versão masculina de agarrar a alça da bolsa).
    • Entrelaçar as mãos juntas na frente do escroto (homens)

    MENTIR

    Mentir causa um tremor sutil na face e no pescoço, então os gestos abaixo são tentativas de eliminar esta sensação:

    • Cobrir a boca – pode ser como um gesto de “shhh”, ou pode cobrir a boca completamente – algumas pessoas tentam cobri-la tossindo
    • Tocar ou esfregar o nariz, ou somente abaixo do nariz – geralmente um gesto pequeno e rápido, não uma coçada
    • Esfregar os olhos (especialmente os homens)
    • Coçar o pescoço com o dedo indicador

    SUPERIORIDADE, CONFIANÇA, PODER, DOMINAÇÃO

    • Fazer uma torre com os dedos (ou seja, colocar as pontas dos dedos juntas)
    • Entrelaçar as mãos atrás das costas
    • Polegares de fora dos bolsos quando as mãos estão nos bolsos (podem ser os bolsos da frente ou os de trás)
    • Mãos nos quadris
    • Ficar sentado com as pernas muito abertas
    • Mãos entrelaçadas atrás da cabeça enquanto está sentado (no caso dos homens; nas mulheres isto empurra os seios para fora e se torna sexual)

    linguagem_corporal

    Boa escrita para você hoje! (Aposto que você vai reparar nesses sinais em todo mundo com quem você conversar hoje!! :lol:)

    24/05/2010

    Usando a linguagem corporal na escrita

    Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:14
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    O artigo de hoje foi tirado do site Archetype Writing, e escrito por J.J. Cooper:

    Palestras

    De cima para baixo: Steve Cisler, Soenke Zehle, Monica Narula, Geert Lovink and Jan Nederveen Pieterse.

    Quando eu estava no Exército, passei algum tempo ensinando Análise de Linguagem Corporal em entrevistas e interrogatórios. Isto envolveu a leitura da linguagem corporal do indivíduo, bem como a utilização da própria linguagem corporal do entrevistador/interrogador para conseguir melhores resultados.

    A pesquisa sugere que a informação é transmitida através de três elementos:

  • Verbal – 7% (o que é dito)
  • Vocal – 38% (como é dito)
  • Não verbal – 55% (expressão facial, postura, gestos)
  • Em uma conversa normal, o elemento verbal é usado principalmente para a comunicação dos fatos ou opiniões que um falante quer transmitir ao ouvinte. O elemento vocal é utilizado para apoiar as palavras; em outras palavras, isto inclui coisas como entonação e a ênfase em determinadas palavras.

    Como você pode ver, o componente não-verbal, que é mais comumente referido como linguagem corporal, é o maior componente individual da comunicação de pessoa para pessoa. Cada gesto é como uma palavra, e uma palavra pode ter significados diferentes. É só quando a palavra é usada em uma frase com outras palavras que o seu significado é totalmente compreendido. Gestos vêm em frases/grupos, e podem indicar a verdade sobre os sentimentos e as atitudes de uma pessoa.

    Nós geralmente não percebemos que postura, gestos e movimentos do corpo podem dizer uma história, enquanto a voz pode estar dizendo outra.

    Então, como podem os escritores transferir essa informação para a sua escrita? Em primeiro lugar, usar indicadores de linguagem corporal é uma ótima maneira de "mostrar" a informação em vez de "contar" ao leitor o que está acontecendo. Ao fazer o diálogo, acompanhe-o com alguns tipos de movimentos físicos. Vamos encarar, você apenas se senta ou fica parado quando fala com alguém? Você se aproxima mais de alguém com quem se sente mais confortável? Você toca o braço de alguém de quem gosta, um pouco antes de falar com ele?

    Uma palavra de aviso, todavia. Não tenha um movimento físico no final de cada fala de diálogo. Lembre-se, tudo o que escrevemos deve agregar valor para a história de alguma maneira.

    =============

    Sobre o autor:

    J.J. Cooper passou dezessete anos no Exército australiano, desdobrado em duas excursões oficiais ao Timor Leste e uma visita ao Oriente Médio em 2003. Ele especializou-se em Inteligência Humana, inclusive interrogatório (como praticante e instrutor). Desde que deixou o exército, ele passa cada momento livre na sua paixão pela escrita. O suspense de estréia de J.J., Interrogated [Interrogado], foi publicado pela Random House, na Austrália, em 2009. Visite o blog dele em http://jjcooperaus.blogspot.com.

    Abaixo está um texto em português tirado do site Marketing na Cozinha, mas que foi originalmente postado em inglês no site da BBC News:

    O JEITO DE SEGURAR O COPO DIZ MUITO SOBRE VOCÊ

    O jeito de segurar o copo diz muito sobre você

    Dr. Glenn Wilson, psicólogo, diz que a maneira de segurar o copo pode dizer muito sobre você. Ele observou a linguagem corporal de quinhentas pessoas e as dividiu entre oito tipos de personalidade. Em qual você se encaixa?

    A paqueradora
    Geralmente a mulher, segura o copo de maneira delicada, dedos espalhados e usados de uma maneira provocativa. Ela pode o posicionar sobre o seu decote para chamar atenção para os seus atributos, ou faz contato visual enquanto toma um gole. Ela pode passar o dedo na borda do copo, para provocar, ou molhar o dedo na bebida e secar com a boca.

    A fofoqueira
    Normalmente uma mulher, junto com suas amigas. Ela pode estar falando de outras pessoas e ser muito crítica. Ela segura o copo de vinho pela base e o utiliza para gesticular e participar da conversa. Ela pode parecer quase derrubar a sua bebida em outras pessoas quando vai conversar de perto. Ela já tem um grupo social formado e fechado e está pouco inclinada a estendê-lo.

    O amante-divertido
    Este pode ser homem ou mulher e tende a ser sociável e alegre. Tomam goles curtos de bebidas engarrafadas para que não percam a oportunidade de contribuir com a conversa. Seguram uma garrafa perto. Esse tipo de pessoa está sempre feliz em aumentar seu círculo de amizades. Conversas bem-humoradas os fazem rir.

    O tímido
    Uma pessoa submissa que segura o copo de maneira protetora, como se tivesse com medo que alguém fosse pegá-lo. As palmas da mão são mantidas escondidas e o copo é usado como uma muleta social – a bebida nunca está terminada – com um gole restante no copo, em caso de uma emergência. Podem usar um canudo para mexer a bebida entre os goles. Deve-se aproximar destes indivíduos suavemente, de maneira sensível com, talvez, alguns elogios para aumentar a auto-confiança.

    A rainha do gelo
    Este é um tipo costuma ser mais feminino, é naturalmente frio e defensivo. Bebe de um copo de vinho, ou um copo pequeno, que é segurando firmemente numa posição de barreira através do corpo para deter aproximações íntimas. A aproximação geralmente é perda de tempo.

    O playboy
    Homem ativo, com auto-confiança; um Don Juan do tipo sedutor. Ele usa seu copo, na maioria das vezes longo, ou garrafa como uma propaganda fálica, brincando com ele sugestivamente. Ele pode ser possessivo e tátil com as companhias femininas.

    O pavão
    Ele é consciente de sua imagem e vai beber uma garrafa de cerveja, ou refrigerante. Ele pode ser confiante, arrogante e territorial nos seus gestos, se espalhando o máximo possível, por exemplo, empurrando o copo longe de si mesmo e se inclinando na cadeira. Se ele estiver bebendo com amigos, pode não estar aberto a aproximações de fora do grupo.

    O briguento
    Geralmente masculino, ele prefere copos grandes, ou garrafas, que ele usa como armas simbólicas, segurando firme e gesticulando de maneira ameaçadora. Tem uma atitude “sabe-tudo”, pode ser um pouco hostil, mesmo apenas em um argumento verbal, ou piadas com outras pessoas como alvo.

    linguagem-corporal

    Amanhã teremos mais sobre linguagem corporal. Boa escrita pra você hoje, e até!

    17/05/2010

    Como Escrever Um Bom Vilão

    Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:56
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    Olá, hoje estou atendendo a um pedido do nosso colega João Carlos, que está escrevendo um romance e pediu mais elementos de arquétipos para criar seu vilão. Encontrei alguns artigos interessantes sobre o assunto, e vou postá-los aos poucos aqui. Eu escolhi este para começar por ser abrangente, e por incluir alguns dos arquétipos que o João pediu. O artigo foi retirado do site Deviantart, e escrito pela ~phoenixbyrd. Eu fiz algumas pequenas adaptações, pois o artigo falava muito sobre como escrever personagens para jogos de RPG. Apesar disso, ainda assim considero ele informativo e válido para roteiristas e escritores. Confira:

    Villain_Month___26___Atmo_by_Freakshow6

    COMO ESCREVER UM BOM VILÃO

    É claro que estou brincando com a palavra “bom” aqui. O que quero dizer, claro, é como você escreve um vilão bem. Vamos primeiro dar uma olhada em:

    O que faz um bom vilão literário? (tirado deste artigo: http://www.wisegeek.com/what-makes-a-good-literary-villain.htm, esta seção é composta do artigo do link, que foi ligeiramente modificado para caber neste guia).

    Um grande vilão literário não é uma coisa qualquer, alguns são enroladores de bigode ou gênios do mal, alguns são sombriamente complexos, almas torturadas, enquanto outros são loucos amorais que agem totalmente por impulso. Existem muitas maneiras de se escrever um vilão literário, mas uma característica ímpar frequentemente une os verdadeiros anti-heróis memoráveis: eles são pelo menos tão complexos quanto os heróis.

    Alguns dos maiores e mais antigos vilões literários vêm de William Shakespeare. Embora a literatura certamente retratou personagens perversos antes, Shakespeare tinha um talento e um interesse em desenvolver seus personagens e as motivações por trás de suas más ações. Em Otelo, Shakespeare nos dá, possivelmente, o mais icônico vilão literário de todos os tempos: Iago. A peça gira inteiramente em torno de suas intrigas, e Iago frequentemente fala para a platéia, explicando a si mesmo e seus planos. Esta tradição de um vilão pensante tem influenciado muitos escritores ao longo da história, e levou à criação de dúzias de famosos malfeitores literários.

    Um grande vilão literário pode ser quase totalmente maldade pura; na revolucionária série Harry Potter, muito do clímax depende da ideia de que o vilão, Lord Voldemort, é verdadeiramente irredimível e além de qualquer ajuda. Ainda que a simples motivação de ganhar o poder supremo seja a coisa mais básica sobre Voldemort, o que faz dele um vilão convincente é a explicação minuciosa de seu passado e ascensão ao poder. A profundidade de sua vilania faz dele uma figura poderosa e memorável, uma que vai assombrar os pesadelos de muitos por um longo tempo ainda.

    Outros vilões são complexos em sua aparente amoralidade. Estes personagens são particularmente assustadores, pois eles parecem viver caoticamente, escolhendo ações por impulso ou para seu próprio bem maior a qualquer custo. Às vezes, estes personagens são descritos como cinzas, ou anti-vilões. Eles ocasionalmente vão fazer o bem, se necessário, mas podem muito de repente decidir fazer o mal, ou ações que sejam prejudiciais para o herói. O pathos [N.T.: Pathos – Emoção ou paixão, amplificada ou simulada, susceptível, por técnicas específicas do teatro, de suscitar ou manipular no publico sentimentos naturais de piedade ou de terror, com vista a provocar a catharsis.] aparentemente aleatório destes vilões é perturbador e memorável, conforme eles desafiam os conceitos de sistemas ordenados com a sua própria existência.

    Um bom vilão literário também pode ser um com motivações ou características com as quais seja fácil se identificar, e, em certa medida, universais. Criar um vilão que seja simpático dá aos leitores uma poderosa contradição de emoções. Enquanto eles não querem que o personagem seja bem-sucedido em seus planos ignóbeis, eles sentem remorso verdadeiro pela dor e pelos defeitos fatais que fazem com que o vilão reaja com maldade. Em Macbeth, o vilão sem dúvida faz uma coisa boa ao livrar o reino de um rei fraco e frágil, substituindo-o como um herói da nação. Porém, Macbeth é enredado por seu próprio amor pelo poder, e, quase contra a sua própria vontade, cai na escuridão.

    Para a maioria, os melhores vilões literários nos lembram que eles, também, são humanos. Não importa o quão pervertidos ou sombrios possam ser, eles não são tão diferentes de você ou de mim. Os caminhos que separam o herói do vilão são complexos e incertos, e os grandes escritores são muitas vezes capazes de descrever com precisão não apenas o mal feito, mas a humanidade abandonada.

    Então, recapitulando (conteúdo totalmente original daqui em diante)

    * Eles são COMPLEXOS
    * Desenvolva as características e as motivações por trás de suas ações.
    * Faça-os irredimíveis e além de qualquer ajuda
    * Dê profundidade às vilanias e torne-as memoráveis e atraentes
    * Amoralidade, o coração do Caos
    * Enerve o leitor
    * Identifique-se com o vilão e justifique suas ações
    * Sempre faça com que eles abandonem a humanidade

    Como…

    …conseguir isto?

    Eles são COMPLEXOS -  Então não tenha medo de confundir as pessoas. Equipare-o à complexidade do(s) herói(s), de que outro modo você pode esperar derrotá-los? Mwahahahaha! Todo vilão precisa de seu plano mestre, sua trama para ganhar poder ou conquistar o mundo! Não esquive-se desses grandes esquemas, e não tenha medo de fazê-los complicados. Quanto mais diabólicos e afetados, melhores!

    Desenvolva as características e as motivações por trás de suas ações. – É aqui que você consegue profundidade e o desenvolvimento do personagem. Você não tem que sempre concordar ou entender estas motivações, nem tudo tem de ser justificado ou, de fato, sensato, e você não tem sempre de se identificar com seu vilão, basta conhecê-lo. Para cada ação há uma reação, para cada pensamento há uma essência. Aleatório é bom, mas tenha algum método em sua loucura, senão você apenas está jogando com alguém insano, nem sempre um vilão. Como o Coringa, dê a eles motivos, faça-os ter algum sentido, mesmo que seja somente para eles mesmos. O plano pode ser não ter plano nenhum, mas dê a eles uma direção e uma razão para essa direção. Você não tem de revelar isso tão cedo, ou pode até não revelar nunca, no entanto, simplesmente saber disso irá ajudá-lo a escrevê-los.

    Faça-os irredimíveis e além de qualquer ajuda – Novamente, isto não é verdade para todo vilão, mas algumas vezes ajuda a escrever as ações e os atos mais sujos se em sua mente esta pessoa está além de qualquer castigo. Você está meramente representando um papel, contando a história deles, você não precisa desculpá-los, apenas admita que eles estão além de qualquer ajuda e não têm nenhuma moralidade, e que estão totalmente desconectados de você (mesmo que você esteja vivendo através deles, haha! Brincadeira, estou brincando >_>).

    Dê profundidade às vilanias e torne-as memoráveis e atraentes. – Não seja uma moça rejeitada num baile, os vilões raramente são assim. Dê-lhes dignidade, dê-lhes peculiaridades, dê-lhes desafios! Não tenha medo de fazê-los arrogantes e, mesmo se eles forem fulanos moralmente repreensíveis, pelo menos torne-os atraentes.  Então eles trabalham em segredo? Isso significa que, quando você publicá-la, a sua escrita tem de ser tão esquecível quanto as ações deles deveriam ser?

    Amoralidade, o coração do Caos. – Ahhhh, caos! Como eu te amo! A melhor amiga de um vilão é sua insanidade, mas mesmo os insanos têm alguma ordem em sua loucura. Pode existir o caos na ordem, e para escrever isso de forma convincente você ainda precisa construir este personagem amoral de uma forma ordenada, caso contrário você perde de vista o que está tentando alcançar com ele, e simplesmente acaba numa confusão enorme; tanto com seu personagem, quanto em sua escrita. A amoralidade é difícil de se escrever bem, por isso eu aconselho que você a evite se for um principiante na escrita de ‘bons’ vilões. Isto requer prática e talento. Quando feito corretamente, no entanto, você acaba com um personagem verdadeiramente assustador, impulsivo, egoísta, concentrado, no limite e imprevisível. Ele pode parecer fazer o bem algumas vezes, mas sempre consegue causar o caos para o herói, então concentre-se nisso. Seus objetivos estão sempre mudando, então espalhe as ações dele caoticamente mas sabiamente, sem inclinar-se demais para um lado ou para outro, mantenha-o sempre pensando!

    Este deveria ser o seu mantra de vilões amorais:

    “Faço com que o pathos aleatório seja tão enervante e memorável quanto possível, e desafio os conceitos de sistemas ordenados com a minha própria existência.

    Enerve o leitor – fazendo coisas bem terríveis. Mwahahaha! Não lhe diga o que está por vir, demore-se e surpreenda-o (mas não vá para o Modo-Deus) [N.T.: Em jogos de videogame, é quando um personagem está no modo invencível.] Existem maneiras mais inteligentes de inquietar os seus companheiros de viagem sem forçá-los a um caminho que eles podem não querer ir. Use a atmosfera, a linguagem, e acima de tudo, a inteligência para escrever um vilão verdadeiramente convincente. Elabore os seus enredos em torno do herói e desafie-o, abale o seu personagem mentalmente, e sempre esteja um passo à frente do jogo. Não existe tal coisa como um vilão idiota, é para isto que o cúmplice número cinco serve. 😉

    Identifique-se com o vilão e justifique suas ações. – Ao fazer isto, você se limita em relação a outras convenções, e limita o que você pode estar preparado para escrever, mas há uma maneira de contornar isso. Eles podem ter características universais, até mesmo uma razão justificável para suas vilanias, mas os fins justificam os meios? É a isso que você precisa se apegar. Faça os fins justificáveis, mas os meios detestáveis. Nós podemos nos simpatizar com sua infância e trauma, e isto é algo com que podemos nos identificar em muitos níveis, mas como nós lidamos com isto e como o vilão lida com isto é o que nos diferencia e o que permite a você, como escritor, escrever essas ações desprezíveis. Justifique isto, dizendo: “Bem, eu posso ver porque simplesmente eu não posso perdoar o modo como isso é feito, mas isso de fato acontece.” Você não quer que eles tenham sucesso, mas sente remorso por eles, e entende os defeitos fatais que levaram-nos a realizar estes atos perversos. 

    Sempre faça com que eles abandonem a humanidade. – Esta é uma jornada, e para completar a metamorfose deles é aconselhável separá-los da humanidade e fazê-los bestiais. ‘Sempre’ é provavelmente um pouco forte, visto que nem todos os vilões são irredimíveis e nem todos vão tão longe no caminho do mal; mas pelo bem das convenções, a maioria deve ir por este caminho na maior parte do tempo, se quisermos preservar a beleza do que é a vilania e, naturalmente, o mal.

    Obviamente nem tudo isso pode ser alcançado em um personagem, então que tipos de vilões têm essas convenções?

    Convenções de vilões

    Tanto quanto eu saiba, estes conceitos literários não encontram e cumprimentam seus fãs, não, eu estou me referindo aos tipos de vilões que você pode escrever, e como você combina as convenções acima.

    Vilões arquetípicos – estes são os tipos de vilões que podem ser vistos na maior parte da literatura.

    O “Vilão Pensante” – O enredo gira inteiramente em torno de suas intrigas, eles frequentemente delineiam seus planos e modificam-nos, explicando a si mesmos e a seus planos, algumas vezes tentando justificá-los. Esta tradição de um “vilão pensante” influenciou muitos escritores ao longo da história, e levou à criação de dúzias de famosos malfeitores literários.

    O Descontente – O Descontente é um tipo de personagem que está frequentemente desgostoso com a estrutura social e com outros personagens do enredo. Ele ou ela muitas vezes é um forasteiro, que observa e oferece comentários sobre a ação, e frequentemente é um bastardo ou uma criança ilegítima com ressentimento por ser pobre, ignorada ou não incluída na família. O Ricardo III de Shakespeare, e o Iago em Otelo são típicos descontentes. O papel é geralmente tanto político quanto dramático, com o descontente expressando desagrado com a atmosfera política geralmente ‘Maquiavélica’, e frequentemente usando apartes [falas direcionadas ao público] para construir um tipo de auto-consciência que falta em outros personagens. A moralidade e a simpatia do descontente é uma imensa variável, e algumas vezes, como em Hamlet e O Descontente, eles são o centro simpático, onde Iago é um personagem muito antipático. A coisa mais importante em  relação ao descontente, é que ele é descontente – infeliz, inquieto, desgostoso com o mundo como ele o vê – não está à vontade com o mundo em que ele se encontra, ansioso para mudá-lo de alguma forma, ou para disputar com ele. Ele é uma voz objetiva, ou quase objetiva, que comenta sobre preocupações, e comenta como se ele de alguma forma estivesse acima ou além delas. A própria palavra resume a natureza de seu personagem, ele não está contente com seu quinhão ou com o mundo.

    O “Enganador” – O assassino, o ladrão, o personagem que possui a maior simpatia, e, frequentemente, a maior transição. Ele/ela pode ser o principal antagonista, o vilão principal, ou em servidão a um vilão, e ou torna-se o vilão principal ele mesmo (muitas vezes assassinando seu ‘mestre’ no processo), ou corrigindo e modificando seus modos.

    O cientista louco – caos, anarquia, insanidade! Sempre, sempre, sempre tem algum grande experimento, e é focado ao ponto de frequentemente causar a sua própria morte. Eles se recusa a ver além de seus planos, e muitas vezes enraivece seus próprios asseclas.

    O Supervilão – O Vilão Definitivo, o cara que está puxando todas as cordas e mudando o mundo para servi-lo. Pode motivar o criador a fazer um “personagem de estimação” [personagem que tem todas as qualidades e é favorecido de várias maneiras pelo autor, geralmente causando a repulsa e a rejeição do público], mas o melhor modo de evitar isto é se concentrar em seus defeitos. Ele é arrogante, e maltrata seus lacaios e capangas, ele mina seus aliados e subestima seus inimigos. Para reproduzir um supervilão interessante, você PRECISA fazê-lo ter uma queda, e quanto mais alto ele estiver antes, tanto melhor. Despoje-o de seu poder e force-o a recuperá-lo lentamente. Force-o a concentrar-se em suas fortalezas básicas, removendo assim o elemento de “personagem de estimação”. Os supervilões são frequentemente acionados por poder, então eu estimulo você a fazer as fraquezas dele debilitantes, e você descobrirá um vencedor! Esteja disposto a ser derrotado e provar seu valor jogando com ele de uma forma inteligente. Ele é inteligente, então não conte com o poder dele, faça-o politicamente experiente e com a habilidade de se adaptar e reconhecer seus próprios fracassos, após ter caído. Lembre-se, Orgulho antes da Queda, então se ele está começando em uma posição de poder, prepare-se para derrubá-lo um degrau ou dois, e permita-o sangrar. Faça-o intocável e ninguém lhe tocará -literalmente eles não vão publicar você com um personagem assim.

    O Chefe Supremo do Mal – O Imperador, o todo-poderoso Ming! Lord Sidius, Sauron, você conhece o tipo. Frequentemente, um cânone, nunca deve ser exagerado, use este vilão através de seus asseclas. Crie seu aprendiz, seu servo fiel, seu escravo, e use-o apenas para progredir a trama. Ele é quente demais para se tocar por muito tempo, impressionante e poderoso demais para ser utilizado com frequência, portanto traga-o para a ação em ocasiões especiais. Coisas boas/poderosas demais não fazem um bom enredo. Por mais divertidos que sejam em ação, resista à tentação, tudo com moderação!

    O Gênio do Mal – Ao contrário do cientista louco, este cara não é completamente insano. Sua genialidade pode deixá-lo louco, mas ele ainda tem algum controle sobre a realidade, e, portanto, isto o torna mais perigoso. Muitas vezes ele fica sob o radar, tecendo suas tramas malignas e saboreando suas maquinações, este vilão é divertido de criar, mas extremamente difícil de anular.

    O Traidor – o meu favorito! Esperto, duas caras e normalmente disfarçado em 90% de sua carreira como vilão, a traição deve ser significativa e nele NÃO SE DEVE CONFIAR! No entanto, o desgraçado do herói sempre acaba confiando nele. Dicas sobre como representar o traidor… seja legal. Não diga para todo mundo seus planos, e engane seus companheiros para acreditarem nele. Não revele a verdade até o momento OPORTUNO. Você sabe quando será. Se você for esperto o suficiente, terá manipulado o enredo a fim de revelar o seu verdadeiro eu, e deste modo, trair o herói. Antes que isso aconteça, você terá uma sensação de formigamento, mas não se preocupe, isso é apenas a antecipação de poder finalmente bramir sua gargalhada maléfica… tendo praticado-a em segredo por tantos anos… Bwahahahahaaaa!

    O Delator – A cobra, um egoísta, adulador servil, um parasita bajulador! O interesseiro aparentemente servil que tenta conquistar favores bajulando pessoas influentes. Às vezes, na servidão de um rei, mas na verdade sua lealdade encontra-se com o arqui-vilão, e algumas vezes este delator é o arqui-vilão, talvez disfarçado. Não abuse deste personagem, mantenha-o sob o radar, e eventualmente revele a sua verdadeira lealdade, seja ela outro mestre, ou o mal ao invés do bem.

    Algumas Pérolas de Sabedoria Finais

    1. Mantenha-se fiel ao seu personagem e ao arquétipo.
    2. Tenha um plano! Você nem sempre tem que cumpri-lo, isso depende do personagem, mas tenha algum foco ou o seu enredo vai sofrer!
    3. Não tenha medo de ser mal. É divertido!
    4. A tortura é sempre um bom "talento" para se ter.
    5. Não tenha medo dos estereótipos, os vilões são clichê, mas a execução do clichê é o que importa. Pegue a convenção e torne-a sua, altere-a para as suas necessidades e desejos.
    6. Misture e combine – mantenha as pessoas adivinhando, e mantenha isso interessante para você. Não fique sempre preso à forma, experimente todos os tipos de vilões!
    7. Não tenha medo deles, abrace sua vilania e separe-se de si mesmo, se necessário, para ter o trabalho feito.
    8. Aprecie-os como personagens e não contamine-os com "coelhinhos" e "raios de sol". Seja mau, e seja bom em ser mau.
    9. A prática faz a perfeição!
    10. Não desista! Representar um bom vilão é difícil, mas quanto melhor o vilão, melhor o herói, e mais interessante a trama!

    Eu tenho uma atração pelos vilões da ficção, seja na literatura, no cinema ou na TV. O Coringa, Randell Flagg e Sylar são alguns de meus personagens favoritos de todos os tempos. Saber como escrever um bom vilão é importante, e tão poucos dão-lhe o crédito que deveria ter.

    celebrity-pictures-zachary-quinto-kittens-villain“GATINHOS – Todo bom super vilão precisa de um”

    Por hoje é só. Ainda teremos mais artigos sobre este assunto, aguarde! Boa escrita para você hoje, e bons vilões!  ganzo1

    13/04/2010

    As 4 Perguntas Mágicas

    Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 15:15
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    O artigo de hoje foi tirado do site The San Francisco Lair, mas não consegui descobrir quem é o autor dele. O texto se refere a um joguinho psicológico feito pelos garotos para ver se conseguem levar alguma garota pra cama. Ao mostrar que sabem o que elas sentem, eles esperam que elas se “abram” mais para eles (Nota: Nada impede que este jogo seja feito por uma mulher para que um homem responda :mrgreen: ). Qual o motivo de eu estar colocando isso aqui? Bem, gostei do lado psicológico da brincadeira, e achei que poderíamos fazer as mesmas perguntas para nossos personagens. Acredito que isso daria mais subsídios para entendermos eles. Se não servir para mais nada, talvez sirva para juntar algum casalzinho por aí, quem sabe?! 😉

    Observação: O texto foi meio mal escrito, portanto pode haver algumas frases meio desconexas, mas o original é assim mesmo. Espero que dê para entender.

    joaninhas

    “Pergunta: Eu topei com algumas referências às “quatro perguntas mágicas” e não fui capaz de encontrá-las online ou em arquivos. Alguém sabe quais são elas?”

    Aqui vão elas. Autor original desconhecido.

    As Quatro Pergunta Mágicas

    1) Imagine-se em um quarto branco onde tudo é branco – paredes, teto, chão. Descreva a sua experiência.

    2) Qual é a sua cor favorita? Descreva-a, que impressão ela passa?

    3) Qual é o seu animal favorito? Por quê? Descreva-o.

    4) Imagine-se perto de uma grande massa de água. Descreva a sua experiência… O que você faz?

    As Respostas e Seus Significados

    1) Esta é a sua percepção da morte e de morrer.

    2) É assim que você vê a si mesmo, com aquelas qualidades que você respondeu à pergunta.

    3) (Esta é muito engraçada e sempre as faz ruborizar um pouco) É deste modo que as pessoas vêem você, com essas qualidades.

    4) Esta é a sua visão do sexo, com a água etc. Agora, obviamente você tem de sondar um pouco mais profundamente quando estiver fazendo essas perguntas de modo que você possa guiá-las a dar-lhe as respostas com profundidade suficiente para analisá-las, e dar a elas uma resposta de âmago profundo.

    Bem, como as primeiras perguntas são muito leves e genéricas, é fácil de acertar e deixá-las surpresas com quão precisas são as respostas, de modo que quando você chegar àquela do sexo (número 4), você tem uma confiança enorme.

    Elas sentem como se você as conhecesse num nível profundo e as mudanças na fisiologia etc. são enormes. Então, você começa a pergunta 4 porque tem estado certo nas últimas declarações sobre quem elas são como pessoas num nível profundo, mudando a percepção delas de modo que se surpreendam e descubram coisas sobre si mesmas que não sabiam.

    Isso abre a porta para ser capaz de preencher esta última afirmação com os pressupostos condutores ao invés dos estímulos, e elas irão concordar totalmente. Obviamente, é aí que você aproveita a oportunidade para exagerar sobre as propriedades sexuais delas, os desejos etc.

    x-ray_kiss

    Aqui vai um exemplo para esclarecer as coisas

    1) Imagine-se num quarto branco. Tudo é branco – paredes, teto, chão. Descreva a sua experiência.

    Ela: Paz, calma, relaxada.

    2) Qual é a sua cor favorita? Descreva-a. Que impressão ela passa?

    Ela: Vermelho, ardente, se destaca, passional.

    3) Qual é o seu animal favorito? Por quê? Descreva-o.

    Ela: Golfinho é esperto, livre, divertido, bonito.

    4) Imagine-se perto de uma grande massa de água. Descreva a sua experiência.

    Ela: O que você faz? Eu pulo nela e nado.

    Exemplo: Significado das Respostas Dela

    1) Esta é a sua percepção da morte e de morrer. Ela se sente em paz, calma e relaxada.

    2) É assim que ela vê a si mesma: apaixonada, ardente, passional e que se destaca na multidão.

    3) As pessoas a vêem como livre, esperta, bonita, divertida.

    4) Esta é a sua visão do sexo, amor, excitação etc. Quando ela está com aquele certo cara e simplesmente sabe lá no fundo que essa pessoa a conhece profundamente, e num nível muito mais íntimo.

    Ela apenas se descobre querendo liberar toda a paixão e emoção e a conecção profunda que você pode experimentar. Bem, COMIGO, quando respondi essas perguntas eu me senti do mesmo jeito…

    Importante: Como você o estabelece faz toda a diferença. Dê uma olhada na estrutura do jogo e veja se pode extrair algo dele e usar isso para um “novo jogo”. Você pode conseguir ir longe com ele.

    Namorico

    Boa escrita pra você hoje!

    21/03/2010

    A Psicologia da Escrita

    Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:26
    Tags: , ,

    Olá! Hoje estou postando a tradução de mais um artigo de Brad Mirman. Eu sei que vocês querem variar os assuntos e os autores, mas já estamos chegando aos últimos artigos do site The Screenwriters Homepage. Falta bem pouquinho!! Quem tiver paciência ganha um doce! :mrgreen:

    O artigo de hoje tem o mesmo título do post. Vamos a ele:

    truman_capote O escritor americano Truman Capote (1924-1984)

    “É uma vida muito excruciante encarar aquele pedaço branco de papel todo dia e ter que chegar lá em cima, em algum lugar nas nuvens e trazer para baixo algo de dentro delas.” – Truman Capote

    Pelas respostas que eu recebi de vários de vocês, ficou óbvio que muitos já escreveram um roteiro antes. Então eu vou direcionar esta e as próximas colunas para o aperfeiçoamento do ofício. [N.T.: Eu não traduzi as colunas deste site na ordem em que estavam, pois não esperava que fosse traduzí-lo todo. A maioria das colunas posteriores a esta já estão postadas neste blog.] Além disso, em resposta a algumas das cartas que recebi, eu gostaria de mencionar que se você for escrever por qualquer outro motivo senão o amor à escrita, você terá uma longa estrada para percorrer. Escrever um roteiro, uma peça ou um romance exige tremenda dedicação e disciplina. É a paixão pela escrita que ampara o escritor através de todas aquelas horas solitárias. No fim das contas, o trabalho deveria ser sua própria recompensa.

    Eu tenho pontos de vista muito firmes sobre quem pode ser um bom escritor e quem não pode. Eu acredito que se mostrar coisas relacionadas a história, estrutura e diálogo a alguém que tenha talento, estas coisas farão dele(a) um escritor melhor… e aqueles que não têm talento podem aprender a escrever roteiros ruins um pouquinho melhor. Então, quem tem talento e quem não tem? Sei lá! Eu posso ler um roteiro e pensar comigo mesmo, “Isto é horrível”… mas esta é apenas a minha opinião… e a minha opinião não significa nada fora de minha realidade.

    Se eu ler algo e achar que os personagens são fracos e a história inexistente, eu me sinto muito confiante de que a maioria das pessoas da indústria iria concordar comigo… mas existem aqueles que não concordam, e talvez o roteiro seja vendido por uma fortuna. POR QUÊ? Porque todas as pessoas e cada uma delas é um ser humano diferente, com diferentes gostos e aversões. Quero dizer, se nós fôssemos todos universalmente os mesmos, com os mesmos gostos… então precisaríamos de apenas um sabor de sorvete – apenas um estilo de vestimenta – uma marca de carro etc.

    Mas não somos, e é por isso que quando você vai a uma sorveteria ouve pessoas pedindo coisas que vão de chocolate crocante duplo com lascas – a surpresa de jujubas. É por isso que, quando você pede uma pizza com um amigo e ele pede anchovas e você faz cara de nojo, ele olha para você como se você fosse louco. É tudo uma questão de gosto. E, num sentido bem real, é o SEU GOSTO que determina como você escreve. O modo como você vê o mundo e tudo nele.

    BradMirmanBrad Mirman 

    Cada um de nós é uma pessoa única e diferente. O que nos faz diferentes? O lugar onde nascemos, quem são os nossos pais, o que eles nos ensinaram, o que eles não nos ensinaram, o que aconteceu conosco enquanto crescíamos – os bom e maus incidentes emocionais que nos moldaram no que somos agora… neste exato momento.

    Nota: Não, você não clicou acidentalmente num link e foi transferido para uma página de psicologia. Entretanto, psicologia tem muito a ver com o que somos como escritores. Quando você se senta para escrever algo, você o extrai da soma total de suas experiências de vida. Elas moldaram quem e o que você é, e moldaram o seu modo de ver o mundo. Isto dá uma boa ou má percepção do que eu acho que são as duas qualidades mais importantes de um bom escritor: JULGAMENTO COMPARTILHADO e HABILIDADE.

    Quando você pensa bem, isso é tudo o que a escrita realmente é. Julgamento. Quando eu escrevo um suspense, eu estou usando o meu julgamento do que sinto que seja inquietante… e esperançosamente (se eu tiver feito o meu trabalho), a maioria das pessoas que o lerem irão concordar com a minha opinião de que é assustador. Se outros concordarem comigo, então nós alcançamos o estado de Julgamento Compartilhado. Claro, a habilidade de escrever as minhas percepções para que outros concordem comigo é a chave fundamental para ser um roteirista de sucesso.

    Você irá notar que eu disse ‘roteirista de sucesso’, não um bom roteirista. No mundo comercial de Hollywood, filmes=negócios… e negócios=produto comercial. Eu sei que se eu quiser escrever um filme pequeno e profundamente emotivo que lide com o relacionamento entre um pai alcoólatra e seu filho moribundo, eu terei muito mais dificuldade de vendê-lo do que um suspense sexy ou uma obra recheada de ação.

    Agora eu vou lançar uma palavrona para você: Fenomenológico. [N.T.: Fenomenologia: (Filosofia) Em Hegel, espécie de autobiografia do espírito, que transita do conhecimento sensível ao verdadeiro saber; em Husserl, método filosófico que visa a aprender as essências absolutas das coisas]. Experimentar algo nos dá a habilidade de falar ou escrever sobre ele num sentido fenomenológico. Por exemplo, se eu disser: “Eu acho Paris uma ótima cidade, eu vivi lá por quase dois anos.” Eu estarei falando fenomenologicamente. Se você disser: “Eu nunca estive lá, mas muitos dos meus amigos dizem que é um lugar ótimo.” Você não estará falando fenomenologicamente, porque não tem nenhuma experiência direta disso. Obviamente, quando escrevemos a partir de conhecimento ou experiência direta, nós temos uma fonte muito mais rica de informações em que nos basearmos. Mas tem horas em que não podemos fazer isto.

    Face a face com o inimigo

    Quando escrevi Face a Face Com o Inimigo (Knight Moves, 1992), eu não tinha nenhum conhecimento direto de como é ser um assassino em série. Eu tive que tentar imaginar como ele seria. Como eu fiz isso? Entrando em contato com o meu lado sombrio e deixando ele correr solto na minha imaginação. Então eu comecei a montar o personagem. Como ele iria se mover e falar? Quem era ele? Por que ele era do jeito que era? Ele foi educado? Quais eram as emoções que o impulsionavam? Todas estas coisas formam o modo que um personagem fala. Muitas vezes quando começo um roteiro, eu escrevo 30 páginas só para ter uma ideia de como o personagem fala e age. Quando eu finalmente consigo isso, jogo as páginas fora e começo de novo. Se você já se encontrou andando para frente e para trás na frente de seu computador, dizendo para si mesmo “ele não diria uma coisa dessas”… então você sabe o que eu estou querendo dizer. Cada personagem que escrevemos é, de certa forma, uma parte de nós mesmos. O bom/mau, masculino/feminino, forte/fraco etc. Digamos que, como pessoa, você seja basicamente um tipo forte e extrovertido. Se estiver escrevendo um personagem que é forte e extrovertido, você terá uma vantagem – se o personagem for fraco e reservado, não terá. Você vai ter dentro de si menos experiências para coletar e sobre as quais escrever. Então, o que fazer?

    Eu me lembro de conversar sobre isso com um outro escritor a alguns anos atrás. Ele disse: “Eu apenas tentaria imaginar como uma pessoa tímida seria.” Eu me lembro de pensar que esta era uma fonte muito pobre. Por quê? Porque ele estava tentando criar algo sem nenhuma experiência direta (e na verdade, nem indireta).

    Isto nos leva a outro assunto: Alguns de vocês podem estar pensando que homens e mulheres escrevem personagens do gênero oposto – que escritores brancos escrevem sobre personagens negros e escritores negros escrevem sobre personagens brancos – que pessoas saudáveis escrevem sobre pessoas morrendo etc. Não há nenhum jeito de que eles jamais possam experimentar verdadeiramente, num sentido fenomenológico, aquilo que estão escrevendo. Verdade.

    Então, como nós lidamos com isto? Aí vai uma palavra de oito letras que irá lhe ajudar: PESQUISA. Uma palavra muito simples que muitos escritores ignoram. Bem, obviamente existem horas em que você precisa mesmo deixar a sua imaginação correr solta. Quando eu escrevi Highlander III – O Feiticeiro (Highlander III – The Sorcerer, 1994), eu não pude sair por aí procurando por seres imortais e perguntar a eles como é nunca envelhecer, e como é cortar a cabeça de alguém. Quando escrever terror ou ficção científica, você tem de (ao menos em parte) confiar em sua imaginação.  Mas quanto à composição de McCloud, eu pude contar comigo mesmo e com outras pessoas que eu conhecia, para trazer um sentimento de solidão e isolamento para este personagem.

    Highlander 3

    Você ficará surpreso com quanta informação estará disponível para você se você se treinar em procurá-la. Eu gostaria de que você tentasse uma coisa. Compre um bloco de anotações pequeno e carregue-o com você. Sempre que você vir alguém e formar rapidamente uma opinião sobre ele, pegue o bloco. Por exemplo, você vê uma pessoa que instantaneamente lhe dá a impressão de ser tímida. No topo de cada página, escreva um tópico. Neste caso seria tímido – mas outros poderiam ser… hostil, zangado, louco, triste, solitário, inseguro etc. Agora olhe para a pessoa e escreva cada característica e qualidade que você consiga identificar e que faz você sentir que aquela pessoa seja tímida. A sua página pode parecer deste jeito:

    shy_bear

    TÍMIDO

    ➡ Não faz contato visual quando está falando.

    ➡ Postura muito rígida.

    ➡ Enrubesce facilmente.

    ➡ Sente-se incomodado perto de outras pessoas.

    ➡ Sorri desconfortavelmente.

    Veja quantas características você pode associar com timidez. É claro que cada pessoa tímida tem características diferentes, mas está tudo bem, porque um dia quando você começar a escrever um personagem tímido, você irá contar com as suas observações para criar um personagem complexo. Tantos escritores apenas se sentam e começam a escrever os seus personagens sem pensar muito na composição psicológica deles… e isto geralmente aparece no roteiro. Quanto mais informação você tiver em que se basear, mais profundidade você irá incutir nos seus personagens.

    Timidos Anonimos 

    Muito obrigada pela visita, boa escrita hoje 💡 e até amanhã!

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