Dicas de Roteiro

09/03/2012

Filmes em 3D perdem a força na batalha por bilheteria

Filed under: Direção,Produção — valeriaolivetti @ 13:31
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Saiu essa matéria no jornal O Globo de hoje, vale a pena dar uma lida: http://oglobo.globo.com/cultura/filmes-em-3d-perdem-forca-na-batalha-por-bilheteria-4261569

A história se repete, como nos anos 1950, este novo 3D, pelo jeito, também está sendo apenas uma febre passageira.

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13/01/2012

Você Conseguiu uma Reunião Para Vender a Sua Ideia – E Agora?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Esta matéria do Los Angeles Times foi escrita por Jesse Lasky e publicada em 20 de novembro de 2011. O artigo foi indicado por John August, e sugerido por um colega nosso.

Um escritor de TV consegue a oportunidade de uma vida, mas, como uma trágica reviravolta na história, o destino intervém.

Como eu aprendi na quarta série, quando a minha primeira paixão me disse, ah… tão eloquentemente, “Se manda, esquisitão!”, nem tudo o que você busca na vida vai funcionar como planejado. Agora, na idade madura e avançada de 28 anos, nada me fez lembrar mais daquela lição escolar do que quando eu recentemente apresentei a ideia do meu primeiro programa para uma rede de TV.

Depois de trabalhar em TV e Cinema pelos últimos sete anos, passando de um estagiário a um assistente de produção, e ao escritório dos roteiristas, eu decidi me mudar de Nova Iorque para Los Angeles. Eu estava por aqui há oito meses quando, durante uma reunião, eu mostrei de improviso uma ideia de programa para os executivos de desenvolvimento. “Nós entraremos em contato”, eles disseram, que em Hollywood significa “Você nunca vai ouvir de nós novamente.” Mas então eles fizeram algo estranho. Eles entraram em contato.

“Nós queremos que você venha e apresente a ideia.” Peraí. Esta foi apenas uma ideia que eu tive. Nem mesmo uma ideia – uma semente de ideia! E agora eles queriam que eu viesse com uma flor completamente crescida? Em menos de uma semana.

Menos de uma semana? Eu nunca tinha tentado vender a ideia de um programa antes. A minha única noção preconcebida de como apresentar a ideia de um programa foi quando eles fizeram isso em Seinfeld, mas eu duvidava que me basear no George Costanza fosse me ajudar a passar por isto.

Normalmente, apenas 10% do processo de escrever é a escrita de fato. Os outros 90% são uma sutil mistura de procrastinação e insegurança. Mas não havia tempo para nada disso. Eu tinha que delinear a premissa. Descobrir os pontos de virada. Quem são os meus personagens? Eu não sei!

Quais são os seus relacionamentos? Sei lá! Episódios futuros? Não tenho nenhum!

E isso era apenas metade da coisa. Porque eu também precisava descobrir como ficar na frente destes executivos e realmente vender o programa. Como escritor, você está condicionado a se comunicar por detrás do conforto de um notebook e uma tigela grande de Cookie Crisp.

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Precisando de conselhos sobre como vender, eu me voltei para o meu amigo Scott, um vendedor de carros. “Sorria, faça contato visual, e transpire confiança”, ele disse. “Faça com que eles lhe queiram mais do que você os quer.”

Então eu dirigi para a casa do meu colega de trabalho, Frank, no meu recém-comprado e apenas um pouco usado Chevy Silverado 1994 (o que eu posso dizer? O Scott é um bom vendedor). Lá, Frank disse: “Apenas saiba sobre o que você está falando.” Eu achei que era um bom conselho, até perceber que talvez esse fosse o jeito dele de me dizer que eu normalmente não sei sobre o que estou falando.

Por último, me disseram para “praticar várias e várias vezes na frente do espelho.” Isso é fácil – eu passo a maior parte do meu tempo na frente do espelho, de qualquer forma. Isso ia ser mamão com açúcar!

CORTA PARA: Dia da apresentação. Eu entrei na rede de TV com o meu sistema de apoio intacto (meu empresário, meu agente e meus dedos cruzados). Nós nos sentamos junto aos belos, bem-vestidos e inteligentes executivos de TV (Sim, eu estou sendo puxa-saco, mas, ei, eles podem estar lendo isto).

Eu comecei a me apresentar. O entusiasmo deles crescia conforme eu falava, o que acabou me deixando entusiasmado. Eu respondi suas perguntas. Fiz eles rirem. A minha braguilha não estava aberta. Isto estava indo bem.

Daí veio o jogo de espera. Eu estava preparado para o pior. Afinal de contas, a maioria das ideias de programas não são vendidas.

Cinco dias mais tarde, eu recebi o telefonema – eles vão comprá-la!

Eles perguntaram se eu estaria disposto a escrevê-la como uma sitcom tradicional de múltiplas câmeras, em oposição à comédia de uma única câmera, como eu originalmente propus. Eles estão brincando? Eu a escreveria legendada em alemão, se eles quisessem que eu fizesse isso. Eu estava exultante. Eu consegui! Vou começar a usar caros óculos escuros dentro de casa e comer omeletes de caviar em todas as refeições.

CORTA PARA: 68 dias e 11 horas depois (mas quem está contando?)

Um executivo recém-contratado entrou na rede de TV. Fez algumas mudanças. E, por mudanças, eu não me refiro à troca do adoçante da cozinha do escritório de Splenda para Sweet’n Low. Não, a mudança foi botar um fim ao desenvolvimento de roteiros da emissora, para focar em reality shows.

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E, como resultado… o meu piloto não iria em frente.

Mas, ei, isto acontece o tempo todo. Muitos escritores ganham a vida vendendo ideias que nunca são produzidas. Apesar disto tudo, os escritores de TV continuam a ser um bando de otimistas. “Claro, o piloto dele não foi escolhido, mas isso não vai acontecer com o meu programa.” As únicas pessoas que dizem “isso não vai acontecer comigo” mais do que os roteiristas de TV estão nervosamente sentadas em clínicas de saúde, tendo perdido a conta de seus casos de uma noite. Exceto que, diferente delas, a penicilina não pode curar a dor do escritor de ter um acordo de piloto firmemente no lugar, só para tê-lo retirado 68 dias e 11 horas mais tarde (mas, sério, quem está contando?)

Então, depois da minha primeira experiência apresentando, vendendo e perdendo o meu próprio programa… eu ainda amo este negócio?

Totalmente. E, ao que parece, a quarta série fez um trabalho dos diabos me preparando para ele.

Lasky tem trabalhado com a equipe de roteiristas da série Bored to Death, da HBO, e tem escrito monólogos de piadas para The Late Show With David Letterman.

don't panic

Como o roteirista John August comentou: “Muitas vezes, os momentos mais capazes de causar pânico são quando as coisas vão inesperadamente bem.”

Boa escrita pra você hoje!

01/09/2011

Os Segredos do Financiamento de Filmes

Filed under: Produção — valeriaolivetti @ 12:26
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Olá, este é o penúltimo artigo gratuito do site Film School Online. Como volta e meia eu digo, o roteirista precisa aprender sobre todas as áreas da arte cinematográfica para poder fazer seu trabalho melhor. Então, aqui vai:

FilmReel

Se você estiver considerando fazer um longa-metragem, esta lição irá verdadeiramente abrir os seus olhos. Examinaremos o financiamento de filmes a partir da perspectiva dos produtores de sucesso.

A abordagem não é provavelmente a que você espera, uma vez que vai na contramão do que geralmente é ensinado na escola de cinema. Em retrospectiva, no entanto, você pode vir a apreciá-la. Especialmente quando ela lhe ajudar a evitar repetir os erros de inúmeros cineastas mal sucedidos.

Abordagem típica

Praticamente todos os aspirantes a cineasta e formandos de escolas de cinema querem fazer um longa-metragem. Uma das primeiras coisas que eles fazem é tentar levantar financiamento.

Financiamento de filmes é uma tarefa difícil devido ao risco que os investidores devem correr. Apesar disso, alguns companheiros cineastas realmente conseguem isso. Eles normalmente levantam financiamento de amigos, parentes e/ou investidores "anjos". Após a conclusão, o filme é lançado no circuito de festivais em busca de um distribuidor.

Esta é a rota típica para cineastas iniciantes. Parece razoável, certo?

Errado. Existe uma falha inerente que condena o filme ao fracasso. Leia a abordagem de novo e tente encontrá-la.

O problema é que a abordagem está de trás para a frente. Assegurar a distribuição deve ser o primeiro passo, não o último.

Distribuição

Elo crucial

Você pode estar se perguntando: "O que a distribuição tem a ver com financiamento?" A resposta é: tudo!

O acordo de distribuição é a forma como você levanta o financiamento. Ao pré-vender os direitos de distribuição, você pode arrecadar qualquer coisa entre o dinheiro para começar até praticamente todo o orçamento. Direitos de distribuição incluem:

  • Salas de Cinema Nacionais

  • Salas de Cinema Internacionais

  • DVD

  • TV

  • Syndication [Venda de um filme ou seriado diretamente para estações de TV independentes]

Pré-vender os direitos de distribuição é a forma como todos os participantes reais da indústria tiram seus projetos do papel.

Lembre-se das convincentes "histórias de Cinderela" sobre projetos que foram apresentados sem sucesso a todos de Hollywood antes de serem finalmente adquiridos, lançando carreiras importantes no processo. Bem, aqueles cineastas usaram exatamente a abordagem recomendada aqui.

Você acha que um desconhecido Sylvester Stallone fez Rocky com seu próprio dinheiro? Ou que Mark Burnett usou suas economias pessoais para produzir a primeira temporada de Survivor? Claro que não. Eles foram em torno de Tinseltown lançar a ideia até que alguém a comprou.

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Criação original de Mark Burnett

A pessoa ou empresa que compra os direitos de distribuição pode não ser um distribuidor em si, mas pode garantir a distribuição em virtude de um acordo pré-arranjado com um distribuidor. Isso se resume à mesma coisa.

Além disso, os diversos direitos podem ser vendidos para diferentes partes. É por isso que você frequentemente vê muitas empresas listadas nos créditos de um filme, dependendo da complexidade dos negócios envolvidos.

As Primeiras Coisas Primeiro

Na escola de cinema, há um velho ditado que diz que você deve usar ODO (o dinheiro dos outros) para fazer o seu filme. Isto é para minimizar o seu risco pessoal.

A primeira coisa que novos cineastas fazem quando se formam é correr para levantar ODO. Ok, então eles fazem um filme usando ODO. Qual é o ponto, se eles não conseguem colocá-lo na frente de uma plateia?

A verdade é que, com os equipamentos acessíveis de hoje, qualquer um pode fazer um filme. No entanto, fazer o filme é apenas metade da batalha. Distribuir o filme é a outra metade; e o acordo deve ser feito antes de se gastar tempo e dinheiro em qualquer outra coisa.

Fazer o filme

Na fase de desenvolvimento, todos os seus esforços devem ser orientados para garantir um distribuidor. Isto é realizado reunindo um ​​pacote viável (roteiro, artistas, equipe de produção), e apresentando-o para partes interessadas ​​em comprar os direitos de distribuição. É isso o que os produtores de sucesso passam a maior parte de seu tempo fazendo.

Você precisa encontrar um distribuidor alguma hora, então por que não fazer isso da forma como os profissionais fazem: antes que o filme seja feito. Usando essa abordagem, você vai perder menos tempo e aumentar radicalmente as suas chances de sucesso.

Benefícios adicionais

Esta abordagem não só lhe permite fazer o filme, mas há benefícios adicionais também:

  • O distribuidor tem o interesse investido em seu projeto e fará todo o esforço para providenciar que ele se transforme em lucro.

  • Os distribuidores sabem o que o público anda procurando em um determinado momento e podem ajudá-lo a desenvolver o projeto em termos de escolha de história e de atores.

  • A venda de direitos de distribuição dá credibilidade ao projeto e pode ajudar a assegurar financiamento adicional, se necessário.

Boa escrita pra você hoje!

14/08/2011

Hollywood Não Deixa os Atores Lerem Roteiros Inteiros Por Medo de Vazamento

Filed under: Atuação,Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 10:00
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Este é um artigo de autoria de Mike Fleming, tirado do site Deadline (publicado originalmente há um ano, em 06/08/2010) :

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NENHUM ROTEIRO PARA VOCÊ! Atores Disputando Grandes Papéis Não Podem Mais Ler Roteiros Completos

EXCLUSIVO: Os escritores/diretores irmãos Wachowski começaram a convidar atores para se reunirem ao seu novo filme Cobalt Neural 9, sobre um romance tabu gay entre um soldado iraquiano e um americano. Mas os agentes estão me contando que isso já se tornou um outro projeto "super secreto" que eles e seus atores não podem ler. Isso significa que eles não podem aconselhar os seus clientes sobre a possibilidade de estar no filme, que com certeza será controverso devido à sua trama "proibida para menores de 18 anos". Mas eu soube que agora há uma crescente obsessão em Hollywood em manter os roteiros em segredo por causa da facilidade com que esses documentos registrados são publicados na Internet. Tanto é assim que isso está mudando o modo como os atores fazem audições para projetos controversos ou propício a fãs fanáticos. Cada vez mais, os representantes não conseguem ler roteiros completos. Em alguns casos, em filmes como Homem-Aranha ou Os Vingadores, nem os atores conseguem. "CN9 é apenas o último de uma lista crescente de roteiros que estão sendo mantidos a sete chaves", me conta um negociador frustrado. "Como você faz o seu trabalho e aconselha os clientes quando os estúdios e os cineastas não querem que os agentes e os empresários vejam os roteiros? Se os atores são sortudos, eles vão para um escritório e o leem com alguém assistindo. Esse tipo de sigilo só costumava acontecer com Woody Allen e, talvez, com Steven Spielberg. Mas agora está generalizado."

Os representantes dizem que isso tem acontecido recentemente em roteiros como o Battleship da Universal, Planeta dos Macacos – A Origem (a prequel do Planeta dos Macacos), Thor, X-Men: Primeira Classe, X-Men: Wolverine, os filmes da Saga Crepúsculo, e as duas partes de O Hobbit. Quanto aos atores, os agentes disseram que a blindagem que os cineastas estão fazendo nos roteiros está focada nos recém-chegados tentando alavancar carreiras em papéis de super-heróis, não com as grandes estrelas. Disseram-me que muitos dos atores disputando interpretar super-heróis em filmes da Marvel Comics, Homem-Aranha inclusive, não conseguiram ler os roteiros inteiros ao serem testados. Em vez disso, eles receberam páginas com os vilões encobertos para manter as suas identidades indefinidas e tiveram que contar com o diretor Marc Webb para explicar o enredo e o personagem.

Não é nenhum mistério o por quê disso estar acontecendo: segurança. Os produtores e executivos de estúdios alegam que, se eles mandarem por e-mail ou por um mensageiro, mesmo que apenas uma cópia para uma agência, ela vai parar na biblioteca daquela agência de talentos – e então torna-se matéria-prima para funcionários de baixo nível que comercializam o conteúdo desses roteiros como moeda. De repente, aquele documento registrado está na Internet. É perturbador, mas não ilegal, ter o roteiro analisado em detalhes em um fórum, ou apresentado como um furo jornalístico de um blog que revela segredos da história. "Eu duvido que um blogueiro com 60 leitores vá arruinar um filme, mesmo que ele publique um roteiro ou o desmantele", disse um negociador que considera o crescente sigilo "ridículo", mas reconhece o problema maior. "O que é mais importante é o número de filmes que estão sendo vazados na internet antes de serem lançados."

O sucesso de bilheteria de A Origem de Chris Nolan demonstra o benefício de manter detalhes da história secretos. Espere o mesmo tratamento sigiloso com o próximo Batman de Nolan e a sua produção de um Superman reiniciado. Todos os filmes de super-heróis recebem esta abordagem hoje em dia, e também aqueles filmes cada vez mais controversos, como o Cobalt Neural 9 dos Wachowski, cuja trama de romance gay “proibida para menores” o Deadline revelou.

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Boa escrita pra você hoje!

10/04/2011

As 10 Melhores Dicas Para Cineastas de Curta-Metragens

Oi, pessoal! Estou de volta, HD arranhado fora, HD novo já formatadinho com todos os arquivos para o blog salvos (Ufa!! De agora em diante, backup pra todo lado, igual eu faço com meus roteiros!) e tudo rodando 100% por aqui (se não fosse por meu irmão caçula, eu estaria frita! Ele é meu herói!! Teve que usar um monte de programa de Linux, Unix e o escambau a quatro pra salvar os dados, detectar e resolver o problema, e eu, pobre de mim, mal sei mexer no Windows! Eita, santa iguinorânça! Smiley decepcionado).

Mas, deixando esses problemas cabeludos para trás, agora voltamos com este artigo de autoria de Dan Rahmel, e tirado do site dele, Coherente Visual (vamos falar um pouquinho sobre cinema em geral, para variar):

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Algumas dicas importantes que podem tornar o seu curta-metragem o melhor possível

Aqui está uma lista de alguns dos elementos mais importantes para se ter em mente ao fazer um curta-metragem. Seguir estas orientações o ajudarão a evitar as armadilhas mais comuns. Embora estas sejam apenas sugestões, elas certamente vão melhorar tanto o seu filme quanto a sua experiência de fazer cinema.

1. Certifique-se de ter uma história que valha a pena contar
Você assistiria o curta-metragem todo se outra pessoa o tivesse feito? A resposta para um número surpreendente de curtas é Não. Faça a si mesmo esta pergunta antes mesmo de começar a escrever o roteiro.

2. Não inicie a produção sem um orçamento
Filmes, não importa o quão simples, custam dinheiro – e dinheiro é sempre limitado. Ao certificar-se de que você tem um orçamento (uma planilha simples vai servir), você pode decidir antecipadamente onde quer gastar o dinheiro que tem. Sem um orçamento, você quase pode garantir que irá gastar mais dinheiro do que planeja, ou terminar sem o filme acabado.

3. Consiga todas as autorizações antes de filmar

Você precisa, precisa, PRECISA de permissões de atores, de colaboradores artísticos/musicais, e de quem mais produzir conteúdo que aparece no filme. Obter assinaturas de autorização antes da filmagem é simples e e te toma alguns instantes. Depois da filmagem, pode ser difícil ou até impossível. Não seja pego nessa, faça isso agora.

4. Faça o filme mais curto do que você deseja

Roteiristas e diretores muitas vezes deixam coisas no filme que o público realmente pode passar sem. É tão doloroso aparar as coisas que foram difíceis de filmar. Certifique-se de fazê-lo. O seu público vai lhe agradecer.

5. Ao usar atores não-profissionais, escolha um elenco com personalidade
Eu acredito que atuações ruins sejam tão comuns em curta-metragens porque as pessoas são convidadas a interpretar personagens que não se parecem com as suas personalidades. Um ator profissional pobretão pode retratar a arrogância e a confiança de um bilionário – mas a maioria dos amadores não consegue. Se o seu protagonista é um pão-duro na fase anal, não escolha um preguiçoso desleixado para interpretá-lo.

Microfone girafa (boom)

6. Invista em um bom som 
Som ruim torna muitos curtas-metragens (até mesmo aqueles com boas histórias) insuportáveis. Não existem substitutos verdadeiros para um microfone girafa decente. Implore, compre ou pegue um emprestado, e ele irá triplicar as chances de seu filme ser assistível.

7. Corrija-o agora, não na pós-produção
Sem a Digital Domain ou a WETA trabalhando para você, a maior parte das correções de pós-produção não aparentam/soam muito bem e tomam MUITO tempo. Se você tem um erro no enquadramento, no diálogo, ou em qualquer outra coisa que possa ser consertada na filmagem, faça isso!

8. Não faça zoom em uma tomada
Não toque nesse botão de zoom! Um cinegrafista realmente bom pode fazer um zoom parecer OK. Em quase todos os casos, porém, usar o zoom é o ápice de um triste esforço. Se você precisa se aproximar de uma pessoa, use um carrinho dolly, um planador de câmera, ou um corte.

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    9. Conheça os clichês dos filmes independentes/curtas
    Os clichês mais comuns incluem usar sequências de sonho, muitos efeitos de transição, longas sequências de crédito, ou acordar com um despertador tocando. Parece que até já existem alguns sites dedicados exclusivamente à citar clichês de filmes independentes/curtas. Saiba quais são esses clichês para que você possa fazer uma escolha inteligente sobre a possibilidade de usá-los ou não.

    10. A menos que você esteja rodando em filme, evite exteriores à noite
    A escuridão é inimiga da maioria das filmadoras. Você vai se familiarizar com o ruído na imagem [N.T.: Imagem granulada, manchada, sem nitidez, velada, distorcida etc.], o desvio de cor, a queda da definição, e muito mais se você escolher gravar à noite sem um pacote de iluminação de tamanho médio. Geralmente é muito mais fácil mudar o roteiro do que lidar com todos estes problemas.

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Bastidores da filmagem de uma sequência noturna do longa brasileiro Besouro (clique no link para ler detalhes)

Boa escrita e boa filmagem pra você! Alegre

31/03/2011

Roteiros de Baixo Orçamento: Das Telas Em Branco Às Telas de Cinema

Filed under: Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 12:50
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O artigo de hoje foi escrito pelo roteirista britânico Merlin Ward, e tirado do site InkTip:

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Pode ser um clichê, mas, contudo, é verdade que a mãe da invenção é a necessidade. Parâmetros apertados aguçam o processo criativo, e o parâmetro mais fundamental de todos é não ter dinheiro. Essa é a situação da maioria dos aspirantes a cineastas quando eles se sentam para escrever um roteiro que pode ser rodado com um orçamento de boa vontade e um pequeno empréstimo. Exemplos típicos deste tipo de escrita são "El Mariachi", "O Balconista", "A Bruxa de Blair", "Londres Proibida" e "Cenas de Natureza Sexual". É relatado que "O Balconista" teve um orçamento de US$ 28 mil (1994) e "A Bruxa de Blair" teve um de cerca de US$ 60 mil (1999). Claro, este é o ponto em que o fato se torna ficção. Pode ser que todos os que trabalharam em "A Bruxa de Blair" o fizeram de graça, mas isso ainda é um custo. É também verdade, creio eu, que para fazer "A Bruxa de Blair" se adequar às telonas, ​​a distribuidora investiu cerca de US$ 250 mil em custos de pós-produção. Os valores podem ou não ser exatamente precisos, mas, apesar das boas intenções gerais, para um filme ter uma chance qualquer no mercado, existem custos fixos que devem entrar num orçamento e eles são para ordenar e adequar a imagem e botar o som direito, inclusive a música.

Na minha opinião e experiência, o orçamento mínimo para um filme que tem um roteiro excelente e pode funcionar em apenas algumas locações é de cerca de R$ 800 mil / US$ 500 mil. Com esse nível de orçamento, é possível produzir um filme que tem valores de produção profissionais, e que terá uma chance real no mercado – mas só se o roteiro for bom. O roteiro, a esse nível de orçamento, é mais importante do que para um filme com um orçamento de US$ 50 milhões, porque tem que ser uma história convincente, sem efeitos especiais, acidentes de carro, explosões e verdadeiras estrelas. Ironicamente, é somente quando se escreve um roteiro para um orçamento de US$ 500 mil que o roteirista tem a satisfação de ver a maior parte daquilo que ele escreveu ir para a tela grande, especialmente se o escritor é também o diretor. Isso raramente acontece com os filmes de estúdio. A maioria dos roteiros, mesmo quando encomendados, raramente veem a luz de uma lâmpada de projetor. Há escritores de Hollywood que ganham uma vida muito boa reescrevendo roteiros de outros escritores, que continuam permanentemente "em desenvolvimento". Por mais divertido que seja ganhar um bom dinheiro digitando continuamente em um laptop, muitos escritores de Hollywood secretamente anseiam fazer seus próprios filmes de baixo orçamento, onde as palavras que eles colocaram na boca de seus personagens realmente chegam ao corte final.

Uma vez que você tenha decidido escrever um brilhante roteiro de baixo orçamento, existem algumas técnicas que realmente podem arranjar as probabilidades um pouco mais a seu favor. Decidir o gênero do seu roteiro é fundamental e é neste ponto que a maioria dos cineastas de baixo orçamento erra. Os espectadores ficam muito felizes de ver um filme independente de baixo orçamento se ele diz algo diferente do que os estúdios. Em certa medida, os estúdios têm invadido a mentalidade do cinema independente e produzido filmes de estúdio que passam uma forte impressão de independentes, mas, em geral, é mais prudente escolher um gênero que não seja mainstream [N.T.: Da corrente principal, dominante]. Em outras palavras, não tente fazer um filme de ação/aventura com uma merreca, ou uma comédia romântica de ultra baixo orçamento. Esses gêneros são o ponto forte de Hollywood e não devem ser desafiados. A área mais rentável para um filme independente é o terror ou suspense. Filmes de Hollywood desses gêneros que poderiam ter sido feitos por US$ 500 mil incluem "Os Outros" e "Os Estranhos". Embora sejam muito diferentes, ou seja, "Os Outros" é uma assustadora história de fantasmas e "Os Estranhos" é um filme de suspense/terror, ambos os filmes se passam em locais remotos, têm pequenos elencos e são exemplos perfeitos do tipo de filme que pode tanto ser de ultra baixo orçamento quanto eficiente.

Existem muitos escritores que desfrutaram de um certo sucesso escrevendo roteiros encomendados, mas ficaram frustrados quando seus roteiros nunca chegaram a ser produzidos. Vários anos atrás, eu escrevi um roteiro ambientado em um colégio interno feminino numa parte remota da zona rural inglesa. Eu decidi criar uma história que se passasse durante o período de férias de final de ano [N.T.: Que é na metade do período escolar deles, e em pleno inverno] para que todas as alunas estivessem fora da escola. O meu gênero foi o suspense e os meus personagens principais eram mulheres. Todos para quem mostrei o roteiro puderam imediatamente ver o seu apelo: um edifício grande, deserto e assustador; uma linda garota de 18 anos em perigo e alguns acontecimentos muito sinistros, complementados por algumas surpreendentes viradas na trama. O filme final, "Out of Bounds", custou US$ 800 mil e chegou ao mercado sem qualquer alarde ou promoção, mas ele se saiu bem. Por quê? Acho que é porque a localização do remoto internato imediatamente empresta uma atmosfera à história; as personagens são fortes e bem desenhadas e, mais importante de tudo, a atuação é excelente (Sophia Myles).

Sem interpretações profissionais e de qualidade, um filme de baixo orçamento continuará a ser um projeto de vaidade. Mas, com o roteiro certo, uma boa locação e um elenco talentoso, o financiamento virá e o mercado vai comprar, contanto que a história prenda.

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Boa escrita pra você hoje! Alegre

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