Dicas de Roteiro

16/01/2012

Realismo Mágico

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:01
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Este texto é de autoria do roteirista, autor e professor de roteiro da NYU, D.B. Gilles, e foi tirado do site Hollywoodlitsales:

Carved in Stone - Rob Gonsalves

O termo "realismo mágico" foi cunhado por um crítico de arte alemão, Franz Roh, no final dos anos 1920 para pintores que tentavam mostrar a realidade de uma maneira nova. Um crítico literário venezuelano, Uslar Pietri, o aplicou pela primeira vez à literatura latino-americana, mas foi quando Miguel Angel Asturias o usou para descrever seus romances quando ele ganhou o Prêmio Nobel, que isso realmente pegou.

Roh descreveu isto como uma forma na qual "o nosso mundo real reemerge diante de nossos olhos, banhado pela claridade de um novo dia" (de acordo com Brian Evenson em "Realismo Mágico", New York Review of Science Fiction, março de 1998).

Há aqueles que acham que o Realismo Mágico é, como todas as categorizações assim, impossível de definir com precisão. Ele também se sobrepõe a outros gêneros, incluindo a fantasia e a ficção científica.

Você pode estar se perguntando por que eu estou escrevendo isso. Recentemente, eu tive uma aluna que definiu seu roteiro dizendo que ela estava visando um "realismo mágico".

Basicamente, eu disse a ela para não se preocupar com rótulos extravagantes e talvez pretensiosos, e apenas contar sua história criando personagens convincentes, escrevendo bons diálogos e tendo uma história que faça as pessoas quererem virar as páginas e descobrir o que vai acontecer a seguir.

Mensagem: apenas escreva. Deixe outra pessoa lhe dizer se isso é arte ou algo mais.

Fish - Alejandra Salgado

UMA CITAÇÃO INTERESSANTE:

"Toda linha de diálogo deve ou revelar o personagem, avançar a história ou obter uma risada."
Augustus Thomas (1857-1934)

Surrealismo

Me parece que os americanos acham o realismo fantástico (ou mágico, ou maravilhoso – outras de suas denominações) uma coisa de outro mundo (com o perdão do trocadilho)! Acredito que nós, latino-americanos, estamos mais habituados, temos até novelas populares deste gênero, não é mesmo?

Boa escrita pra você! =D

22/09/2011

Escrevendo Bons Diálogos de Ficção Científica

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este texto foi tirado do site Film School suite 101, e é de autoria do roteirista e cineasta Waine C. Paris:

Matrix

Evitando os erros comuns de roteirismo que os escritores de ficção científica frequentemente cometem

Inventar um excitante mundo novo não dá ao escritor de ficção científica a licença de escapar do penoso diálogo expositivo.

Ao lidar com ficção científica, os escritores muitas vezes enfrentam o problema de como apresentar o mundo fantástico e incrivelmente exótico que eles criaram para um público confinado a um "mundo real" chato. No melhor dos casos, como o roteiro de Dan O’Bannon para Alien, O Oitavo Passageiro (1979), ou o de James Cameron e Gale Anne Hurd para O Exterminador do Futuro (1984), a explicação é sucinta e mantém a ação movendo-se constantemente para a frente. No entanto, quando um escritor sente a necessidade de interromper a jornada e explicar seu mundo através da boca de seus personagens, as coisas saem errado.

Filmes Complexos Ainda Precisam de Diálogos Simples e Eficazes

O filme-marco dos irmãos Wachowski, Matrix (1999), foi um dos mais revolucionários filmes de efeitos visuais que alguém já tinha experienciado desde que Guerra Nas Estrelas chegou às telas em 1977. Ele também teve alguns dos piores diálogos desde Guerra Nas Estrelas. Na extremidade mais cômica do gênero, o De Volta Para o Futuro (1985), de Robert Zemeckis e Bob Gale, tem alguns dos melhores, ou pelo menos mais eficazes diálogos a jamais agraciarem um filme de ficção científica.

Então, qual é a diferença? Muito simplesmente, o diálogo em De Volta Para o Futuro impulsiona a ação do filme, consistentemente empurrando seus personagens em direção às suas metas. As palavras informam, mas nunca pesam, nem subestimam a inteligência do público do filme. Seus personagens não param no meio do caminho para ter conversas inúteis sobre os pontos mais delicados do mundo da história. Eles descobrem o que eles, e nós, precisamos saber e então cortam e correm para a próxima cena, sem permanecer ali mais do que o aconselhável nem por um único momento.

Matrix, por outro lado, é carregado com exposição pesada e um protagonista que constantemente sente a necessidade de fazer perguntas que o público já deveria saber responder. Como resultado, o filme é repetidamente pontuado com conversas penosas e regressivas. No mundo da história, o déjà vu é explicado como "uma falha na Matrix". No nosso, ele se parece mais com uma falha no roteiro.

Será que Optimus Prime Realmente Usa Ebay?

Diálogo espirituoso e alegre é sempre uma ótima maneira de relaxar o público numa situação estranha, mas ele nunca deve ocorrer em detrimento da história ou de seus personagens. A tripulação da Nostromo conversando livremente sobre seus salários no início de Alien é um exemplo perfeito. Facilita a entrada da plateia em um cenário estrangeiro, enquanto também torna os personagens identificáveis. No Transformers de 2007, quando o Optimus Prime revela que ele sabia que a Terra era o lugar para vir graças à página do Ebay do protagonista, isso pode caber na apresentação da história perfeitamente, mas ainda parece tão estranho como introdução do personagem de Prime, que na verdade acaba com todo o senso de credibilidade do resto da cena. Esta é uma característica bastante comum no roteiro de Roberto Orci e Alex Kurtzman.

John Brancato e Michael Ferris sofreram problemas semelhantes quando escreveram O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (2003). A julgar pela história, o filme deveria funcionar. No entanto, quase toda vez que um personagem abre a boca, especialmente o Exterminador de Arnold Schwarzenegger, a história fica atolada com a falta de credibilidade. Embora possa ter sido um pouco brega, o "Hasta La Vista, Baby", de James Cameron e William Wisher Jr., tornou-se um slogan de O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (1997). A fala contou com uma forte apresentação no início do roteiro, e também funcionou como um delicado equilíbrio à violência na tela, quando chegou a hora de Arnie deixar a coisa correr solta. Frases populares como "Fale com a mão", vindas da boca de um assassino cyborg pareciam ser apenas uma tentativa desesperada para risos baratos em O Exterminador do Futuro 3.

Existe um Guia do Roteirista das Galáxias?

Em última instância, escrever diálogos para ficção científica não deve ser diferente de para qualquer outro gênero. Se um escritor sente que o protagonista deve absolutamente explicar o mundo da história à enésima potência, então ele não criou esse mundo fora do diálogo. Como qualquer outro tipo de filme, o diálogo de ficção científica não é sobre dizer coisas legais apenas por dizer, é sobre mover a sua história para a frente enquanto mantém o público adequadamente informado e engajado. Perder o público por causa de diálogos desnecessariamente complexos ou de humor espantoso, e as centenas de horas gastas trabalhando neste lindo e excitante novo mundo da história vão despencar direto na velha e chata Terra.

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Boa escrita pra você hoje! =)

25/06/2010

Os Erros Comuns dos Dramas de TV Infantis

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:40
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Olá! O texto de hoje foi escrito pela roteirista Lucy V. Hay, para o blog dela, Write Here, Write Now.

Bebê olhudo

Pergunta:

Qual é o erro mais comum que os escritores cometem quando escrevem programas de TV infantis?

Resposta:

Como você sabe, eu recebo até que um monte de roteiros de especulação atualmente – eu arriscaria dizer que pelo menos metade deles são destinados ao mercado infantil/familiar – o tipo de nicho que Dr. Who, Primeval e Robin Hood habitam (o resto é vagamente composto de ficção científica “adulta” e drama de época. Curiosamente, eu recebo, muito raramente, um drama médico, dramas policiais ou drama relacionado com crime mas sem policiais, ou dramas familiares com famílias reais neles. Estranho.)

Bem você me conhece, por que falar sobre UM erro comum, quando eu posso falar sobre CINCO coisas que regularmente afligem as séries infantis de TV que eu vejo? Aqui vamos nós, caia de boca:

5. A Série Que É Parecida Demais Com Outra Série. Sim, a originalidade é superestimada, mas existe esse negócio de ser parecido DEMAIS com outra série. O que quer que seja aquilo com que você esteja lidando, seja dinossauros, demônios, Daleks [N.T.: Os Daleks são uma raça fictícia de mutantes extraterrestres, na série de ficção científica britânica Doctor Who.] ou o que for, você precisa trazer algo NOVO à mesa para ser notado. Pode ser qualquer coisa. É o CÉREBRO DE VOCÊS, meus amigos, arranquem alguma coisa dele. Embora, de preferência, não através de seus narizes, melecas em roteiros realmente acabam comigo.

4. A Criança Sabe-Tudo. Todo mundo sabe que quando o Apocalipse chegar, não serão nós, adultos, que resolverão a crise, mas alguma criança: ele(a) também será um(a) solitário(a), ele(a) provavelmente usará óculos (mas, na verdade, é lindo/a), ele(a) provavelmente fará artes marciais e ele(a) terá um bando de amigos desajustados para apoiá-lo. Ele(a) pode até mesmo ser um alienígena, um monstro ou um anjo de algum tipo (ou ser descendente de um). O que for, cara. O que ele(a) NÃO DEVERIA ser é um(a) completo(a) sabe-tudo. Isso não é um “personagem forte”, é somente chato. Além disso, se eles sabem tudo, contra o que estão lutando? No roteiro de especulação orientado para a família, poderá haver um adulto de natureza semelhante – um tipo de Dr. Who exagerado que esqueceu de tomar a sua Ritalina [N.T.: Metilfenidato (nome comercial Ritalina) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas. É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersônia idiopática do sistema nervoso central (SNC).] e não tem nenhuma educação. Curiosamente, com muita frequência ele vai ser um homem divorciado que quer ter o seu filho ou família de volta de uma outra dimensão.

3. O Projeto Em Suspenso. Quer se trate de um roteiro de especulação infantil ou familiar, ou de algum outro gênero, a sua “história da semana” precisa de uma resolução. Muitas vezes, tudo vai fazer parte do seu elemento de série – e sem nada sendo resolvido e TUDO ficando no ar, é difícil saber o que é importante e, portanto, o que está realmente acontecendo.

2. Sobrecarga de Enredo. Algumas vezes isso anda de mãos dadas com o Projeto Em Suspenso; outras vezes ele vai resolver “A História da Semana” – de alguma forma – com cerca de cinco histórias diferentes acontecendo ao mesmo tempo. A boa notícia com roteiros como esse, que têm coisas demais, é que tudo o que o escritor tem de fazer é decidir quais duas histórias ele quer – e descartar o resto… usando-o em outra semana! Resolvido.

E, FINALMENTE:

1. A Criança Que Soa Como Um Adulto. Não importa o quão inteligente ou franca uma criança seja, ele(a) ainda é uma criança, e não pode apreender conceitos abstratos como um adulto, ainda que as crianças nos roteiros de especulação que eu vejo frequentemente possam. Crianças salvando o mundo na televisão poderiam ser interpretadas como um modo das crianças lidarem com lares desfeitos, luto, bullying (a destruição do universo DELAS, na verdade), então eu acho que pode-se argumentar que elementos de ficção científica e fantasia são extremamente importantes para a visão de mundo das crianças. Certamente, todas as crianças que eu conheço dão muita importância a tipos como My Parents Are Aliens, Dr. Who e Primeval (Robin Hood & Merlin, em menor medida). No entanto, vale lembrar que raramente há crianças EM séries como Dr. Who e Primeval; os personagens são adultos. Se você não sabe como as crianças são, você realmente precisa de, ou a) escrever uma série onde não haja nenhuma (isso é permitido), ou b) descobrir como elas são, já que existem tantos, tantos, tantos roteiros de especulação por aí que têm crianças que soam como adultos, o que imediatamente afasta o leitor.

Reconhece algum deles em seus próprios roteiros? Eu sou culpada dos números 2 e 5, que recorrentemente aparecem em meus primeiros rascunhos, embora o nº 4 tenha entrado furtivamente em um uma vez, DESGRAÇADO! Câmbio…

educar

Boa escrita para você hoje!

05/04/2010

A Diferença Entre Ficção Científica e Fantasia

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:46
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Este artigo foi retirado do site Helium, e foi escrito por Robert Lambert:

I_Am_Not_Here

Antes de analisar as diferenças e similaridades entre estes gêneros, deixe-nos primeiro reconhecer a imensa quantidade de variedade em ambos. A fantasia não está limitada a Tolkien, nem a ficção científica à Jornada Nas Estrelas. Histórias de fantasia podem existir sem mágica ou elfos, e ficção científica pode existir sem viagem espacial ou alienígenas. Se fôssemos responder a esta questão, precisaríamos considerar o que são estes gêneros em seus âmagos, ao invés de olhar para os estereótipos.

Ficção científica talvez seja a mais simples das duas para se decifrar. Ela começou como uma “ficção especulativa”, ou seja, uma ficção que especula sobre como o futuro poderá ser. Isto tende a se concentrar em tecnologia avançada, ou nos efeitos que essa tecnologia avançada tem sobre o modo que vivemos. Uma história localizada no presente onde alienígenas vêm à Terra também seria considerada ficção científica apesar de não ser sobre o futuro, pois ainda envolve tecnologia avançada porque os alienígenas necessitariam dela para alcançar a Terra. Portanto, sci-fi pode ser categorizada em termos gerais como um gênero que retrata uma tecnologia que não existe na ocasião da escrita.

jetpacks jet-pack

Duelo de jetpacks

Tipicamente, isto é limitado aos grandes avanços sobre a tecnologia presente, ao invés dos simples incrementos. Em um filme de James Bond, por exemplo, o vilão pode ter um implausível laser poderoso, ou o próprio Bond pode ter um jetpack, mas estes filmes geralmente não são vistos como sci-fi. Estas armas apocalípticas e equipamentos modernos podem, entretanto, ser considerados elementos de ficção científica.

Como a ficção científica, a fantasia retrata coisas que não são parte da existência normal, mas, diferente da ficção científica, ela não se foca em tecnologia. Habilidades mágicas, criaturas estranhas e mundos diferentes são características comuns na fantasia. É tentador dizer que a distinção entre as duas é que a ficção científica explica as coisas cientificamente, enquanto a fantasia não explica nada; mas isto não é muito acurado. A maioria das ficções científicas faz pouco ou nada para explicar a sua tecnologia. Simplesmente tem a aparência de ser mais científica porque é feita de metal, plástico e luzes piscantes ao invés de runas brilhantes e encantamentos. Se os autores de sci-fi realmente entendessem como suas tecnologias funcionam, então nós estaríamos usando essas tecnologias no mundo real ao invés de estar apenas lendo sobre elas.

Além do mais, algumas fantasias realmente fazem uma tentativa de explicar sua mágica. Podem existir energias mágicas na natureza que podem ser influenciadas pelo campo elétrico de nosso cérebro, por exemplo. Isto dificilmente é uma explicação científica, claro, mas ainda é mais explicação do que temos para o motor de dobra de Guerra Nas Estrelas.

E mesmo assim o primeiro ainda é fantasia e o último ficção científica. Nós apenas supomos que o motor de dobra funciona cientificamente. Então podemos dizer que as leis da física nas ficções científicas estão geralmente mais perto daquelas do mundo real, enquanto a física da fantasia pode ter de incluir muitas novas leis para lidar com espíritos, energias mágicas e coisas do tipo.

Ambas frequentemente incluem outras raças inteligentes além dos (ou, às vezes, ao invés dos) humanos, assim como elfos e anões para a fantasia, e vários alienígenas para a ficção científica. Enquanto aqueles da fantasia são mais prováveis de ter habilidades sobre-humanas ou sobrenaturais do que os da ficção científica, eles não são necessariamente diferentes. Vulcanos, por exemplo, são elfos de várias maneiras, tanto em sua aparência física quanto em atitude. Eles são até telepatas. Se pessoas como estas são consideradas como uma raça fantástica ou como uma espécie alienígena depende basicamente do cenário. Se os Klingons fossem colocados em uma história com os estratagemas comuns da fantasia, eles poderiam ser considerados parecidos com anões ou orcs.

Dado que a fantasia parece ser muito mais ampla do que a ficção científica, eu deveria considerar a última um sub-gênero da primeira. Fantasia lida em geral com coisas que não existem ou não podem existir em nosso mundo, enquanto ficção científica é especificamente sobre tecnologia que não existe. Isto pode ajudar a explicar a facilidade com que os gêneros se misturam. Ficção científica já é uma parte da fantasia, então incorporar mais elementos tradicionais da fantasia em uma história de sci-fi é perfeitamente natural. Elas são mais semelhantes do que diferentes.

extra2

Boa escrita para você hoje (e não esqueça de escrever TODO DIA!! ;-)). Até amanhã!!

23/02/2010

Escrevendo Sci-Fi – Parte 4

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 21:33
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Hoje eu postarei um artigo de um autor anônimo para o site eHow chamado Como Escrever Um Livro de Ficção Científica. A maioria das dicas se aplicam diretamente a roteiros, e as outras podem ser facilmente adaptadas (eu colocarei as adaptações em parênteses e em itálico para facilitar). Vamos a ele:

OS HUMANOS ESTÃO ENTRE NÓS

Introdução:

Ficção Científica, mais comumente chamada de sci-fi, é um dos gêneros mais populares da literatura (e do cinema), abarcando uma ampla gama de ideias e estilos de escrita. A ficção científica, infelizmente, tem ganhado a reputação de ser dirigida a garotos adolescentes, mas a verdade é que qualquer um pode se divertir com ela, independentemente de idade e nível de estudo. Se você quer escrever um livro (ou roteiro) de sci-fi, comece com o pé direito preparando-se apropriadamente.

Instrução:

1- Invente as regras do seu universo. Como escritor de sci-fi, você precisará pensar sobre coisas que os escritores de ficção realística não precisam pensar — como quais os tipos de leis físicas que governam o seu mundo imaginário. Por exemplo, viagens no tempo são possíveis? Os personagens podem ler os pensamentos uns dos outros? Os veículos conseguem viajar à velocidade da luz? Parte da diversão (e desafio) de se escrever um livro (ou roteiro) de sci-fi é amarrar esses detalhes.

2- Pense num enredo que envolva o universo fictício que você imaginou. As chances são de que a história comece a se revelar sozinha enquanto você define as engrenagens do mundo em que os seus personagens irão habitar. Muitos livros (e roteiros) de sci-fi envolvem algum tipo de busca — um herói precisando salvar um outro indivíduo, ou o próprio universo, da destruição — mas isto não significa que a sua história também tenha de fazer o mesmo.

3- Crie um impulso narrativo. Embora seja agradável gastar tempo demorando-se nos fascinantes aspectos físicos de seu mundo fictício — isso é parte da alegria do gênero de sci-fi — não se esqueça de que os leitores precisam de um motivo para virar a página. Uma história de amor bem elaborada envolvendo personagens cativantes é um dos melhores meios de se alcançar isto, mas quase qualquer situação atraente servirá.

4- Faça a sua pesquisa. Se o seu tema é sobre uma área de ponta como a nanotecnologia, ou se o seu trabalho envolve especulação e teorização científica, tenha certeza de começar com uma base científica sólida antes de expandir as suas teorias. Caso contrário, os leitores (e espectadores) sérios de sci-fi irão menosprezar o seu trabalho. Enredos bem-sucedidos de ficção científica estão firmemente enraizados em uma base verdadeira, e extrapolam a partir daí.

5- Tire vantagem das comunidades de escritores de ficção científica online, para apoio e dicas enquanto você trabalha. No site eBookCrossroads.com tem um banco de dados com links úteis para escritores de sci-fi, inclusive de workshops e sites para pesquisa.

6- Cheque os livros de “como fazer”, escritos por escritores veteranos de sci-fi, que lhe guiam através dos aspectos práticos do processo de escrita. Entretanto, tenha certeza de adaptar qualquer conselho ao seu estilo individual. Dois desses livros são: “How to Write Science Fiction & Fantasy”, de Orson Scott; e “How to Write Tales of Horror, Fantasy and Science Fiction”, de J. N. Williamson, ambos disponíveis no site da loja virtual Amazon.

7- Leia tanta ficção científica (e roteiros do gênero) quanto puder. Esta é simplesmente uma parte integrante de sua pesquisa. Você precisa saber o que faz uma boa ficção científica antes de poder escrever a sua própria.

8- Revise, corrija, faça cortes e reescreva extensivamente. Peça a um amigo confiável, ou a outro escritor ou editor, que faça anotações críticas sobre a sua história; e incorpore-as.

9- Envie o seu trabalho para tantos editores (ou produtores de cinema) quanto possível. Espere muitas cartas de rejeição, mas não desista.

Dicas e Avisos:

  • Foque em seu estilo de escrita e almeje prosa de primeira qualidade. A Ficção Científica infelizmente ganhou uma má reputação de literatura (e cinema) menor, ou mais barata (pulp), mas isto nem sempre é verdade. Uma boa ficção científica é tão sofisticada quanto qualquer trabalho de ficção literária (e cinematográfica).

Boa escrita para você hoje!

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