Dicas de Roteiro

05/01/2012

10 Maneiras de Criar Uma Reviravolta no Enredo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo, sugerido por um colega nosso, é de autoria do escritor T.N. Tobias e foi tirado do site dele (de mesmo nome):

Reviravolta de Vader

Toda história é mais emocionante com uma reviravolta. Como escritor, porém, pode ser difícil encontrar aquela situação certa, aquele momento e personagem certos, para virar de cabeça para baixo e mandar a história desviar-se em imprevisíveis novas direções. É assustador também. Vagar muito longe do que é comprovadamente confiável atrai mais da insegurança de que os ficcionistas parecem estar cheios até o topo.

Mas, como com tudo o mais, existem padrões para as reviravoltas, ou até mesmo maneiras de fazer o seu enredo linear parecer ter uma reviravolta, simplesmente por ocultar informação. Truque legal, hein? Então, aqui estão dez maneiras gerais de introduzir uma reviravolta no enredo, uma das quais com certeza cabe em qualquer manuscrito. Esteja avisado, dar exemplos de reviravoltas na história envolve spoilers pesados. Apesar de eu ter tentado pegar exemplos que fossem antigos e populares o suficiente para serem amplamente conhecidos, pode não ser o seu caso.

1. In Medias Res – Em latim, isto significa “no meio das coisas” e é uma técnica que lança o público para dentro a ação, uma vez que ela está ocorrendo sem o benefício de história pregressa ou motivação. Pense em Cães de Aluguel. Nós entramos no final do assalto sem saber nada do que aconteceu. Essa escassez de informação significa que cada interação é uma oportunidade, para a história, de desviar para uma nova direção. Tarantino usou isto para construir conflito porque nós, na plateia, não sabemos onde estão as lealdades e nem mesmo o que houve de errado com o trabalho, para começo de conversa. In medias res pode pegar uma narrativa bem direta e transformá-la numa trama de enredo retorcido simplesmente mudando a linha de partida.

2. A Arma de Chekhov – O termo A Arma de Chekhov refere-se à afirmação do autor Anton Chekhov de que: “Não se deve colocar um rifle carregado no palco se ninguém está pensando em dispará-lo.” Com essa citação, Checkhov combinou várias dicas de escrita em uma declaração muito simples. Não se demore em detalhes frívolos, prenuncie seus resultados, e esconda suas revelações em plena vista. Um bom exemplo disto é o martelo de geólogo de Um Sonho de Liberdade. Andy o recebe para fins aparentemente inocentes, mas ele acaba sendo fundamental para a trama. A reviravolta dependia daquele pequeno prenúncio para fornecer uma terceira opção para a questão de saber se Andy estava vivo ou morto em sua cela.

3. Narrador Não-Confiável – Quando o ponto de vista do personagem influencia a narrativa ao filtrar a informação ou manipular o entendimento dos eventos da história pregressa, esse personagem torna-se um narrador não-confiável. Um exemplo perfeito disto é Os Suspeitos, em que a história é contada aos investigadores pelo “Verbal”, que os leva a conclusões erradas. Outro é o Clube da Luta, cujo narrador é tão não-confiável, que mesmo ele não sabe disso até o final da história. A reviravolta, é claro, surge quando nós, do público, começamos a ver as coisas como elas realmente são, em vez das revelações do narrador.

4. Anagnorisis Esta reviravolta mais comum envolve revelar a natureza oculta de um personagem ou objeto. Pense nos pais de Luke Skywalker, no trenó de Charles Kane, ou quando Neo acorda na Matrix. Todas estas reviravoltas contam com uma revelação de informação que muda completamente a história até e a partir daquele ponto. Neo não pode entender o mundo como ele costumava antes de aprender o que era a matrix, nem Luke podia se esconder do conflito criado entre o mal em sua família e sua missão de destruir o império. Esta reviravolta talvez seja também a mais fácil de implantar, já que tudo o que ela exige é que o autor retenha a informação vital até o clímax. [N.T.: Anagnorisis é um momento em uma peça de teatro, ou em outro tipo de obra, em que um personagem faz uma descoberta crítica. Anagnorisis originalmente significava reconhecimento em seu contexto grego, não só de uma pessoa, mas também do que essa pessoa representava. Era a súbita consciência do herói de uma situação real, a compreensão das coisas como elas eram, e, finalmente, a sagacidade do herói em relação a um relacionamento com um personagem, frequentemente antagônico, na tragédia aristotélica.]

5. O Vilão Menos Provável Outra reviravolta comumente usada é esconder o vilão ao longo da história e, no final, revelar que era alguém conhecido do protagonista o tempo todo, alguém acima de qualquer suspeita. Watchmen usa esta reviravolta, revelando Adrian ser o cérebro por trás dos assassinatos e, em última análise, de um plano para simular uma invasão alienígena. Normalmente esta reviravolta é combinada com uma distração, uma pessoa suspeita perseguida pelos mocinhos, mas que na verdade é apenas uma tática diversiva.

6. Linha de Tempo Não-Linear Semelhante ao in medias res, mas um exemplo mais extremo, as linhas de tempo não-lineares podem conferir surpresa a elementos do enredo que de outra forma seriam simples, às vezes até mesmo revertendo uma linha de tempo inteira de modo que as resoluções precedam seus conflitos. Pulp Fiction faz uso de uma linha de tempo embaralhada, contando histórias múltiplas, enquanto começa e termina no mesmo ponto no tempo.

7. Fim Ambíguo Quando a cortina desce ou a última página é virada, o público realmente sabe o que aconteceu? O que vai acontecer? Deixar o final da história em aberto leva o leitor a inferir um significado para os eventos da história que pode constituir uma reviravolta ou uma interpretação simples. Veja o final da série Família Soprano. Será que Tony vive? Será que a família continua com seus negócios como antes? Ou será que ele morre violentamente lá na frente de seus filhos ou em algum momento mais tarde? A reviravolta é que nós não sabemos e temos que deduzir. Isto pode funcionar bem, como no final de A Origem, ou criar polêmica, como no acima referido Família Soprano.

8. Não Acabou Ainda Quando a ação cessa e nossos personagens estão retomando o fôlego no desenlace, as forças do mal voltam de novo com tudo para deixar o público saber que, enquanto esta história acabou, a guerra está longe de estar ganha. Mais recentemente visto em A Epidemia, quando nossos heróis escapam apenas para voltar direto para a mesma armadilha.

9. De Herói a Vilão Quando, após a batalha final, o herói sai vitorioso mas se transformou na própria coisa contra a qual ele estava lutando. Esta é uma reviravolta mais frequentemente associada com histórias de terror. A versão filmada de 30 Dias de Noite tem o herói transformando-se em um vampiro a fim de derrotar a horda de invasores. Em A Batalha de Riddick, o próprio Riddick torna-se líder dos Necromongers depois de matar o Grande Marechal.

10. Deus Ex Machina – Do latim, “deus da máquina”. Esta reviravolta ocorre quando um problema insolúvel é milagrosamente resolvido por uma intervenção não-prenunciada. A menos que seja usada para efeito de comédia, esta estratégia é desaprovada. Uma aplicação útil da técnica pode ser encontrada em Monty Python em Busca do Cálice Sagrado em que, enquanto são perseguidos por um monstro de animação, o animador tem um ataque cardíaco, e eles estão milagrosamente salvos.

Tenha cuidado ao implantar uma reviravolta na história. Cronometre-a errado e o leitor estará preparado e não se impressionará. Tome liberdades demais e os seus leitores não vão confiar em você para contar a história, mas se você não embaralhar as coisas um pouco, eles vão estar dormindo de tédio antes que você possa levá-los até o fim. Reviravoltas são iguais às muitas outras linhas finas sobre as quais os escritores devem andar e que, quando você acerta, o resultado é uma excelente ficção.

Darth Vader - o fodão número 1

Boa escrita pra você hoje! =D

10/11/2011

Como Criar Grandes Metas de História

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:20
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Este artigo é de autoria do roteirista, cineasta, professor universitário de roteirismo e consultor de roteiros, V. Prasad, e foi tirado do site Script Lab:

rosebud

Se você já se encontrou na beirada de seu assento no final de um jogo de futebol, saberia que um roteirista pode aprender muito com esportes. Um ótimo jogo de bola (futebol americano, basquete ou qualquer outro) pode ensinar-lhe lições importantes sobre suspense e manter o interesse do público.

Esportes usam os mesmos princípios dramáticos que o roteirismo. Há um protagonista (o time pelo qual você está torcendo) e um antagonista (o time contra o qual ele está jogando). E o seu time tem um objetivo claro: marcar mais pontos do que a outra equipe antes do jogo acabar.

Se o jogo está quase empatado nos minutos finais, você é cativado pela esperança de que o seu time vá ganhar, e pelo medo de que ele vá perder, porque você sabe exatamente o que o seu time precisa fazer para vencer e quanto tempo ele tem para fazer isso.

No futebol americano, para marcar um touchdown, tem que se colocar a ponta da bola no outro lado do plano da linha de gol. Faz-se isso e o seu time consegue seis pontos. Se errar, mesmo que seja por um milímetro, não ganha nada.

Esse é o tipo de objetivo que você deseja definir para o seu personagem principal: Um em que ele consegue tudo ou não consegue nada. A linha entre o sucesso e o fracasso deve ser clara e inconfundível.

A maleta cheia de dinheiro. Os planos de guerra secretos. O Falcão Maltês. Às vezes, o objetivo é o aspecto menos interessante da história. Alfred Hitchcock cunhou o termo "MacGuffin" para descrever a coisa que seus personagens estavam tentando conseguir. Para Hitchcock, o "MacGuffin" em si não era importante, desde que ele fosse específico e que o público entendesse o que estava em jogo se o personagem principal não o obtivesse.

Se você não estiver escrevendo um filme de ação ou um suspense, provavelmente não terá um MacGuffin. Mas você ainda deve encontrar um objetivo distinto para o seu personagem principal, um onde o sucesso ou o fracasso seja completo. Onde não haja meio-termo.

Certifique-se de expressar o seu objetivo como uma conquista. Evite usar as palavras "ser" ou "tornar-se." "Tornar-se um dançarino" não é um objetivo claro. "Entrar na Academia Real de Balé" ou "Ganhar o Concurso ‘Se Ela Dança Eu Danço’" funcionam melhor, porque eles dão ao personagem algo específico pelo qual trabalhar e, no clímax do filme, o público vai saber definitivamente se ele foi bem-sucedido ou fracassou.

Agora, e se você está fazendo um filme "movido pelo personagem"? Um em que a história centra-se sobre o que o personagem inconscientemente necessita, em oposição ao que ele conscientemente quer? Aquela necessidade inconsciente ainda vai manifestar-se em objetivos tangíveis.

Em Cidadão Kane, ao longo da história, Kane tenta construir um império jornalístico, concorrer a um cargo público, e transformar a sua amante em uma estrela da ópera. Cada uma dessas metas é clara em si mesma e todas elas são guiadas pela necessidade inconsciente de Kane, que é enigmaticamente sugerida em sua fala ao morrer: "Rosebud."

Então, da próxima vez que você se encontrar envolvido em um jogo emocionante, preste atenção às metas de curto e longo prazo e como elas mantêm você, o espectador, na beirada de seu assento.

gol

Boa partida escrita pra você hoje! 😄

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