Dicas de Roteiro

04/01/2013

Como Reconhecer uma Sitcom Ruim

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Este artigo é do roteirista de TV Charlie Hauck, e tirado do blog do também roteirista de TV Ken Levine:

Charlie_Hauck

Charlie Hauck é um ótimo escritor de comédia (FRASIER, MAUDE, etc.) e um autor hilário. Seu romance cômico sobre uma equipe de roteiristas lançando uma sitcom estrelada pela diva do inferno é tanto hilário quanto muito realista. O livro é chamado ARTISTIC DIFFERENCES e sua leitura vale a pena.

Em uma página ele explica como você pode descrever uma sitcom ruim. Regras simples, vale a pena repetir aqui.

1. Qualquer programa em que qualquer personagem, em qualquer momento da vida da série, diz as palavras "Ta da!" é uma sitcom ruim.

2. Qualquer programa em que um personagem diz a outro: "Para que servem os amigos?" é uma sitcom ruim.

3. Qualquer programa em que um personagem diz "Bingo!" no sentido de "Eureca!" é uma sitcom ruim.

4. Qualquer programa em que um ator ou atriz com idade inferior a sete anos diz coisas fofas em close-up é uma sitcom ruim.

5. Qualquer programa em que um ator ou atriz com idade superior a 75 anos diz coisas vulgares em close-up é uma sitcom ruim.

6. Qualquer programa que recorre ao uso de diálogo do Dr. Zarkov (termo apelidado assim por causa do vilão da série FLASH GORDON, onde um personagem diz a outro algo que ambos já sabem, para o benefício do público) é uma sitcom ruim.

Zarkov

7. Qualquer programa em que um personagem, nos minutos finais, diz: "Eu acho que todos nós aprendemos uma lição", e então passa a explicar qual é essa lição, é uma sitcom ruim.

E se eu [Charlie Hauck] puder acrescentar algumas das minhas próprias:

8. Qualquer programa onde a plateia no estúdio diz "Awwwwww" e os produtores deixam assim é uma sitcom ruim.

9. Qualquer programa que faz uma piada sobre a Kim Kardashian é uma sitcom ruim.

10. Qualquer programa com a Fran Drescher é uma sitcom ruim.

ARTISTIC DIFFERENCES

Nota: O Dr. Hans Zarkov na verdade era um dos mocinhos na série de filmes FLASH GORDON. O vilão se chamava Ming, o Impiedoso, mas era realmente o Dr. Zarkov quem fazia o diálogo expositivo.

Observação: Todas essas regras já foram quebradas de uma forma ou de outra em programas de sucesso. O importante é sempre estarmos conscientes dos clichês e usá-los a nosso favor. Fiquem à vontade para acrescentar as suas próprias regras nos comentários!

E boa escrita pra vocês hoje! =)

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21/07/2012

Por Que a Comédia Torna Tudo Melhor

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje complementa o de ontem, e também foi escrito por D.B. Gilles e tirado do site Movieoutline:

caneca de bacon

Os chefs dizem que o bacon torna tudo o que eles cozinham, melhor. A comédia é assim também. Mesmo o mais sombrio e mais triste drama precisa de uma risada ou de um momento leve periodicamente, também conhecido como alívio cômico.

As tragédias gregas clássicas tinham frases engraçadas. O drama elisabetano tinha o tolo, o bobo da corte.

A peça de Arthur Miller, A Morte de um Caixeiro-Viajante, não tem uma risada por minuto, mas é muito engraçada, além de ser uma das maiores tragédias americanas. Os dramas de fala dura do David Mamet, como Glengarry Glen Ross e Speed-the-Plow, são extremamente engraçados.

Pense nos filmes mais sombrios e mais deprimentes que você já viu e, com raras exceções, haverá o momento ocasional de humor. Um personagem vai dizer ou fazer algo que gera uma risada, um sorriso, ou pelo menos um aceno de cabeça de apreço.

A maioria dos roteiros cinematográficos de comédia que li não são engraçados o suficiente, ou não são engraçados de modo algum. Personagens unidimensionais dizem falas supostamente engraçadas que são idiotas, banais, óbvias e fáceis. (Não há nada mais fácil do que escrever uma piada suja). Esses mesmos personagens estão em situações que, na maioria das vezes, não são críveis. Quantas vezes você já assistiu a um filme e pensou consigo mesmo: "Eu não acredito nisso?".

Alguns podem argumentar que isso é uma comédia e não tem que ter muita lógica ou situações baseadas na realidade. Isso pode funcionar nas sitcoms televisivas menores, mas as melhores comédias cinematográficas, certamente as comédias românticas, são baseadas em alguma semelhança de como a vida realmente é.

Muitas comédias da última década estão baseadas em torno de uma premissa, e as piadas são escritas para complementá-la, ao invés de ter um personagem em uma situação cômica que deve se esforçar para conseguir o que ele ou ela quer. As piadas e as falas engraçadas surgem organicamente conforme o personagem se move em direção ao seu objetivo.

A questão que os roteiristas de comédias precisam se perguntar é: onde você encontra material para o humor? Onde você encontra as ideias para as falas que você quer que um personagem diga e das quais a plateia ria – e, antes disso, para que alguém importante leia o roteiro.

Existem duas maneiras:

  • Você pode olhar para a sua vida pessoal e encontrar material inspirado por seus amigos, familiares, colegas de trabalho, namoradas, namorados, esposas, maridos, filhos etc.
  • Você pode olhar além de sua própria vida e mergulhar no mundo da cultura pop, das personalidades, da política e das celebridades.

Imagine-se como uma mosca nas paredes das pessoas reportadas pelos muitos sites da Internet, programas de fofocas e revistas. Um tempo atrás, Ashton Kutcher postou uma foto de Demi Moore em roupas íntimas. Russell Brand postou uma foto de Katy Perry sem maquiagem. Será que alguma delas ficou chateada? Será que eles tiveram uma briga enorme? Se sim, sobre o que foi essa briga? Ambas as situações poderiam inspirar esquetes incrivelmente engraçadas.

Estes são apenas dois exemplos que vêm à mente. Pegue uma personalidade ou celebridade de sua escolha e imagine o que se passa em suas casas por trás das portas fechadas.

Como é ter sido casada com Rush Limbaugh? A esposa nº 1 foi quando ele era jovem e estava dando duro. A esposa nº 2 veio assim que a sua carreira decolou. A esposa nº 3 tirou a sorte grande. O que seria se essas três mulheres se reunissem e fofocassem sobre a vida com Rush? Ele está atualmente na esposa nº 4. O que se passa pela mente dela? Será que ela secretamente se pergunta se vai ser sua última esposa? Ela já quis conversar com as outras esposas?

Eu posso imaginar algo engraçado: O Clube das Ex-Esposas de Rush Limbaugh. Ou uma paródia das ex-esposas de Limbaugh como esposas-irmãs mórmons.

Falando em mórmons, Glenn Beck é um ex-católico que se tornou um mórmon. Quando ele estava pensando em se converter, ele ligou para o Donny Osmond, o Rick Schroeder ou a Jewel para descobrir os prós e contras?

Falando em conservadores de direita, imagine sobre o que Glenn Beck e Rush Limbaugh conversariam se eles se topassem em um clube de strip-tease. Embaraçoso! Mas potencialmente engraçado.

Kate Gosselin está apavorada de que nunca vá encontrar um homem, porque ela tem 8 filhos? Quem é a sua confidente? A mulher que faz suas manicures? Como essa conversa se desenrolaria? Ela já pensou em namoro online? Quais as qualidades que ela procura em um homem? Precisa ter feito uma vasectomia? Deve ter uma baixa contagem de espermatozoides?

Sobre o que Sarah Palin e seu marido conversaram quando Bristol ganhou 7 quilos durante sua temporada no Dançando com as Estrelas? Sarah estava com inveja por sua filha estar recebendo atenção? Ela estava feliz pela garota estar ficando gorda? Ela estava preocupada de que a Bristol tivesse tido relações sexuais com seu parceiro de dança e engravidado novamente? Há humor em algum lugar aí.

Como é ser a assistente pessoal de Amy Winehouse, e qual é a típica Lista de Coisas a Fazer? Paul McCartney e Ringo Starr já brincaram entre si sobre qual será o último sobrevivente dos Beatles? Sobre o quê Simon Cowell e Steven Tyler mandariam mensagens de texto um ao outro?

Pense nisso como um exercício mental para lhe ajudar a usar personalidades a fim de te fazer cavar no terreno da escrita de comédias, que você pode nunca ter considerado.

Escolha um punhado de celebridades e imagine o que se passa em suas vidas privadas. Tente escrever uma esquete ou um roteiro cômico de 4 páginas para o YouTube ou o Funny or Die.

Você pode fazer o mesmo com as pessoas que estão em sua vida. Imagine o que o cara assustador do trabalho faz quando chega em casa, ou a mulher que toca o órgão para o coro da igreja, ou o cara com um olho caído que organiza a carne no supermercado.

Escrever diálogo engraçado não é fácil. É um desafio escrever, em um roteiro de 110 páginas, dezenas de falas que mantenham o leitor e o público rindo.

Fazer estes exercícios pode abrir algumas novas portas para ajudá-lo a ficar inspirado a escrever diálogos mais engraçados e de qualidade superior.

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Boa escrita pra você hoje!

20/07/2012

As 4 Regras de Escrita de Comédia Para Roteiristas

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Oi, pessoal! Estamos de volta com um artigo do autor, professor universitário e consultor de roteiros, D. B. Gilles, e tirado do site Movieoutline:

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Ausência total de humor torna a vida impossível.
Colette

Como diz o ditado: "Faz rir, é dinheiro." A pessoa que consegue escrever comicamente tem uma nítida vantagem sobre a pessoa que acha isso difícil.

Então, se você tem deficiência em humor quando se trata de diálogo, o que você pode fazer quanto a isso?

Na minha experiência, escrever diálogos engraçados e originais vem naturalmente, tão espontaneamente quanto observações improvisadas engraçadas e inteligentes. Ou você consegue fazê-lo, ou não consegue.

Eu gostaria de poder dizer: "Faça um curso de redação de comédia" ou "Leia um livro sobre como escrever coisas engraçadas" ou oferecer-lhe algumas palavras inspiradoras de sabedoria sobre como encontrar o seu comediante de comédia em pé interior.

O que posso lhe oferecer é algo que Tim Allen disse em uma entrevista ao TV Guide ao ser questionado sobre o seu senso de humor, especificamente a sua capacidade de ser engraçado. "Ser (grifo meu) engraçado é um dom para mim. Eu não sei de onde vem. É mágico e é maravilhoso, e eu tenho pavor de que tudo isso vá desaparecer."

De onde é que isso vem? Quem sabe? De onde é que o talento atlético natural e superior vem? Por que um garoto de dois metros de altura que joga como atacante em seu time do ensino médio é melhor do que outros cinquenta atacantes de dois metros de altura em outros times do ensino médio? Para cada Lebron James, há 10 mil crianças que não são boas o suficiente.

A Primeira Regra de Escrita Cômica:

• Só porque você consegue dizer coisas engraçadas não significa que você consegue escrever coisas engraçadas

Escrever comicamente é diferente de dizer ou fazer coisas engraçadas. Muitos homens e mulheres que fazem os seus amigos e colegas de trabalho morrerem de rir são incapazes de escrever diálogos engraçados. Os rapazes adolescentes que não conseguem ter a atenção das meninas pela excelência nos esportes, por sua aparência ou inteligência apelam para palhaçadas bobas, sejam físicas ou verbais. Mas isso tem limites e não dura muito. O menino cujo talento é enfiar uma fatia de pizza em seu nariz vai ser superado pelo garoto que descobriu que as meninas se cansam rapidamente de bobagens e preferem alguém que possa diverti-las com inteligência.

Este garoto engraçado provavelmente desabrochará em um homem engraçado, e achará que seu dom vai ser uma grande vantagem em sua vida social.

E isso virá a calhar especialmente se ele pensar em ser roteirista.

Na vida real, a maioria das pessoas não consegue contar uma piada ou uma história, especialmente uma engraçada. Elas perdem o foco, entregam o final da piada cedo demais, saem pela tangente, deixam de fora um detalhe importante ou se afundam numa confusão sem destino. Elas perderam o seu público. Como autor de um roteiro que é uma comédia, o seu público é muito mais duro e implacável: agentes, produtores, pessoal de desenvolvimento, executivos de criação e empresários.

Você tem que manter esse agente rindo desde a primeira página – especialmente a primeira página –, porque se ele está se divertindo, ao chegar no final, ele definitivamente vai virar para a página dois. E se você manter as risadas surgindo pelas próximas dez páginas e pelo resto do Primeiro Ato, você pode se sentir bastante confiante de que ele vai terminar o resto do roteiro – desde que você tenha uma história interessante.

O que nos leva à Segunda Regra de Escrita Cômica:

• Uma história forte, sem um monte de risadas, é preferível a uma história fraca, com três piadas por página

Muitas comédias vacilam por causa de uma trama fraca ou idiota. Em última análise, não importa quantas risadas tem um roteiro, se a história não for absorvente o suficiente para alguém mergulhar nela, ele não vai ser lido até o Fade Out final. Como estamos rindo de coisas que os seus personagens estão dizendo e fazendo, nós devemos nos importar com eles e torcer para que eles consigam tudo o que querem (não importa o quão pateta seja). Se esse desejo não está lá, nós não estamos indo junto nesse passeio, não importa o quão divertido ele possa ser.

Há uma velha máxima do beisebol: "Eu prefiro ter sorte do que talento." Quando se trata de um roteiro de comédia, eu prefiro ter uma história sólida do que muitas risadas. Risadas podem ser acrescentadas. Talvez não por você, mas se for uma ótima história, a sua chance de conseguir um agente ou um acordo acaba de chegar mais perto da linha do gol. Se você tem um roteiro de 103 páginas com muitas risadas, mas uma história medíocre, bem, é muito mais difícil melhorar um enredo.

A Terceira Regra de Escrita Cômica:

• Duas cabeças podem ser melhores do que uma

Digamos que você seja um roteirista sério e de confiança, com um entendimento claro não só da estrutura de 3-Atos, mas das estruturas de 5 e de 7-Atos também. Você sabe que os personagens devem ser tridimensionais, ter conflitos internos e externos e ser devidamente motivados.

Você mergulhou em Joseph Campbell e Christopher Vogler de modo que conhece os 12 Estágios da Jornada do Herói do avesso. Você já leu todos os livros de roteiros (especialmente o meu The Screenwriter Within), foi aos importantes seminários, estudou, analisou ​​e desconstruiu filmes, leu as biografias e autobiografias-chaves de roteiristas (Adventures In The Screen Trade, The Devil’s Guide To Hollywood, Bambi Vs. Godzilla, para citar alguns) e assinou as melhores revistas de roteiro.

Há apenas um problema: você é incapaz de escrever uma fala de diálogo engraçada. Infelizmente, todas as ideias que você tem são demasiado sérias e sombrias (como aquela biografia cinematográfica de Damien, o Leproso, que você está remoendo por três anos).

Você precisa se juntar com um certo tipo de pessoa. O hilariante, o rápido no gatilho, a alegria da festa, o palhaço da turma crescido que tem a capacidade de escrever piadas, ótimas cenas e falas engraçadas, e é hilário 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas se sua vida dependesse disso, ele não conseguiria criar uma história e escrever um roteiro.

É a convergência perfeita de talento.

Verifique os créditos das sitcoms. Você vai encontrar pelo menos uma e, muitas vezes, duas equipes de escrita em cada programa. O mesmo com roteiros de cinema. É justo supor que a maioria dessas equipes se juntaram porque cada um trouxe sua força para a mesa.

Encontrar a sua alma gêmea de escrita não é fácil. É como encontrar alguém para casar. Você tem que procurar por aí, ver se vocês se relacionam bem e esperar que isso funcione.

Se funcionar, vocês dois estarão em uma posição muito melhor do que seguindo sozinhos.

A Quarta Regra de Escrita Cômica:

• Encontre o seu gênero

Quando vamos a um filme dos Irmãos Farrelly, nós esperamos um certo tipo de produto. Muito humor asqueroso e em grande parte irreal, enredos de alto conceito com um punhado de falas e momentos verdadeiramente inspirados. Os filmes de Woody Allen, especialmente seus esforços iniciais e do meio da carreira, ofereciam uma visão espirituosa e neurótica da condição humana, especialmente do romance. Seus fãs sabem que íamos ver um tipo intelectual único de criatividade e inteligência. Se o nome de Judd Apatow está num filme, seja ele o escritor, o produtor ou o diretor, sabemos que vai ser algo de alto conceito com uma abundância de piadas de sexo, mas com um tom de doçura.

A coisa é, dependendo do tipo de comédia que você está escrevendo, você pode não precisar ser tão engraçado quanto esses caras.

Comédias românticas precisam de risadas, mas não de milhares delas. Pegue dois filmes de Reese Witherspoon. Doce Lar não tinha uma risada por minuto. Nem Legalmente Loira, mas esse foi mais engraçado e teve um conceito mais elevado. Ambos tinham histórias interessantes.

As comédias masculinas (ou comédias de amigos) precisam de mais risadas do que uma comédia romântica. Pense em Eu Te Amo, Cara, Penetras Bons de Bico, Ricky Bobby – A Toda Velocidade, Segurando as Pontas ou Faça o Que Eu Digo, Não Faça o Que Eu Faço.

Vejamos a televisão. Eu costumava ouvir as pessoas se referirem a Sex and The City como uma sitcom. Não era. Era um drama com risadas ocasionais. Ninguém assistia Sex and The City pelo humor (e ninguém foi para a versão cinematográfica esperando gargalhar por duas horas), ao contrário de Seinfeld, Uma Família da Pesada ou 30 Rock. O mesmo com o Entourage. É uma sitcom? Na verdade, não. Partes de cada episódio são hilariantes. Mas, é na verdade um drama com risadas que surgem dos personagens.

Os escritores de sitcom têm uma expressão para as partes de um roteiro onde intencionalmente não há nenhuma fala engraçada: tubulação fixa [laying pipe]. Informação crucial para o enredo é dada. Roteiros cinematográficos de comédia são autorizados a ter algumas seções de tubulação fixa, mas não muitas. E não deve haver uma nas primeiras 15 páginas. Você tem que manter as risadas vindo.

Então, se você quer escrever uma comédia grande e ampla (Trovão Tropical, Com a Bola Toda, O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy, Debi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros) é melhor o seu roteiro ser engraçado para danar, da primeira à última página.

Então, se você quer escrever uma comédia romântica ou algo sério/cômico (assunto sério com risadas) ou uma comédia/drama (história alegre com uma virada séria ou sentimental), você não tem que ter necessariamente de 3 a 6 risadas por página. Mais uma vez, aqui é onde uma história sólida vai suplantar muitas risadas.

Em conclusão, alguém pode ser ensinado a escrever comédia? Sim. Assim como alguém pode ser ensinado a cozinhar. Se você tiver aulas de culinária, ler um monte de livros de culinária, assistir programas televisivos de culinária e gastar bastante tempo na cozinha testando receitas, você vai ser capaz de preparar uma refeição da qual não vai se envergonhar.

Aprender a escrever comédia é praticamente o mesmo. Você pode encontrar um curso ou um curso de extensão acadêmica sobre escrita de sitcom, improvisação e comédia em pé. Você pode ler livros sobre escrita de comédia (Writing The Romantic Comedy é muito bom, assim como What Are You Laughing At?: How to Write Funny Screenplays, Stories, and More). Você pode estudar as comédias (você vai aprender mais com as ruins, do que com as boas).

Finalmente, se você não quer colaborar com alguém e se o seu coração está determinado a escrever comédias, apenas continue encarando aquela cena que necessita ser melhorada até que uma fala engraçada surja em sua cabeça. Em seguida, faça isso novamente e novamente e novamente. Só não tente analisar o que é engraçado ou descobrir de onde a graça vem. E.B. White expressou isso melhor: "Analisar o humor é como dissecar um sapo. Poucas pessoas estão interessadas, e o sapo morre disso."

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“Todos da minha turma de biologia votaram contra dissecar um sapo.

Mas nós quase tivemos votos suficientes para dissecar o professor!”

Boa escrita pra você hoje! =)

04/05/2012

Como a Tecnologia Arruinou a Comédia Romântica

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo foi escrito pelo consultor de roteiros Danny Manus, e tirado do site Movie Outline:

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Lembra-se dos bons velhos tempos quando, a fim de encontrar a alma gêmea perdida, um personagem tinha que vasculhar a terra numa grandiosa viagem romântica, sem nada além de um fio de cabelo, um desenho a carvão e uma lembrança de infância? Agora, eles podem simplesmente usar o Facebook. Leva 30 segundos, e a história acabou.

As mídias sociais e a tecnologia atual arruinaram completamente as comédias românticas e tornaram muito mais difícil criar uma história original e convincente de duas pessoas aleatórias se encontrando. Porque NÃO há mais tal coisa como o acaso. Não há tal coisa como “cortejar.” As pessoas nem sequer mais namoram – elas só “ficam”, e, eventualmente, decidem que estão juntas. Então você precisa perguntar a si mesmo – os seus personagens ainda estão vivendo na década de 1950?

Mesmo se você esbarrasse em uma total estranha na rua e tivesse aquele momento de “amor à primeira vista”, você iria para casa e a procuraria no Google, checaria a página dela no Facebook, seu MySpace, seu perfil no Linked In, seu blog, e sua conta no Twitter (que vem com localização por GPS e contra recibo, para que você possa saber exatamente onde ela esteve e o que ela comprou), e você saberia tudo o que poderia querer saber em 5 minutos. Meio que tira a diversão de uma boa e velha perseguição, não é?

Algumas das maiores comédias românticas são baseadas em um dos seguintes problemas ou planos de ação:

  • Encontrar um amor perdido ou amor de infância
  • Enviar uma mensagem para a pessoa que você ama antes que seja tarde demais
  • Relacionar-se com os amigos ou a família da pessoa que você ama
  • Superar a distância
  • Tentar separar um casal, pois eles não pertencem um ao outro
  • Conseguir a atenção de alguém que não sabe que você está vivo
  • Descobrir algo sobre a pessoa com quem você deseja estar, para que ele(a) ache que vocês têm algo em comum
  • Provar que você não está mentindo ou traindo alguém
  • Ter que rastrear alguém
  • Melhores amigos que perdem contato e então encontram-se novamente mais tarde na vida.

Estas costumavam ser ideias sobre as quais você poderia escrever 100 páginas. Agora, qualquer um destes problemas seria solucionável em questão de minutos. Uma boa história de amor ainda pode transcender o tempo, mas hoje em dia, se os seus personagens não têm nem mesmo telefones celulares, o quão verdadeiros para a vida real eles poderiam ser? Hoje em dia, Harry provavelmente teria encontrado Sally no Match.com e aquela cena do orgasmo na lanchonete teria sido o Billy Crystal assistindo a um vídeo de Meg em seu iPhone. Steve Martin não teria tido que sentar-se nos arbustos e sussurrar palavras para outro homem a fim de conquistar Roxane – ele poderia ter apenas mandado uma mensagem para ela do telefone do outro cara. E John Cusack não estaria em pé do lado de fora da casa de Ione Skye com um aparelho de som portátil sobre sua cabeça – ele teria apenas jogado o seu iPod pela janela aberta dela, e gritado: “Faixa 4!”

Sintonia de Amor funcionou porque era sobre aquelas duas pessoas em lados diferentes do país, que se encontraram em um programa de rádio. Mas, agora, 15 anos depois… quem mais ouve rádio, exceto doidos de direita, fãs de Howard Stern e meninas de 12 anos de idade?

E os relacionamentos à longa distância são certamente muito mais fáceis hoje em dia do que era há 10 anos. O recente lançamento Amor à Distância, que é sobre tentar fazer um relacionamento de longa distância funcionar, tem uma hilariante cena de sexo por telefone, mas nós já não ultrapassamos isso? Existem webcams embutidas em todos os computadores. Existe o Skype e o sexting [N.T.: Envio de mensagens eróticas e fotos através de torpedos], e sites concebidos para pessoas que querem trair. Em um mundo onde jovens de 14 anos estão tendo mais relações sexuais do que os seus pais, um em cada dois relacionamentos terminam em divórcio, e um em cada quatro relacionamentos são iniciados online, comédias românticas que não envolvam tecnologia, sobre a linda garota virgem de 25 anos ou sobre o amor verdadeiro, simplesmente não soam mais verdadeiras.

Isto certamente não significa que o amor verdadeiro – ou as comédias românticas – está morto. Significa apenas que você precisa ser mais criativo em seus ganchos e premissas, e estar consciente dos perigos de esquecer da tecnologia. Agora, talvez, se você estiver escrevendo Simplesmente Complicado e seus personagens principais estiverem em seus 50 anos de idade ou mais, não tem de focar tanto na tecnologia. Mas se você estiver escrevendo um romance adolescente, e os jovens nunca mandarem torpedos entre si – o quão verdadeiro é isso para a juventude de hoje?

Comédias românticas sempre tiveram um elemento de fantasia em si. Elas são as situações de sonho perfeitas. Elas seguem uma equação simples – Circunstância mais mágica, mais incríveis boas aparências, menos obstáculos é igual a felizes para sempre. E os espectadores vão mesmo ao cinema para escapar das realidades de suas próprias vidas, mas eles precisam ser capazes de se relacionar com o mundo que você criou. Comédias românticas tem que ser baseadas em algum tipo de realidade, e se nenhum de seus personagens usar um computador, isso simplesmente não é a realidade. Então, tenha sempre em mente o período de tempo para o qual você está escrevendo, e tudo o que ele engloba.

E quando se tratar de amor, mantenha o coração aberto e um disco rígido vazio.

NO BO livro acima é do autor deste artigo. Clicando na capa você poderá comprá-lo em e-book ou livro físico (encadernação espiral).

Boa escrita de comédia romântica pra todos! =D S2

12/02/2012

Pegue o Ritmo

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui está o artigo nº 3 do site Script Secrets do roteirista William C. Martell:

Bexiga estourando

Nosso trabalho como roteiristas é estourar bexigas.

O público acabou de gastar 7 dólares numa Coca-Cola tamanho gigante com refil grátis, que está quase vazia lá pelo meio do filme (eles começaram a bebê-la enquanto assistiam a todas aquelas propagandas antes do filme). Agora eles estão procurando por aquele ponto morto na história, para que possam correr para o banheiro. Aquela parte do filme onde nada de interessante está acontecendo e não parece provável que aconteça por alguns minutos. Apenas o tempo suficiente para correr para o banheiro e correr de volta. Nosso trabalho é garantir que não existam pontos mortos, pontos lentos, nem tempo de correr para o banheiro… de modo que haja pelo menos uma emporcalhada explosão de bexiga a cada exibição.

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O ritmo do seu roteiro é crítico. Todos nós já vimos filmes que tinham aquelas partes entediantes onde nada parecia estar acontecendo, e todos nós já vimos filmes que só se arrastavam. Apesar de uma história emocionante poder tornar um filme de ritmo lento tolerável, ele ainda é um filme de ritmo lento. Ritmo é um dos elementos mais importantes de um roteiro, mas você raramente o vê mencionado em livros ou cursos de roteiro. O que é ritmo?

Ritmo é a frequência de eventos emocionantes em seu roteiro (ou no filme). Quanto mais eventos emocionantes, mais rápido é o ritmo do seu roteiro. Quanto menos eventos emocionantes, mais lento é o ritmo do seu roteiro. Bem simples.

Na maior parte, os eventos emocionantes serão o que eu chamo de “essência do gênero” – aquelas cenas interessantes do gênero pelas quais as pessoas compram ingressos para assistir. Aquelas cenas que conseguem entrar no trailer. Em uma comédia, essas são as situações de comédia. Em ação, são as cenas de ação. Em um thriller, são as cenas de suspense. Apesar de todos nós desejarmos ótimos personagens e uma ótima história, a razão pela qual vamos a um filme de comédia é para rir – portanto as cenas engraçadas são críticas. Você precisa de suficientes cenas engraçadas em uma comédia para que aquele pessoal que comprou aquele refrigerante de 7 dólares não possa correr até o banheiro, porque eles não querem perder todas aquelas coisas engraçadas que sabem que vão acontecer, porque o filme até então tem estado cheio de cenas engraçadas. Nós pagamos para ver um filme de comédia porque é engraçado – então é bom que o roteiro provoque o riso e nos mantenha rindo. Se você tem um roteiro de comédia com cinco cenas engraçadas entre as 50 ou 60 cenas, isso não é muito engraçado. Nada para te impedir de visitar o banheiro ou o balcão de doces, ou mesmo de jogar aquele video game no saguão do cinema.

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NUMERAÇÃO DE CENAS

Um dos motivos pelos quais o seu roteiro tem um ritmo lento pode ser porque não há o suficiente acontecendo – e você tem um roteiro repleto de encheção de linguiça. O roteiro médio vai ter algo entre 50 a 60 cenas – e a média é provavelmente mais perto de 60. Se você fizer a conta, isso significa que a sua cena média terá cerca de duas páginas. Agora, isso é uma média, então você pode ter algumas cenas de 4 páginas e algumas de uma páginas, mas, e se o seu roteiro termina com cenas de 10 páginas? Você pode querer dar uma olhada nessas cenas épicas e ver se elas realmente precisam ser tão longas. Uma cena de dez páginas provavelmente vai tornar o roteiro lento, simplesmente porque são dez páginas sobre a mesma coisa.

A maioria dos escritores novatos não tem nenhuma ideia de quão acelerado um filme realmente é, e o quão longo é 10 minutos de tempo de tela – um bom exercício é cronometrar filmes: assista um filme e anote o que são todas aquelas cenas e quanto tempo elas duram. O meu tocador de DVD tem um cronômetro que começa no zero e mostra quantos minutos já se passaram desde que o filme começou – uma ótima ferramenta ao se cronometrar filmes. Uma vez que tenha cronometrado alguns longas, você percebe quanta história está acondicionada em um roteiro – é muita! Então aplique isso ao seu roteiro – certifique-se de que você tenha essas tantas coisas acontecendo. Veja o tamanho daquelas cenas dos filmes que você cronometrou – você provavelmente notará algumas cenas amontoadas, de meio minuto cada! Tem aquela velha história sobre o Billy Wilder reescrever uma cena de 10 páginas de diálogo para meia página que continha todas as informações da versão mais longa. Esse é um dos princípios básicos do roteirismo – é escrita condensada. Você precisa encontrar o modo de transmitir o máximo de informação no mínimo de tempo de tela, porque só temos 110 páginas para contar a história toda.

Muitos filmes lentos (e seus roteiros) são na verdade 60 minutos de história cinematográfica expandidos para 110 páginas… e isso significa que quase metade do roteiro é algum tipo de material para encher linguiça ou apenas escrita preguiçosa. Certifique-se de que você tenha história suficiente, e de que você não gaste cinco páginas numa cena de duas.

Beyond a Reasonable Doubt

FIXADO NO RITMO

Existem duas maneiras de garantir que o seu roteiro tenha um bom ritmo:

1) Inclua o ritmo no seu argumento, para que ele torne-se parte da estrutura.

2) Edite e reescreva o seu roteiro quando ele estiver terminado, para melhorar o ritmo.

Se você incluir o ritmo no seu argumento, você tem o “ritmo embutido”, se tentar criá-lo depois, você pode acabar com um ritmo forçado… além de um montão de reescrita! Eu já assisti muitos filmes de ação onde parece que alguém simplesmente jogou uma perseguição de carros gratuita lá porque o ritmo estava se arrastando. Isso é o que geralmente acontece quando o ritmo é pensado posteriormente – as cenas enfiadas durante a reescrita, saltam para fora como o inchaço de um polegar machucado! É por isso que eu prefiro construir as minhas cenas de ação (ou qualquer que seja a “essência do gênero”) no argumento, de modo que elas sejam parte da história em si. As cenas interessantes tornam-se parte do esqueleto da história, e não algo que eu meto numa reescrita e que não era parte da história original.

Também ajuda a pensar nas cenas interessantes quando você estiver procurando por ideias de história e pensado nos personagens. Apesar de uma cena de perseguição de carros ser uma cena emocionante que pode estar no trailer, e pode fazer o público pagar pela entrada, e pode impedi-los de fazer aquela corrida louca até o banheiro, ela também é uma cena de personagem e uma cena de história. O seu protagonista está em apuros e deve passar por situações de vida ou morte numa perseguição de carros, então pense nas cenas essenciais como cenas de personagem também. Elas não são apenas algo para manter a história emocionante, elas também são cenas de conflito que revelarão o personagem. Esse é outro motivo pelo qual aquelas cenas de ação coladas (ou cenas de comédia, ou cenas de romance, ou cenas de suspense) não funcionam – elas não são parte da jornada emocional do protagonista e não são parte da história. Você deve construir cenas interessantes em sua história, de modo que aquela situação histérica de comédia seja uma parte necessária da história do personagem, e não possa ser removida. Qualquer cena que possa ser removida, deve ser removida… deste modo, qualquer cena que você apenas adiciona ao seu roteiro é uma cena que não pertence a ele. Você deve certificar-se de que todas aquelas emocionantes “cenas essenciais” sejam parte integrante da história.

Existe um ritmo na colocação das cenas (ou existem longos pontos mortos onde nada de emocionante acontece)? A ação ou o suspense ou o humor crescem como uma bola de neve e se intensificam? Se a sua comédia torna-se MENOS engraçada conforme ela progride, você está com um problemão. O ritmo deve intensificar-se, não ficar mais vacilante. Lembre-se, o seu trabalho é estourar bexigas. Quanto mais o público tiver que ir ao banheiro, mais temos que fazer para mantê-los em seus assentos. Lá pelo Ato III não deve haver um minuto a perder!

Wait Until Dark

O RITMO DO TERCEIRO ATO

Um roteiro de 110 páginas terá cerca de 12 cenas “essenciais do gênero”)… talvez mais. Os Terceiros Atos de roteiros de ação e de suspense geralmente são “fora da frigideira, dentro do fogo” — uma cena de ação leva à próxima, e elas continuam num crescente até você chegar ao fim. O Ato III de A OUTRA FACE [ATENÇÃO: A SEGUIR, HÁ SPOILERS DE ALGUNS FILMES] é ação do começo ao fim, começando com um tiroteio numa igreja entre o Herói e o Vilão, transformando-se em um impasse, onde o vilão sequestra a filha do Herói e aponta uma arma para a cabeça dela fora da igreja, o que leva a uma perseguição a pé no píer perto da igreja, o que leva o Vilão a roubar um barco de corrida e o Herói a persegui-lo em outro barco de corrida, o que transforma-se numa luta mano a mano (com âncoras e correntes) a bordo do barco do Vilão, e então este barco atinge a margem e explode, lançando o Herói e o Vilão na praia, onde eles têm uma luta final de faca contra uma arma de arpão de pesca. Uma ação evolui para a próxima como uma bola de neve, num contínuo ato-de-ação.

Suspenses frequentemente fazem a mesma coisa – o Ato III de UM CLARÃO NAS TREVAS é um grande jogo de pique-esconde entre o assassino e a mulher cega.

Roteiros de comédia geralmente também têm Terceiros Atos “fora da frigideira”… simplesmente uma situação engraçada levando à próxima. Confira o final de BANZÉ NO OESTE ou o de QUEM VAI FICAR COM MARY?, ou o de O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO, para alguns exemplos.

Em outra dica de como o ritmo é o pulsar do coração de seu roteiro, eu digo que, assim como o seu batimento cardíaco aumenta quando você fica mais emocionado, a frequência de cenas emocionantes aumentará quando o seu roteiro se tornar mais emocionante. Você provavelmente terá muito mais cenas interessantes no terceiro ato do seu roteiro do que no primeiro ato. Certifique-se de não esgotar toda a emoção antes do final de sua história! O lugar em que você não deve deixar o ritmo lento é o Ato III. Eles realmente têm de ir ao banheiro, e você tem que lutar com duas vezes mais afinco para evitar que isto aconteça!

G.I.Joe

TUDO INTERESSANTE O TEMPO TODO?

Ei, se uma “cena essencial” em cada dez páginas é bom, uma “cena essencial” do começo ao fim de vinte minutos não seria ainda melhor? A resposta é… não.

Filmes com todas as cenas empolgantes, uma depois da outra, parecem ficar esgotados – um excesso de uma coisa boa. Um roteiro necessita de equilíbrio – picos e vales. Se o seu roteiro é sempre empolgante, nós nos tornamos acostumados à empolgação, e ela torna-se esperada… e o que é esperado não é empolgante. Quando uma perseguição de carros e um tiroteio torna-se entediante, você está em apuros! Tudo empolgante é tão problemático quanto empolgação nenhuma.

Quando você vê os monitores cardíacos nos programas médicos (ou na sua última viagem ao pronto-socorro porque a sua bexiga explodiu no cinema) notará que um batimento cardíaco sobe e desce – há picos e vales. O mesmo ocorre com o ritmo do roteiro – você não quer que sejam todos picos, porque isso é uma linha reta tanto quanto tudo vales. Você quer um pico seguido por um vale – uma cena de ação seguida por uma de não-ação. Isso mantém as cenas de ação empolgantes. Mas como você os impede de correr loucamente para o banheiro após a perseguição de carros ter terminado?

Bem, primeiro você precisa certificar-se de que as cenas que não são “essenciais de gênero” sejam críticas para a história e críticas para a jornada emocional do protagonista. Pensar que uma perseguição de carros “essencial do gênero” seja somente algum tipo de material para encher linguiça é um erro imenso… assim como pensar que as cenas entre suas cenas “essenciais do gênero” sejam algum tipo de material para encher linguiça. Não existe material para encher linguiça em um roteiro – cada cena, cada página, cada palavra é necessária para contar a história, e é melhor que seja interessante e emocionante. Lembre-se, existem outras formas de emoção além de uma perseguição de carros. Personagens interessantes são emocionantes.

Abbott and Costello Meet Frankenstein

Aqui está o que eu aprendi assistindo ABBOTT & COSTELLO MEET FRANKENSTEIN: O vale de um gênero é o pico de outro. Ao combinar dois gêneros – terror e comédia – ABBOTT & COSTELLO MEET FRANKENSTEIN é duas vezes mais emocionante, sem nenhum fator de esgotamento. Os vales do terror são os picos da comédia. Quando você não está gritando, está rindo. A comédia torna o terror duplamente assustador, porque ele torna-se inesperado. Aqui está você rindo, e então algo assustador acontece. O terror também torna a comédia duplamente engraçada pelo mesmo motivo – após um grande susto você realmente precisa de uma boa risada!

Essa tradição é o que tornou tantos filmes de terror dos anos 1980 (de UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES a GRITO DE HORROR, a A CASA DO ESPANTO) tão assustadores – os vales da história de terror eram picos da história de comédia, e as histórias nunca perdiam seu foco nos personagens. Uma cena emocionante acontecendo com pessoas com quem não nos importamos não é muito emocionante. A coisa dos picos-e-vales também foi usada com romance em muitos filmes de terror dos anos 1940, como SANGUE DE PANTERA e I WALKED WITH A ZOMBIE, que tornaram-se mais assustadores porque são histórias de amor. Há esta grande cena romântica… e, no meio de um beijo, o monstro ataca. Então, quando um filme de terror não é assustador, ele não é enfadonho… ele é emocionante de outra forma.

O “gênero padrão” de todos os roteiros geralmente é o drama – o seu protagonista está lutando com algum problema emocional que é amplificado por um problema físico (enredo) que é de um gênero popular. Então as cenas “essenciais do gênero” podem ser de ação, ou suspense, ou comédia, ou terror, ou comédia romântica, mas as “cenas de vale” geralmente serão dramáticas. Se você assistir aos filmes BOURNE, esta é uma história seriamente orientada para o personagem… com maciças perseguições de carro. Em uma de minhas dicas, eu falo sobre o drama como o gênero padrão e uso algumas comédias como exemplos – quando aqueles filmes não estão te fazendo gargalhar, eles são sobre personagens lutando com sérios problemas emocionais. Esta é uma das razões pelas quais dramas puros geralmente não se saem tão bem quanto filmes de gênero – as cenas “essenciais do gênero” em um drama são aqueles grandes momentos dramáticos… aqueles são os picos. Então, quais são os vales? Hm, geralmente, nada.

Hitchcock disse: “Filmes são a vida, com todas as partes chatas cortadas” – então você quer que o seu roteiro seja sempre interessante e envolvente… só não quer que sempre sejam cenas essenciais do seu gênero primário (isso seria tudo picos = sem picos). Não existem picos se você não tem vales – mas isso não significa que os vales têm de ser enfadonhos.

Não pense nos vales como “pontos tediosos” ou “pontos lentos”, eles serão pontos emocionantes de algum outro gênero. O seu suspense pode usar os vales como picos de uma história dramática. Os seus vales de comédia podem ser picos românticos… ou picos de suspense… ou picos de terror… ou picos de ação… ou algum outro tipo de cena emocional e empolgante que complemente o gênero do seu roteiro e ajude a explorar o personagem. Toda página do seu roteiro precisa ser interessante, emocionalmente envolvente e empolgante.

Sem um bom ritmo, você perdeu o seu público. E quando o público está no banheiro, ele não está assistindo ao seu filme (insira a sua própria piada aqui.) Então, como está o ritmo do seu roteiro?

northbynorthwest

*****

Tem 4 livros deste autor sendo vendidos pela Amazon.com na versão Kindle (você não precisa ter um aparelho Kindle para ler neste formato, basta baixar o aplicativo para o seu computador). Eu comprei os 4 recentemente e, além de baratinhos (3 deles custam apenas 2,99 dólares, e o sobre roteiros de ação, US$ 9,99), são ótimos, recomendo a todos os que gostam dos artigos do William C. Martell – e leem em inglês – que os comprem (clique nas capas abaixo para ir direto à pagina da Amazon). Valem cada centavo!

The Secrets Of Action Screenwriting Your Idea Machine Dialogue Secrets Creating Strong Protagonists

Uma ótima escrita pra você hoje! ><((((º>

22/01/2012

Entrevista Com o Roteirista Dan Harmon

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto de hoje foi tirado da revista Written By (do WGAw) – Summer (Verão) 2011 – páginas 12/13/56/57. Artigo escrito por Lisa Rosen:

Dan Harmon Community Panel Comic Con(1) Dan Harmon Community Panel Comic Con 2011(2)

EQUILIBRANDO O ORÇAMENTO ENTRE OS GÊNEROS

Sendo homem, e sendo essa a minha primeira experiência montando uma equipe, a última coisa que eu quero é que me digam que uma percentagem dos escritores deve ser o que quer que seja. Tudo o que eu quero é encontrar talentos. É verdade que tudo deveria ser uma meritocracia. O problema é que você está vivendo num sistema que, por uma ou outra razão, é desproporcional.

É assim que eu me sinto em relação ao negócio da diversidade. Dois anos atrás, eu teria dito: “Por que o WGA está fazendo boletins sobre esta coisa, quando deveríamos estar focados em quem é o melhor escritor?” E agora, dois anos comandando um programa, escolhendo o quadro de funcionários temporada após temporada, pilhas e pilhas de roteiros escritos por pessoas brancas privilegiadas – eu estou tendo este desejo em mim de correr para todas as escolas primárias da cidade e reunir todas as crianças negras e dizer: “Vocês podem ser escritores. Claramente, alguém disse a vocês que esse não é o caso. Ou alguém disse isso aos seus pais. Mas eu estou dizendo para vocês serem escritores, para que isso melhore em 20 anos.” Porque algo está errado aqui. Isso não é justo.

Então, foi uma ótima coisa, embora ligeiramente irritante no começo, a [ex-executiva da NBC] Angela Bromstad sugerir que uma alta porcentagem da equipe fosse feminina. Havia um monte de escritoras que eu estava lendo àquela altura que eram boas o suficiente. Eu decidi que isto não era realmente um grande problema. Eu acho que ocorreu de, talvez, uma decisão em dez ter sido tipo: OK, eu vou escolher esta pessoa no lugar daquela outra precisamente por causa da ordem. Isso deu a sensação de uma aquiescência fundamental de princípios.

Mas, dois anos depois, os escritores homens de Community, que têm este pedigree em escrita de comédia televisiva a partir de salas dominadas por homens, todos eles estão elogiando ter uma equipe balanceada. É importante ter um equilíbrio naquelas conversas [de história]. Todo mundo meio que fica se confraternizando e falando sobre aqueles personagens. Metade de nossos personagens são mulheres. Isso acabou sendo ótimo. Então essa foi uma descoberta acidental interessante.

– Dan Harmon

Dan Harmon Community Panel Comic Con 2011 Dan Harmon Community Panel Comic Con 2011(3) 

O LOUCO PARA AQUI

Dan Harmon Cria Mais de uma ‘Comunidade’ [Community]

Community começou como uma relativamente convencional sitcom de uma-câmera. Um advogado bonito e tratante que mentiu sobre seu diploma é forçado a frequentar a Greendale Community College [Universidade Comunitária Greendale] a fim de obter os créditos necessários. Uma vez lá, ele cria um grupo de estudo repleto de amáveis excêntricos.

Mas em algum lugar da primeira temporada, o programa desviou-se em direção ao bizarro e nunca retornou. Olhando o currículo do criador Dan Harmon, é uma surpresa que ele tenha levado tanto tempo para chegar à bizarrice.

“Eu era o garoto que estava destinado a ser o cara assustador no canto de todas as festas, pelo resto de minha vida”, diz Harmon, sentado à mesa de conferência da sala dos escritores de Community. “Daí, Bob Orvis, do Comedy Sportz Milwaukee veio visitar o nosso colégio.” Orvis descreveu a improvisação como o veículo do escritor. Harmon logo se descobriu no palco com o grupo, sendo tratado como um igual entre profissionais. “Este foi o maior ponto de virada da minha vida.”

Ele conheceu o escritor/ator performático Rob Schrab e começou a trabalhar no livro em quadrinhos de Schrab, Scud: The Disposable Assassin [Scud: O Assassino Descartável], que foi comprado em opção pela companhia produtora de Oliver Stone. Achando que tinham conseguido entrar em Hollywood, os dois tornaram-se parceiros de escrita e mudaram-se para Los Angeles.

Ao saberem que outra pessoa seria contratada para adaptar Scud, eles decidiram que era hora de aprender como escrever um roteiro de cinema. Eles estudaram o manual do Syd Field, escreveram um roteiro de especulação, arranjaram um agente, e logo conheceram a companhia produtora de Robert Zemeckis. Eles apresentaram oralmente 10 ideias, a última das quais foi: “A casa é um monstro.” (O longa resultante, A Casa Monstro, foi indicado pra um Oscar de melhor longa de animação.) Os telefones tocavam sem parar, as reuniões sucediam-se, e um acordo com Ben Stiller e a ABC levou a Heat Vision and Jack, um projeto televisivo hilariantemente demente que Harmon e Schrab escreveram durante o fim-de-semana do Halloween de 1999. Nele, um astronauta chega perto demais do Sol, fervendo seu cérebro até ele virar o homem mais inteligente da Terra. Enquanto isso, seu melhor amigo se funde com sua motocicleta. Harmon chama isso de “a experiência criativa mais alegre que eu jamais terei de novo na minha vida inteira.”

Do Alto Para Baixo

Infelizmente, isso precipitou o seu período mais terrível. A Fox recusou-se a pegar o piloto (ainda se pode assisti-lo online), e o telefone ficou silencioso. O programa experimental tornou-se um conto de advertência para outros jovens escritores, um dos quais contou a Harmon que ele foi avisado em uma reunião para não pensar muito longe de fora da caixa porque “nós não queremos que isso vire um Heat Vision and Jack.”

Uma séria crise de depressão, isolamento, e até acumulação compulsiva se seguiu, para ser quebrada pela revolução digital de 2001. Harmon e Schrab começaram a fazer curta-metragens e a desafiar amigos a fazerem o mesmo. Os festivais de cinema mensais resultantes, agora conhecidos como Channel 101, continuam até hoje. O público vota em seus pilotos de séries favoritos, e cada “vencedor” consegue mais um episódio. Durante a pausa prolongada de trabalhos remunerados de Harmon, “eu desenvolvi muitos músculos criativos, inclusive destilando os monomitos de Joseph Campbell em um processo de oito passos tipo fórmula.” Harmon o ofereceu como um tutorial grátis para escritores bloqueados e o utiliza em Community.

Seu trabalho no Channel 101 eventualmente o levou a um bico desenvolvendo o The Sarah Silverman Show com a estrela titular do programa. Harmon não durou muito lá. “Sarah colou a coisa deste modo: Ela queria ser a única pessoa louca da sala.” Mas os telefones tinham voltado a tocar, e em uma reunião disseram a ele que a NBC queria trabalhar com ele. “Eu nunca pensei que ouviria aquelas palavras próximas ao meu nome”, ele diz, ainda soando um pouco aturdido.

Esta era a chance de criar um programa que apelasse para uma amplo faixa de espectadores, e ele entrou de cabeça. Ele sabia que isso exigiria começar com a experiência pessoal, não com uma ideia inteligente.” Então ele voltou ao seu tempo na Glendale Community College alguns anos antes, onde ele formou um grupo de estudo com pessoas que, de outra maneira, ele jamais teria conhecido. Logo ele estava rolando a lista de telefones de seu celular à procura de ideias para personagens. O sessentão Pierce foi tirado do pai de uma ex-namorada. E o malandro advogado Jeff é baseado em Harmon, o babaca que aprende como se importar com as outras pessoas.

Em sua escolha de equipe da primeira temporada, ele observa, “[A ex-executiva da NBC] Angela Bromstad formalmente, mas despreocupadamente, sugeriu que seria legal ter uma proporção entre os gêneros num programa que declarava ser para todos e sobre todos.” Ele levou isso a efeito relutantemente: Agora aproximadamente a metade de sua equipe de escritores é feminina. “Como um chauvinista inveterado, eu estou animado de comunicar que as mulheres são absolutamente iguais, se não melhores, que os homens como escritoras de comédia, em um ambiente de equipe. E todos os escritores homens estão felizes de dizer isso.” Conforme escritores vêm e vão, Harmon está comprometido a manter o equilíbrio entre os gêneros.

Em dois anos ele passou de alguém que se perguntava por que o WGA tinha boletins sobre diversidade a alguém decidindo como melhorar o quociente em seu programa. “Ter este grande poder em mãos lhe transforma num ativista social”, ele postula. “Você percebe que não vivemos numa meritocracia. Não há igualitarismo; é necessário que haja medidas proativas tomadas para equilibrar esta coisa toda.”

O esforço estendeu-se para o elenco também, ele explica, “para ter certeza de que este programa sobre uma faculdade comunitária acabasse parecendo autêntico.”

Me Chame de Louco

Mas uma coisa engraçada aconteceu a caminho do objetivo final. Não muito tempo depois do programa ter começado, Harmon percebeu que seu próprio trabalho não parecia autêntico. “Era só eu vestindo o meu melhor traje de domingo e indo à igreja e tentando fazer isto direito”, ele diz. “Eu não estava tentando enganar ninguém. Eu estava tentando enganar a mim mesmo, suponho. Tentando arranjar uma casa e crescer. Isso começou a ficar muito mais estranho porque não estava necessariamente me mantendo vivo continuar passando a impressão de ser outro roteirista de TV. E os meus momentos mais brilhantes eram aqueles em que eu estava mais sob a mira do revólver – e eu era mais eu mesmo.”

Então, após alguns episódios bem normais sobre os personagens e suas travessuras, os enredos ficaram mais selvagens, assim como o humor. “Modern Warfare” [Guerra Moderna], um episódio sobre uma luta de paintball pela faculdade inteira, foi rodada como um filme de ação apocalíptico, repleto de homenagens a tudo, de Fervura Máxima a Scarface.

Lá pelo final da primeira temporada, o programa tinha índices miseráveis de audiência, mas conseguiu entrar num monte de listas de 10 Melhores. E Harmon tinha começado a aprender a comandar uma sala de escritores. “Na primeira temporada, eu levava todos os roteiros para casa por dois dias e trabalhava neles vestindo meus pijamas, e ninguém sabia o que estava acontecendo”, ele reconhece. “Nós estávamos vivendo e morrendo pela minha capacidade de fazer serão sozinho a noite toda, e se eu tivesse uma noite fraca, nós teríamos um par de piadas fracas no roteiro. Eu tive de aprender a parar de ser tão pretensioso e a confiar naquelas pessoas que eram pagas para me ajudar. E foi aí que o programa ficou realmente bom.”

Nesta temporada foi visto um programa com pseudo-clipes [de retrospectiva], onde cada clipe era na verdade inventado. “Eu queria fazer isso há uma eternidade”, ele confidencia. “Tradicionalmente, esses episódios são utilizados para dar aos escritores uma semana de folga, mas nós o usamos para nos torturarmos.”

O episódio “Critical Film Studies” [Estudos Críticos de Cinema] – quase impossível de descrever para qualquer um que não tenha visto o filme Meu Jantar Com André (e até para aqueles que o viram) – envolve um monólogo de um minuto de duração de dar nó no cérebro, que vira o personagem Abed, um tipo que parece ter Síndrome de Asperger, ao avesso. Conforme isso acontece, ele fez o mesmo a Harmon.

“Isso teve de representar o fundo do poço das pressões sob as quais eu me coloquei por ser autodestrutivamente e compulsivamente ambicioso sobre o formato de sitcom”, relata Harmon. Páginas estavam sendo entregues ao diretor no dia em que eram filmadas. “Eu estava seriamente dizendo: ‘Eu não posso mais fazer isto, este episódio está terrível, eu arruinei este programa com a minha estúpida esperteza. Eu estou alienando o público, e o programa pode de fato estar no ar e todo mundo pode ter um emprego se eu apenas não trabalhasse nisso tanto assim.

A única pessoa a ouvir o seu discurso de auto-aversão foi a escritora mais jovem de sua equipe, Megan Ganz. “Ela me disse: ‘Se você parar de trabalhar no programa, eu vou me mudar de volta para Kalamazoo, Michigan.’ E eu comecei a chorar.” Ainda tocado pelo momento, Harmon começa a chorar de novo ao recontá-lo. “Isso era tudo o que eu precisava ouvir. Isso é tudo o que importa.”

Quase tudo. Conforme o programa ia ao ar, ele começou a receber respostas positivas em seu Twitter (um vício que ele alude como o “Riacho de Narciso”), o que o fez chorar mais uma vez. “E não posso acreditar neste público. Não importa o quão pequeno ele seja, eu não posso acreditar no quão inabaláveis eles são.”

Os fãs continuaram a ser mexidos, mas não agitados, pelo episódio de férias feito em animação de massinha, “Abed’s Uncontrollable Christmas” [O Natal Incontrolável de Abed]. E o brilhantemente concebido ataque de zumbis do programa de Halloween, “Epidemiology” [Epidemiologia] – levou um mês para os escritores criarem uma razão plausível para Greendale ficar infecciosa e mordente. Porque, por mais high concept as histórias possam parecer, elas são totalmente fundamentadas na realidade do programa.

Todavia, Harmon não quer programas que se destaquem pela excelência. Ou melhor, ele quer que a excelência se encaixe neles. “Esse se parece demais com um programa de esquetes para algumas pessoas”, ressalta. “Aquele cordão de pérolas que eu quis criar às vezes pode parecer um chão cheio de bolinhas de gude, e as pessoas estão escorregando nele.”

Então a resposta é tornar a bizarrice acessível. Não obstante os índices de audiência dolorosamente baixos do programa (mais recentemente, 1.5, de acordo com Harmon), ele foi escolhido para uma terceira temporada, e Harmon tem grandes metas para o outono [N.T.: Época de estreias de novas temporadas nos EUA.]. “Na terceira temporada, eu quero tentar de algum modo aumentar o desafio de quebrar essa diferença: Como eu posso manter essa licença criativa enquanto faço disso algo que pareça tão consistente e estável quanto The Office ou Cheers.”

Ou Heat Vision e M*A*S*H.

Dan Harmon Community Panel Comic Con(4)

Boa escrita pra você hoje! =D

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