Dicas de Roteiro

08/09/2010

A Hollywood Chavista

Filed under: Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 19:12
Tags: ,

Olá, hoje teremos mais uma transcrição, desta vez de um quadro da matéria “Uma Oposição Para Chávez”, escrita por Duda Teixeira para a revista Veja (edição 2182 – ano 43 – nº 37 – de 12 de setembro de 2010, página 103). O título do quadro é o mesmo do post, e ele fala da situação atual do cinema venezuelano. É bom saber como são as coisas neste ramo sob um governo ditatorial.

miranda_regresa

PROPAGANDA – Cartaz de Miranda Regressa, produzido pela estatal do cinema para atender ao fetiche de Chávez por heróis históricos

Eva é uma costureira cubana cuja vida vai de mal a pior. O bonitão venezuelano que dirigia um Audi em Havana a abandona e ela é demitida da fábrica onde trabalhava. Uma noite, tristonha, enxerga um cartaz iluminado na rua com o rosto do ditador cubano Fidel Castro e a frase: “Porque nada no mundo nos deve subjugar”. De súbito, sua existência começa a melhorar. Com a ajuda de um fantasma, Eva abre uma casa de chá que passa a ser disputada por cubanos felizes e endinheirados. Havana, não há dúvida, é a terra do empreendedorismo.

Ficção, claro. O roteiro de Havana Eva, em cartaz nos shoppings de Caracas, está recheado de clichês e falácias ideológicas. O filme é um dos catorze realizados pela estatal chavista do cinema, a Villa del Cine, criada há quatro anos para, segundo Hugo Chávez, defender a cultura venezuelana da influência de Hollywood. As produções são pagas com recursos do petróleo. Para construir o estúdio e comprar equipamentos, foi gasto o equivalente a 30 milhões de reais. A companhia padece dos mesmos problemas das demais estatais venezuelanas, como corrupção e ineficiência. Uma de suas presidentes roubou tanto que os chavistas não conseguiram mais acobertar os desvios e sua permanência no cargo se tornou insustentável. Durante a produção de Havana Eva, depois que todos os atores já haviam retornado à Venezuela, foi preciso levá-los novamente para a capital cubana para refilmar 60% das cenas. Motivo: estavam fora de foco. Entre os roteiros da Villa del Cine, predominam comédias e filmes históricos. O primeiro a ser lançado foi Miranda Regressa, sobre o militar libertador Simón Bolívar, ídolo de Chávez. “’É natural que a Villa apoie filmes com um viés favorável ao governo. Há uma linha política que deve ser seguida”, explica o cineasta Carlos Malavé, que teve filmes patrocinados pela estatal.

Aqui está o PDF do texto original. Como eu não consegui a mesma imagem da matéria, eu coloquei o pôster do filme.

Nada como liberdade política para expressarmos nossa arte, não? Boa escrita para todos hoje.

Anúncios

06/09/2010

Quem te viu, quem te vê

Filed under: Direção,Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 11:43
Tags: , ,

O post de hoje não é uma tradução, mas uma transcrição de uma coluna da Revista O Globo do dia 25 de julho de 2010 (página 40), onde a colunista convidada, a cineasta Sandra Werneck* fala sobre a situação atual do cinema brasileiro. Muito importante pra gente meditar e refletir, pois o futuro do nosso cinema vai depender das soluções que esta e as próximas gerações encontrarem para estes problemas. O título do post é o título original da coluna. Vamos a ela:

sonhos roubados set curicica

Ao terminar um filme, todo diretor brasileiro inevitavelmente se pergunta: onde será exibido meu trabalho?

Nos Estados Unidos, segunda indústria cinematográfica do mundo, os roteiros nascem atrelados à produção e à distribuição. Ninguém faz filmes para sessões de cinemateca.

Nosso cinema alcançou qualidade internacional. Este ano, há uma previsão de 80 novos títulos. Será que esses filmes terão espaço no circuito exibidor? Os distribuidores vivem atrelados ao cinema americano e seus blockbusters. O trinômio produção-distribuição-exibição faz de Hollywood a segunda meca do cinema, superada apenas pela Índia. Mas, para nós, é ainda o maior, uma vez que produções indianas não têm penetração no Brasil. Nesse aspecto, a França é o único país que equilibra o número de espectadores de filmes franceses com o de filmes americanos.

O interesse do exibidor é focado em filmes de sucesso. Ora, um blockbuster não chega ao exibidor de forma isolada, mas como parte de um pacotão que engloba uma dúzia de produções de segunda linha. Não é por coincidência que filmes oscarizados garantem boa bilheteria: nosso público compra incondicionalmente os valores da sociedade americana.

Agora começamos a compreender a realidade que aflige a nós, diretores (das chamadas produções independentes até os filmes de maior porte): não há lugar em nosso mercado exibidor para o cinema brasileiro. O espaço deixado pelos blockbusters não passa de umas poucas semanas ao ano. Temos atualmente dois ou três blockbusters, cada um com 400, 500 cópias, ocupando a maioria das salas. Da década de 60 para cá, o cinema americano foi jogando para escanteio a produção dos demais países. Hoje em dia, filmes de outras nacionalidades subsistem apenas em circuitos alternativos, onde, por sinal, tem lugar outra guerra: entre as produções brasileiras e as estrangeiras não americanas. Uma vez que temos cerca de duas mil salas, o que sobra para o cinema nacional (e o do resto do mundo) é irrisório. É por isso que filmes brasileiros não permanecem em cartaz por muito tempo: ocupam apenas uma sessão diária em um reduzido número de salas.

Como se não bastasse, é comum o exibidor alternativo operar também como distribuidor. Ou seja: frequenta festivais internacionais (ou organiza festivais aqui), compra títulos não americanos e força o cinema nacional a disputar o já reduzido espaço alternativo com o cinema argentino, o italiano e outros. Uma parcela expressiva de novos valores do cinema brasileiro permanece desconhecida do público, restando-lhe apenas o destino melancólico das prateleiras de cinemateca.

O cinema nacional, porta-voz da nossa diversidade, reflete a abertura que nos caracteriza como nação. Por isso, o primado da identidade brasileira deve ser garantido por incentivos capazes de refletir, estimular e preservar nossos valores.

Olho para o futuro com uma preocupação maior: será que o tipo de público hoje em formação em nossas salas reflete nossos valores, nossa cultura e nossas aspirações? Desta resposta depende a sobrevivência do cinema nacional como indústria e manifestação da cultura brasileira.

*Sandra Werneck é cineasta e dirigiu longas como “Pequeno dicionário amoroso”, “Amores possíveis” e “Sonhos roubados”

sandra_werneck

Salve o cinema nacional!

01/06/2010

Os Diferentes Tipos de Propriedades Intelectuais

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:58
Tags: ,

O post de hoje é bem esclarecedor para entendermos os diferentes tipos de patentes que existem. O artigo abaixo foi tirado do site Veri Trademark:

raio-x-caveira-ideiaEntão, você quer o Copyright da Marca Registrada dessa Patente?

A lei de propriedade intelectual é tão confusa quanto difundida. Cada vez mais fortunas de negócios giram sobre a força da propriedade intelectual, mas as empresas muitas vezes ficam confusas sobre como aproveitar o poder das suas patentes, direitos autorais (copyright), marcas registradas (trademark), segredos comerciais e nomes de domínio.

Na VeriTrademark ®, queremos oferecer-lhe um quadro simples para a compreensão da propriedade intelectual. Este artigo aborda muitas das diferenças entre os quatro principais tipos: marcas registradas, segredos comerciais, patentes e direitos autorais. Esperançosamente, você vai acabar com uma idéia rápida e direta das distinções entre eles, bem como algumas das nuances que são importantes em cada área.

Onde registrar a propriedade intelectual?

Patentes e marcas são registradas a nível federal (no USPTO ). Os direitos autorais são igualmente registrados a nível federal (no Escritório de Direitos Autorais ). Marcas também podem ser registrados em estados distintos, embora este tipo de registo não ofereça uma proteção legal muito poderosa. Segredos comerciais não podem ser registrados em lugar algum, mas bons contratos muitas vezes podem estabelecer e reforçar o seu valor.

O que significa cada tipo de proteção à propriedade intelectual?

Mais uma vez, correndo o risco de supersimplificar – as patentes protegem ideias, os segredos comerciais protegem as informações que têm valor econômico, marcas registradas protegem marcas comerciais, e direitos autorais protegem a expressão de idéias.

O que mais devo saber sobre patentes?

Bem, elas protegem as invenções que sejam novas, úteis e não-óbvias. O tempo que as patentes demoram para serem efetivadas é o mais curto entre quaisquer tipos de propriedade intelectual, mas patentes são freqüentemente consideradas a mais poderosa forma de propriedade intelectual (assim como a mais cara e difícil de se obter).

O que mais devo saber sobre marcas registradas?

As marcas registradas são projetados para proteger os consumidores, bem como os proprietários, enquanto as outras formas de propriedade intelectual  focam sobre os direitos dos proprietários. Direitos de marcas registradas podem durar para sempre, enquanto os direitos autorais e as patentes inevitavelmente expiram. Uma breve definição de marca registrada frequentemente utilizada é a seguinte: uma marca registrada é uma palavra, símbolo ou dispositivo característico que os vendedores afixam a um produto para, a) identificar aquele produto e, b) distingui-lo dos produtos concorrentes. A lei de marcas comerciais também se aplica a serviços, e embora você possa ouvir o termo “marca de serviço”, os direitos legais das marcas registradas e os das marcas de serviço são idênticos.

O que mais devo saber sobre direitos autorais?

O direito autoral protege "obras originais de autoria". O limite para a proteção é muito baixo, visto que a única consideração adicional é que essas obras estejam "fixadas em uma forma de expressão tangível". Assim, quase toda expressão de uma idéia é protegida por direitos autorais, e o registro é opcional. Isso se soma para fazer do copyright provavelmente a forma mais fraca de propriedade intelectual. Entretanto, os trabalhos que são originais o bastante e registrados corretamente, podem ser muito valiosos.

O que mais devo saber sobre segredos comerciais?

Os segredos comerciais são como marcas registradas, na medida em que podem, teoricamente, durar para sempre (a fórmula da Coca-Cola é um bom exemplo), mas eles são traiçoeiros já que podem ser perdidos a qualquer momento se medidas adequadas não forem tomadas para manter a sua segurança. Exemplos de segredos comerciais comuns incluem listas de clientes, formulações de produtos, e técnicas de negócio e processos criativos. Os direitos dos segredos comerciais decorrem de seu valor independente, bem como dos esforços envidados para garantir seu sigilo contínuo.

Direitos autorais

Parece que os direitos autorais no Brasil são um tanto diferentes do copyright dos EUA. Encontrei o seguinte texto na página Educação à Distância:

direitos_autorais

Direito autoral ou direitos de autor são as denominações usualmente utilizadas em referência ao rol de direitos outorgados aos autores de obras intelectuais (literárias, artísticas ou científicas). Neste rol encontram-se dispostos direitos de diferentes natureza. A doutrina jurídica clássica coube por dividir estes direitos entre os chamados "direitos morais de autor" (direitos da personalidade) e aqueles de cunho patrimonial.

Direitos autorais não são necessariamente o mesmo que copyright. O sistema anglo-saxão do copyright difere do de direito de autor. Os nomes respectivos já dão-nos conta da diferença: de um lado, tem-se um direito à cópia (copyright) ou direito de reprodução, do outro, um direito de autor; neste, o foco está na pessoa do direito (o autor); naquele, no objeto do direito (a obra) e na prerrogativa patrimonial de se poder copiar.

Recomendo também que assistam ao vídeo abaixo:

Além disso, tem uma entrevista em quatro partes com Ronaldo Lemos, advogado e representante brasileiro do Creative Commons, que é muito esclarecedora. Eu, pessoalmente, aprendi muito com ele:

E ainda tem os livros Direitos Autorais Na Obra Cinematográfica, de Ivana Crivelli (Ed. Letras Jurídicas), Propriedade Imaterial – Direitos Autorais, de Eliane Y. Abrão (Ed. SENAC São Paulo) e O Que Você Precisa Saber Sobre Direitos Autorais, de Henrique Gandelman (Ed. SENAC Nacional). Tudo para você saber proteger melhor o seu trabalho criativo, seja ele qual for.

Boa escrita para você hoje!

31/05/2010

Cartazes de Cinema Criativos de 2008-2009

Filed under: Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 13:46
Tags: ,

Ao procurar imagens para o post de ontem, eu me deparei com este blog, Instant Shift, cheio de pôsteres interessantíssimos, alguns até mesmo muito mais interessantes do que os filmes que divulgam. Como esta é uma ferramenta muito valiosa na promoção de um longa, achei válido colocá-los aqui como fonte de inspiração.

Posteres Criativos

Pôsteres de filmes são conhecidos como uma breve introdução para o que o filme trata. Cada filme tem um cartaz para a sua publicidade e propósito de comercialização. Agora, ao longo dos últimos anos, temos visto um crescimento contínuo de cartazes e capas de DVD que continuam a se aproveitar do estilo.

Um bom cartaz é uma tarefa muito fácil para um artista normal, mas um cartaz criativo leva uma imensa quantidade de tempo e de reflexão de um ou mais grupos de artistas que, no entanto, vai além do simples trabalho de propaganda, chegando a ser uma obra de arte, e o resultado é tão mais maravilhoso do que um poster de filme regular, que torna o filme memorável. Ainda assim, há exceções, em que a avaliação do filme foi realmente baixa, mas os cartazes são realmente inspiradores.

Para começar, nós colecionamos 24 Artes de Pôsteres Cinematográficos que são bastante criativos e que ousaram ser diferentes – todos de filmes de 2008 e 2009.

1. The Broken (2009)

 The Broken (2009)

2. Terminator: Salvation (2009)

Terminator Salvation (2009)

3. Leaves of Grass (2009)

Leaves of Grass (2009)

4. The Ugly Truth (2009)

The Ugly Truth (2009)

5. Assembly (2008)

Assembly (2008)

6. The Cottage (2008)

The Cottage (2008)

7. The Dark Knight (2008)

The Dark Knight (2008)

8. The Dark Knight (2008)

The Dark Knight (2008)2

9. Disaster Movie (2008)

Disaster Movie (2008)

10. Disaster Movie (2008)

OneSheet (Page 1)

11. The Eye (2008)

The Eye (2008)

12. Fuel (2008)

Fuel (2008)

13. Funny Games (2008)

Funny Games (2008)

14. The Guitar (2008)

The Guitar (2008)

15. The Happening (2008)

The Happening (2008)

16. Humboldt County (2008)

Humboldt County (2008)

17. The Memory Thief (2008)

The Memory Thief (2008)

18. Punisher: War Zone (2008)

Punisher War Zone (2008)

19. Punisher: War Zone (2008)

Punisher War Zone (2008)2

20. Wanted (2008)

Wanted (2008)

21. Wishbaby (2008)

Wishbaby (2008)

22. The Women (2008)

The Women (2008)

23. X Files 2 (2008)

X Files 2 (2008)

24. Young @ Heart (2008)

Young @ Heart (2008)

25. District 9 (2009)

District 9 (2009)

26. Cloverfield (2008)

Cloverfield (2008)

27. The Informers (2009)

The Informers (2009)

28. Max Payne (2008)

Max Payne (2008)

29. The Day the Earth Stood Still (2008)

The Day the Earth Stood Still (2008)

Outros sites com ótimos pôsteres:

Você pode utilizar os pôsteres dos longas que você não assistiu como inspiração para ideias de filmes. Muitas vezes um pôster sugere uma coisa e o filme é outra totalmente diferente. Portanto, é uma boa ideia anotar as impressões que você tem ao observar um desses cartazes (isso também funciona com quadros, pinturas, fotos, desenhos, esculturas, qualquer obra de arte, na verdade). Aproveite e dê uma olhada nesses cartazes de shows maneiros: 60 Concert Posters From Ten Amazing Artists

Boa escrita para você hoje!

04/05/2010

Descubra os 4 Hábitos dos Cineastas de Sucesso

Filed under: Direção,Documentário,Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 10:31
Tags: , , ,

O artigo de hoje foi retirado do blog Film Stop, de Ian Agard:

meta1

O que separa os cineastas de sucesso de outros que continuam a lutar, desejando e esperando que o destino lhes dê uma oportunidade?

Eu gostei do que Elliot Grove, o fundador do Raindance Film Festival & Raindance.tv teve a dizer sobre este assunto.

Elliot produziu 150 filmes de curta-metragem, 5 longas, e ensina roteiristas e produtores de cinema no Reino Unido, Europa, Japão e Estados Unidos.

Ele é um cineasta de cineastas, e pratica o que prega… os 4 hábitos dos Cineastas de Sucesso:

1. Definir Metas

“Se você quer fazer um filme no espaço de tempo de um ano, foque no aumento do seu ritmo de trabalho e divida a sua meta em etapas administráveis.” – Elliot Grove

Definir metas é algo que eu falo muitas vezes em meu blog, e eu conheço de experiência própria os poderosos resultados que isso pode produzir em sua vida e para a sua carreira cinematográfica. Eu não quero ficar feito o Dr. Phil em cima de vocês sobre a importância de ter metas claras e por escrito, com  prazos, mas eu realmente gostei desta citação do finado J.C. Penny.

“Dê-me um funcionário de estoque com um objetivo e eu lhe darei um homem que vai fazer história. Dê-me um homem sem objetivos, e eu lhe darei um funcionário de estoque.” – J.C. Penny

a_vida_e_curta_demais_para_o_emprego_errado 

2. Investir na Aprendizagem

“Investir na aprendizagem e na descoberta de novas técnicas de filmagem é a próxima pedra angular para o sucesso. O cinema está mudando rapidamente agora. A última grande mudança foi a introdução do som. Desta vez são os filmes na internet e em telefones móveis.” – Elliot Grove

O aprendizado contínuo é importante demais para aqueles que querem estar no topo da profissão escolhida. Normalmente, eu gasto pelo menos 30 minutos por dia lendo livros, artigos e websites para construir um conhecimento específico sobre a arte e o negócio de cinema. Tenho certeza de que você já ouviu o ditado “conhecimento é poder”, e geralmente os cineastas mais bem sucedidos são especialistas (extremamente conhecedores) em pelo menos uma área de cinema.

Por exemplo, James Cameron se tornou um especialista no tema de uso de câmeras 3D para fazer filmes. Após Titanic ele não se mandou simplesmente, ficou gordo e contou seu dinheiro… OK, talvez ele tenha feito isso. Haha. Mas, falando sério, ele passou os últimos 5 a 6 anos pesquisando, aprendendo e desenvolvendo o estado-da-arte do cinema 3D. Avatar virá em Dezembro de 2009, e eu estou animado. [N.T.: Este post foi escrito em 25/julho/2009]

Ele não ficou só descansando sobre seus louros, mas continuou a aprender, a crescer e a educar-se.

3. Investir em Boas Ferramentas

“Trate a sua carreira como um negócio. Invista os seus ganhos em boas ferramentas que possam melhorar o seu negócio. Negócios cinematográficos são iguais aos negócios não-cinematográficos. Plantar parte de seus lucros de volta no negócio de cinema faria a sua carreira crescer exponencialmente.” – Elliot Grove

Isto é muito importante, e eu gostaria de ainda ir um pouco mais longe. Invista em ótimas pessoas. Cineastas de sucesso tratam o cinema como um negócio, e o melhor investimento que você pode fazer são as pessoas que você escolhe contratar para trabalhar em seu filme. Eu sei que, como cineastas independentes, algumas vezes nós trabalhamos com um orçamento micro para nossos filmes, mas gastar algumas centenas de dólares aqui ou ali para contratar serviços de pessoas profissionais e experientes, ou seja, elenco e equipe, irá pagar dividendos a longo prazo para o sucesso de seus filmes e de sua carreira.

4. Aplicar O Que Você Aprender

“Os cineastas mais bem sucedidos nem sempre são os mais conhecedores. Eles são os que colocam em ação o que aprenderam. Eles fazem, não falam sobre fazer.” – Elliot Grove

No início deste artigo eu mencionei que conhecimento é poder. Bem, conhecimento é apenas metade do poder. A outra metade vem de adotar uma ação consistente e determinada até que você tenha alcançado o seu objetivo.

Apenas tenha em mente que você não deveria competir ou comparar-se com outros cineastas para medir o seu sucesso. Você define o seu próprio sucesso através de suas metas individuais. Pode ser algo simples como querer fazer um curta de 5 minutos com alguns amigos, até fazer documentários socialmente conscientes pelo desejo de ganhar um Oscar.

“Qualquer um que estiver no rumo a um objetivo digno é bem sucedido.” – Earl Nightingale

Bem, chega de conversa. Eu tenho que ir agora e trabalhar no meu próximo filme.

cinema_1

Boa escrita pra você hoje e… Ação!! :mrgreen:

02/04/2010

Chico Xavier e a Montagem

Filed under: Direção,Documentário,Fotografia,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 09:55
Tags: , , , ,

Olá! Hoje é um dia especial, dia do lançamento do filme de Daniel Filho, Chico Xavier, este grande homem que hoje completaria 100 anos. Chico foi um raríssimo exemplo de abnegação, humildade e altruísmo. Se o mundo tivesse mais pessoas como ele, certamente este seria um planeta muito diferente, muito melhor.

chicoxavier_1

Eis uma pequena história do livro de Marcel Souto Maior, As Vidas de Chico Xavier:

“Muitos, impressionados com os poderes do protegido de Emmanuel [está referindo-se ao Chico Xavier], chegavam a oferecer dinheiro ao rapaz pobre como prova de gratidão. Ele recusava:

– Ajude o primeiro necessitado que encontrar.

Outros lhe entregavam presentes. Chico se livrava deles com pressa e discrição. Numa noite, ganhou um relógio de ouro suíço. Na tarde seguinte, visitou uma doente, Glória Macedo. Pobre, ela costumava perder a hora de tomar os remédios receitados pelo Dr. Bezerra por falta de relógio. Chico deixou o presente da véspera sobre a mesa da ‘paciente’.”

vidas_chico As lições de Chico Xavier Por Trás do Véu de Ísis Livros de Marcel Souto Maior sobre Chico Xavier

No site do YouTube há o making of do filme, dividido em três partes. Assistam-no, é muito interessante. Os links estão a seguir:

Making of Chico Xavier – Parte 1

Making of Chico Xavier – Parte 2

Making of Chico Xavier – Parte 3

Tem também o site oficial do filme, clique aqui para entrar nele.

Numa cena da primeira parte do making of vemos o elenco reunido para ler o roteiro, e é mostrado um detalhe dele. Eu tirei um screenshot para vocês verem:

Making of _ Chico Xavier

Detalhe do roteiro de Chico Xavier – O Filme

Note que o roteiro é encadernado com espirais, diferentemente dos roteiros americanos. Esta é a versão para filmagem, mas acho que no Brasil até as versões anteriores costumam ser encadernadas deste modo.

Repare também que as cenas são numeradas, uma das características de roteiros de filmagem. E veja que esta é uma cena de montagem.

Uma cena de montagem de um roteiro normal é diferente da que estamos vendo, porque quando o diretor adapta o roteiro para rodá-lo ele precisa dividir uma montagem em mais cenas, de acordo com as locações e com as necessidades da direção. Como escrever uma cena de montagem então?

Denny Martin Flinn explica isso muito bem em seu livro Como Não Escrever Um Roteiro (How Not To Write a Screenplay), editado pela Lone Eagle em 1999. Um excelente livro. Se você lê em inglês e tem a oportunidade de comprá-lo, não hesite. Infelizmente o frete da Amazon.com anda muito caro. A maioria dos meus livros eu comprei quando o dólar e o real estavam páreo a páreo, 1 dólar valendo 1 real. Como os livros americanos são mais baratos do que os brasileiros (mas também costumam ter uma qualidade de papel inferior), custando em média 10 a 15 dólares, eu conseguia comprar uns 15 livros com duzentos reais, frete incluído. Na última vez que visitei o site para pesquisar os preços, 2 livros de 15 dólares (no total, cerca de 60 reais) tinham um frete de 70 dólares (aproximadamente 140 reais!). Duzentos reais para dois livros simplezinhos?! Eu acabei desistindo. É uma pena. Talvez isso se resolva quando eu tiver o meu iPad (suspiro!!) e puder comprar apenas a versão virtual dos livros (que também custam cerca de 10 a 12 dólares cada, mas não há necessidade do frete).

Ai, ai… nono2

Bem, voltando ao assunto, eis o trecho do livro que fala sobre montagem:

How Not To Write a Screenplay

A Montagem

CORTA PARA: Uma série de cortes rápidos envolvendo Rebecca e Michael. Trilha sonora. Michael saindo cedo do escritório, para a inveja de seus colegas. Michael fazendo compras em feiras de rua. Michael cozinhando, queimando seus dedos, bebericando vinho na casa de Rebecca, então cumprimentando Rebecca vestido de avental, com uma bebida na mão tipo Donna Reed. Michael levando Rebecca para o sofá após o jantar. Michael e Rebecca fazendo amor.

Michael e Rebecca deitados nus (ambos usando óculos) na cama, com o jornal e um café, brigando por um dos cadernos do jornal e então se beijando. Michael e Rebecca andando pela costa no conversível Healey, com o oceano como pano de fundo. Tomando um café da manhã tardio na água, andando na praia. Escondendo-se sob o píer para descolar um baseado com os surfistas, dando risadinhas excitadas feito adolescentes. Assistindo o sol mergulhar com um jato de luz sobre a água. Correndo na praia, com Rebecca correndo facilmente e Michael ofegante em seu encalço. Fazendo amor novamente.

Isto soa como um ótimo fim de semana para mim, mas quanto à escrita do roteiro, é muito ruim porque não há nada remotamente original nisto, e porque o leitor se perde quando você apresenta ideias demais juntas. Eu já estava na metade do exemplo acima quando fui perceber que o escritor queria uma montagem. Aqui está um jeito muito melhor de formatar a mesma coisa:

MONTAGEM:

Michael saindo cedo do escritório, para a inveja de seus colegas.

Michael fazendo compras em feiras de rua.

Michael cozinhando, queimando seus dedos.

Bebericando vinho na casa de Rebecca.

Cumprimentando Rebecca vestido de avental, com uma bebida na mão tipo Donna Reed.

Michael levando Rebecca para o sofá após o jantar.

Michael e Rebecca fazendo amor.

— ou —

Uma série de cortes rápidos envolvendo Rebecca e Michael.

…Michael saindo cedo do escritório, para a inveja de seus colegas.

…Michael fazendo compras em feiras de rua.

…Michael cozinhando, queimando seus dedos, bebericando vinho na casa de Rebecca, então cumprimentando Rebecca vestido de avental, com uma bebida na mão tipo Donna Reed.

…Michael levando Rebecca para o sofá após o jantar.

…Michael e Rebecca fazendo amor.

Eu já vi escrita mais genérica, tal como:

UMA SÉRIE DE CORTES RÁPIDOS

indicam que Michael vai para casa cedo, compra mantimentos, cozinha o jantar para Rebecca e, mais tarde, leva-a para o sofá onde fazem amor.

Mas isso é um pouco sovina demais. Talvez um meio-termo seja o melhor, já que esta última versão deixa coisas demais para o diretor imaginar. Apenas tenha em mente que você precisa deixar o leitor saber que se trata de uma montagem de algum tipo.

É isso aí. Até que é simples, não? Ah, antes que eu me esqueça, já saiu um livro contando os bastidores do filme do Chico Xavier. É bem legal, um complemento ao making of, vale a pena, apesar dele ter mais fotos do que texto (eu queria saber mais!!). Puxa, como eu queria ser um mosquitinho para poder ter acompanhado in loco o passo a passo da produção toda deste filme de 11 milhões de reais (parece ser bem caprichada)!

Daniel Filho dirigindo

Daniel Filho dirigindo Chico Xavier – O Filme. Essa energia toda e ele tem 72 anos! Acreditam?!

Agora o mais incrível de tudo: eles levaram cinco anos para escrever o roteiro. 5 ANOS!! Baseado num livro cujo autor já tinha feito a maior parte da pesquisa pesada antes! É claro que o roteirista teve de fazer uma pesquisa por fora, mas… cinco anos, gente! UM roteiro!! Pensem bem, é bastante tempo! Também, dizem que todo mundo sai do cinema aos prantos. Estou doida para assistí-lo! Se vocês o assistirem também, mandem-me as suas opiniões, os seus comentários, vou adorar saber o que acharam (mesmo que tenham odiado, não importa). Só tomem cuidado com spoilers, para não tirar a graça do pessoal que ainda não o assistiu.

fim 

Uma ótima escrita para todos hoje, um ótimo filme, e até amanhã!

« Página anteriorPróxima Página »

%d blogueiros gostam disto: