Dicas de Roteiro

15/01/2012

Dicas de Profissionais da Indústria: Sobre Escolher o Elenco de Episódios-Piloto

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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A dica de hoje foi tirada da revista Written By (do WGAw) – Summer (Verão) 2011 – página 6. A revista é gratuita, é só baixar em PDF ou ler online (às vezes eles pedem para cadastrar um e-mail, mas é rápido e eles não mandam spans). Vou tentar traduzir e postar o máximo possível dos textos dessa publicação daqui para frente, porque ela tem muitas dicas e fala bastante da realidade atual de ser um roteirista em Hollywood.

“EU SEREI HONESTO COM VOCÊ, TONY. NA VERDADE, NÓS ESTAMOS

PROCURANDO POR ALGUÉM COM UM POUCO MAIS DE PERSONALIDADE!”

▬ O que se deve fazer se um ator que você não conhece é mencionado para um papel?

“A melhor coisa que um diretor de elenco pode fazer é dizer: ‘Eu não estou familiarizado com essa pessoa, mas há muito entusiasmo por ela, então deixe eu me familiarizar e arranjar alguma gravação, e eu me certificarei de que os produtores se familiarizem também.’ E como produtor e escritor, se você não sabe quem é aquele indivíduo, não fale besteira na sala de reunião. Seja honesto e diga: ‘Eu não estou familiarizado com essa pessoa.’ O seu diretor de elenco vai lhe arranjar uma fita. Pode ser alguém que você verdadeiramente adore, ou pode ser alguém que não seja nada do que você estava pensando. Mas seja honesto, porque, caso contrário, você vai se meter numa situação embaraçosa.

“O que faz um grande episódio-piloto é um conceito fantástico, um roteiro vigoroso, e um elenco excelente. O que faz um piloto ser escolhido para virar uma série é a vendabilidade. A melhor maneira de vender um piloto é, ou um super high-concept, ou uma equipe incrível, ou uma estrela. É importante que, como escritores, como criadores destes pilotos, vocês tenham ideias que sejam verdadeiros títulos vendáveis. Se você quiser que este piloto seja escolhido para virar série, nos dê algo que possamos promover e vender. É isso o que transforma o piloto numa série.”

– Sandi Logan, Vice-Presidente de Elenco da ABC/Disney

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Boa escrita pra você hoje! =)

08/10/2011

Atuar e Escrever

Filed under: Atuação,Roteiro — valeriaolivetti @ 13:25
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Este artigo foi escrito pelo roteirista Scott Myers para o seu blog Go Into The Story. Este é o primeiro de uma série de sete artigos que abordam a relação da escrita com a interpretação. Nós alternaremos esta série com as outras que já estamos publicando.

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Em uma recente aula de roteirismo online, eu tive esta troca com um par de alunos:

Autor: Scott Myers
Data: quarta-feira, 3 de fevereiro, 2010
Assunto: Palestra 1

Linha de discussão para perguntas e comentários sobre a Palestra 1, começando com algumas perguntas de mim para vocês:

*Você já pensou alguma vez sobre os aspectos dualistas (o Mundo Externo e o Mundo Interno) do universo de um roteiro?

*Todos nós provavelmente já ouvimos falar de subtexto em comparação com o diálogo. Mas e sobre a intenção vinculada à ação? Não é verdade que, às vezes, um personagem faz algo mas a sua ação reflete uma intenção diferente?

Esta é uma daquelas dinâmicas – Externa e Interna – que eu acredito que um escritor precise levar consigo sempre que for abordar a escrita de uma cena. Isso afeta todos os aspectos do processo de escrita de cenas. Por exemplo, quando há um ponto na cena relacionado com a trama, quase sempre há um ponto relacionado, mas diferente, em termos da vida emocional da cena (o que eu chamo de Linha Temática).

Observe que estudaremos estas ideias com muito mais profundidade nos próximos dias, mas eu estou curioso de como serão as suas reações iniciais.

Então, esta resposta:

Autor: James Tichenor
Data: quarta-feira, 3 de fevereiro, 2010
Assunto: RE: Palestra 1

Eu passei alguns anos tendo aulas de interpretação, e ação e intenção são conceitos fundamentais ensinados durante a análise do roteiro. Não apenas em ações visuais do que os atores fazem, mas os modos como os atores mostram os personagens se esforçando para conseguirem o que querem numa base cena-a-cena.

Eu fui ensinado que um personagem irá querer alguma coisa de outro personagem. A forma como ele a obtém, o curso que ele toma, são as ações, as intenções, que se encontram no subtexto das falas que eles dizem uns aos outros.

Se um personagem quer que outro personagem lhe dê 10 dólares, ele então talvez coaja, implore, peça, exija, convença o personagem (o outro ator), e estas serão as ações que vivem por trás das falas.

Isto torna-se o subtexto da cena, a interação momento-a-momento conforme o personagem luta pelo que quer.

A beleza disso é que cada ator fará escolhas ligeiramente diferentes. O que eles querem pode ser o mesmo (quanto mais claro estiver na escrita, mais claro será para o ator interpretar), mas a maneira que cada ator escolhe de conseguir isso vai ser ligeira ou radicalmente diferente.

Acha que essas ações e intenções são exatamente as mesmas sobre as quais você escreveu, Scott? Eu acho que seria importante para o escritor ter algumas ideias do que pensarão que as ações poderiam ser, mas a melhor escrita estará aberta o suficiente para permitir a interpretação criativa dos seus colaboradores, né?

A minha resposta:

James, você está no caminho certo. E seus comentários são um dos motivos pelos quais eu insisto com os meus alunos para terem aulas de teatro.

Eu ensino um conceito fundamental em minhas aulas de roteiro: "Personagem = Função". Isso soa reducionista para a maioria dos alunos no começo. Mas do ponto de vista da atuação, isso realmente tem a ver com aprofundar-se num personagem e descobrir o que há em sua essência. Uma vez que você saiba isso e tudo o mais com que o personagem esteja brincando ‘lá em cima’ (Mundo Externo), você terá um domínio sobre o personagem.

É como aquela anedota do Robert Towne, falando sobre as aulas de teatro que ele teve muito tempo atrás, com Jack Nicholson. O professor definiu o enredo: "Ok, Jack, você precisa transar com esta garota. Mas eu quero que você a seduza apenas falando sobre querer um copo de leite".

Lá vamos nós: Querer / Precisar. Apenas dada essa orientação, você dá ao ator todo um mundo de possibilidades sobre como abordar sua tarefa, mas, igualmente importante, você forneceu-lhe uma base, uma compreensão de alguns aspectos-chave de seu personagem.

O subtexto desta discussão sobre ação e intenção é levantar uma questão: Por que fazemos o que fazemos? E isso é claro no modo de pensar de um ator ao tentar apreender a essência central de um personagem.

Em relação ao seu último ponto: Eu acredito que um escritor trafegue no mundo de seus personagens e passe a conhecê-los da melhor maneira que podem. Mas quando os atores já foram contratados e o diretor saiu para fazer o filme, os atores "encontram" os personagens em seus próprios planos de conexão. Esperançosamente, o escritor penetrou tão profundamente nos personagens e transmitiu a sua essência para o papel de tal modo que um ator registra isso, e então segue o seu próprio instinto criativo para elevar aquele personagem a um outro nível completo de existência.

Mas esse é um ideal.

O importante é que com essa ideia de ação e intenção, os escritores possam abordar os seus personagens de uma forma honesta e franca – e ao fazerem isso, se conectem com seus personagens de um jeito que os atores também irão.

Então, este post da antiga leitora do blog Go Into The Story, Shea Vitartis:

Autor: Scott Myers
Data: quarta-feira, 3 de fevereiro, 2010
Assunto: Atores, ações e intenções

“O importante é que com essa ideia de ação e intenção, os escritores possam abordar os seus personagens de uma forma honesta e franca – e ao fazerem isso, se conectem com seus personagens de um jeito que os atores também irão.”

Scott, você está incorporando o Shakespeare? Ou as grandes mentes pensam da mesma forma.

Como Shakespeare aconselharia aos atores:

“Ajuste o gesto à palavra, a palavra ao gesto.”

Aqui está o monólogo inteiro (É incrível):

[N.T.: A tradução do trecho da peça Hamlet, de William Shakespeare, foi tirada do Site do Escritor.]

HAMLET

HAMLET: Peço uma coisa, falem essas falas como eu as pronunciei, língua ágil, bem claro; se é pra berrar as palavras, como fazem tantos de nossos atores, eu chamo o pregoeiro público pra dizer minhas frases. E nem serrem o ar com a mão, o tempo todo (Faz gestos no ar com as mãos.); moderação em tudo; pois mesmo na torrente, tempestade, eu diria até no torvelinho da paixão, é preciso conceber e exprimir sobriedade – o que engrandece a ação. Ah, me dói na alma ouvir um desses latagões robustos, de peruca enorme, estraçalhando uma paixão até fazê-la em trapos, arrebentando os tímpanos dos basbaques que, de modo geral, só apreciam berros e pantomimas sem qualquer sentido. A vontade é mandar açoitar esse indivíduo, mais tirânico do que Termagante, mais heroico do que Herodes. Evitem isso, por favor.

Mas também nada de contenção exagerada; teu discernimento deve te orientar. Ajusta o gesto à palavra, a palavra ao gesto, com o cuidado de não perder a simplicidade natural. Pois tudo que é forçado deturpa o intuito da representação, cuja finalidade, em sua origem e agora, era, e é, exibir um espelho à natureza; mostrar à virtude sua própria expressão; ao ridículo sua própria imagem e a cada época e geração sua forma e efígie. Ora, se isso é exagerado, ou então mal concluído, por mais que faça rir ao ignorante só pode causar tédio ao exigente; cuja opinião deve pesar mais no teu conceito do que uma plateia inteira de patetas. Ah, eu tenho visto atores – e elogiados até! e muito elogiados! – que, pra não usar termos profanos, eu diria que não tem nem voz nem jeito de cristãos, ou de pagãos – sequer de homens! Berram, ou gaguejam de tal forma, que eu fico pensando se não foram feitos – e malfeitos! – por algum aprendiz da natureza, tão abominável é a maneira com que imitam a humanidade!

Então corrija tudo! E não permita que os jograis falem mais do que lhes foi indicado. Pois alguns deles costumam dar risadas pra fazer rir também uns tantos espectadores idiotas; ainda que, no mesmo momento, algum ponto básico da peça esteja merecendo a atenção geral. Isso é indigno e revela uma ambição lamentável por parte do imbecil que usa esse recurso. Vai te aprontar.

Isso me deu uma ideia. Não seria útil discutir o seguinte tópico neste blog: O que o ofício da interpretação pode ensinar os escritores sobre o ofício da escrita.
Hoje lançaremos uma série de 5 partes sobre este assunto. Todos vocês que são atores ou que tiveram aulas de teatro, eu estou especialmente esperançoso que vocês se envolvam e deem suas opiniões nos comentários de hoje e do resto da semana.

Vejo você mais tarde hoje!

*Comentários do post original:

Erin disse:

Quando eu comecei a escrever e dirigir (tenha em mente que isso foi em vídeo e eu ainda era criança) eu estava sempre atuando em meus filmes, porque eu sabia que pelo menos eu iria aparecer naquele dia, então não me preocupava com o fato do ator principal não estar lá.

Eventualmente eu pensei que seria bom fazer um curso de teatro na faculdade da comunidade local para compreender o processo dos atores e como escrever para eles. Isto acabou me desviando por alguns anos numa busca e amor absoluto pela interpretação que, por sua vez, me tornou muito mais consciente do que estou escrevendo.

Alguém tem de dizer estas falas.
Alguém tem de transmitir essas emoções.
Alguém tem que trazer à vida as minhas palavras.

Como eu posso escrever isso da forma mais clara, concisa e, mais importante, divertida possível?

Bianca disse:
 
Eu sou uma atriz/roteirista e no último ano e meio fui fazer um curso de estudo de cena. Eu tenho de dizer honestamente que realmente recomendo os escritores a terem aulas de teatro (ou mesmo aulas de improvisação! Essas também são úteis, especialmente quando se tenta criar personagens).
 
Na minha turma de teatro, sempre nos disseram que o roteiro que nos foi dado é um projeto, um guia. Como atores, nós pegamos o que o escritor nos dá (o enredo, as palavras) e descobrimos a HISTÓRIA por trás disso tudo. As palavras são o domínio do escritor, os sentimentos são o do ator. Após a leitura do roteiro, precisamos encontrar o que está por trás de todas estas palavras.
 
Como atriz, eu tenho que descobrir qual é o objetivo da minha personagem. O que é que eu quero e como vou conseguir isso dessa outra pessoa? E eu concordo com a resposta do James de que cada ator irá interpretar um personagem de forma diferente. Haverá diferentes escolhas sendo feitas porque cada ator é diferente. Não existem dois atores que possam duplicar o mesmo desempenho.
 
Antes de começar o meu curso de teatro, eu estava basicamente apenas escrevendo palavras, e eu achava que tinha algo. Mas depois de fazer estas cenas no meu curso de estudo de cena, a minha abordagem em relação à escrita mudou. Para cada personagem que eu escrevo, estou sempre pensando no que essa pessoa realmente quer e o quão desesperadamente ela precisa obter isso. Personagens estão sempre em dificuldades – o que eu preciso escrever para ser capaz de mostrar isso? E assim, você acaba escrevendo uma série de êxitos e fracassos para esses personagens.
 
Também estou constantemente me perguntando "Por quê?" – Por que ela é desse jeito, por que ele está fazendo isso com ela etc. No coração de cada personagem, eu aprendi que eles quase sempre são movidos pelo medo de alguma coisa. E geralmente é o medo de não ser amado, ou de estar sozinho (se é uma história de amor/o amor como objetivo).
 
Basicamente, a lição mais importante que eu aprendi no curso de teatro é que cada personagem tem um objetivo que está lutando para alcançar. Uma vez que você descubra isso, os outros detalhes como a intenção e os obstáculos surgirão.
Scott disse:
 
@Erin e Bianca: Este é precisamente o tipo de resposta que eu estava esperando que a série desta semana fosse gerar. Quaisquer outras reações que vocês tiverem sobre a série de posts, eu agradeço os seus comentários.

mascaras-gregas Boa escrita e até amanhã!

10/04/2011

As 10 Melhores Dicas Para Cineastas de Curta-Metragens

Oi, pessoal! Estou de volta, HD arranhado fora, HD novo já formatadinho com todos os arquivos para o blog salvos (Ufa!! De agora em diante, backup pra todo lado, igual eu faço com meus roteiros!) e tudo rodando 100% por aqui (se não fosse por meu irmão caçula, eu estaria frita! Ele é meu herói!! Teve que usar um monte de programa de Linux, Unix e o escambau a quatro pra salvar os dados, detectar e resolver o problema, e eu, pobre de mim, mal sei mexer no Windows! Eita, santa iguinorânça! Smiley decepcionado).

Mas, deixando esses problemas cabeludos para trás, agora voltamos com este artigo de autoria de Dan Rahmel, e tirado do site dele, Coherente Visual (vamos falar um pouquinho sobre cinema em geral, para variar):

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Algumas dicas importantes que podem tornar o seu curta-metragem o melhor possível

Aqui está uma lista de alguns dos elementos mais importantes para se ter em mente ao fazer um curta-metragem. Seguir estas orientações o ajudarão a evitar as armadilhas mais comuns. Embora estas sejam apenas sugestões, elas certamente vão melhorar tanto o seu filme quanto a sua experiência de fazer cinema.

1. Certifique-se de ter uma história que valha a pena contar
Você assistiria o curta-metragem todo se outra pessoa o tivesse feito? A resposta para um número surpreendente de curtas é Não. Faça a si mesmo esta pergunta antes mesmo de começar a escrever o roteiro.

2. Não inicie a produção sem um orçamento
Filmes, não importa o quão simples, custam dinheiro – e dinheiro é sempre limitado. Ao certificar-se de que você tem um orçamento (uma planilha simples vai servir), você pode decidir antecipadamente onde quer gastar o dinheiro que tem. Sem um orçamento, você quase pode garantir que irá gastar mais dinheiro do que planeja, ou terminar sem o filme acabado.

3. Consiga todas as autorizações antes de filmar

Você precisa, precisa, PRECISA de permissões de atores, de colaboradores artísticos/musicais, e de quem mais produzir conteúdo que aparece no filme. Obter assinaturas de autorização antes da filmagem é simples e e te toma alguns instantes. Depois da filmagem, pode ser difícil ou até impossível. Não seja pego nessa, faça isso agora.

4. Faça o filme mais curto do que você deseja

Roteiristas e diretores muitas vezes deixam coisas no filme que o público realmente pode passar sem. É tão doloroso aparar as coisas que foram difíceis de filmar. Certifique-se de fazê-lo. O seu público vai lhe agradecer.

5. Ao usar atores não-profissionais, escolha um elenco com personalidade
Eu acredito que atuações ruins sejam tão comuns em curta-metragens porque as pessoas são convidadas a interpretar personagens que não se parecem com as suas personalidades. Um ator profissional pobretão pode retratar a arrogância e a confiança de um bilionário – mas a maioria dos amadores não consegue. Se o seu protagonista é um pão-duro na fase anal, não escolha um preguiçoso desleixado para interpretá-lo.

Microfone girafa (boom)

6. Invista em um bom som 
Som ruim torna muitos curtas-metragens (até mesmo aqueles com boas histórias) insuportáveis. Não existem substitutos verdadeiros para um microfone girafa decente. Implore, compre ou pegue um emprestado, e ele irá triplicar as chances de seu filme ser assistível.

7. Corrija-o agora, não na pós-produção
Sem a Digital Domain ou a WETA trabalhando para você, a maior parte das correções de pós-produção não aparentam/soam muito bem e tomam MUITO tempo. Se você tem um erro no enquadramento, no diálogo, ou em qualquer outra coisa que possa ser consertada na filmagem, faça isso!

8. Não faça zoom em uma tomada
Não toque nesse botão de zoom! Um cinegrafista realmente bom pode fazer um zoom parecer OK. Em quase todos os casos, porém, usar o zoom é o ápice de um triste esforço. Se você precisa se aproximar de uma pessoa, use um carrinho dolly, um planador de câmera, ou um corte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Fig Rig

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    9. Conheça os clichês dos filmes independentes/curtas
    Os clichês mais comuns incluem usar sequências de sonho, muitos efeitos de transição, longas sequências de crédito, ou acordar com um despertador tocando. Parece que até já existem alguns sites dedicados exclusivamente à citar clichês de filmes independentes/curtas. Saiba quais são esses clichês para que você possa fazer uma escolha inteligente sobre a possibilidade de usá-los ou não.

    10. A menos que você esteja rodando em filme, evite exteriores à noite
    A escuridão é inimiga da maioria das filmadoras. Você vai se familiarizar com o ruído na imagem [N.T.: Imagem granulada, manchada, sem nitidez, velada, distorcida etc.], o desvio de cor, a queda da definição, e muito mais se você escolher gravar à noite sem um pacote de iluminação de tamanho médio. Geralmente é muito mais fácil mudar o roteiro do que lidar com todos estes problemas.

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Bastidores da filmagem de uma sequência noturna do longa brasileiro Besouro (clique no link para ler detalhes)

Boa escrita e boa filmagem pra você! Alegre

25/03/2011

Fica Por Aí Mesmo

Filed under: Atuação,Direção,Produção,Roteiro — valeriaolivetti @ 10:07
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Esta coluna saiu ontem no Segundo Caderno do Jornal O Globo, e é de autoria de Eduardo Levy:

Hollywood-Sign

Hollywood é um sonho. Para os iniciantes e para os mais bem-sucedidos, a meca do cinema é o objetivo final, a terra prometida. Alan Parker mesmo diz que sua indústria do cinema é povoada por um monte de pessoas em Londres que não conseguiram o green card. Verdade que vale para a Inglaterra, para a Austrália, Alemanha e Suécia. Vale para o Brasil. No fim da temporada de prêmios, no auge da euforia, me enchem de perguntas daí a respeito da vida por aqui, umas mais ingênuas que as outras, então aproveito o espaço para responder a todos. Espero que o título desta coluna não seja muito anticlimático.

Começando pelo começo. Aos que ainda estão na faculdade: não, não faz a menor diferença se você é formado em Cinema pela USP, UFF ou Faap. E, por favor, não vai mencionar que fez o curso de quatro semanas da New York Film Academy. Pega muito mal. Se a sua formação não é pela USC, Tisch ou AFI – e seu pai não é presidente de produção de algum estúdio – quem se importa? Faz a coisa certa, se forma e volta para o Brasil para dividir o que aprendeu com os outros meninos. Por aí, eles vão te achar o máximo.

Roteiristas: falar inglês é importante. Ter experiência escrevendo inglês é relevante. E ter experiência escrevendo(!) ajuda também. Não, fazer parte de uma equipe que escreve a novela das sete (existe esse horário ainda?) não é credencial, e não vai abrir as portas para o cinema ou mesmo a TV. Aliás, escrever para a TV por aqui é cada vez mais difícil e competitivo. Para que mudar para Los Angeles? Agora que a Starbucks entrou no país, vocês podem viver como qualquer roteirista de Hollywood por aí mesmo. Basta levar o laptop, comprar um café torrado e amargo, e sentar em umas das lojas da cadeia por horas a fio, fingindo estar criando o próximo roteiro magnífico que vai revolucionar a sétima arte. “Mas as oportunidades são mínimas no Brasil!” Mas as oportunidades são ainda menores por aqui se você não tem experiência escrevendo, ou escrevendo em inglês. Pelo amor de I.A.L. Diamond! Ah, você tem uma ideia maravilhosa para um roteiro? Então, tá. Coloca na caixinha de ideias do lado de fora do meu escritório, onde você encontra outras mil ideias geniais que não foram a lugar nenhum. Disclaimer: I don’t accept unsolicited material.

Atores e atrizes: se você faz sucesso no Brasil, alguém já se ofereceu para trazê-lo para Los Angeles, certo? O seu agente ou manager, que no fim das contas não faz muito além de marcar algumas reuniões – e tudo que ele/ela quer em troca são módicos 40% de comissão – já te levou aos estúdios e à ICM, CAA ou UTA. E eles te receberam muito bem, mencionaram seus últimos sucessos e até te levaram para assistir a um jogo dos Lakers, não foi? Fique realmente feliz quando eles conseguirem trabalho, e você receber o dinheiro. Aí sim, desconta os 10% da agência – sim, 10% é o justo e regulado por lei aqui nos EUA – a pequena parte do seu intermediário, custos das viagens de todos, imposto de renda e… não é mais negócio continuar recebendo na Globo e nos eventos de fim de semana? E para os que não fazem sucesso por aí, que tal melhorar o inglês? Parece repetitivo detalhe, mas posso garantir que existe uma razão para isso. Se já disseram que seu inglês é bom por aqui, melhor correr atrás, porque não é. They are definitely patronizing you. By the way, are you ready for hundreds of cattle calls? Don’t know what that means, right? This isn’t for you, then.

Diretores: se seu nome é Padilha, Salles ou Meirelles, esta coluna não te diz respeito. Se o sobrenome é outro, vejamos, você dirigiu algo mais do que um curta-metragem? Foi indicado ao Oscar? Algum dos seus filmes está sendo adaptado por um grande estúdio? Você fala inglês? Entendo. Me ajuda, vai. Alguma coisa para atrair a atenção das agências de talento? Eu já assisti a seu curta, e não gostei. Parece amador. E não, isso não é estilo de cinema independente. Cinema Novo é velho. Amador não é elogio.

Produtores: me identifico com vocês. Ligeiramente. Não são muitos os que se aventuram por aqui como eu. São mais espertos, e sabem que não há melhor indústria de cinema para se fazer dinheiro produzindo como a brasileira. Onde mais se faz uma fortuna sem ter que se preocupar com a audiência ou bilheteria? No meu caso são quatro longas em três anos, e, mesmo assim, it’s only paying off if they do really well in the box office. What, unheard of? Well, it’s the way it should be over there.

Então é isso. Para de reclamar e vai buscar seu dinheiro público, baratinho, de irmão, e faz o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Assim que vender mais de um milhão de cópias piratas oficiais, você recebe uma ligação de Sundance para levar seu filme para as montanhas em janeiro. De repente a Embratur até patrocina a viagem. After they get tired of kissing your ass, you’ll come back to Brazil thinking nobody can live without your talents anymore. But they can, and they will. Falei que inglês era importante, não falei?

Quem devia ler este texto lê, mas não acha que é com ele, ou ela, it is, dear. Bom, tenho de certeza que você vai me ligar quando estiver em Los Angeles. Posso até fazer a reserva no Spago, mas não vai esperando ser descoberto entre o couvert e a sobremesa.

Em breve um ano alienando o leitor. You’re welcome.

Se seu nome é Padilha, Salles ou Meirelles, esta coluna não te diz respeito.

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“Hollywood está morta”

Boa escrita pra você hoje!

08/07/2010

Atuar Torna os Escritores Melhores?

Filed under: Atuação,Roteiro — valeriaolivetti @ 09:14
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Oi, pessoal! O texto de hoje é um de vários que eu irei postar aos poucos sobre o assunto: “Como atuar ajuda a melhorar a nossa escrita”. Foi um tema inspirado pela nossa querida colega Ana Catrin, por isso eu dedico esses posts a ela. 😀 Este artigo foi escrito por Yolanda Beasley em seu blog, Write For Hollywood.

Atuando

Nós podemos aprender toda a parte técnica sobre roteirismo, mas no fundo todos nós estamos contando histórias sobre pessoas. Quanto mais conhecermos a natureza humana, melhor. Estudar interpretação com um instrutor respeitável que examine todos os aspectos da vida de um personagem e por que ele faz o que faz, nos ensina muita coisa sobre a natureza humana.

A melhor coisa que os escritores podem fazer é estudar teatro. Peças são tipicamente muito mais ricas do que a maior parte da televisão ou do cinema. À primeira vista, algumas peças podem parecer superficiais, mas quando você se aprofunda nos personagens e descobre por que eles dizem o que dizem, você descobre todo um novo nível mais profundo. Toda palavra diz algo sobre o personagem.

Isso não significa que todos os atores conseguem ser grandes escritores. Muitos atores não têm a paciência necessária para se sentar em um computador dia sim e dia também por meses ou anos a fio. Eu não sei quanto a você, mas sabendo o quão difícil é escrever algo que valha a pena ser mostrado, eu fico irritada quando ouço alguém dizer a um ator, "Por que você simplesmente não escreve o seu próprio material? O quão difícil isso pode ser?"

Dito isto, para alguns não é tão difícil. Ou pelo menos assim parece. Ben Affleck e Matt Damon escreveram um roteiro vencedor do Oscar logo na primeira vez deles, mas levou anos para que ele ficasse pronto. Edward Burns escreveu e dirigiu vários filmes, o que lhe abriu as portas como ator também. Tina Fey escreveu algumas coisas incrivelmente engraçadas e conseguiu começar no Saturday Night Live, mas apenas porque ela já escrevia.

Alguns atores nunca vão além da superfície. Eles lêem o texto, têm uma idéia do personagem e apenas dizem as palavras. Grandes atores vão além do texto. Eles sabem tanto sobre o personagem quanto podem, e o que não sabem, eles inventam. Eles não deveriam ter que inventar; esse é o nosso trabalho.

A experiência da vida nos torna melhores escritores porque temos de conhecer o que estamos escrevendo. É impossível viver a vida de todos os personagens que criamos, então temos que aprender indiretamente. Que melhor maneira de entrar na cabeça das outras pessoas do que estudar interpretação e realmente tornar-se uma outra pessoa por um tempo? Conhecer a vida de nossos personagens é imperativo, mas quanto disso seria demais?

Acting (1)

Boa escrita pra você hoje!

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