Dicas de Roteiro

01/10/2011

É Tudo Fácil Demais Para O Seu Protagonista?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:01
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Este texto é de autoria do professor de roteirismo da NYU, D.B. Gilles, e foi publicado no site Hollywoodlitsales:

calvinchatice

Recentemente eu li um roteiro com um enredo bastante sólido. O personagem principal queria desesperadamente ganhar um prêmio importante. O tipo de prêmio que iria catapultar significativamente a sua carreira em sua área de atuação. A apresentação foi excelente, assim como foi o desenvolvimento até o Fim do Ato Um, onde ele começou a tomar medidas sérias em relação à sua meta.

Ao longo do caminho havia um bom subenredo romântico com uma mulher que também estava competindo pelo mesmo prêmio. E havia a clássica figura do mentor para o personagem principal, que também tinha interesse em ganhar o prêmio.

Aqui está o problema: ao chegarmos ao Fim do Ato Dois não houve nenhuma surpresa. Nenhuma reviravolta. Nenhuma revelação importante. E conforme ele prosseguia tranquilamente para o Ato Três, não houve nenhuma traição por parte de ninguém. O cara só se arrastava, lidando com obstáculos menores, e no final da história ele não venceu por um par de razões previsíveis. E perdeu a garota. E ele basicamente seguiu em frente com sua vida.

O problema com o roteiro foi que todas as portas pelas quais ele tinha que passar se abriram com muita facilidade. Às vezes, ele batia e alguém abria. Algumas vezes, ele tocava a campainha duas ou três vezes e alguém abria. Às vezes, a porta estava destrancada e ele apenas entrava direto.

Se o autor tivesse tornado aquelas portas difíceis ou quase impossíveis de abrir, ele teria tido uma história muito mais atraente.

Eu já disse isso antes: não torne as coisas fáceis demais para o seu personagem principal. É simplesmente chato.

tira695

Boa escrita pra você! =D

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Por que o Segundo e o Terceiro Atos Não Funcionam

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é o primeiro de alguns textos curtos tirados do site Hollywoodlitsales e de autoria do roteirista de cinema e TV, professor e autor de livros de roteirismo, D.B. Gilles, que publicaremos hoje:

obstacle

Você tem o seu Evento Instigante ou Incidente Incitante (como quer que você o chame) e a sua Questão Dramática Principal é apresentada e você está avançando muito bem para o final do Ato Um. Você está se sentindo bem e confiante, e secretamente acha que vai terminar este aqui em duas semanas.

Então você entra no Ato Dois e fica emperrado. Aqui está algo para aliviar a dor.

Certifique-se de que as complicações dramáticas surjam da situação que você apresentou no Ato Um.

Soa muito simples e básico, mas aqui é onde a maioria dos roteiristas sai dos trilhos. Simplesmente, eles não criaram complicações e obstáculos suficientes para ficar no caminho de seus protagonistas. Ou aqueles que eles chegaram a criar não eram muito difíceis.

Veja isso deste modo: torne a vida miserável para o seu personagem principal. Precisamos sentir pena dele/dela para que torçamos por ele/ela. Como estou cansado de dizer ele/ela, vou apenas dizer ele. Faça com que tudo no caminho dele não aconteça de acordo com seus planos. Ele tem que ultrapassar ativamente cada obstáculo. Alguns podem ser fáceis, mas quanto mais longe no roteiro, mais difíceis eles devem ser, com o mais difícil surgindo perto do fim.

Bem simples, certo? Mas muito difícil de fazer.

baratasobstaculos

Boa escrita pra você hoje! =D

16/07/2010

Oito Semanas Para Um Roteiro – Parte 5

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 07:28
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Voltamos com o artigo de Richie Solomon, tirado do site Story Link.

human_calendar

SEMANA CINCO – ATO TRÊS

The Book of Stars

A Arte de Viver, escrito por Tasca Shadix

Uma grande história com um final terrível faz um filme terrível. Tente se lembrar de alguns filmes que você tenha visto que tiveram grandes histórias, mas finais terríveis. As probabilidades são de que você não possa se lembrar de muitos. Não porque não haja nenhum, mas porque esses tipos de filmes são facilmente esquecidos.

Agora tente se lembrar de filmes com histórias terríveis mas grandes finais. Novamente, as probabilidades são de que você não consiga se lembrar de muitos. Só que desta vez é porque os grandes finais deixam-lhe lembrando que a história toda foi igualmente ótima, mesmo que não tenha sido.

William Goldman disse: "Filmes são sobre os últimos vinte minutos."

Você começou grande e conseguiu fisgá-los. Você atraiu o interesse deles e manteve-os virando as páginas. Então agora você tem que deixá-los com algo que os faça lembrarem-se de você.

No Ato Dois, nós estávamos constantemente aumentando os desafios que o nosso herói enfrentava. O Ato Três é onde nós finalmente o deixamos resolver seus conflitos. Não é, porém, apenas uma conclusão de todas as lutas que ele enfrentou antes.

Este é o lugar onde ele vai lutar a maior batalha de sua história, o confronto final entre o herói e o vilão. De fato, o Ato Três não pode sequer começar até que o conflito possa realmente ser resolvido. É o ponto de virada da história. É quando o nosso herói é finalmente capaz de superar os seus conflitos internos para resolver os seus externos. É o tudo ou nada, o colocar tudo em jogo, o último homem de pé luta até o fim.

Deve ainda ter algumas reviravoltas. Não deve ser previsível; entretanto, o leitor deve sentir que o fim ainda era plausível. Alguns dos finais mais memoráveis são aqueles que não vimos chegando, mas que deveríamos ter visto.

O seu herói pode não conseguir necessariamente o que quer, mas deve obter o que precisa. E ele deve ter ganho esse prêmio através de suas próprias ações. Nada parece mais barato do que um herói derrotando um vilão por causa de uma força externa ou evento aleatório.

A sua história tem um final lógico, mas ainda assim inesperado? Se não, examine mais fundo. Como você pode adicionar uma reviravolta extra ou um choque que irá impactar o leitor?

Escreva o seu rascunho do Ato Três. Ele deve ter entre 20 e 30 páginas.

Na próxima semana, a verdadeira diversão começa quando pegamos o seu rascunho e o moldamos em uma inevitável obra de arte.

Cinema Chaplin

Boa escrita hoje pra você! 😀

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