Dicas de Roteiro

30/01/2012

Videoclipe – Argumento de Welcome To The Jungle – Guns N’ Roses

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 08:00
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Voltando aos videoclipes, hoje temos a tradução do argumento do videoclipe da música dos Guns N’ Roses, Welcome To The Jungle, escrito e dirigido por Nigel Dick.

GUNS N’ ROSES – Welcome To The Jungle [Bem-vindo à Selva]
Filme do Dick nº 171

Escrito em: 10/7/1987

O GUNS N’ ROSES irá executar o número no palco do Whiskey. Nós filmaremos os close-ups da banda durante o dia e daí deixaremos entrar um público normal naquela noite, e os filmaremos durante seu show ao vivo. Eles tocarão a música talvez duas ou três vezes durante o show. Provavelmente haverá a necessidade de uma iluminação extra para o show no palco, além da que eles têm no Whiskey, mas não estamos falando de equipamentos de iluminação pesados etc. Nós gostaríamos de ter acesso a uma pequena grua.

O CONCEITO: (Para ser intercalado com a performance):

PARTE UM

Axel (o vocalista) salta de um ônibus de viagem em Hollywood, à noite. Ele acaba de chegar na cidade, completo com mala e violão. (Para ser rodado em locação no dia 2).

PARTE DOIS

Axel caminha até uma loja de televisores e olha a vitrine. (Externa noturna – dia 2).

PARTE TRÊS

POV [ponto de vista] de Axel da vitrine da loja de televisores. Há uma série de aparelhos de TV, todos mostrando variadas cenas de violência, distúrbios civis, propaganda contemporânea etc. Estes fragmentos de filmagem precisariam ser obtidos da biblioteca. Os anúncios de TV podem ser qualquer coisa dos últimos 5 anos, mas não precisam mostrar tomadas de embalagens ou nomes de produtos. Todos os televisores devem ser diferentes. Gostaria de sugerir que construamos esta vitrine num set de filmagens. (Para ser rodado em um estúdio no dia 2).

PARTE QUATRO

Axel está num quarto de um hotel decadente com uma garota. Eles estão assistindo vários aparelhos de TV. Mais uma vez, as telas estão repletas de imagens violentas. Entre essas imagens devemos incluir o Manson, o Perseguidor Noturno e outras figuras-“chave”. Gostaria de sugerir que este quarto seja construído num set de filmagens. (Para ser rodado em um estúdio no dia 2).

PARTE CINCO

Axel está agora amarrado em uma grande cadeira numa sala clínica. Ele veste uma camisa de força e tem a cabeça presa numa cinta. Ele é forçado a assistir a uma série de modernos monitores de TV de alta tecnologia. (Estes não são os monitores que vimos anteriormente). Mais uma vez, as imagens na tela são de violência. Eventualmente Axel grita, aterrorizado. Gostaria de sugerir que esta sala seja construída em um set de filmagens. (Para ser rodado em um estúdio no dia 2).

PARTE SEIS

Reprise da Parte Três. Vemos o rosto de Axel gritando em todas as telas de TV da vitrine da loja. (Atenção: Esta é a primeira vez que todas as telas de TV estão mostrando a mesma imagem simultaneamente).

PARTE SETE

Reprise da Parte Dois. Axel está de pé em frente à vitrine da loja de televisores. Ele vê a si mesmo gritando na TV, dá de ombros e se afasta.

FIM

Acho que eu não sabia como soletrar o nome de Axl corretamente – eu não conhecia a banda quando escrevi isto. O tratamento basicamente foi entregue a mim por Alan Niven pelo telefone, e eu o coloquei em ordem e digitei, que é a maneira como Alan e eu trabalhamos; eu acho que é por isso que digitei a expressão figuras-“chave” do jeito que fiz. É interessante notar a fascinação inicial de Axl por Manson, antes mesmo do lançamento do primeiro álbum.

GunsNRoses

Boa escrita pra você hoje! =)

07/07/2011

Dicas de Cursos em São Paulo

Filed under: Direção,Documentário,Fotografia,Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 14:48
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Oi, pessoal! Eu recebi um e-mail com a dica desses cursos de cinema no espaço Inspiratorium na cidade de São Paulo. Me pareceram bem legais e achei que valia a pena divulgar aqui pra quem estiver interessado. Eu fiquei com muita vontade de fazer alguns deles, pena que eu não possa viajar para SP no momento. Quem sabe na próxima, né?

Inspiratorium

Se alguém frequentar um desses cursos e quiser compartilhar a sua experiência aqui, fique à vontade para comentar!

Um ótimo curso pra você!

10/04/2011

As 10 Melhores Dicas Para Cineastas de Curta-Metragens

Oi, pessoal! Estou de volta, HD arranhado fora, HD novo já formatadinho com todos os arquivos para o blog salvos (Ufa!! De agora em diante, backup pra todo lado, igual eu faço com meus roteiros!) e tudo rodando 100% por aqui (se não fosse por meu irmão caçula, eu estaria frita! Ele é meu herói!! Teve que usar um monte de programa de Linux, Unix e o escambau a quatro pra salvar os dados, detectar e resolver o problema, e eu, pobre de mim, mal sei mexer no Windows! Eita, santa iguinorânça! Smiley decepcionado).

Mas, deixando esses problemas cabeludos para trás, agora voltamos com este artigo de autoria de Dan Rahmel, e tirado do site dele, Coherente Visual (vamos falar um pouquinho sobre cinema em geral, para variar):

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Algumas dicas importantes que podem tornar o seu curta-metragem o melhor possível

Aqui está uma lista de alguns dos elementos mais importantes para se ter em mente ao fazer um curta-metragem. Seguir estas orientações o ajudarão a evitar as armadilhas mais comuns. Embora estas sejam apenas sugestões, elas certamente vão melhorar tanto o seu filme quanto a sua experiência de fazer cinema.

1. Certifique-se de ter uma história que valha a pena contar
Você assistiria o curta-metragem todo se outra pessoa o tivesse feito? A resposta para um número surpreendente de curtas é Não. Faça a si mesmo esta pergunta antes mesmo de começar a escrever o roteiro.

2. Não inicie a produção sem um orçamento
Filmes, não importa o quão simples, custam dinheiro – e dinheiro é sempre limitado. Ao certificar-se de que você tem um orçamento (uma planilha simples vai servir), você pode decidir antecipadamente onde quer gastar o dinheiro que tem. Sem um orçamento, você quase pode garantir que irá gastar mais dinheiro do que planeja, ou terminar sem o filme acabado.

3. Consiga todas as autorizações antes de filmar

Você precisa, precisa, PRECISA de permissões de atores, de colaboradores artísticos/musicais, e de quem mais produzir conteúdo que aparece no filme. Obter assinaturas de autorização antes da filmagem é simples e e te toma alguns instantes. Depois da filmagem, pode ser difícil ou até impossível. Não seja pego nessa, faça isso agora.

4. Faça o filme mais curto do que você deseja

Roteiristas e diretores muitas vezes deixam coisas no filme que o público realmente pode passar sem. É tão doloroso aparar as coisas que foram difíceis de filmar. Certifique-se de fazê-lo. O seu público vai lhe agradecer.

5. Ao usar atores não-profissionais, escolha um elenco com personalidade
Eu acredito que atuações ruins sejam tão comuns em curta-metragens porque as pessoas são convidadas a interpretar personagens que não se parecem com as suas personalidades. Um ator profissional pobretão pode retratar a arrogância e a confiança de um bilionário – mas a maioria dos amadores não consegue. Se o seu protagonista é um pão-duro na fase anal, não escolha um preguiçoso desleixado para interpretá-lo.

Microfone girafa (boom)

6. Invista em um bom som 
Som ruim torna muitos curtas-metragens (até mesmo aqueles com boas histórias) insuportáveis. Não existem substitutos verdadeiros para um microfone girafa decente. Implore, compre ou pegue um emprestado, e ele irá triplicar as chances de seu filme ser assistível.

7. Corrija-o agora, não na pós-produção
Sem a Digital Domain ou a WETA trabalhando para você, a maior parte das correções de pós-produção não aparentam/soam muito bem e tomam MUITO tempo. Se você tem um erro no enquadramento, no diálogo, ou em qualquer outra coisa que possa ser consertada na filmagem, faça isso!

8. Não faça zoom em uma tomada
Não toque nesse botão de zoom! Um cinegrafista realmente bom pode fazer um zoom parecer OK. Em quase todos os casos, porém, usar o zoom é o ápice de um triste esforço. Se você precisa se aproximar de uma pessoa, use um carrinho dolly, um planador de câmera, ou um corte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Fig Rig

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    9. Conheça os clichês dos filmes independentes/curtas
    Os clichês mais comuns incluem usar sequências de sonho, muitos efeitos de transição, longas sequências de crédito, ou acordar com um despertador tocando. Parece que até já existem alguns sites dedicados exclusivamente à citar clichês de filmes independentes/curtas. Saiba quais são esses clichês para que você possa fazer uma escolha inteligente sobre a possibilidade de usá-los ou não.

    10. A menos que você esteja rodando em filme, evite exteriores à noite
    A escuridão é inimiga da maioria das filmadoras. Você vai se familiarizar com o ruído na imagem [N.T.: Imagem granulada, manchada, sem nitidez, velada, distorcida etc.], o desvio de cor, a queda da definição, e muito mais se você escolher gravar à noite sem um pacote de iluminação de tamanho médio. Geralmente é muito mais fácil mudar o roteiro do que lidar com todos estes problemas.

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Bastidores da filmagem de uma sequência noturna do longa brasileiro Besouro (clique no link para ler detalhes)

Boa escrita e boa filmagem pra você! Alegre

31/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 6

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 09:39
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Olá! Hoje terminamos esta série, mas no futuro continuarei traduzindo outros textos do autor e professor John Kenrick sobre musicais, todos tirados do site Musicals101.

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Por Que Você NÃO DEVE Escrever Musicais

Sim, estou falando com você. Trabalhar no teatro profissional pode ser um inferno – sim, o inferno. É por isso que várias pessoas sábias já afirmaram que a pior coisa que eles poderiam desejar ao Hitler era que ele "ficasse preso fora da cidade trabalhando em um novo musical!"

Você pode suportar o julgamento impiedoso de produtores, patrocinadores em potencial, companheiros criadores, críticos da imprensa, atiradores anônimos de salas de bate-papo da internet, e (nossa!) do público pagante? Você pode lidar com anos (e eu quero dizer anos) de luta anônima e não-paga? Você está pronto para ralar trabalhando oito horas ou mais por dia num trabalho não-musical puxado e, então, de algum modo encontrar a energia para escrever por fora? Você pode lidar com o fato de que a maioria das pessoas não terá idéia de quem você é ou do que você faz, mesmo se você ganhar um Tony ou um Oscar? Finalmente, você pode aguentar fazer tudo isso por nada mais do que 2% dos lucros de um show? (Essa é a percentagem que os autores dividem sob o presente contrato-padrão, portanto, se você colaborar com alguém, só conseguirá um pedaço disso!) Esta não é uma carreira para os diletantes – ou para os fracos do coração:

"Este é um negócio duro, um negócio cruel. A concorrência, especialmente em Nova York, e em especial no teatro musical, é feroz. Não é sem razão que há o ditado: "Não basta que eu tenha sucesso, os meus amigos também têm de fracassar." Existe uma tendência, depois de ter estado na roda-viva por um tempo, de abrir o jornal Times e lentamente saborear a crítica severa dada a algum concorrente, possivelmente até mesmo a algum amigo."
– Tom Jones, Making Musicals: An Informal Introduction to the World of Musical Theatre (New York: Limelight Editions, 1998), pp. 188.

Por Que Você DEVE Escrever Musicais

Você deve escrever musicais somente se não houver nenhuma maneira possível de você não o fazer. Se todos os aspectos negativos não podem dissuadi-lo, vá em frente! Você pode ser louco o suficiente para ter sucesso neste ninho de cobras. Só certifique-se de que você sempre tenha um meio sólido de pagar as suas contas e recarregar o seu espírito. E enquanto o talento e a sorte são valiosos para qualquer aspirante a compositor, letrista ou libretista, existem três coisas que importam ainda mais – paciência, determinação e coragem. Uma dos maiores comediantes do mundo musical disse, em uma entrevista, o seguinte sobre atuação (mas isto aplica-se a escritores e compositores também):

"Eu vou lhe dar uma dica – é arriscar. Uma vez que você esteja disposto a arriscar tudo, você pode realizar qualquer coisa."
– Patricia Routledge, atriz

Existem tantas maneiras de escrever um musical quanto existem musicais. Se você realmente decidir se aventurar neste campo difícil, saiba que os meus melhores votos – e os melhores votos de milhões de amantes do teatro compradores-de-ingressos famintos por algo novo e maravilhoso – estarão com você.

Boa escrita musical pra você hoje!

30/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 5

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 12:50
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Aqui vai a penúltima parte do texto do autor e professor John Kenrick, tirado do site Musicals101.

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Oito Regras Para Escrever Musicais – Parte 2

Agora, algumas regras que se aplicam especificamente à forma musical:

5. Encontre os Locais das Canções – A colocação das canções em um musical não é arbitrária! Irving Berlin disse que avaliava projetos em potencial procurando por "locais" – pontos na história que demandam uma canção. Chame estes momentos-chave do que você quiser, mas eles são os lugares onde os personagens têm alguma justificativa emocional para cantar. Pense no seu musical favorito; todas as canções têm algo a dizer, expressando sentimentos ou preocupações importantes dos personagens. Alegria, confusão, mágoa, amor, raiva – nos pontos ou locais onde estes sentimentos definidores de vida irrompem, os personagens podem cantar.

6. Abra Com Uma Canção de Arrebentar – De vez em quando, um musical de sucesso (My Fair Lady, O Rei e Eu) abre com algumas páginas de diálogo antes do número de abertura, mas estas são as exceções. Na maioria dos casos, a maneira mais rápida de tocar um público de teatro musical é através da canção. Um número ou cena musical efetiva dá o tom do espetáculo a seguir e também permite uma rápida exposição da trama e do desenvolvimento dos personagens. Ao final do número de abertura, o público deve saber onde a história se passa, quais tipos de pessoas estão nela, e qual será o tom básico do espetáculo (cômico, satírico, sério etc.). É por isso que o número de abertura deveria ser um dos mais fortes na partitura. Um ótimo número de abertura reafirma ao público que há mais coisas boas por vir. Pense na canção-título de Ragtime, que habilmente introduz o público a um exército de personagens e à época distante em que viviam! Outros exemplos: Oklahoma ("Oh, What a Beautiful Morning"), Os Miseráveis ("At the End of the Day"), Urinetown ("Too Much Exposition"), e Hairspray ("Good Morning, Baltimore").

7. Letra, Partitura e Encenação DEVEM Se Expressar Como Uma Coisa  – No teatro musical contemporâneo, a partitura, o libreto e a encenação (tanto a direção quanto a coreografia) compartilham o trabalho de contar histórias. Isso resulta em freqüentes passagens do diálogos cantados, bem como cenas onde os personagens se movem continuamente entre a palavra falada, a dança e a canção. Pense no hilário "Keep It Gay", em Os Produtores; a belíssima "If I Loved You" da cena do banco em Carousel; ou as poderosas danças originadas pelas canções em Moving Out – os diálogos, as letras e a encenação formam um tecido único. O truque é manter o conteúdo regular e variado. Uma dica – se o seu libreto prolonga-se por páginas e páginas entre números musicais isolados, provavelmente algo está errado. E se a sua partitura tem um trecho de balada após balada, dê ao seu público uma pausa e varie de tom. Em outras palavras, anime!

8. Canções Não São Suficientes – Quando você transforma uma história já existente em um musical, você precisa de uma visão nova. Apenas adicionar as músicas não irá lhe fornecer um musical eficaz. Você tem que contar a história com uma dose nova de energia, de re-inspiração. Annie pegou os personagens de uma clássica história em quadrinhos, acrescentou alguns novos rostos e colocou todos eles em uma história inteiramente nova. Alguns dos melhores momentos em My Fair Lady não vieram do Pigmalião de Shaw – incluindo o ponto crucial da cena central "Rain in Spain". Quando você adiciona músicas, também deve reacender o material em mãos.

Até a última parte desta série, amanhã! Uma boa escrita pra você hoje!

29/07/2010

Como Escrever Um Musical – Parte 4

Filed under: Roteiro,Som — valeriaolivetti @ 10:28
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Hoje temos a antepenúltima parte do texto do autor e professor John Kenrick, tirado do site Musicals101.

botoes musicais

Oito Regras Para Escrever Musicais – Parte 1

Embora ninguém possa lhe dizer como escrever um musical, (existe um eco aqui?), há algumas regras básicas que podem ajudar os aspirantes a autores e compositores ao longo da estrada em direção à primeira noite de abertura deles. Mas não vá por mim em nenhuma delas – comprove-as sozinho. Elas se aplicarão a qualquer grande musical atualmente em existência.

As quatro primeiras regras se aplicam à qualquer espécie de boa escrita:

1. Mostre, Não Conte – Este é um trabalho para todos os escritores, agora e sempre. Não nos diga o que os seus personagens são – deixe que as ações deles nos mostrem! O drama é expresso em ação, não descrição. Ninguém tem de nos dizer que Seymour em A Pequena Loja dos Horrores/A Lojinha dos Horrores é um nerd ingênuo; todas as suas ações proclamam isso em voz alta. Peggy Sawyer nunca tem de declarar que é uma novata ingênua no severo mundo do show business de 42nd Street’s – seu comportamento inocente deixa isso bem claro desde a sua primeira cena.

Há um outro aspecto do "mostre, não conte". Já que o teatro e o cinema são meios visuais, bem como literários, os musicais não se limitam às palavras e à música. Muitos grandes musicais usam o poder das imagens visuais para comunicar informações importantes. (Peças são chamadas de "shows", não?) [N.T.: Show em inglês significa mostrar.] Os garçons em Alô , Dolly! nunca têm de nos dizer que amam a Dolly – a sua visível reação à sua presença mostra tudo. E ninguém em My Fair Lady tem que anunciar quando Liza Doolittle torna-se uma dama – a sua elegante descida pelas escadas, sem palavras, antes de sair para o Baile da Embaixada, mostra que a transformação ocorreu.

2. Corte tudo o que não for essencial – Alguns chamam isso de regra de “matar seus queridos”. Todo personagem, canção, palavra e gesto tem de servir a um claro propósito dramático. Se não, a estrutura inteira do seu espetáculo pode sofrer. Se algo não desenvolve o personagem, estabelece o cenário ou avança o enredo, você deve cortá-lo – mesmo que seja um momento que você ama. Na próxima vez que você assistir a um musical que pareça estar perdendo o fôlego, as probabilidades são de que os escritores não tiveram a coragem de cortar o material não-essencial. Nunca demonstre ao seu público tal falta de respeito – corte impiedosamente tudo o que não serve a um propósito claro e vital para a sua premissa.

3. Saiba o básico da boa narrativa – Musicais são apenas uma outra forma de contar histórias, uma arte que os seres humanos vêm praticando desde a invenção da fala. Você pode me dizer sobre o que seu espetáculo é realmente (a premissa), e definir o propósito dramático essencial de cada personagem? E toda cena apresenta um personagem com o profundo desejo de enfrentar um obstáculo poderoso?

Aprender a arte de contar histórias não significa obter um diploma de mestrado – uma boa notícia, amigo: as ferramentas básicas da narrativa já estão em você. Ler alguns bons livros pode lhe fazer pensar na direção certa. Para começar, tente o Immediate Fiction: A Complete Writing Course, de Jerry Cleaver (NY: St. Martin’s Griffin, 2002). Ele irá lhe abrir os olhos para os elementos invisíveis que tornam uma grande história absorvente, e uma grande história é o melhor ponto de partida para qualquer peça musical. Se você precisa ir mais fundo, leia o From Where You Dream: The Process of Writing Fiction, de Robert Olen Butler (NY: Grove Press, 2005). Ambos os livros são originais, e ambos podem economizar-lhe anos de esforço mal orientado.

Sobre a questão específica de escrever musicais originais, Making Musicals (NY: Limelight Editions, 1998), de Tom Jones é o único livro sobre o assunto escrito por um autêntico criador de sucessos musicais (The Fantasticks, etc.). Ele não oferece nenhuma fórmula mágica, mas a sua bondosa sabedoria pode enriquecer alguém que esteja encarando o processo criativo.

4. O seu primeiro dever ao escrever um musical é contar uma boa história de um jeito novo e divertido – NUNCA ensine ou pregue. Se você fizer um ou mais comentários inteligentes ao longo do caminho, isso é fantástico, mas é algo que não vai importar muito se o seu público acabou perdendo o interesse, ou simplesmente ficou afastado. Dance a Little Closer condenava a guerra e a homofobia, e fechou em sua noite de abertura. Por outro lado, Hairspray era inclinado à intolerância e durou por muitos anos. E, embora alguns críticos repudiassem A Noviça Rebelde como um equívoco, ele provavelmente fez mais dano à ameaça em curso do nazismo do que todos os documentários da 2ª Guerra Mundial já feitos.

Se você sempre colocar a história e os personagens em primeiro lugar, não terá que bater na cabeça de ninguém com uma lição ou uma mensagem. Uma história bem contada vive na memória por muito tempo após qualquer sermão ou palestra. Eu lhe imploro: se você quiser pregar, construa um púlpito. Quando você realmente tiver sorte, aquele que irá aprender alguma coisa com a sua escrita será você.

Amanhã teremos as outras quatro regras. Boa escrita pra você hoje! 😀

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