Dicas de Roteiro

11/01/2011

10 Dicas de Cinema de George A. Romero

Filed under: Direção,Edição,Roteiro — valeriaolivetti @ 12:48
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Para variar um pouquinho, hoje teremos dicas de roteiro e direção. Este artigo foi tirado da revista MovieMaker de Maio/2010:

George A. Romero

A lenda do terror compartilha as 10 lições que ele aprendeu durante 40 anos por trás das câmeras

Uma lenda do gênero de terror, George A. Romero tem assustado o público por mais de 40 anos com a sua marca exclusiva de filmes de terror com consciência social. Seu filme mais recente, o épico zumbi A Ilha dos Mortos (o sexto longa da série "Mortos" de Romero), foi lançado pela Magnolia Pictures como vídeo sob demanda em 30 de abril, antes de chegar aos cinemas em 28 de maio. Aqui, Romero compartilha as 10 lições que ele aprendeu durante sua carreira.

survival-of-the-dead

1. Mostre, não conte. As primeiras versões de meus primeiros roteiros sempre chegavam a 300 páginas ou mais. Eu costumava pensar que um pensamento não-escrito era um pensamento perdido. Eu aprendi que novos e melhores pensamentos surgiam uma vez que você tivesse a chance de pensar sobre o que você escreveu e, em então – reescrevesse. O meu parceiro de produção, um editor de maravilhoso, me ensinou que os pensamentos na página devem ser precisos e bem contemplados, ou eles acabam desperdiçando tempo e dinheiro.

2. Tempo é dinheiro. Então esteja preparado quando entrar no set de filmagem.

3. Saiba tanto quanto puder sobre a especialidade de cada membro da equipe. Você vai apreciar melhor um bom trabalho, e não vai ser roubado por um Diretor de Fotografia que requisita um pacote de equipamentos escandalosamente caros.

4. Efeitos de computação gráfica devem ser vistos como ferramentas. Use-os para economizar tempo e dinheiro, e não apenas porque você pode.

5. Não se esqueça de fazer o filme. Épicos como o mais recente King Kong e Avatar são feitos de magia. Mas, ao assisti-los, eu fico o tempo todo me perguntando, “Quando o filme vai começar?”

6. Não aponte a câmera para um macaco com raiva ou para um homem Amish sorridente. Ambos vão te morder… ou alguém de sua equipe. Quem precisa da dor de cabeça?

7. Lembre-se sempre de que nos velhos tempos, cineastas como John Ford fizeram (em alguns casos) mais de 200 filmes. Você nunca vai atingir o nível de experiência de Ford. Se tiver sorte, você pode conseguir fazer um filme. Se tiver muita sorte, como eu, você pode conseguir fazer 17 deles. Ninguém hoje em dia é enviado ao deserto para fazer três filmes em três semanas, e isso é muito ruim. Porque o deserto insiste em que você aprenda rápido.

8. Filme, filme, filme. Mesmo filmes caseiros. Sempre que você tiver a oportunidade de olhar a vida através de uma ocular, faça-o. Conecte-se visualmente ao que você está filmando, do modo como o seu público fará. Eu aprendi tanto sobre como o olho do espectador se move filmando meus filhos no brinquedo Dumbo na Disneylândia, quanto eu aprendi em qualquer set de filmagens profissional.

Dumbo ride

9. Colabore, não ordene. Cada chefe de departamento tem algo a oferecer. Ouça e agradecidamente aceite suas contribuições. Eles são cineastas também.

10. Saiba quando está concluído. Se você está na sala de edição e um editor que você confia (eu confio e adoro o meu) diz: "Desculpe, nós simplesmente não temos aquela tomada que você está procurando", termine por aquele dia. Você pode remodelar muito um filme na sala de edição, mas não pode produzir ouro a partir de palha. E às vezes tudo o que você tem na lata (por culpa de ninguém, além da sua própria) é palha. Portanto, uma vez que você fez a melhor palha que possivelmente pôde fazer dos campos de feno para os quais você apontou a sua câmera, fique satisfeito e diga para si mesmo, nas palavras de Stephen Sondheim: "Olha, eu fiz um chapéu… onde nunca houve um chapéu."

   chaepu de palha 2

chapeu de palha1

Boa escrita pra você hoje! 😀

02/01/2011

Escrevendo Para Editar

Filed under: Edição,Roteiro — valeriaolivetti @ 13:00
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Olá! O artigo de hoje foi escrito pelo editor, professor de edição e autor Chandler Gael, e tirado do site Writers Store:

películas

"A verdade humilhante é que o filme é feito na sala de edição."
-David Mamet apresentando os indicados para o prêmio de Melhor Edição durante a cerimônia do Oscar de 2002

Os editores são freqüentemente chamados de os últimos re-escritores do programa. Outra maneira de colocar isto é que o editor é o arquiteto do programa. A nossa planta é o roteiro (ou o argumento, em um programa de não-ficção). Os nossos materiais de construção são as imagens filmadas: tomadas de longa distância, tomadas de plano geral, planos médios, closes, câmera no ombro, inserções, tomadas inclinadas, inversões, tomadas-sequência e tomadas duplas. A partir dessas nós projetamos o programa com som, diálogos, música e a colocação e duração das tomadas. Assim como uma ponte transporta viajantes de uma margem à outra com um bom projeto e construção, do mesmo modo a edição transporta os espectadores do início do programa para o final, dando-lhes o que eles precisam ver, ouvir e experimentar ao longo do caminho para chegarem lá.

Truísmo: Há o filme que é escrito, o filme que é rodado e o programa que é editado.

Então, por que não escrever para a edição?

Como eu faço isto, você pergunta. Aqui estão algumas sugestões:

Escreva visualmente

Editores escrevem não com palavras, mas com imagens e som. Por isso, rode mentalmente o seu roteiro em sua cabeça. Isso também irá ajudar a vender o seu roteiro e a guiar o diretor a filmá-lo.

Certifique-se de que a sua história seja forte e clara

Eu me lembro de trabalhar em um MOW [Movie of the Week = Filme da Semana; é um filme produzido pela própria emissora de TV, baseado em seu gênero principal. A SyFy produz MOWs de ficção científica, por exemplo] onde o editor principal e eu pegamos o projeto, mas achamos a história obscura do modo como estava escrita. O produtor e bem-conhecido diretor adorou o roteiro e a história, e estava admirado com toda a pesquisa que o escritor tinha feito sobre o assunto. Durante a filmagem, eles perceberam que a história não fazia sentido nem recompensava. Eles chamaram o escritor, pedindo algumas reescritas. O escritor sentiu-se insultado. As chamadas tornaram-se cada vez mais improdutivas e antagônicas. Durante a pós-produção, o escritor amou o programa do jeito que estava filmado e editado, mas ele não fazia sentido para mais ninguém. Algumas narrações em OFF foram adicionadas, houve exibições-teste extras para o público, e a edição durou mais duas semanas, mas o filme não foi salvo. E o escritor substituiu o seu verdadeiro nome nos créditos por um conhecido pseudônimo.

Entenda o ritmo de sua história e de suas cenas

"A edição não é tanto um juntar de partes quanto é a descoberta de um caminho."
-Walter Murch, A.C.E., Oscar de Melhor Edição de Som e Imagem por O Paciente Inglês.

Assim como você desenvolve um ritmo ao escrever diálogos e outras cenas, do mesmo modo um editor desenvolve um ritmo quando corta. A editora do Quentin Tarantino, Sally Menke, disse na edição atual da Editor’s Guild Magazine: "Eu realmente sinto que há um ritmo interno em cada pessoa que é refletido em sua obra. De alguma forma, uma pintura se parece com seu pintor. Existe uma resposta inata para as imagens filmadas que eu sinto que é muito minha".

Pergunte a si mesmo:

* Que ritmo a sua cena teria se nela fosse colocada música? Ter um senso disso vai lhe ajudar a entender os acordes, trinados, árias e dissonâncias do seu filme e suas muitas cenas. E em muitas cenas serão postas músicas durante a pós-produção.

* Se eles fossem um instrumento ou uma obra musical, o que cada personagem principal seria? Intuir isso vai lhe ajudar a entender melhor os ritmos internos dos seus personagens e como eles se flexionam – ou não – ao reagirem às situações e aos outros personagens.

Faça as suas transições claras e estimulantes

Toda vez que o seu filme corta de uma cena para outra, imagine como vai ficar. Não deixe isso para o diretor ou editor descobrir – dirija todo mundo com a sua escrita. Você não tem que imaginar todas as transições, apenas as principais. Bons exemplos: Julie & Julia fez um trabalho interessante com as transições entre as histórias das duas mulheres, assim como Cinema Paradiso fez ao mover-se para frente e para trás do personagem principal como um menino e como um homem adulto.

Faça os pensamentos, sonhos e psiques dos seus personagens acessíveis

"Editar é a coisa mais próxima de pensar."
-VI Pudovkin

Você é o pensador original do programa. Os seus pensamentos e palavras são transformados em sons e imagens. A partir dessas imagens e sons o editor cria um filme que coloca o público em suas cenas e nas cabeças dos seus personagens. Certifique-se de que o seu pensamento seja sólido como rocha e de que soará verdadeiro para o seu público. Você quer que eles vivam as situações nas cabeças dos seus personagens enquanto estão assistindo ao filme, assim como as situações e os personagens viveram dentro de você quando você os criou.

Exercícios

Para entender melhor a edição, coloque um DVD de um grande filme contemporâneo.

1) DESLIGUE O SOM e assista algumas cenas – a ação, os diálogos e a montagem. Você pode querer assistir as cenas várias vezes.

* Observe cada vez que o filme é cortado.
* Observe o ritmo diferente de cada cena.

2) DESLIGUE A IMAGEM e ouça as mesmas cenas.

* Ouça os diferentes tipos de sons: os diálogos, os efeitos sonoros, a sonoplastia, a música.
* Observe o ritmo diferente de cada cena.

wave-chaise-lounger-001  wave-chaise-lounger

Se é para estudar assistindo DVDs, por que não em grande estilo com esta espreguiçadeira modernérrima?! 😀 Pra pedir de presente no próximo aniversário! :mrgreen:

Boa escrita pra você hoje!

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