Dicas de Roteiro

31/07/2013

Aaron Sorkin Fala Sobre Escrita

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:30
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Continuando nossa série sobre o roteirista Aaron Sorkin, hoje temos este artigo escrito por William Robert Rich e tirado do site Screenplay How To. O artigo foi originalmente publicado em 10 de agosto de 2011:

the social network

Aaron Sorkin se mantém no alto escalão dos roteiristas na ativa. Jogos do Poder e A Rede Social são filmes fenomenais. O que vem a seguir, O Homem Que Mudou o Jogo, baseado no romance de Michael Lewis, parece fantástico. Sorkin ainda estava na casa dos vinte anos quando escreveu a peça Questão de Honra, vendendo os direitos do filme antes mesmo dela estrear.1 Isso não quer dizer que foi fácil…

Demorou dois anos para escrever Questão de Honra, já que o processo de escrita de Sorkin era tão meticuloso: "Eu escrevia até o fim e voltava e escrevia tudo de novo, voltava e escrevia tudo de novo, voltava e escrevia tudo de novo. Eu acho que, provavelmente, escrevi, sem exagero, cerca de vinte tratamentos de Questão de Honra."2

As horas gastas compensaram. Seu primeiro roteiro para Hollywood foi uma adaptação de sua própria peça, que aconteceu de atrair duas das maiores estrelas do mundo (na peça original, me disseram que a atuação de Stephen Lang no papel de Jessup gerou em Nicholson uma forte competição). Eu acredito que umas pessoas nascem para escrever e algumas realmente tem que trabalhar para isso. Sorkin nasceu para escrever.

Eu, de fato, tenho minhas críticas. A Rede Social está o mais próximo do impecável que poderia existir, mas poderia ter sido sólido da mesma maneira não usando o nome do Facebook. Os objetivos do roteiro (internamente, a necessidade de Mark de encontrar um verdadeiro amigo; externamente, o desejo de Mark de atrair a atenção dos clubes de veteranos) conduzem o filme e definem o personagem, mas os fatos nos dizem o contrário. Mark conheceu a garota que ele namorou exclusivamente desde 2003 (embora eles realmente tiveram uma breve separação) em uma festa de fraternidade: Uma festa organizada pela mesma fraternidade a que ele pertencia.3 Estas não são críticas do roteirista, mas da pessoa. Ele não está sozinho. Muitos têm feito isso e muitos vão continuar a fazê-lo sob o pretexto de "licença dramática". Para isso, eu só posso dizer que eles venderam muito mais bilhetes fazendo sensacionalismo da história do Facebook do que teriam sem isso. Cidadão Kane nos deu Charles Foster Kane, não um abastardamento da vida de William Randolph Hurst. Mas, de volta ao trabalho…

David Fincher conseguiu transformar o roteiro de 163 páginas de A Rede Social em um filme de duas horas. Isso é um bocado de roteiro, pessoal. Eu não posso evitar de imaginar Sorkin acendendo um cigarro no outro, furiosamente martelando um teclado por horas a fio. Quando me deparei com uma entrevista com ele comentando sobre seu processo de escrita, ao que parece, esse tipo de retrato pode não estar muito longe da verdade:

Uma vez que você tenha começado, ele diz, você tem que seguir em frente: "Não adie, não escreva um argumento. A diferença entre estar na página dois e estar na página nada é a diferença entre a vida e a morte. Eu não consigo encarar aquela página em branco com o cursor piscando, ela me deixa louco. Eu quero dar o primeiro passo, eu quero ter começado. E, uma vez que eu tenha começado, eu quero chegar ao fim, e, uma vez que estou no fim, eu sei muito mais sobre o que estou escrevendo, de modo que eu posso voltar e retirar tudo o que não tem relação com que eu estava escrevendo."4

Quantos realmente possuem a capacidade de apenas "seguir em frente?" Eu duvido que sejam muitos. Para mim, o argumento é a estrutura. É inútil pintar uma parede até que eu saiba o tamanho. Independentemente da maneira que você chega lá, isso só se resume a disciplina. O coração para escrever e reescrever até que você não possa dar mais. Mas para um cara como Sorkin, é vida e morte.

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Boa escrita pra você hoje! =)

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