Dicas de Roteiro

29/07/2013

A Última Palavra: Aaron Sorkin

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:00
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Oi, pessoal! Aqui está um post sugerido por nosso querido colega Antunes, uma pequena entrevista com o roteirista Aaron Sorkin, feita por Sean Woods para o Men’s Journal:

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O criador de Newsroom fala sobre escrita, arrependimento, e a única coisa que faz jus à falação:

Que conselho você daria ao seu eu mais jovem?
Para tentar aproveitar as coisas um pouco mais e não ser tão nervoso com tudo. Gostaria de dar um monte de conselhos, porque eu fiz um monte de erros. Certamente, eu diria a mim mesmo para não experimentar drogas. Uma vez que você fizer isso, vai mudar a trajetória de sua vida de uma maneira terrível.

As drogas não ajudam o processo criativo, pelo menos por um tempo?
Sim. Se vamos ter uma conversa realmente honesta sobre isso, as drogas não prejudicaram nem um pouco o meu conjunto de realizações. O meu grande medo quando eu parei com as drogas era de que eu não seria mais capaz de escrever. Porque, se você é um escritor e está numa maré boa – e eu estava numa maré boa quando estava “alto” –, você não quer mudar nada em relação à sua maneira de trabalhar. Mas eu estou limpo há 11 anos agora, e tenho sido muito mais produtivo nesses 11 anos do que eu era nos 11 anos anteriores. Mas, mesmo se eu não tivesse sido, isso não teria valido a pena.

O que te motiva?
Minha maior motivação é que eu amo escrever. E eu adoro produzir um programa. Além disso, o medo do fracasso é uma grande motivação. Cerca de um ano e meio atrás, eu ganhei o Oscar e saí do palco e fui levado por um labirinto de salas de imprensa, e não acho que cinco minutos se passaram antes de pensar comigo mesmo: "Ah, merda… agora eu tenho que fazer isso toda vez, ou é um fracasso."

Qual é a melhor maneira de terminar um relacionamento?
Eu tive que acabar com alguns. Eu tenho um divórcio fantástico. Julia, minha ex-mulher, e eu nos separamos quando a nossa filha Roxy tinha apenas cinco meses de idade, de modo que seus pais vivendo separados é a única vida que ela já conheceu. Nós não a passamos de lá para cá, não há nenhuma programação. Nós muitas vezes fazemos coisas como uma família. Nós tiramos férias juntos, vamos jantar fora juntos. Nós saímos juntos. Eu me considero extremamente sortudo por ter esse tipo de divórcio. Então o que quer que nós fizemos é o jeito de se fazer.

Como ser pai tem mudado você?
Ser pai é a única coisa que faz jus à falação. Quando estou com a minha filha – quando estamos fazendo lição de casa juntos, ou saindo e assistindo a um filme, ou chutando uma bola de futebol por aí, ou fazendo qualquer uma das coisas que fazemos – esta é a única hora que sinto que estou fazendo o que eu deveria estar fazendo. Quando estou com a Roxy, é um grande alívio deixar de ser a coisa mais importante na minha vida.

Como é que um homem sabe quando alguém está enganando ele?
Aqui está o problema: quando alguém está te enganando, eles geralmente estão te dizendo algo que você quer ouvir, então você não quer que aquilo seja mentira, e portanto você não ativou o seu detector de mentira. É por isso que, quando você puder encontrar pessoas que são honestas com você, você deveria ficar perto delas.

Qual é a coisa que todo homem deveria experimentar antes de morrer?
Bem, o amor, com certeza, e um bife no Peter Luger.

Como um homem deve envelhecer?
O truque é que é muito fácil ficar com raiva dos jovens, porque você está tão invejoso deles. Eles têm tanto mais de sua vida sobrando. Eles têm mais energia do que você, o mundo é meio que calibrado na direção deles. Esqueça isso. Não vai fazer nenhum bem.

O que os americanos não entendem sobre Hollywood?
Sabe, sempre meio que me faz rir quando a Direita acha que Hollywood é anti-Estados Unidos. Nenhuma indústria chegou mais perto de criar a ilusão desses Estados Unidos do que Hollywood chegou. Nós somos aqueles que criaram a ideia do pioneirismo no Oeste, com John Wayne. Nós somos aqueles que criaram a imagem de um núcleo familiar americano, onde todo mundo é feliz. Nós fizemos tudo isso. Você tem a imagem dos Estados Unidos que tem porque nós a inventamos e a colocamos numa tela.

Como um homem deve lidar com o arrependimento?
Oh, Deus, o arrependimento é o pior. Tem um monte de coisas na minha vida de que eu me arrependo, mas se eu puder encontrar uma maneira de traçar uma linha a partir daquela coisa até a minha filha, e dizer: "Se não fosse por aquela coisa idiota, eu nunca teria feito essa coisa idiota, o que me levou a esta coisa boa, o que me levou a Roxy." Então eu me sinto ótimo. Então eu não me importo.

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Uma ótima escrita pra você! =)

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2 Comentários

  1. Muito obrigado Valéria! Acho que o Aaron Sorkin materializa o ideal de um profissional de cinema e tevê. Ele não fica como muitos, inclusive eu ficava, escrevendo e esperando um diretor ou produtor que compre a ideia assim como um alfaiate que faz um terno e sai a rua a cada de alguém que caiba nele. Ele vai a luta e produz os seus roteiros de tevê e cinema. As estórias são tão boas que atraem os melhores diretores, atores e etc. Ele é o cara que dá norte. Escrever não basta, tem que produzir o seu filme, série ou curta seja para cinema, tevê, web, o que for.
    É isso.

    Comentário por Antunes — 30/07/2013 @ 22:20

    • De nada, Antunes! É sempre um prazer! Estou gostando muito de conhecer mais sobre esse roteirista, ele tem pontos de vista interessantes, bem diferentes.

      E concordo contigo em gênero, número e grau, os roteiristas que podem, devem investir em suas ideias, produzir mesmo. Mas, infelizmente, nem todos têm meios para isso, e não falo apenas de dinheiro, que sozinho já é um grande fator limitador. Produzir é um talento e uma habilidade que exige muito do indivíduo e que nem todos possuem. Se escrever já é duro, escrever *e* produzir é um imenso desafio. Quem se arrisca e rala para realizar esta façanha, com certeza tem uma grande chance de estar no rol dos bem-sucedidos do ramo. Por todas as dificuldades, acredito que serão sempre poucos a conseguir fazer isso.

      Mas não quero desanimar ninguém! O que estou dizendo é que eu não sei se EU possuo o cacife pra isso. É que já participei de pequenas produções e sei o nível de comprometimento e dificuldades exigidas. Pelo menos no momento, não teria nenhuma condição de produzir meu próprio trabalho. Triste.

      Ai, ai. (*suspiro* – *fungadela*)

      Comentário por valeriaolivetti — 31/07/2013 @ 13:44


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