Dicas de Roteiro

04/05/2013

Como Escrever Transições no Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é mais um texto para complementar o assunto de transições no roteiro. O artigo foi tirado do site Steve’s Digicams:

Exemplos de transições e de cortina e íris digitais

Uma grande parte da escrita de roteiro profissional é passar de uma cena para outra suavemente.Tornar isso suave é uma questão não só de finesse, mas de técnica, e esses "movimentos", tecnicamente, são chamados de transições. Existem várias transições básicas (assim como algumas que não são tão comuns) que podem ajudar a tornar a leitura do seu roteiro mais suave. As principais transições que você provavelmente vai usar são:

  • Fade In/Fade Out
  • Dissolver
  • Cortinas e Íris
  • Cortes
  • Cortes Extravagantes

Tecnicamente falando

Embora a maior parte de um roteiro seja "justificado à esquerda" (todo o texto alinhado contra a margem esquerda), há "tabulação" para diálogo, rubricas, nomes de personagens e transições. As transições devem estar em uma parada de tabulação a 6-1/2 polegadas (16,5 cm) do lado esquerdo (a margem direita deve ser fixada em 1 polegada, ou 2,5 cm.) Alguns programas de roteiro na verdade "justificam à direita" as transições, o que significa que as letras surgem da margem direita para a esquerda enquanto você digita. Ambos são aceitáveis.

Fade to Black

Quase todos os roteiros começam com as palavras "FADE IN:". O Fade-In vai gradualmente de uma tela preta para uma imagem e prossegue (em geral) com a ação. Um fade-out vai gradualmente de uma imagem para o fundo negro. Está de fato desvanecendo a partir de uma imagem em preto para um quadro de imagem. Grande parte do tempo, os espectadores nem sequer percebem que o desvanecimento está acontecendo.

Lap Dissolve

Dissolver costumava ser chamado de lap dissolves porque as duas imagens eram "sobrepostas". Tecnicamente, é apenas uma imagem desvanecendo (para o fundo negro) sobreposta com outra imagem que está desvanecendo (a partir do preto). Ele não é usado com tanta frequência, mas é uma transição suave que a maior parte do tempo é bastante imperceptível.

Velha Guarda

A transição que foi usada com mais frequência nos primórdios foi a cortina ou íris. A cortina se move horizontalmente ou verticalmente, e essencialmente "varre" uma imagem, substituindo-a por outra. Há uma linha que divide uma imagem da outra enquanto a cortina se move pela tela. A íris pode abrir ou fechar um círculo de uma imagem para outra. É um movimento de contrair ou expandir, e praticamente não foi vista por décadas até que George Lucas a reviveu em Guerra nas Estrelas.

A Transição Básica: Cortes

A transição mais básica é um corte. É um movimento imediato do último quadro de uma imagem para o primeiro quadro de outra, sem a elaboração de sobreposição, cortina, ou dissolução. Se a ação é encenada corretamente, a transição pode ser perfeita, e é uma obra de arte. (Nota: a ideia de um "Smash" Cut ou de um Corte "Rápido" é desnecessária, um corte é um corte, a partir de um quadro para outro, e você não pode acelerá-lo ou retardá-lo.) É simples, mas funciona.

Algo mais elaborado

Muitos sistemas de edição caseiros contêm transições adicionais, como "Mosaico" ou "Ladrilho", e elas parecem meio chiques ou de alta tecnologia, mas elas destroem o principal objetivo de uma transição, e que é fazer um movimento suave e imperceptível de uma imagem para outra. Essas transições são boas para filmes caseiros mas, a menos que você queira que alguém note a sua edição (normalmente você não deveria), é melhor ficar longe delas.

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Lembre-se: Essas transições são boas para serem escritas em roteiros de filmagem. Evite-as a todo custo em roteiros de especulação.

Uma ótima escrita pra você hoje! =)

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2 Comentários

  1. Depois de meus ultimos comentarios, ainda sobra muito para acrescentar a uma polemica sobre transicoes. E embora eu ja tenha escrito, acho que sempre vale a pena repetir umas coisas.

    Aos roteiristas, sobretudo ao iniciantes, aqueles que quase sempre so encontram como exemplos de roteiro os poucos roteiros que ja foram filmados, e ainda mais, quase sempre o roterista iniciante pega para estudar um roteiro de um filme que ele ja assistiu, fica meio dificil de explicar a distancia que existe entre um SPEC SCRIPT e um roteiro de producao porque quase sempre so temos acesso aos de producao e quase nunca aos SPECS que o originaram e muito menos ainda aos SPECS embrionarios.

    O fundamental é enfatizar que como iniciante, os seus roteiros quase que certamente serao SPEC SCRIPTS e nestes nunca se deveria encontrar quase tudo aquilo que se encontra em abundancia nos roteiros de producao. Nao so numeros de cenas, posicao de cameras, p.o.v.s diversos, rubricas aos montes mas sobretudo pilhas e pilhas de transicoes. Aqueles e estes elementos indicam somente borra de cafe. O preto que nao deveria cair na sua folha em branco.

    Eu pessoalmente nao conheço NENHUMA transicao de roteiro que possa ” ajudar a tornar a leitura do seu roteiro mais suave” como propoe o artigo do Steve e muto menos concordaria com ele de que “uma grande parte da escrita de roteiro profissional é passar de uma cena para outra suavemente”.

    Se ele estivesse dirigindo o artigo a diretores, editores e outros afins, eu ate entenderia mas a “escrita de roteiro” pouco ou nada tem a ver com a escolha de cortinas e ladrilhos para decorar suas cenas nem mesmo o espaço entre elas. Simples assim.

    Imagina se voce esta escrevendo o roteiro vamos dizer de um seriado policial e ai voce escreve como linha de dialogo: “Foi voce que matou seu bebe?” e depois escreve “CUT TO” em mosaico, please. E acrescenta na proxima linha CLOSE-UP na criminosa que sorri e mete um MATCH CUT a direita e mais um FADE TO BLACK seguido de um FADE IN e abre um novo cabeçalho para escrever uma nova linha em que o sorriso da criminosa esta melado de sangue e ai pede um PAN TO para revelar um berço e entao um TILT TO para descobrir o corpo do bebe , etc. Onde encontrar a historia no meio de tanta transicao e direcao de camera e outros termos de producao?

    “Foi voce que matou seu bebe?”

    Fulana SORRI–

    INT. QUARTO DO BEBE – DIA – FLASHBACK

    — um SORRISO revela os caninos de onde escorrem sangue–

    BACK TO THE SCENE

    FULANA
    Eu amava meu filho.

    No exemplo que eu criei, existe elementos como FLASHBACK e BACK TO SCENE porque sao essenciais na elaboracao do efeito dramatico desejado, mas nao existe nenhuma indicaçao de transicao ou o tipo desta porque esta nao importa para o impacto emocional da historia. Se o diretor resolver que vai meter o som da cavalaria americana ou o hit de Psicose na passagem de cena, ou se ele vai usar sepia, se vai fazer divisao de tela, se vai ser um espiral girando ou sabe-se la o que, isto nao diz respeito ao roteirista. Simples assim.

    Existe uma pessoa chamada leitor de roteiro. Este sujeito que é pago para ler milhares de roteiros por ano nao vai se dar ao trabalho de ficar pescando suas linhas de acao e seus dialogos naufragados junto a sua historia em meio a termos de producao. Ele nao vai visualizar a preciosidade de suas palavras e a sutileza de sua historia se tiver que destrinchar em sua mente aquilo que tres meses e trezentas pessoas da fase posterior farao ao filmar. Para o leitor de roteiros o que importa é encontra uma boa historia, comovente, que o emocione, cuja leitura faça-o sentir aquilo que a audiencia deve sentir ao ver seu filme.

    Assim como a audiencia nao vai ver escrito na tela FADE TO BLACK, DISSOLVE, CORTINA, LADRILHO, etc., tambem seu leitor de roteiros nao deve ver.

    Nao é que no Brasil temos leitores de roteiro. Mas se nem estes se dariam ao trabalho de ficar tentando visualizar o seu roteiro cheio de transicoes, imagine patrocinadores, produtores, atores, comissao de selecao ou outros menos letrados que nem te conhecem e que nao vao conseguir entender patativa de sua historia se esta nao estiver limpida e pautada no essencial.

    SPEC SCRIPT é assim: concentre-se na sua historia e deixe os preciocismos para la. Na fase de produçao nao se preocupe. Outros vao saturar seu roteiro de decisoes editoriais quando for apropriado faze-lo.

    Bjs

    Regia

    Comentário por Regia — 04/05/2013 @ 22:41

  2. Saudaes! Obrigado pelas dicas. Tenho estado a aprender bastante. Mas, a minha questo : depois dessas dicas todas e daqui a alguns tempos no existe a possibilidade de enviarem-me um documento, quero dizer, um certificado, um dicloma, em suma um documento que prove que frequentei um curso com vocs?! Por outra, numa cena de luta, devo escrever apenas LUTA ou devo dar tambm alguns detalhes? Se poderem enviar exemplos ficaria grato. Sem outros de momento dispeo-me. ATT, Incio Agostinho.

    Date: Sat, 4 May 2013 11:00:14 +0000 To: inacioa-gostinho@hotmail.com

    Comentário por Inacio Agostinho Agostinho — 18/05/2013 @ 12:44


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