Dicas de Roteiro

03/05/2013

Como Usar Transições

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é um texto do roteirista, diretor e professor de roteiro, William Pace, tirado do site da Script Magazine:

Transitions

Pergunta: Qual é o uso correto de transições ao formatar o seu roteiro?

Resposta: As transições são usadas para indicar uma passagem especial de uma cena a outra.

Na antiga Hollywood, o "CORTA PARA:" costumava ser usado para terminar todas as cenas, mas isso agora é considerado um formato ruim que desperdiça o espaço da página e atravanca a leitura do roteiro. O uso disto no final de toda cena deve ser evitado por roteiristas modernos, já que o uso de um INT. ou EXT. no cabeçalho nos diz que estamos cortando para uma nova cena.

Se você usar "CORTA PARA:" nos dias de hoje, é para dar uma ênfase muito especial – você intencionalmente chamando a atenção para a mudança de uma cena para outra. Mas use com moderação, apenas para ênfase – pense nisso como pontos de exclamação duplos, algo que eu espero que você não use em um roteiro com muita frequência!!

Um JUMP CUT [traduzindo literalmente, um “corte de salto”] é quando você está propositadamente tornando perceptível o corte para a próxima cena ou imagem. Na maior parte do tempo, os editores querem "esconder" o corte de forma que ele não seja notado, mas um JUMP CUT chama a atenção para isso, porque parece que o corte "saltou". Há razões técnicas para isso (alguém quer entrar numa discussão sobre "a linha"?), mas geralmente o que a escrita está tentando fazer é deixar o espectador ciente de que a história ou imagem "saltou" para algo novo e especial.

Um MATCH CUT [“match” pode significar “combinar, equiparar, igualar, corresponder”, entre outros sentidos] é uma espécie de oposto de um Jump Cut: em vez de um "salto", você quer que as duas imagens se combinem de forma tão suave que o espectador faça a conexão óbvia entre as duas. MATCH CUT entre o buraco do cano de um revólver para o eclipse do sol (ou da lua). O MATCH CUT do rosto de uma criança pequena para a mesma pessoa adulta. Estes tipos de cortes estão pedindo que o espectador some 2 e 2 e obtenha 5… uma soma que é um pouco mais do que cada imagem tem separadamente.

Uma transição muito típica é "DISSOLVER PARA:". DISSOLVER evoca uma passagem de tempo, ou uma "desaceleração" do ritmo enquanto duas imagens se sobrepõem.
FADE TO BLACK [literalmente, “desvanecer para o negro”] é exatamente o que parece: a imagem desvanece-se para o negro total e a tela fica escura. Frequentemente, isto é feito no final de um roteiro (mas não é necessário escrever), mas pode ser feito para dar um sentido de finalidade para uma cena ou sequência. Tenha cuidado com estes – em excesso, e o ritmo do seu roteiro vai ficar parecendo um motorista iniciante – todo aquele frear e acelerar espasmódico.

Estes são os tipos mais comuns de transições; existem mais, mas a coisa mais importante a lembrar é esta: seja frugal em seu uso e tenha certeza de que a sua intenção com elas seja clara.

E quanto ao layout técnico, as transições são sempre em maiúsculas e colocadas rente à margem direita. Além disso, sempre espaço duplo antes e depois delas.

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Nota: Eu não traduzi todos os termos de transição porque alguns não têm uma tradução técnica específica. Se você souber de algum desses termos em português que eu desconheço, por favor, escreva nos comentários que eu corrigirei o texto.

Ah, e também não entendi o que ele quis dizer com a discussão sobre “a linha”. (?)

Uma ótima escrita pra você hoje! =)

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8 Comentários

  1. Neste vocabulário do roteiristas não se encontram traduções para as transições.

    http://www.roteirodecinema.com.br/manuais/vocabulario.htm

    Eu também não entendi o “of the line”. Ainda mais que na frase seguinte o “escritor” esta marcado como “write” e não “writer” o que me faz pensar que o texto não foi editado e quem sabe é apenas um erro gráfico, e ele queria dizer “off-line”, isto é, perguntando se alguém iria querer discutir mais a fundo as razões técnicas, o que teria um outro local para aquilo, tipo off-line, pessoalmente, etc.

    Comentário por Regia — 03/05/2013 @ 10:04

    • Obrigada, Regia, por tirar minhas dúvidas. Acho que você tem razão, ele pode ter tentado dizer off-line mesmo, talvez com um tipo de trocadilho, sei lá! E gostei também do vocabulário em português, foi uma ótima indicação! Valeu muito!
      Beijos! =)
      Valéria

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 10:14

  2. Tou acompanhando, Fessora
    {8¬)

    Comentário por Shasça — 04/05/2013 @ 01:05

    • Rsrs! :mrgreen: Fico feliz, Shasça! Agora falta pouco para terminar!
      Beijos! =)

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 10:03

  3. Estou escrevendo um roteiro de uma série, e nessa história as cenas estão em uma sequencia não-cronológica. Algumas das cenas são interrompidas e retomadas em outro ponto do episódio, outras serão retomadas em outros momentos da temporada. Assim, acabo usando uma outra transição, na verdade está apenas formatada como transição, mas sua estética é de um simples “corta para”, mas que dá uma indicação de tempo e espaço ao leitor: VOLTA PARA.

    Uma amiga, diretora, tem um pé atrás com isso, já que na hora que a produção realizasse a quebra das cenas isso seria esclarecido, mas vejo que é importante para entender como as coisas estão funcionando no roteiro já para o leitor inicial. Assim o leitor não se perde quando encerro uma cena na página 3 e retomo na página 45, exatamente de onde havia sido interrompido.

    Espero que não seja mal visto quando apresentar a alguém! 😄

    Fico feliz que tenha voltado com as postagens, Valéria!

    Comentário por Fernando Buson — 05/05/2013 @ 21:04

    • Fernando, nao creio que um VOLTA PARA faça qualquer diferença para o leitor de roteiro situar-se que cena Y é continuaçao de cena X. La na pagina 45 a unica coisa que trara a consciencia de que voce retomou uma cena da pagina 3 sao as cenas em si.

      Primeiro, que a construcao da cena da pagina 3 tenha uma boa razao para ser interrompida e uma intrisica necessidade para ser retomada e uma fundamental importancia de ficar na espera por 42 paginas.

      Reveja as estruturas de set-ups e pay-offs se for o que voce esta fazendo. Se é apenas em razao de ser uma serie, escrita em capitulos, a propria capitularizacao subtende que historias suspendem-se e retomam em momentos posteriores. Nao precisa transicoes.

      Segundo que a construcao da cena da pagina 45 seja clara como um dia de sol – e nao uma luz de raio de tempestade – pois a sensaçao da retomada deve advir por obviedade e nao por estranheza. Tipo: bateu o olho e a consciencia do leitor de roteiro relembra perfeitamente da cena anterior.

      A ultima coisa que voce quer é que o leitor de roteiro pare a leitura na pagina 45 e saia procurando onde foi que ele viu a previa daquela cena!:-)

      Boa sorte!

      P.S. Nao se preocupe com a produçao. Cenas sao previamente agrupadas por afinidade para serem filmadas em bloco, nao sao filmadas linearmente, o roteiro recebe um tratamento anterior a produçao onde vao incluir numero de cenas, por exemplo e mais tudo aquilo que transforma o roteiro SPEC em um roteiro de produçao. O agrupamento pode se dar por local, por qualidade de luz, por presença de certos atores, por utilizaçao de mesma maquiagem ou roupa, pela necessidade de uso equipamentos especiais, e ate mesmo uma cena pode ser isolada para filmagem porque requer o aluguel de um helicoptero ou um disco-voador!!! Que nao o de manter os custos baixos, nao se preocupe com esta fase da vida de um roteiro, pois seu compromisso é com a historia-prima.

      P.S.2. Nao va fazer como o povo da Globo que deve ter escrito uma serie de cenas para serem filmadas na Turquia aproveitando a presença inicial do nucleo de atores la, e depois sairiam distribuindo pelos cutuvelos essas cenas ao longo dos capitulos da novelinha-mor e tentam casar aquelas cenas com cenas tardias e os resultados sao hilarios, quando nao bizarros.

      Comentário por Regia — 06/05/2013 @ 06:45

      • Oi, Régia! Obrigado pelo comentário!

        Sim, as cenas possuem bons motivos para serem interrompidas e retomadas mais a frente no mesmo episódio ou temporada. Como mencionei a história é não linear, e a interrupção de algumas cenas cria o suspense, ou até brinca com o telespectador, como uma ilusão, fazendo com que veja algo quando depois o mistério é desvendado e assim descobrirá o que realmente aconteceu. Tudo isso, claro, propositadamente. =)

        Abraços!

        Comentário por Fernando Buson — 06/05/2013 @ 23:32

  4. acho que o que nao ficou claro é que na minha opiniao as indicacoes de transicoes sao desnecessarias e estao ultrapassadas em roteiro especulativos. Nao significa que uma cena nao possa ser cortada, ou sofrer transicoes de todo tipo. Apenas que estas transicoes nao deveriam ser marcadas visivelmente pelos termos CUT TO, MATCH CUT, etc.

    Existe outras maneiras mais atuais de traduzir uma transicao que nao a de escrever em letras garrafais à direita. Retire sua TRANSICAO e veja se a cena transita igualmente.

    Existe razoes para tanto, e ao menos uma é a economia de uma linha singular.

    Comentário por Regia — 19/05/2013 @ 23:03


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