Dicas de Roteiro

02/05/2013

Erro no Uso de Transições

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
Tags: , ,

O texto a seguir é do analista de roteiros Philip Dyer e foi tirado do blog dele, Doctor My Script:

screenplay2

Página de um roteiro de filmagem

Você provavelmente já viu roteiros com notas no lado inferior direito da página para descrever como serão as transições entre as cenas. Estas incluem a "CORTA PARA:" ou a "DISSOLVER PARA:", ou a sempre popular "SMASH CUT TO:" [algo como “corte abrupto para”] e a "MATCH CUT TO:". Essas duas últimas criam um efeito visual específico, de forma que muitos autores gostam de usá-las para tornar suas imagens mais intensas. Eu conheço um excelente roteirista e professor de roteiro que insiste em que seus alunos escrevam transições em seus roteiros, mas, que eu saiba, ele é o único, e não tenho ideia de por que ele ensina isso. Na minha opinião, você nunca precisa incluir nenhuma palavra de transição em um roteiro de especulação.

O primeiro problema das transições é que elas constituem mais uma tentativa de dirigir a filmagem da história, que é o trabalho do diretor. O seu trabalho é apenas o de contar uma história dramática com personagens convincentes, e isso raramente inclui as palavras "dissolver para". O outro problema é que você deve fazer o seu roteiro o mais breve e ágil possível, então cortar elementos desnecessários como as transições só pode ajudá-lo a atingir esse objetivo. O seu roteiro de filmagem pode incluir elementos visuais interessantes, como transições, mas quanto ao seu roteiro de especulação, atenha-se apenas a contar a história.

Nota: Nos comentários, a internauta J Elizabeth peguntou:

P: Phil, e se você quiser incluir uma citação que você acredita que seja essencial para o filme? Como você pode inserir a citação sem o uso de transições como CORTA PARA?

R: Se você está falando sobre escrever uma citação na tela, tudo o que você precisa é de uma tag INSERIR e não precisa de nenhum tipo de transição.
-Phil

======================================================

Isso contradiz o que o roteirista John August disse no último post. Esse é apenas um exemplo de como não existe uma regra fixa e inflexível quanto à formatação de roteiros.

Uma ótima escrita pra você! =)

Anúncios

3 Comentários

  1. Meu Deus, estava com saudades desse blog!

    Comentário por Ronan — 02/05/2013 @ 08:24

    • E eu também tava cheia de saudades de vocês! :mrgreen: Um abração, Ronan, obrigada pela visita! =)

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 09:46

  2. Olha, gente. Vamos esclarecer uma coisa. Assim como qualquer um pode achar uma rocha que tenha dentro um diamante e pegar uma talhadeira e sair eliminando o que é rocha, o que é diamante, até sobrar uma pedra clara e continuar no esforço de polir, polir, polir, quase ninguém vai chegar a uma pedra graciosa, capaz de ser colocada como pingente com status de joia porque para isto os poucos gatos pingados capazes de tal são aqueles que se dedicaram a arte da joalheria. A mesma coisa acontece com o “escrever um filme”. Apesar de não existirem regras fixas e inflexíveis para formatar um roteiro, existem técnicas que estão a serviço da imaginação, que não devem criar empecilhos a esta, mas que colaboram na confecção de um texto que não é romance, não é poesia, não é narrativa, não é prosa, etc. Aos que estudam tais técnicas para aperfeiçoarem seus roteiros, aqui vai uma dicas:

    No roteiro apresentado vê-se que o roteirista não é um expert.

    a) Ele não teria usado duas linhas e muitos nós para dizer: “From the other room, we hear Derek´s step dad, Jeff, yell. Jeff has a distinctive Texas accent. Blah Blah Blah.

    Esta formatação apresenta alguns contras.

    “From the other room”… já faz algum tempo que o uso do (V.O.) tem a preferência para tudo que está sendo dito por um personagem que não está no “quarto”.
    “We hear”… embora ainda comum em roteiros, vem se afirmando mais e mais a tendência saudável de eliminar a presença do leitor no interior do texto roteirístico.
    Yell … basta capitalizar a dialogo gritado.
    “has a distinctive Texas accent” .. basta uma rubrica (distinctive Texas accent)

    Ficaria:

    He hangs up.

    JEFF (V.O)
    (distinctive Texas accent)
    BLAH-BLAH-BLAH

    DEREK
    (mocking the Texas accent)
    Blah-blah-Blah
    (dando-se conta que encontrou o acento que procurava)
    Blah-Blah-Blah

    b) CUT TO/FILMING DAY TWO VIETNAN/IN CAMERA????

    Sem querer zoar to roteirista que viajou na maionese, bastaria um slugline:

    EXT. VIETNAN – DAY

    Pode não parecer encantador, talvez se perda uma ou outra ênfase, mas não alterou o quadro fílmico e certamente encurtou o roteiro o suficiente para caber mais uma cena completa, o que ajuda muito quando o marcador insiste em ultrapassar as 120 paginas.

    Mas o mais importante é que o leitor de roteiros, aquele sujeito que é pago para descobrir talentos e histórias mas que na vida real descarta 99% do que deveria ler ao deparar com sinais de amadorismo, ia parar de ler quando encontrasse este “From the other room”. Simples assim.

    Eu sou do time que acho que o roteirista deve determinar todo o quadro fílmico, que deve ditar onde a câmera se posiciona, o que ela capta, que deve dizer o que ela aponta, ressalta, etc. Vou mais além, pois acho que o roteirista deve mesmo determinar como são feitas as transições de cenas. Mas estas determinações são possíveis pelo uso de técnicas sutis que não são percebíveis pelo olhar desatento do diretor, que acaba achando que foi ele quem descobriu a América e fica com seu ego satisfeito. Por isto a importância dos roteiristas aperfeiçoarem seu métier de modo que ninguém possa meter a colher na sua obra de arte.

    Um exemplo: Para fazer um MATCH CUT

    INT. LUGAR 1 – TEMPO

    Fulana abraça SEU CACHORRO DOURADO–

    INT. LUGAR 2 – TEMPO

    A CADELA NEGRA corre atrás do osso.

    Isto é um MATCH CUT sem que tenhamos de ter gastado uma linha à direita para escrever a transição.

    Isto é um MATCH CUT que não dá ao diretor a liberdade de não fazê-lo.

    Isto é um MATCH CUT que evita que o diretor saia dissolvendo a imagem de um cachorro para abri-la com a imagem da cadela, etc.

    É claro que no final das contas, o cameraman e o diretor vão filmar como quiserem, mas se seu MATCH CUT é fundamental para sua história, faça-o assim que você diminui as chances de mais a frente alguém descartar sua criação,

    Bjs

    Comentário por Regia — 03/05/2013 @ 09:37


RSS feed for comments on this post.

%d blogueiros gostam disto: