Dicas de Roteiro

01/05/2013

A Qualidade Nº1 dos Escritores de Sucesso

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Oi, pessoal! Estamos de volta com o artigo do autor, palestrante e consultor de roteiros Michael Hauge, e tirado do site dele, Story Mastery:

Writing Screenplays That Sell

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Todo roteirista ou romancista bem sucedido que eu conheço possui uma qualidade marcante: a tenacidade. A diferença entre os escritores que trabalham e os diletantes não é o talento, ou a idade, ou o gênero sexual, ou a geografia, ou as conexões, ou a indústria, ou a economia, ou as manchas solares, ou qualquer outra coisa que os escritores dizem a si mesmos para evitar enfrentar esta terrível verdade: escritores escrevem. Eles escrevem todos os dias, eles começaram seu livro ou roteiro atual logo que terminaram o último, eles pensam em termos de carreira e não de uma única venda, e eles olham para cada história não vendida como um passo necessário para melhorar seu ofício.

As características que estão por trás dessa qualidade essencial, incluem (em nenhuma ordem particular):

  • Permanecer aberto a ideias e críticas, enquanto defende os componentes essenciais de sua história e personagens
  • Ler muitos roteiros de sucesso recentes (para roteiristas) ou romances (para romancistas), e ver um monte de filmes (para ambos)
  • Considerar o potencial comercial de um conceito de história, e não apenas o seu apelo pessoal
  • Manter cada uma de suas histórias simples – fáceis de expressar em uma única frase, e aderir a uma linha narrativa única e forte, definida pelo desejo irresistível do personagem principal – sem um monte de personagens irrelevantes ou elementos de enredo tangenciais
  • Empregar conflito para provocar emoção, e tornar quase impossível para os heróis de suas histórias serem bem-sucedidos
  • Manter o seu estilo de escrita vivaz, mas simples o suficiente para garantir uma leitura rápida, fácil e agradável
  • Certificar-se de que tudo é profissional: o formato; a ortografia; a gramática, a pontuação – e o seu próprio comportamento

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Uma ótima escrita pra você hoje! =)

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14 Comentários

  1. O primeiro tópico tem uma boa dica, mas eu já estou achando essas dicas de internet tão iguais, e parece que elas vem apenas para homogeneizar ainda mais o mercado literário, como é o caso extremista da última. “Se quer sucesso, siga esses passinhos”… isso é cansativo, não abre portas à inovação, à criatividade e à própria criticidade do escritor em potencial, especialmente para os que já conseguiram se ‘desvincular’ dessa literatura tão igual que prepondera no mercado. José Saramago e Clarice Lispector não ficaram famosos fazendo assim… não que eu me compare a eles, mas que isso pode fechar a mente de quem poderia ter a capacidade de inovar, sim, é verdade.

    Comentário por Herick Martins Schaiblich — 01/05/2013 @ 14:01

  2. Primeiro, que bom que você voltou Valéria. Simbolicamente no dia do trabalho.
    E Herick realmente as dicas do Michael Hauge repetem alguns conceitos, mas gosto em especial do quarta e da quinta dicas. Nunca podemos esquecer e tem gente que esquece, que um escritor escreve, parece banal, mas muitos passam mais falando do que trabalhando efetivamente. E para inovar primeiro é preciso dominar as ferramentas, quem mal consegue desenhar um círculo dificilmente vai fazer uma planta mais complexa. E acho que a gente até deveria esquecer completamente esta ideia de inovar, será que Saramago ou Clarice pensavam nisto enquanto escreviam? Acredito que não. Escrevam, deixe que o tempo depois julgue a tua obra.

    Comentário por Antunes — 02/05/2013 @ 00:22

    • É verdade… acho que Clarice e Saramago nunca tiveram em mente a inovação em si. Mas pegue a última dica e verá que é bem provável que eles não seriam o que são se a seguisse. Acho que no fim minha maior revolta foi a última opção mesmo, “seguir regras gramáticas e de comportamento cegamente”. De resto, o que você disse é verdade. Mas um bom exemplo de autor que vai contra o quarto ponto é o George R. R. Martin, que enche o livro de personagens, tirando apenas o fato de que os dele são essenciais para a construção da trama.

      Comentário por Herick Martins Schaiblich — 02/05/2013 @ 09:59

      • Ali está escrito “Certificar-se de que tudo é profissional: o formato; a ortografia; a gramática, a pontuação – e o seu próprio comportamento”, o “cegamente” foi você que acrescentou, Herick. E acho que não seguindo, tanto Clarice quanto Saramago seguiam porque as obras deles tinham uma sintaxe. Assim como um filme pode ser linear, mesmo com a estória não sendo, vide Pulp Fiction e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

        Comentário por Antunes — 04/05/2013 @ 01:24

        • Eu acrescentei o ‘cegamente’, mas mudou em quê o sentido? O que diz é que se deve seguir a gramática e a ortografia ‘tidas como corretas’. Mas muito pelo contrário, os grandes escritos quebram esses tipos de regras e usam a favor deles. Machado e Clarice comentem erros propositais de gramática e ortografia. Nós achamos que há algo mágico nessas normas da língua que faz com que elas definam uma única forma que se deve escrever, a tal ‘homogenização’ da língua que eu citei antes. Mas não é verdade, segui-las cegamente (que é, sim, o que esse item sugere) só faz de você mais um cego. Esse não parece o discurso melhor aqui. Ninguém quer se comparar a Clarice ou Machado, mas acho que ter consciência de que você não precisa e nem deve seguir padrões de ‘passinhos’ é melhor do que o contrário.

          Comentário por Herick Martins Schaiblich — 04/05/2013 @ 15:14

      • Oi, Herick, seja bem-vindo! =)

        Puxa, parece que a discussão anda solta por aqui, vou pegar carona no meio (rsrs!). Eu acho que você tem razão em algumas coisas, principalmente quanto ao caso das famosas “fórmulas para o sucesso”. Vamos deixar claro: tal coisa não existe. Se existissem, não veríamos tantos filmes horríveis por aí, nem tanta gente talentosa e com escrita impecável que não consegue nem chegar perto de um emprego como roteirista. A sorte, o destino, ou a chamada “estrela” do escritor, às vezes tem um peso maior do que todas as qualidades dele juntas. E ficam chupando o dedo, enquanto escritores medíocres que possuem a tal da “estrela” passam sua frente e conseguem dinheiro, fama e poder. Bem… mistérios da vida.

        E tem outra coisa quanto às fórmulas: cada especialista tem a sua. Não existe, nem nunca existiu, uma unanimidade. (Graças a Deus!). Tanto que eu faço questão de publicar no blog opiniões diversas (muitas vezes, diferentes das minhas), apenas para mostrar pra quem acompanha os posts, que existem muitos caminhos que podem ser trilhados e cada um vai escolher (ou criar) aquele que for melhor para si. Esses artigos não devem jamais ser vistos como leis inflexíveis a serem seguidas, mas sim como possibilidades, lembretes para o escritor verificar possíveis áreas a serem melhoradas em sua carreira, possíveis problemas em seus textos ou para ajudar a entender porque ele está bloqueado. Eu acredito que, se não existem fórmulas perfeitas para o sucesso, pelo menos existem dicas que podem ajudar a gente a se aperfeiçoar.

        Existem várias pessoas que, como você, acreditam que não precisam mais dessas dicas. Isso é ótimo. Se você está um passo à frente, deve mais é ignorá-las mesmo. Porém, a grande maioria dos aspirantes a roteirista precisam delas (e, neste caso, eu me incluo). Eu ainda estou na fase de precisar ter mais tenacidade, ler mais roteiros, assistir mais filmes, estar aberta a críticas (nossos livros e roteiros são como nossos filhos, é difícil a gente ouvir falarem mal deles, não é mesmo?), escrever histórias que não sejam um novelo de lã de tão enrolada e incompreensível (o que é diferente de “complexa”), lembrar do pôr mais conflito, da linguagem simples e direta (neste caso, para roteiros, se for escrever um romance, o floreio de linguagem não é problema, pelo contrário), etc, etc.

        E devemos também lembrar que o autor deste texto estava se referindo especificamente a escritores de roteiros, já que ele é um consultor/palestrante nesta área. Escritores de livros têm muito mais espaço para experimentação.

        Quanto à ultima frase, a que você odiou, eu creio que você pode não ter entendido exatamente o que o autor quis dizer. Ele não estava falando sobre seguir cegamente nenhuma regra, apenas disse: “seja profissional”. Eu já li incontáveis casos de falta de profissionalismo nessa área, então talvez tenha sido culpa minha achar que isso estava claro. O que acontece é o seguinte: muita gente, mas muita gente mesmo, tanto aqui no Brasil, mas principalmente em Hollywood (que recebe toneladas de roteiros novos todos os anos), manda para os estúdios roteiros que “gritam” amadorismo: roteiros com desenhos, fotos, adesivos, capas coloridas com purpurina para se destacarem, e também com erros grosseiros de formatação e de ortografia e gramática.

        A formatação de roteiros segue um padrão para que o leitor saiba quantos minutos, em média, terá aquela história ao ser transformada em filme. Se o escritor mudar o formato, isso dificultará a leitura para o analista de roteiros e mostrará que o autor não sabe, ou não quer, se adaptar ao que o mercado pede. Isso é considerado sinal de amadorismo por eles, e lhes dá um motivo para jogar o roteiro na pilha de “Rejeitados” com mais rapidez. Um roteiro também não é um poema, nem deve vir recheado com páginas e páginas de ruminações intelectuais intimistas típicas de um romance. Mas os leitores e analistas de roteiro profissionais veem essas coisas todas com muito mais frequência do que gostariam.

        E, se o escritor não consegue se comunicar bem através das palavras, com erros crassos na sua escrita, tanto na gramática quanto na ortografia, ele não conseguirá passar sua mensagem. No mínimo, a mensagem ficará truncada, e pode até ser compreendida como o oposto do que o autor queria dizer. Na pior das hipóteses, a mensagem será completamente incompreensível.

        A língua, o idioma, é uma via de mão dupla. Para ousar nesta área, o autor deve se certificar de que o receptor, neste caso, o leitor, irá captar sua ideia, senão o esforço todo será em vão. E mandar um roteiro com erros básicos de escrita, sem revisão nenhuma e sem nem passar por um mísero corretor ortográfico, também é sinal gritante de amadorismo. Neste exemplo, os erros deles não foram voluntários; para se quebrar conscientemente uma regra é necessário primeiro conhecê-la, o que não é o caso desses escritores.

        Por fim, o comportamento: tem gente que fica literalmente perseguindo agentes e produtores, ligando para o trabalho e a residência deles, importunando-os em festas e acontecimentos sociais, e/ou mandando centenas de e-mails, exigindo atenção e um emprego com salário milionário. Esse não é um comportamento profissional, mas o pessoal de Hollywood está mais do que calejado com tipos assim, que acham que vão entrar no mercado à fórceps e pensam ser “espertos” por terem uma atitude tão “proativa”. Eles só se esqueceram do bom senso e da gentileza no trato com seus futuros empregadores e colegas de trabalho.

        Resumindo, é verdade que um roteirista profissional tem de se adaptar a muitas regras e deve se sentir tolhido em muitos aspectos como escritor, visto que o espaço para experimentações é muito limitado. Por isso que muitos deles acabam escrevendo livros. É neste meio que eles poderão expressar mais suas individualidades, sem essas restrições que te incomodaram tanto, Herick. Existem muitas avenidas de trabalho para o escritor seguir: tem gente mais apta a escrever livros de ficção/não ficção, jornalismo, publicidade, textos técnicos, ou roteiros de cinema/TV/games. O importante é o escritor compreender cedo qual é a melhor opção para o seu talento e personalidade, a fim de não vir a se frustar mais tarde.

        É isso, Herick, obrigada pela visita e pela franqueza nos seus comentários, e, por favor, não deixe de acompanhar e comentar futuros posts, você é e sempre será muito bem-vindo por aqui.
        Um grande abraço! =)
        Valéria Olivetti

        Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 08:56

    • Oi, Antunes! Estou de volta ao batente, e torço para que daqui pra frente tudo dê certo para eu poder continuar sem parar. Valeu mesmo pela visita! Um beijão! =)
      P.S.: Tentei de todo jeito botar essa resposta debaixo do seu comentário, mas a formatação do blog não tá me obedecendo! Diacho! Rsrs! :mrgreen:

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 09:00

  3. Mais um post seu gostoso de se ler… Bem vinda Valéria!

    Comentário por Januária — 02/05/2013 @ 12:15

    • Oi, querida! Obrigadão pela visita e pela força, fico feliz que tenha gostado! Beijos! =)

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 07:27

  4. Tenho uma opinião: para ser escritor, basta começar a escrever. Originalidade, relevância, publicação… No primeiro momento, nada disso importa. Depois vem a leitura e finalmente o conhecimento das regras, técnicas, mercado etc. Não me agrada, quando falam de coisas como “potencial comercial de um conceito de história”. Isso acaba nos aprisionando num leito de Procusto e pode nos fazer descartar uma ideia nascente e maravilhosa simplesmente por que pensamos que não vai vender. Lembro de ler em algum lugar que Harry Potter foi rejeitado nove vezes (!) antes de ser publicado, provavelmente por editores que pensaram que aquela historinha de um bruxo com uma cicatriz na testa não era comercial. Então, apenas escreva, leia e estude. Pelo menos no início, deixe para pensar em venda depois que tiver algo concreto em mãos.

    Comentário por Gutto — 03/05/2013 @ 08:22

    • Oi, Gutto, seja bem-vindo! =)

      Você tem razão quanto a esse ponto, muita gente fica escrevendo cópias e cópias de histórias que fizeram sucesso ultimamente, e deixam de ousar por que o mercado não lhes disse claramente que queria algo diferente naquele momento. Eu li uma mini-biografia da J.K. Rowling e achei bem interessante o que o editor dela contou: ele foi jantar com ela e com o agente dela a fim de que ele conhecesse a autora antes de assinar com ela o contrato de edição do primeiro livro da série Harry Potter. O editor disse que achou aquela escritora iniciante tímida e meio insegura durante todo o jantar, exceto num determinado momento da conversa: quando ele perguntou o que ela pensava de sua obra. Ela foi tão segura, se expressou com tanta clareza, firmeza e paixão em sua resposta, que ele ficou impressionado. Ela não só conhecia a fundo a sua obra, em vários níveis, como acreditava profundamente nela. E foi por isso que ele decidiu publicá-la. Então, você está certo, Gutto, a gente, primeiro, tem de escrever. Com a alma, com as entranhas, com todo nosso ser, e acreditar piamente em nossa obra, a fim de que os outros também passem a acreditar. O potencial comercial da nossa história é a gente que cria.

      Um grande abraço, Gutto, obrigadão pela visita e volte sempre! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 09:35

  5. O básico é tão importante que muitas vezes esquecemos. Bom post para nos lembrar disso! E concordo ainda com a maioria dos comentários: faça com coração, o resto é aprendizado e consequência.

    Comentário por Deniac — 04/05/2013 @ 13:12

    • Oi, Deniac, seja bem-vindo! =)

      Sabe, concordo contigo! :mrgreen:

      Obrigadão pela visita e pelo comentário, volte sempre! =)
      Um grande abraço!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 05/05/2013 @ 09:43

  6. Oi Valéria, quanto tempo!
    Que bom vê-la de novo postando belos textos.
    Neste momento quero apenas deixar claro a falta que seus textos fizeram para todos. Mas, entendo que a vida anda corrida pra você, assim como pra todos nós. De qualquer jeito fico muito feliz com seu retorno.
    Abraços!!!!!!!!!!!!!!!!

    Comentário por Paulo Henrique — 15/05/2013 @ 09:38


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