Dicas de Roteiro

20/05/2013

13 Citações de Stephen King sobre Escrever

Filed under: Livro,Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é de Zachary Petit e foi tirado do site da Writer’s Digest:

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Toda semana, eu cavuco nos arquivos da Writer’s Digest para encontrar os momentos mais sábios, engraçados, ou simplesmente estranhos de nossos 92 anos de publicação.

Hoje: Uma série de citações de Stephen King, autor de, err, bem, praticamente tudo, de O Iluminado e Carrie, a Estranha a On Writing, e às séries Torre Negra e Dança da Morte.

Eu sei, eu sei: o Stephen King polariza os escritores – ou você é um fã e adora (ou pelo menos respeita) o seu trabalho, ou acha que ele é exageradamente superestimado (e talvez você ainda não tenha superado aquela minissérie de TV, A Dança da Morte, com Rob Lowe) .

Diga o que quiser sobre os livros de King etc., mas eu acho que ele é brilhante. Que contador de histórias poderoso. Quando você olha a proliferação de seu trabalho pelas estantes de livros, TV, cinema, graphic novels etc., o seu impacto na cultura pop e na narrativa moderna é imensa.

Mas chega de divagar. Hora de algumas citações de Stephen King sobre escrita.

(Além disso… o que você acha do King?)

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"Então, de onde as ideias – as ideias vendáveis – vêm? Vêm dos meus pesadelos. Não os da variedade noturna, como uma regra, mas os que se escondem logo além da porta que separa o consciente do inconsciente."

"Nas festas, as pessoas costumam se aproximar do escritor de ficção de terror com uma mistura de admiração e temor. …A maioria de nós, veja você, aparenta e parece (e É) perfeitamente normal. Nós não afogamos convidados na banheira, torturamos as crianças, ou sacrificamos o gato à meia-noite dentro de um pentagrama. Não há quartos trancados ou gritos vindos do porão. Robert Bloch, autor de Psicose, parece um vendedor de carros usados moderadamente bem sucedido. Ray Bradbury tem uma semelhança desconfortável com o Charles M. Schulz, criador de Peanuts."

"Quando a sua história estiver pronta para ser reescrita, corte-a até o osso. Livre-se de cada grama de gordura em excesso. Isso vai doer; revisar uma história até o essencial é sempre um pouco como assassinar crianças, mas isso deve ser feito."

Citações de Stephen King, "O Mercado do Escritor de Terror e os Dez Ursos", da edição da Writer’s Digest de novembro de 1973

*

"Eu não consigo fazer nada além disso. E, a cada dia, admira-me que eu possa ganhar dinheiro por fazer algo que aprecio tanto."

"Fazer as pessoas acreditarem no inacreditável não é nenhum truque, é trabalho. …A crença e o interesse do leitor surgem dos detalhes: Um triciclo derrubado na sarjeta de um bairro abandonado pode significar tudo. Ou um outdoor quebrado. Ou ervas daninhas crescendo nas rachaduras dos degraus de uma biblioteca. É claro que nada disto significa muito sem personagens com que o leitor se importe (e, às vezes, personagens – ‘bandidos’ – contra quem o leitor está torcendo)."

O escritor deve ter uma boa imaginação, para começar, mas a imaginação tem que ser muscular, o que significa que deve ser exercida de forma disciplinada, dia sim e dia também, escrevendo, falhando, tendo êxito e revisando".

"A batalha entre o bem e o mal é infinitamente fascinante porque nós somos participantes todo dia."

"Os escritores devem ser justos e lembrar que até mesmo os bandidos (a maioria deles, pelo menos) veem a si mesmos como bons – eles são os heróis de suas próprias vidas. Dar-lhes uma chance justa como personagens pode criar alguns tons interessantes de cinza – e tons de cinza também são parte da vida."

"Eu não tenho nenhum insight espiritual em particular, mas acho que todo escritor que faz isso diariamente tem um "canal alternativo" para o subconsciente, que pode ser acessado facilmente. O meu é largo e profundo. Eu nunca escrevo com segundas intenções, mas sinto fortemente que este mundo é de fato um lugar tênue, simplesmente um véu sobre uma verdade mais brilhante e mais surpreendente. Para mim, cada formiga, nuvem e estrela parece proclamar que há mais na existência do que sabemos. Acho que isso soa como naturismo e panteísmo, e até certo ponto é, mas eu também acredito em um poder maior do que eu. Se eu morrer, e isso acabar por estar errado, há essa vantagem: Eu nunca vou saber."

"Quem te deu a ideia de que eu odeio a maioria das adaptações para o cinema? Há pelo menos oito realmente boas, e a única que me lembro de odiar foi a fria adaptação de [Stanley] Kubrick de O Iluminado; passar três horas assistindo a uma fazenda de formigas seria mais emocionalmente edificante."

Citações de Stephen King, "A Writer’s Digest Entrevista: Stephen King & Jerry B. Jenkins", por Jessica Strawser, da edição da Writer’s Digest de Maio/Junho de 2009

*

"Não há nenhum esboço, nada desse tipo. Isso congela, pega o que para mim deveria ser uma coisa líquida, plástica e maleável e transforma-a em outra coisa. Ei, para mim essa é a diferença entre ir até uma tela e pintar um quadro e sair e comprar um kit de pintura-por-números da Craftmaster."

"O pior conselho? ‘Não dê ouvidos aos críticos.’ Eu acho que você realmente deveria ouvir os críticos, porque às vezes eles estão dizendo que algo está quebrado, que você pode corrigir.

"Não há nada realmente muito mágico quanto a isso. …Eu acho que o melhor truque é a experiência. "

Citações de Stephen King, de "Desenterrando Histórias com Stephen King", de W.C. Stroby, da edição da Writer’s Digest de março de 1992

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Uma ótima escrita pra você hoje! =)

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06/05/2013

Vídeos Bacanas

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Oi, pessoal! Existem muitos vídeos legais no site do TED Ed sobre escrita e filmes, e eu gostaria de compartilhar vários com vocês hoje. O primeiro vídeo abaixo foi indicado por nosso colega Joakim Antonio (Obrigada, Joakim! Gargalhando):

O que produz um herói? – Matthew Winkler

 

Três habilidades antissociais para melhorar a sua escrita – Nadia Kalman

 

Insultos de Shakespeare – April Gudenrath

 

Dentro do mundo de uma cartunista – Liza Donnelly

 

Um anti-herói de si próprio – Tim Adams

 

Como a ficção pode mudar a realidade – Jessica Wise

 

A arte da metáfora – Jane Hirshfield

 

O poder de uma ótima apresentação – Carolyn Mohr

 

Quem inventou a escrita? – Matthew Winkler

 

Desacelerando o tempo (na escrita & nos filmes) – Aaron Sitze

 

O que é ironia verbal? – Christopher Warner

 

Ironia Situacional: O oposto do que você pensa – Christopher Warner

 

Por dentro de um segredo? Isso é ironia dramática – Christopher Warner

 

Captando narrativas autênticas – Michele Weldon

[Este acima é legal para jornalistas e escritores de não-ficção]

Os vídeos abaixo ainda não possuem legendas em português, mas eles têm a opção do idioma espanhol, além do inglês:

Cuidado com as substantivações (ou seja, substantivos zumbis) – Helen Sword

 

Uma tropa de heróis – April Gudenrath

 

Torne-se um poeta de competição de poesia oral, em cinco passos – Gayle Danley

Também existem muitas palestras interessantes sobre cinema e a arte de contar histórias no TED, mas, infelizmente, muito poucos desses vídeos têm legendas em português. :/

Para terminar, alguns vídeos nacionais para rir um pouco:

Filme com a namorada

 

Spoiler

Uma ótima escrita pra você! =D

05/05/2013

Tudo Sobre Flashbacks

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo a seguir é do autor, roteirista, palestrante e consultor de roteiros, David Trottier, e foi tirado do site dele, Keep Writing:

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Apesar de você ouvir com frequência o conselho para evitar flashbacks, eles são perfeitamente legítimos, se usados corretamente.

Algumas orientações básicas incluem: Não conte ao leitor sobre o passado até que ele se importe com o futuro; um flashback não deve parar um filme só para apresentar uma explicação; e um flashback deve mover a história adiante. Você executa esta última diretriz fazendo o público querer saber o que aconteceu antes do flashback e, em seguida, escrevendo o flashback de uma forma que os faz querer saber o que vai acontecer a seguir.

Flashbacks podem ser complicados de formatar, e muitos escritores deixam os leitores confusos quanto ao que acabaram de ler. Existem numerosos métodos corretos de formatar flashbacks, mas o princípio primordial é ser claro.

Método 1 – Um flashback dentro de uma cena

No exemplo abaixo, nós rotulamos o flashback como se fosse uma montagem.

FLASHBACK – ACIDENTE DE TREM

Barry vê o trem em alta velocidade vindo em direção a ele e salta dos trilhos, mas seu pé fica preso numa braçadeira do trilho.

DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS

O método acima é projetado para flashbacks curtos que acontecem dentro de uma cena.

Para flashbacks mais longos, ou seja, flashbacks que incluem uma cena inteira, considere um dos seguintes métodos:

Método 2 – Um flashback que é em si uma cena completa

FLASHBACK – EXT. TRILHOS DO TREM – DIA

Método 3 – Método alternativo para quando o flashback é uma cena completa

EXT. TRILHOS DO TREM – DIA – FLASHBACK

Ou

EXT. TRILHOS DO TREM – DIA (FLASHBACK)

Se você usar qualquer uma das notações acima, então o próximo cabeçalho de cena seguirá o mesmo padrão e ficará assim:

INT. HOSPITAL – DIA – DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS

Ou

INT. HOSPITAL – DIA (DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS)

Você também pode usar qualquer uma das notações acima do DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS para o Método 2 também.

Se desejar, você pode reduzir a extensão, como segue:

INT. HOSPITAL – DIA – DIAS ATUAIS

Ou

INT. HOSPITAL – DIA (DIAS ATUAIS)

Finais de flashback alternativos para os Métodos 2 e 3

No final de um flashback, você pode usar um dos seguintes métodos alternativos para terminar o flashback.

FIM DO FLASHBACK

INT. HOSPITAL – DIA

Também seria correto colocar a frase FIM DO FLASHBACK rente à margem direita, seguida de um ponto, como segue:

FIM DO FLASHBACK.

INT. HOSPITAL – DIA

Método 4 – Flashbacks com mais de uma cena

Se um flashback tem mais do que uma cena de duração, você vai usar o método 2 ou o 3 para o seu primeiro cabeçalho de cena de flashback. Cabeçalhos de cena subsequentes serão escritos como cabeçalhos de cena normais, sem a palavra FLASHBACK. O leitor irá supor que cada cena que se segue àquela primeira cena de flashback é parte do flashback, até ele ver FIM DO FLASHBACK ou DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS de alguma forma. Aqui está um exemplo:

EXT. TRILHOS DO TREM – DIA – FLASHBACK

Barry vê o trem em alta velocidade vindo em direção a ele e salta dos trilhos, mas seu pé fica preso numa braçadeira do trilho.

INT. HOSPITAL – DIA

Barry está deitado em uma maca. Um médico puxa um lençol sobre sua cabeça.

INT. ESCRITÓRIO – DIA – DE VOLTA AOS DIAS ATUAIS

Ou:

INT. ESCRITÓRIO – DIA – DIAS ATUAIS

Se você desejar, está perfeitamente correto rotular cada cabeçalho de cena de uma sequência de flashback. Por exemplo:

EXT. TRILHOS DO TREM – DIA – FLASHBACK

Barry vê o trem em alta velocidade em direção a ele e saltos das pistas, mas seu pé pega um empate ferroviário.

INT. HOSPITAL – DIA – CONT. DO FLASHBACK

Barry está deitado em uma maca. Um médico puxa um lençol sobre sua cabeça.

INT. ESCRITÓRIO – DIA – DIAS ATUAIS

Método 5 – Sequências de flashback

Um método alternativo é rotular o flashback inteiro, constituído por mais de uma cena, como uma sequência de flashback.

COMEÇO DA SEQUÊNCIA DE FLASHBACK

EXT. TRILHOS DO TREM – DIA

E, então, escreva todas as cenas em ordem, assim como você normalmente escreveria as cenas, e, em seguida, termine a sequência com isto:

FIM DA SEQUÊNCIA DE FLASHBACK

INT. ESCRITÓRIO – DIA

Método 6 – Uma série de flashbacks e montagens de flashback

Suponhamos que você tenha uma situação onde o seu personagem se lembra de diferentes cenas do passado, algumas das quais contêm diálogos, conforme ele junta as peças do quebra-cabeça. Como se formata isso?

Na maioria das situações de formatação, há mais de uma solução possível de formatação que é "correta". Neste caso, você pode usar uma SÉRIE DE TOMADAS, SÉRIE DE FLASHBACKS, ou uma MONTAGEM. Em qualquer um dos três meios acima é perfeitamente aceitável incluir diálogos.

Eu sugiro uma MONTAGEM DE FLASHBACK, onde você identifica a localização de cada FLASHBACK para ajudar o leitor a lembrar junto com o personagem. Poderíamos chamar isso de FLASHES RÁPIDOS DE LEMBRANÇAS, se você desejar uma rápida sucessão de imagens. Por exemplo:

MONTAGEM – FLASHES RÁPIDOS DE LEMBRANÇAS DE JIM

No entanto, neste caso em particular, parece que você deseja inserir cenas inteiras em sucessão. Eu suspeito que será melhor se você mostrar essas cenas do passado o menos possível, apenas o momento-chave de cada uma para lembrar o leitor. Isso foi feito com grande efeito no final de O Sexto Sentido.

No exemplo abaixo, eu criei o conteúdo apenas para ilustrar uma possível solução de formatação para o seu problema:

MONTAGEM DE FLASHBACK – JIM SE RECORDA

— QUARTO DA SUZY — Jim vê uma garrafa de sangue falso sobre a cômoda de Suzy. Suzy ri disso.

SUZY
Ah, a peça da minha sobrinha.

— RESTAURANTE — O sorriso de Suzy desaparece momentaneamente.

SUZY
A natureza chama.

Ela sai da mesa com sua bolsa. Jim observa ela seguir uma loira platinada entrando no banheiro feminino.

— PRAIA — Jim percebe a loira platinada observando-o do píer acima dele. Ela vira a cabeça. Jim dá de ombros.

…E assim por diante. Se desejar, você pode substituir as locações EM MAIÚSCULAS acima por cabeçalhos de cena principais completos; por exemplo: INT. QUARTO DE SUZY – DIA. Isto estaria perfeitamente bom. Você também pode usar uma versão em minúsculas, por exemplo: No quarto de Suzy, Jim vê uma garrafa…

Finalmente, você pode usar uma expressão diferente para identificar a natureza da MONTAGEM DE FLASHBACK, dependendo do seu objetivo dramático. Por exemplo:

MONTAGEM DE FLASHBACK – JIM LIGA OS PONTOS.

Naturalmente, se esta MONTAGEM se passar dentro de uma cena, então, no final, você estaria DE VOLTA À CENA.

Método 7 – Flashbacks muito rápidos

Se você quiser lançar alguns flashes rápidos para o seu público, use o formato de montagem, como segue:

FLASHES RÁPIDOS – LEMBRANÇAS DE BEISEBOL DE DUKE

— Duke desliza para a base e faz ponto. Companheiros de time exultantes se amontoam para parabenizá-lo.

— Duke, entre a segunda e a terceira base, pega rapidamente uma bola rolante, e faz o cara ficar fora de primeira.

— Duque rebate uma bola rápida e a observa voar sobre a cerca do lado esquerdo do campo.

DE VOLTA À CENA

Se você tiver apenas um flashback rápido, use o seguinte formato:

FLASHBACK RÁPIDO

Duke lança três bolas que não são rebatidas.

DE VOLTA À CENA

Aqui está uma pergunta interessante que recebi de um cliente: "Eu tenho uma série de flashbacks rápidos no final de um roteiro de curta-metragem que se referem às lembranças que um personagem tem de três pessoas diferentes. Eu crio três cabeçalhos de flashback, um para cada flashback?"

Você poderia, mas eu recomendo que use a minha resposta para a Situação nº 1 acima como seu guia, e crie uma série de FLASHES RÁPIDOS.

Método 8 – Flashforwards

Flashforwards são raros, mas eles são usados ​​ocasionalmente, como em Quem Quer Ser Um Milionário, por exemplo. Trate-os como se fossem flashbacks.

E continue escrevendo!

Dr. Format Tells All

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Uma ótima escrita pra você!

04/05/2013

Como Escrever Transições no Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é mais um texto para complementar o assunto de transições no roteiro. O artigo foi tirado do site Steve’s Digicams:

Exemplos de transições e de cortina e íris digitais

Uma grande parte da escrita de roteiro profissional é passar de uma cena para outra suavemente.Tornar isso suave é uma questão não só de finesse, mas de técnica, e esses "movimentos", tecnicamente, são chamados de transições. Existem várias transições básicas (assim como algumas que não são tão comuns) que podem ajudar a tornar a leitura do seu roteiro mais suave. As principais transições que você provavelmente vai usar são:

  • Fade In/Fade Out
  • Dissolver
  • Cortinas e Íris
  • Cortes
  • Cortes Extravagantes

Tecnicamente falando

Embora a maior parte de um roteiro seja "justificado à esquerda" (todo o texto alinhado contra a margem esquerda), há "tabulação" para diálogo, rubricas, nomes de personagens e transições. As transições devem estar em uma parada de tabulação a 6-1/2 polegadas (16,5 cm) do lado esquerdo (a margem direita deve ser fixada em 1 polegada, ou 2,5 cm.) Alguns programas de roteiro na verdade "justificam à direita" as transições, o que significa que as letras surgem da margem direita para a esquerda enquanto você digita. Ambos são aceitáveis.

Fade to Black

Quase todos os roteiros começam com as palavras "FADE IN:". O Fade-In vai gradualmente de uma tela preta para uma imagem e prossegue (em geral) com a ação. Um fade-out vai gradualmente de uma imagem para o fundo negro. Está de fato desvanecendo a partir de uma imagem em preto para um quadro de imagem. Grande parte do tempo, os espectadores nem sequer percebem que o desvanecimento está acontecendo.

Lap Dissolve

Dissolver costumava ser chamado de lap dissolves porque as duas imagens eram "sobrepostas". Tecnicamente, é apenas uma imagem desvanecendo (para o fundo negro) sobreposta com outra imagem que está desvanecendo (a partir do preto). Ele não é usado com tanta frequência, mas é uma transição suave que a maior parte do tempo é bastante imperceptível.

Velha Guarda

A transição que foi usada com mais frequência nos primórdios foi a cortina ou íris. A cortina se move horizontalmente ou verticalmente, e essencialmente "varre" uma imagem, substituindo-a por outra. Há uma linha que divide uma imagem da outra enquanto a cortina se move pela tela. A íris pode abrir ou fechar um círculo de uma imagem para outra. É um movimento de contrair ou expandir, e praticamente não foi vista por décadas até que George Lucas a reviveu em Guerra nas Estrelas.

A Transição Básica: Cortes

A transição mais básica é um corte. É um movimento imediato do último quadro de uma imagem para o primeiro quadro de outra, sem a elaboração de sobreposição, cortina, ou dissolução. Se a ação é encenada corretamente, a transição pode ser perfeita, e é uma obra de arte. (Nota: a ideia de um "Smash" Cut ou de um Corte "Rápido" é desnecessária, um corte é um corte, a partir de um quadro para outro, e você não pode acelerá-lo ou retardá-lo.) É simples, mas funciona.

Algo mais elaborado

Muitos sistemas de edição caseiros contêm transições adicionais, como "Mosaico" ou "Ladrilho", e elas parecem meio chiques ou de alta tecnologia, mas elas destroem o principal objetivo de uma transição, e que é fazer um movimento suave e imperceptível de uma imagem para outra. Essas transições são boas para filmes caseiros mas, a menos que você queira que alguém note a sua edição (normalmente você não deveria), é melhor ficar longe delas.

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Lembre-se: Essas transições são boas para serem escritas em roteiros de filmagem. Evite-as a todo custo em roteiros de especulação.

Uma ótima escrita pra você hoje! =)

03/05/2013

Como Usar Transições

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este é um texto do roteirista, diretor e professor de roteiro, William Pace, tirado do site da Script Magazine:

Transitions

Pergunta: Qual é o uso correto de transições ao formatar o seu roteiro?

Resposta: As transições são usadas para indicar uma passagem especial de uma cena a outra.

Na antiga Hollywood, o "CORTA PARA:" costumava ser usado para terminar todas as cenas, mas isso agora é considerado um formato ruim que desperdiça o espaço da página e atravanca a leitura do roteiro. O uso disto no final de toda cena deve ser evitado por roteiristas modernos, já que o uso de um INT. ou EXT. no cabeçalho nos diz que estamos cortando para uma nova cena.

Se você usar "CORTA PARA:" nos dias de hoje, é para dar uma ênfase muito especial – você intencionalmente chamando a atenção para a mudança de uma cena para outra. Mas use com moderação, apenas para ênfase – pense nisso como pontos de exclamação duplos, algo que eu espero que você não use em um roteiro com muita frequência!!

Um JUMP CUT [traduzindo literalmente, um “corte de salto”] é quando você está propositadamente tornando perceptível o corte para a próxima cena ou imagem. Na maior parte do tempo, os editores querem "esconder" o corte de forma que ele não seja notado, mas um JUMP CUT chama a atenção para isso, porque parece que o corte "saltou". Há razões técnicas para isso (alguém quer entrar numa discussão sobre "a linha"?), mas geralmente o que a escrita está tentando fazer é deixar o espectador ciente de que a história ou imagem "saltou" para algo novo e especial.

Um MATCH CUT [“match” pode significar “combinar, equiparar, igualar, corresponder”, entre outros sentidos] é uma espécie de oposto de um Jump Cut: em vez de um "salto", você quer que as duas imagens se combinem de forma tão suave que o espectador faça a conexão óbvia entre as duas. MATCH CUT entre o buraco do cano de um revólver para o eclipse do sol (ou da lua). O MATCH CUT do rosto de uma criança pequena para a mesma pessoa adulta. Estes tipos de cortes estão pedindo que o espectador some 2 e 2 e obtenha 5… uma soma que é um pouco mais do que cada imagem tem separadamente.

Uma transição muito típica é "DISSOLVER PARA:". DISSOLVER evoca uma passagem de tempo, ou uma "desaceleração" do ritmo enquanto duas imagens se sobrepõem.
FADE TO BLACK [literalmente, “desvanecer para o negro”] é exatamente o que parece: a imagem desvanece-se para o negro total e a tela fica escura. Frequentemente, isto é feito no final de um roteiro (mas não é necessário escrever), mas pode ser feito para dar um sentido de finalidade para uma cena ou sequência. Tenha cuidado com estes – em excesso, e o ritmo do seu roteiro vai ficar parecendo um motorista iniciante – todo aquele frear e acelerar espasmódico.

Estes são os tipos mais comuns de transições; existem mais, mas a coisa mais importante a lembrar é esta: seja frugal em seu uso e tenha certeza de que a sua intenção com elas seja clara.

E quanto ao layout técnico, as transições são sempre em maiúsculas e colocadas rente à margem direita. Além disso, sempre espaço duplo antes e depois delas.

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Nota: Eu não traduzi todos os termos de transição porque alguns não têm uma tradução técnica específica. Se você souber de algum desses termos em português que eu desconheço, por favor, escreva nos comentários que eu corrigirei o texto.

Ah, e também não entendi o que ele quis dizer com a discussão sobre “a linha”. (?)

Uma ótima escrita pra você hoje! =)

02/05/2013

Erro no Uso de Transições

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto a seguir é do analista de roteiros Philip Dyer e foi tirado do blog dele, Doctor My Script:

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Página de um roteiro de filmagem

Você provavelmente já viu roteiros com notas no lado inferior direito da página para descrever como serão as transições entre as cenas. Estas incluem a "CORTA PARA:" ou a "DISSOLVER PARA:", ou a sempre popular "SMASH CUT TO:" [algo como “corte abrupto para”] e a "MATCH CUT TO:". Essas duas últimas criam um efeito visual específico, de forma que muitos autores gostam de usá-las para tornar suas imagens mais intensas. Eu conheço um excelente roteirista e professor de roteiro que insiste em que seus alunos escrevam transições em seus roteiros, mas, que eu saiba, ele é o único, e não tenho ideia de por que ele ensina isso. Na minha opinião, você nunca precisa incluir nenhuma palavra de transição em um roteiro de especulação.

O primeiro problema das transições é que elas constituem mais uma tentativa de dirigir a filmagem da história, que é o trabalho do diretor. O seu trabalho é apenas o de contar uma história dramática com personagens convincentes, e isso raramente inclui as palavras "dissolver para". O outro problema é que você deve fazer o seu roteiro o mais breve e ágil possível, então cortar elementos desnecessários como as transições só pode ajudá-lo a atingir esse objetivo. O seu roteiro de filmagem pode incluir elementos visuais interessantes, como transições, mas quanto ao seu roteiro de especulação, atenha-se apenas a contar a história.

Nota: Nos comentários, a internauta J Elizabeth peguntou:

P: Phil, e se você quiser incluir uma citação que você acredita que seja essencial para o filme? Como você pode inserir a citação sem o uso de transições como CORTA PARA?

R: Se você está falando sobre escrever uma citação na tela, tudo o que você precisa é de uma tag INSERIR e não precisa de nenhum tipo de transição.
-Phil

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Isso contradiz o que o roteirista John August disse no último post. Esse é apenas um exemplo de como não existe uma regra fixa e inflexível quanto à formatação de roteiros.

Uma ótima escrita pra você! =)

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