Dicas de Roteiro

25/09/2012

Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui vão nove conselhos de escrita do famoso romancista, roteirista e dramaturgo estadunidense Ray Bradbury. Este texto foi tirado do site Daring To Live Fully e compilado por Marelisa Fabrega:

Ray_Bradbury_(1975)

Ray Bradbury

Ray Bradbury – o grande escritor americano de fantasia, terror, ficção científica e mistério morreu no dia 5 de junho passado, com a idade de 91 anos. Autor de cerca de 500 contos, romances, peças de teatro e poemas, seus trabalhos mais famosos incluem Fahrenheit 451, As Crônicas Marcianas e A Cidade Fantástica.

Como Bradbury diria, "Não há nenhuma maneira de agradecer aos meus próprios professores, exceto ensinando os outros." Por esse motivo, ele sempre foi muito generoso com os aspirantes a escritores ao compartilhar seus conselhos de escrita. Abaixo, você encontrará nove de suas dicas para escritores, assim como 16 de suas melhores citações sobre escrita.

Seis Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

Em 2001, Bradbury fez o discurso principal no Simpósio do Escritor, Perto do Mar, da Universidade de Point Loma Nazarene. Durante o discurso, ele ofereceu os seguintes seis conselhos para os escritores:

1. Não Comece Escrevendo Romances. Bradbury aconselha a não começar a sua carreira de escritor tentando escrever um romance. Ele explica que o problema de estabelecer a meta de escrever um romance logo no começo é que você pode passar um ano inteiro tentando escrever um, e ele pode não acabar bem. Afinal, se você está apenas começando, não aprendeu a escrever ainda. Escritores principiantes e intermediários devem escrever contos; dessa forma, você pode escrever um conto por semana.

Quando você começa a escrever contos, a qualidade realmente não importa; você está praticando o seu ofício. No final do ano, você terá 52 contos. Bradbury acrescenta que é quase impossível não ter pelo menos uma boa história entre os 52. Escrever contos vai te ensinar a estar constantemente em busca de ideias. Além disso, toda semana você ficará feliz, porque no final de cada semana você tem algo a mostrar pelos seus esforços.

2. Leia Grandes Contos. Claro, Bradbury recomenda que você leia um monte de contos de grandes autores. Alguns exemplos de autores cujos contos você deve ler são: Edgar Allan Poe, Herman Melville, Edith Wharton e Washington Irving.

3. Preencha a Sua Cabeça. Além disso, Bradbury recomenda que, por mil noites, antes de ir dormir, você faça o seguinte:

  • Leia um conto por noite.
  • Leia um poema por noite.
  • Leia uma matéria por noite, de áreas muito diversas: política, filosofia, religião, biologia, antropologia, psicologia, e assim por diante.

No final das mil noites você estará cheio de material! Todo este material estará quicando em sua cabeça, e você será capaz de criar muitas ideias novas. Aqui está uma citação em que Bradbury enfatiza que você deve ler tudo o que puder de uma variedade de áreas diferentes:

"Eu absolutamente exijo de você e de todos que eu conheço que estejam amplamente informados de todas as malditas áreas que existem; de cada religião e cada forma de arte, e não me diga que você não tem tempo! Há tempo de sobra. Você precisa de todas essas referências cruzadas. Você nunca sabe quando a sua cabeça vai usar esse combustível, este alimento, para seus propósitos. "

4. Livre-se de Amigos Que Não lhe Apoiam. A próxima coisa que Bradbury recomenda é que você despeça todos aqueles amigos que não acreditam em você, e que zombam de suas aspirações de se tornar um escritor.

  • "Se alguma garota não gosta do que você está fazendo, ‘Fora de sua vida!’"
  • "Se seus amigos zombam de você, ‘Para o inferno com eles. Fora!’"

5. Viva na Biblioteca. Bradbury não foi para a faculdade, porque ele não tinha dinheiro para isso. Entretanto, ele ia para a biblioteca religiosamente e lia tudo o que podia pegar; ele informa que se “formou” da biblioteca com a idade de 28 anos. Aqui está o que Bradbury tem a dizer sobre bibliotecas:

  • "Eu passei três dias por semana, por 10 anos, educando-me na biblioteca pública, e isso é melhor do que faculdade. As pessoas deveriam educar a si mesmas – você pode obter uma educação completa por zero de dinheiro. Ao final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e tinha escrito mil histórias."
  • "Vocês têm que se espreitar nas bibliotecas e escalar as pilhas como escadas para cheirar livros como perfumes e usar livros como chapéus sobre suas cabeças loucas."

6. Escreva Com Alegria. Bradbury costumava dizer que a escrita não é um negócio sério; não é trabalho. Escrever é uma alegria, uma celebração… você devia estar se divertindo com isso. Bradbury comunica que nunca trabalhou um dia em sua vida; a alegria de escrever o impulsionou de dia para dia, e de ano para ano. Aqui estão duas de suas citações que refletem esse sentimento:

  • "O amor é fácil, e eu amo escrever. Você não pode resistir ao amor. Você tem uma ideia, alguém diz alguma coisa, e você está apaixonado."
  • "Ame. Apaixone-se e continue amando. Escreva apenas o que você ama, e ame o que você escreve. A palavra-chave é o amor. Você tem que se levantar de manhã e escrever algo que você ama, algo pelo que viver."

 

Mais Três Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

No documentário de 1963 intitulado "Ray Bradbury: A História de um Escritor", Bradbury fala sobre sua vida e o processo criativo. (Assista ao documentário enquanto você estiver almoçando, ou quando você tiver 25 minutos para gastar. Eu acho que você vai gostar.) No documentário, Bradbury compartilha várias dicas para escritores, incluindo as três seguintes dicas:

1. Saiba Que é Preciso Muito Tempo Para Que a Sua Escrita Pague as Contas. Demorou muito tempo para Bradbury começar a ganhar dinheiro com a sua escrita. Ele diz o seguinte:

"No primeiro ano, eu não ganhei nada, no segundo ano, eu não ganhei nada, no terceiro ano, eu ganhei 10 dólares, no quarto ano, eu ganhei 40 dólares. Eu me lembro deles. Eu os tenho indelevelmente gravados lá [na cabeça]. No quinto ano, eu ganhei 80. No sexto ano, eu ganhei 200. No sétimo ano, eu ganhei 800. Oitavo ano, 1.200. Nono ano, 2.000. Décimo ano, 4.000. Décimo primeiro ano, 8.000…

Basta arranjar um emprego de tempo parcial! Qualquer coisa que seja meio decente! Um lanterninha de um cinema… a menos que você seja um louco, você não consegue se virar nas áreas da arte! Você tem que ser inspirado e louco e animado e amar isso mais do que qualquer outra coisa no mundo! Tem que ser: ‘Eu tenho que fazer isso!’, e se você não estiver animado assim, não pode vencer."

2. Seja um Acumulador. Bradbury menciona que guardou tudo com o que ele já se importou desde a infância. Ele explica a seguir:

"O passado de um escritor é a coisa mais importante que ele tem. Às vezes, um objeto, uma máscara, o canhoto de um bilhete de entrada, qualquer coisa, me ajuda a lembrar de toda uma experiência, e daí pode surgir a ideia para uma história."

3. Faça Pausas de Criatividade. Bradbury insta os escritores a fazer pausas, a fim de permitir que as ideias se infiltrem no subconsciente. Eis o que ele diz: "O tempo que temos sozinhos, o tempo que temos caminhando, o tempo que temos andando de bicicleta, é o momento mais importante para um escritor. Escapar da máquina de escrever é parte do processo criativo. Você tem que dar tempo ao subconsciente para pensar. O verdadeiro pensamento sempre ocorre no nível subconsciente."

Dezesseis Citações Sobre Escrita, por Ray Bradbury

Aqui estão 16 das melhores citações de Bradbury sobre a escrita:

  • "Não pense. Pensar é o inimigo da criatividade. É auto-consciente, e qualquer coisa auto-consciente é ruim. Você não pode tentar fazer as coisas. Você simplesmente tem de fazer as coisas." (Neste vídeo você pode ver que Bradbury tinha um pedaço de papel com as palavras "Não pense" escritas por ele colado na parede de seu escritório no porão de sua casa.)
  • "O problema com muitas pessoas que tentam escrever é que elas intelectualizam sobre isso. Isso vem depois. O intelecto é dado a nós por Deus para testar as coisas uma vez que elas estejam prontas, não para nos preocuparmos com as coisas antes do tempo."
  • "O que nós escritores podemos aprender com os lagartos, levados pelas aves? Na rapidez está a verdade. Quanto mais rápido você diz sem pensar, mais rapidamente você escreve, mais honesto você é. Na hesitação está o pensamento. No adiamento vem o esforço por um estilo, em vez de pular em cima da verdade, que é o único estilo que vale a pena capturar."
  • "Eu sei que você já ouviu isso milhares de vezes antes. Mas é verdade – o trabalho duro compensa. Se você quer ser bom, você tem que praticar, praticar, praticar. Se você não ama algo, então não o faça."
  • "Nós somos copos, constantemente e silenciosamente sendo preenchidos. O truque é saber como nos inclinar e deixar as coisas bonitas saírem."
  • "Eu não preciso de um despertador. As minhas ideias me acordam."
  • "Simplesmente escreva todos os dias de sua vida. Leia intensamente. Então veja o que acontece. A maioria dos meus amigos que são colocados nessa dieta têm carreiras muito agradáveis."
  • "Você fracassa somente se parar de escrever."
  • "Eu sempre digo aos alunos, me dê quatro páginas por dia, todos os dias. Isso é 300 ou 400 mil palavras por ano. A maioria delas será lenga-lenga, mas o resto…? Vai salvar a sua vida!"
  • "Não fale sobre isso, escreva."
  • "Você vai ter que escrever e botar de lado ou queimar um monte de material antes de estar confortável neste meio. Você bem que pode começar agora e ter o trabalho necessário pronto. Pois eu acredito que, eventualmente, a quantidade levará à qualidade. Como assim? A quantidade dá experiência. Apenas a partir da experiência a qualidade pode surgir. Todas as artes, grandes e pequenas, são a eliminação de movimentos desperdiçados em favor da declaração concisa. O artista aprende o que deixar de fora. Sua maior arte, frequentemente, será o que ele não diz, o que ele deixa de fora, a sua capacidade de exprimir simplesmente com clara emoção, do jeito que ele quer seguir. O artista deve trabalhar tão duro, tão longamente, que um cérebro se desenvolve e vive, por si só, em seus dedos."
  • "Você não pode aprender a escrever na faculdade. É um lugar muito ruim para escritores, porque os professores sempre acham que sabem mais do que você – e eles não sabem. Eles têm preconceitos. Eles podem gostar de Henry James, mas e se você não quiser escrever como Henry James? Eles podem gostar de John Irving, por exemplo, que é o maior chato de todos os tempos. Um monte de gente cujos trabalhos eles têm ensinado nas escolas nos últimos 30 anos, eu não consigo entender por que as pessoas os leem e por que eles são ensinados."
  • "Um escritor é um ímã passando por um mundo factual, pegando o que ele precisa."
  • "A história deve ser como um rio, fluindo e nunca parando, os seus leitores-passageiros em um barco movendo-se rapidamente rio abaixo através do cenário em constante mudança e renovação."
  • "Os meus leitores devem se tornar o personagem principal. Em Dial Double Zero [Disque Zero-Zero] eles devem ser Tom, confrontado por um milagre, tentando entender… a voz misteriosa que continua chamando-o pelo telefone."
  • "O verdadeiro medo não é de rejeição, mas de que não haverá tempo suficiente em sua vida para escrever todas as histórias que você tem dentro de si."

Conclusão

A biografia lançada pela editora de Ray Bradbury após a sua morte citou uma história em que Bradbury contou encontrar um mágico de parque de diversão, o Sr. Electrico, em 1932. Electrico tocou o Bradbury de 12 anos de idade com sua espada e ordenou: "Viva para sempre!"

"Eu decidi que era a melhor ideia que eu já tinha ouvido", disse Bradbury. "Eu comecei a escrever todos os dias. Eu nunca parei."

Descanse em paz, Ray Bradbury.

O Zen e a Arte da Escrita

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Boa escrita pra vocês hoje! =)

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