Dicas de Roteiro

25/09/2012

Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui vão nove conselhos de escrita do famoso romancista, roteirista e dramaturgo estadunidense Ray Bradbury. Este texto foi tirado do site Daring To Live Fully e compilado por Marelisa Fabrega:

Ray_Bradbury_(1975)

Ray Bradbury

Ray Bradbury – o grande escritor americano de fantasia, terror, ficção científica e mistério morreu no dia 5 de junho passado, com a idade de 91 anos. Autor de cerca de 500 contos, romances, peças de teatro e poemas, seus trabalhos mais famosos incluem Fahrenheit 451, As Crônicas Marcianas e A Cidade Fantástica.

Como Bradbury diria, "Não há nenhuma maneira de agradecer aos meus próprios professores, exceto ensinando os outros." Por esse motivo, ele sempre foi muito generoso com os aspirantes a escritores ao compartilhar seus conselhos de escrita. Abaixo, você encontrará nove de suas dicas para escritores, assim como 16 de suas melhores citações sobre escrita.

Seis Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

Em 2001, Bradbury fez o discurso principal no Simpósio do Escritor, Perto do Mar, da Universidade de Point Loma Nazarene. Durante o discurso, ele ofereceu os seguintes seis conselhos para os escritores:

1. Não Comece Escrevendo Romances. Bradbury aconselha a não começar a sua carreira de escritor tentando escrever um romance. Ele explica que o problema de estabelecer a meta de escrever um romance logo no começo é que você pode passar um ano inteiro tentando escrever um, e ele pode não acabar bem. Afinal, se você está apenas começando, não aprendeu a escrever ainda. Escritores principiantes e intermediários devem escrever contos; dessa forma, você pode escrever um conto por semana.

Quando você começa a escrever contos, a qualidade realmente não importa; você está praticando o seu ofício. No final do ano, você terá 52 contos. Bradbury acrescenta que é quase impossível não ter pelo menos uma boa história entre os 52. Escrever contos vai te ensinar a estar constantemente em busca de ideias. Além disso, toda semana você ficará feliz, porque no final de cada semana você tem algo a mostrar pelos seus esforços.

2. Leia Grandes Contos. Claro, Bradbury recomenda que você leia um monte de contos de grandes autores. Alguns exemplos de autores cujos contos você deve ler são: Edgar Allan Poe, Herman Melville, Edith Wharton e Washington Irving.

3. Preencha a Sua Cabeça. Além disso, Bradbury recomenda que, por mil noites, antes de ir dormir, você faça o seguinte:

  • Leia um conto por noite.
  • Leia um poema por noite.
  • Leia uma matéria por noite, de áreas muito diversas: política, filosofia, religião, biologia, antropologia, psicologia, e assim por diante.

No final das mil noites você estará cheio de material! Todo este material estará quicando em sua cabeça, e você será capaz de criar muitas ideias novas. Aqui está uma citação em que Bradbury enfatiza que você deve ler tudo o que puder de uma variedade de áreas diferentes:

"Eu absolutamente exijo de você e de todos que eu conheço que estejam amplamente informados de todas as malditas áreas que existem; de cada religião e cada forma de arte, e não me diga que você não tem tempo! Há tempo de sobra. Você precisa de todas essas referências cruzadas. Você nunca sabe quando a sua cabeça vai usar esse combustível, este alimento, para seus propósitos. "

4. Livre-se de Amigos Que Não lhe Apoiam. A próxima coisa que Bradbury recomenda é que você despeça todos aqueles amigos que não acreditam em você, e que zombam de suas aspirações de se tornar um escritor.

  • "Se alguma garota não gosta do que você está fazendo, ‘Fora de sua vida!’"
  • "Se seus amigos zombam de você, ‘Para o inferno com eles. Fora!’"

5. Viva na Biblioteca. Bradbury não foi para a faculdade, porque ele não tinha dinheiro para isso. Entretanto, ele ia para a biblioteca religiosamente e lia tudo o que podia pegar; ele informa que se “formou” da biblioteca com a idade de 28 anos. Aqui está o que Bradbury tem a dizer sobre bibliotecas:

  • "Eu passei três dias por semana, por 10 anos, educando-me na biblioteca pública, e isso é melhor do que faculdade. As pessoas deveriam educar a si mesmas – você pode obter uma educação completa por zero de dinheiro. Ao final de 10 anos, eu tinha lido todos os livros da biblioteca e tinha escrito mil histórias."
  • "Vocês têm que se espreitar nas bibliotecas e escalar as pilhas como escadas para cheirar livros como perfumes e usar livros como chapéus sobre suas cabeças loucas."

6. Escreva Com Alegria. Bradbury costumava dizer que a escrita não é um negócio sério; não é trabalho. Escrever é uma alegria, uma celebração… você devia estar se divertindo com isso. Bradbury comunica que nunca trabalhou um dia em sua vida; a alegria de escrever o impulsionou de dia para dia, e de ano para ano. Aqui estão duas de suas citações que refletem esse sentimento:

  • "O amor é fácil, e eu amo escrever. Você não pode resistir ao amor. Você tem uma ideia, alguém diz alguma coisa, e você está apaixonado."
  • "Ame. Apaixone-se e continue amando. Escreva apenas o que você ama, e ame o que você escreve. A palavra-chave é o amor. Você tem que se levantar de manhã e escrever algo que você ama, algo pelo que viver."

 

Mais Três Conselhos de Escrita de Ray Bradbury

No documentário de 1963 intitulado "Ray Bradbury: A História de um Escritor", Bradbury fala sobre sua vida e o processo criativo. (Assista ao documentário enquanto você estiver almoçando, ou quando você tiver 25 minutos para gastar. Eu acho que você vai gostar.) No documentário, Bradbury compartilha várias dicas para escritores, incluindo as três seguintes dicas:

1. Saiba Que é Preciso Muito Tempo Para Que a Sua Escrita Pague as Contas. Demorou muito tempo para Bradbury começar a ganhar dinheiro com a sua escrita. Ele diz o seguinte:

"No primeiro ano, eu não ganhei nada, no segundo ano, eu não ganhei nada, no terceiro ano, eu ganhei 10 dólares, no quarto ano, eu ganhei 40 dólares. Eu me lembro deles. Eu os tenho indelevelmente gravados lá [na cabeça]. No quinto ano, eu ganhei 80. No sexto ano, eu ganhei 200. No sétimo ano, eu ganhei 800. Oitavo ano, 1.200. Nono ano, 2.000. Décimo ano, 4.000. Décimo primeiro ano, 8.000…

Basta arranjar um emprego de tempo parcial! Qualquer coisa que seja meio decente! Um lanterninha de um cinema… a menos que você seja um louco, você não consegue se virar nas áreas da arte! Você tem que ser inspirado e louco e animado e amar isso mais do que qualquer outra coisa no mundo! Tem que ser: ‘Eu tenho que fazer isso!’, e se você não estiver animado assim, não pode vencer."

2. Seja um Acumulador. Bradbury menciona que guardou tudo com o que ele já se importou desde a infância. Ele explica a seguir:

"O passado de um escritor é a coisa mais importante que ele tem. Às vezes, um objeto, uma máscara, o canhoto de um bilhete de entrada, qualquer coisa, me ajuda a lembrar de toda uma experiência, e daí pode surgir a ideia para uma história."

3. Faça Pausas de Criatividade. Bradbury insta os escritores a fazer pausas, a fim de permitir que as ideias se infiltrem no subconsciente. Eis o que ele diz: "O tempo que temos sozinhos, o tempo que temos caminhando, o tempo que temos andando de bicicleta, é o momento mais importante para um escritor. Escapar da máquina de escrever é parte do processo criativo. Você tem que dar tempo ao subconsciente para pensar. O verdadeiro pensamento sempre ocorre no nível subconsciente."

Dezesseis Citações Sobre Escrita, por Ray Bradbury

Aqui estão 16 das melhores citações de Bradbury sobre a escrita:

  • "Não pense. Pensar é o inimigo da criatividade. É auto-consciente, e qualquer coisa auto-consciente é ruim. Você não pode tentar fazer as coisas. Você simplesmente tem de fazer as coisas." (Neste vídeo você pode ver que Bradbury tinha um pedaço de papel com as palavras "Não pense" escritas por ele colado na parede de seu escritório no porão de sua casa.)
  • "O problema com muitas pessoas que tentam escrever é que elas intelectualizam sobre isso. Isso vem depois. O intelecto é dado a nós por Deus para testar as coisas uma vez que elas estejam prontas, não para nos preocuparmos com as coisas antes do tempo."
  • "O que nós escritores podemos aprender com os lagartos, levados pelas aves? Na rapidez está a verdade. Quanto mais rápido você diz sem pensar, mais rapidamente você escreve, mais honesto você é. Na hesitação está o pensamento. No adiamento vem o esforço por um estilo, em vez de pular em cima da verdade, que é o único estilo que vale a pena capturar."
  • "Eu sei que você já ouviu isso milhares de vezes antes. Mas é verdade – o trabalho duro compensa. Se você quer ser bom, você tem que praticar, praticar, praticar. Se você não ama algo, então não o faça."
  • "Nós somos copos, constantemente e silenciosamente sendo preenchidos. O truque é saber como nos inclinar e deixar as coisas bonitas saírem."
  • "Eu não preciso de um despertador. As minhas ideias me acordam."
  • "Simplesmente escreva todos os dias de sua vida. Leia intensamente. Então veja o que acontece. A maioria dos meus amigos que são colocados nessa dieta têm carreiras muito agradáveis."
  • "Você fracassa somente se parar de escrever."
  • "Eu sempre digo aos alunos, me dê quatro páginas por dia, todos os dias. Isso é 300 ou 400 mil palavras por ano. A maioria delas será lenga-lenga, mas o resto…? Vai salvar a sua vida!"
  • "Não fale sobre isso, escreva."
  • "Você vai ter que escrever e botar de lado ou queimar um monte de material antes de estar confortável neste meio. Você bem que pode começar agora e ter o trabalho necessário pronto. Pois eu acredito que, eventualmente, a quantidade levará à qualidade. Como assim? A quantidade dá experiência. Apenas a partir da experiência a qualidade pode surgir. Todas as artes, grandes e pequenas, são a eliminação de movimentos desperdiçados em favor da declaração concisa. O artista aprende o que deixar de fora. Sua maior arte, frequentemente, será o que ele não diz, o que ele deixa de fora, a sua capacidade de exprimir simplesmente com clara emoção, do jeito que ele quer seguir. O artista deve trabalhar tão duro, tão longamente, que um cérebro se desenvolve e vive, por si só, em seus dedos."
  • "Você não pode aprender a escrever na faculdade. É um lugar muito ruim para escritores, porque os professores sempre acham que sabem mais do que você – e eles não sabem. Eles têm preconceitos. Eles podem gostar de Henry James, mas e se você não quiser escrever como Henry James? Eles podem gostar de John Irving, por exemplo, que é o maior chato de todos os tempos. Um monte de gente cujos trabalhos eles têm ensinado nas escolas nos últimos 30 anos, eu não consigo entender por que as pessoas os leem e por que eles são ensinados."
  • "Um escritor é um ímã passando por um mundo factual, pegando o que ele precisa."
  • "A história deve ser como um rio, fluindo e nunca parando, os seus leitores-passageiros em um barco movendo-se rapidamente rio abaixo através do cenário em constante mudança e renovação."
  • "Os meus leitores devem se tornar o personagem principal. Em Dial Double Zero [Disque Zero-Zero] eles devem ser Tom, confrontado por um milagre, tentando entender… a voz misteriosa que continua chamando-o pelo telefone."
  • "O verdadeiro medo não é de rejeição, mas de que não haverá tempo suficiente em sua vida para escrever todas as histórias que você tem dentro de si."

Conclusão

A biografia lançada pela editora de Ray Bradbury após a sua morte citou uma história em que Bradbury contou encontrar um mágico de parque de diversão, o Sr. Electrico, em 1932. Electrico tocou o Bradbury de 12 anos de idade com sua espada e ordenou: "Viva para sempre!"

"Eu decidi que era a melhor ideia que eu já tinha ouvido", disse Bradbury. "Eu comecei a escrever todos os dias. Eu nunca parei."

Descanse em paz, Ray Bradbury.

O Zen e a Arte da Escrita

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Boa escrita pra vocês hoje! =)

19/09/2012

22 Maneiras de Aprender e Melhorar a Sua Escrita de Roteiros

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é do escritor e produtor Hal Croasmun e foi tirado do site Movieoutline:

teclas máquina de escrever

Quer você esteja tentando ganhar concursos ou vender o seu roteiro, é importante que você tire proveito de todas as oportunidades que puder para aumentar as suas chances de sucesso.

Algumas pessoas estimam as chances de um bom roteirista vender um roteiro de serem aproximadamente de 1 em 5.000.

E se você pudesse cortar isso pela metade com apenas uma ação? Agora, você está em 1 em 2.500.

Então, e se você pudesse cortar isso por 1/5 tomando uma série de ações? Agora, você está em 1 em 500. E se você continuar nesse caminho, mais cedo ou mais tarde, você vai chegar a 1 em 10 ou até mesmo 1 em 2.

Se você não acredita nisso, deixe-me perguntar-lhe isto: Quais são as chances de Charlie Kaufman vender outro roteiro?

Ele escreveu Quero Ser John Malkovich, Adaptação e outros roteiros. Você diria que as chances dele de vender outro roteiro são muito altas? Você ficaria chocado ao ouvir que ele vendeu outro roteiro nos próximos seis meses? Eu duvido.

Mas se você tivesse conhecido Charlie Kaufman quando ele começou a escrever, você não diria que ele estava bem lá com as chances de 1 em 5.000 contra ele?

Meu ponto é este: Todo mundo começa com as chances de 1 em 5.000 e cabe a nós mudá-las até que estejam a nosso favor. Mudar essas probabilidades é apenas uma questão de melhorar constantemente e de aproveitar as oportunidades que vêm até nós.

Abaixo estão 22 maneiras de melhorar o seu roteiro. Eu comecei com as mais óbvias e desenvolvi algumas ideias que são fora do comum.

Eu apresento esta lista para que você sempre tenha uma maneira de melhorar o seu roteiro, mesmo se você estiver preso em seu quarto sozinho, sem dinheiro e sem contatos.

  1. Escreva todos os dias.
  2. Leia roteiros produzidos e procure aqueles que se deram bem. Leia para uma concurso e veja a diferença entre os vencedores e os que não chegaram lá.
  3. Faça um curso de roteiro.
  4. Consiga feedback da sua escrita.
  5. Critique os roteiros de outros escritores.
  6. Junte-se a um grupo de roteiristas.
  7. Pegue o seu roteiro favorito e transcreva-o, percebendo as escolhas feitas pelo escritor.
  8. Selecione uma técnica para aperfeiçoar e utilize-a em uma ou mais cenas.
  9. Escreva a mesma cena de forma completamente diferente – Reverta uma cena ou personagem.
    – Aumente os riscos
    – Mude o que prevalece na cena
    – Use uma reviravolta para alterar o fim da cena
    – Coloque os personagens em uma posição pior
  10. Peça para outro escritor escrever uma de suas cenas de uma maneira completamente diferente.
  11. Leve um personagem a um extremo para ver que outras possibilidades estão disponíveis.
  12. Pegue uma linha de diálogo ou descrição e reescreva-a de 10 maneiras diferentes ou mais.
  13. Alongue-se: Dê ao seu personagem um problema insolúvel e depois resolva-o.
  14. Escolha uma cena de um filme que você goste e escreva-a. Depois de a ter concluído, leia o roteiro do escritor em relação àquela cena e veja como ele ou ela a escreveu de forma diferente.
  15. Assista a um filme, parando-o no final de cada cena. Anote o que aconteceu na cena, como os personagens mudaram, quais foram os começos e fins das tomadas, e qual foi a parte mais interessante da cena.
  16. Pegue a sua melhor ideia e sobrepuje-a de alguma forma! Às vezes, isso não tem a ver com a escrita. Tem a ver com o pensamento e as descobertas e se acostumar a criar ideias novas. Force-se a sobrepujar as suas melhores ideias regularmente e, em breve, você terá as melhores ideias de Hollywood.
  17. Descubra o que um produtor ou leitor deseja em um roteiro. Isto pode mudar dramaticamente as suas chances. Pode poupá-lo de escrever algo que não tem nenhuma chance de sucesso.
  18. Faça um curso de teatro.
  19. Faça uma leitura do roteiro com atores.
  20. Rode um curta em vídeo digital. Quem já fez isso, teve a experiência de ver atores trazem seu roteiro à vida. Até você fazer isso, não pode imaginar a quantidade de orgulho e embaraço que você vai experimentar. Mas dirigir até mesmo uma cena irá mudar a forma como você escreve.
  21. Dê a si mesmo permissão de escrever a partir do seu coração, sem se conter.
  22. Decida que você vai melhorar constantemente a sua escrita até que você seja um dos melhores roteiristas que há.

Aí está você. 22 maneiras de mudar as chances de seu sucesso. Muitas dos quais nem sequer exigem que você deixe o seu computador. Se você estiver levando a escrita a sério, eu não deixaria passar um dia sem fazer pelo menos uma das opções acima.

Uma melhoria de 1% a cada dia é uma melhora de 365% durante o próximo ano. Continue fazendo isso e, mais cedo ou mais tarde, você vai estar na liga de Charlie Kaufman – fechando aqueles negócios de sete dígitos.

Banho de dinheiro

Boa escrita pra você hoje! =)

17/09/2012

TED talk – Andrew Stanton: As pistas para uma grande história

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:20
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Esta é uma palestra muito divertida e elucidativa feita pelo ator, roteirista e diretor Andrew Stanton, ganhador de 2 Oscars de melhor filme (por Procurando Nemo e Wall-E). Está com legendas em português:

Uma verdadeira aula de roteiro!

P.S.: Para assistir direto no site do TED, clique neste link: http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/andrew_stanton_the_clues_to_a_great_story.html

Filmes chegam à internet antes de aos cinemas, e sem pirataria

Filed under: Sem categoria — valeriaolivetti @ 10:01

Olá, pessoal! Eu gostaria de compartilhar o link dessa matéria escrita por Michelle Kung e publicada no site do The Wall Street Journal Brasil, sobre as soluções que Hollywood está encontrando para se adaptar aos novos tempos: http://online.wsj.com/article/SB10000872396390444812704577607813045725228.html

Dá pra ver como a internet ainda é um terreno mal explorado com potencial de gerar muito mais dinheiro para o cinema. Vale a leitura.

Escrevendo Para 3-D

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:00
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Este texto, de autoria do roteirista John August e tirado do site dele, complementa o último post:

cinema 3d(1)

Quanto mais de nossos grandes filmes de verão vão para o 3-D, Steve Zeitchick se pergunta como isso afeta a escrita de roteiros:

Mas mesmo no momento em que Hollywood fica louca pela terceira dimensão, muitos diretores e escritores estão questionando a debandada. Enquanto eles expressam um entusiasmo geral pelo formato, dizem que os executivos nem sempre captam todas as complexidades de acrescentar essa dimensão extra. Conforme a tempestade 3-D continua a se acumular, eles assinalam que o 3-D vai afetar muito mais do que o fato de um espectador pegar um par de óculos: Ele vai mudar quais filmes são feitos, e até mesmo a própria natureza da narrativa cinematográfica.

Eu acho que isso é exagero.

A curto prazo, sim, a corrida para o 3-D pode afetar os tipos de filmes que conseguem o sinal verde. Mas a "natureza da narrativa cinematográfica" subjacente não tende a mudar muito, mesmo em face de enormes inovações técnicas. Cor e widescreen foram ambas imensas mudanças, mas o seu impacto sobre as histórias e sobre os roteiristas foram muito pequenas. (Sincronização de som foi, obviamente, um negócio muito importante, já que permitiu os personagens a falar.)

Atualmente, eu estou escrevendo um filme que é projetado para ser em preto-e-branco e 3-D. Lendo o roteiro, você nunca saberia. Algumas vezes, eu tive que me lembrar de não descrever coisas em vermelho. Mas além de uma brincadeira no início, eu nunca precisei admitir o 3-D – assim como eu nunca menciono o carrinho dolly ou o filtro colorido na descrição de cena.

Para os roteiristas, o 3-D é algo que pode surgir em uma apresentação de venda, mas terá muito pouco impacto sobre a palavra escrita.

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Boa escrita pra você hoje! =)

03/09/2012

A Popularidade do 3-D Está Afetando o Modo Como os Roteiros São Escritos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo tirado do site do jornal Los Angeles Times é o primeiro de alguns que postarei sobre o assunto. A autoria deste texto é de Steven Zeitchik, e ele foi publicado originalmente em 25/abril/2010:

cinema-3d(1)

Alguns cineastas temem que a tecnologia acabará por ditar quais filmes receberão sinal verde

Quando Matt Pitts, um escritor de Fringe e um ex-assistente de J.J. Abrams, recentemente começou a tentar vender o seu primeiro roteiro de filme para os estúdios de cinema, ele sabia que tinha uma ideia comercializável em suas mãos. O título de seu roteiro, afinal de contas, era "Cruzeiro Zumbi de Feriado de Primavera" e o seu enredo seguia, bem, isso mesmo.

Mas a perspectiva de criaturas comedoras de carne humana perseguindo belos corpos jovens não era o gancho principal de seu roteiro. O elemento a chamar a atenção de um magnata do estúdio? Um plano de filmar o projeto em 3-D. "Na minha mente, isso apenas acrescentou aquela dose extra de diversão", diz Pitts.

Quer se trate de jovens escritores tentando vender o seu primeiro filme, ou de cineastas já estabelecidos tentando fazer o seu 10º, não há jogada mais esperta hoje em dia do que empacotar o seu projeto como um filme em 3-D. Os estúdios de cinema, ainda mais do que nas duas eras de 3-D anteriores, ficaram loucos pelo formato, que nos últimos meses impulsionou significativamente as suas arrecadações de bilheteria. Se você acha que já foi inundado pelo 3-D com Avatar (que foi filmado em 3-D) e Fúria de Titãs (que foi convertido mais tarde), prepare-se para um dilúvio completo: quase todos os filmes de férias de grande orçamento do próximo ano serão em 3-D, assim como futuros filmes tão diversos como O Espetacular Homem-Aranha, a comédia de ação de Taylor Lautner, Stretch Armstrong, e a adaptação de Martin Scorsese do livro infantil A Invenção de Hugo Cabret.

Mas mesmo no momento em que Hollywood fica louca pela terceira dimensão, muitos diretores e escritores estão questionando a debandada. Enquanto eles expressam um entusiasmo geral pelo formato, dizem que os executivos nem sempre captam todas as complexidades de acrescentar essa dimensão extra. Conforme a tempestade 3-D continua a se acumular, eles assinalam que o 3-D vai afetar muito mais do que o fato de um espectador pegar um par de óculos: Ele vai mudar quais filmes são feitos, e até mesmo a própria natureza da narrativa cinematográfica.

"Você constrói sequências de maneira diferente quando sabe que as coisas têm de saltar e pular em você", diz Kieran Mulroney, que, com sua esposa Michele, está escrevendo a sequência de Sherlock Holmes, que tem sido assunto de várias conversas sobre 3-D no estúdio da Warner Bros. "Eu temo que, se todo filme se tornar um espetáculo pelo espetáculo, onde fica a conversa íntima sobre a mesa do jantar?"

Alguns cineastas de alto perfil têm estado notoriamente preocupados com a conversão, que pega as imagens que foram rodadas em 2-D e as transforma em 3-D. Quando a New Line iniciou várias conversas sobre converter A Hora do Pesadelo em 3-D, "nós repelimos", diz o diretor Samuel Bayer. "Este foi filmado em 2-D e concebido para ser mostrado em 2-D". Ele acrescentou: "Assim como eu não quero ver um monte de grandes filmes sendo refeitos," – aludindo à outra moda de Hollywood – "eu não quero ver um monte deles em 3-D".

Michael Bay, cuja companhia produziu A Hora do Pesadelo, também tem estado hesitante em relação ao processo de conversão, expressando ceticismo quanto a usá-lo em seu próximo filme dos Transformers. "Os bons filmes em 3-D serão aqueles que são construídos dessa maneira, em primeiro lugar", diz o parceiro de produção de Bay, Brad Fuller. (Em um roteiro de uma potencial sequência de Sexta-Feira 13, por exemplo, uma cena de matança foi escrita envolvendo um corpo em uma tirolesa, porque a ideia de um corpo deslizando em velocidade total em direção ao público foi considerada particularmente eficaz em 3-D.)

Mas as preocupações vão além da conversão. Há muita coisa que é tecnicamente complicada em relação a filmar em 3-D, incluindo o tamanho desajeitado das câmeras, o que pode tornar a filmagem em pequenos espaços difícil. Esse é o tipo de aspecto que os diretores – mesmo aqueles rodando em 3-D – se preocupam de que os estúdios não estejam compreendendo. "Uma boa parte da comunidade cinematográfica está subestimando o quão difícil isso é", diz Neil Marshall, diretor do aclamado sucesso de terror de 2005, Abismo do Medo, que agora está dirigindo o seu primeiro filme em 3-D, Burst, que será produzido por Sam Raimi e pela Lionsgate. "Isso não é simplesmente um chamariz que você pode lançar para vender mais algumas entradas."

Mesmo se isso puder ser levado a cabo, o pessoal de criação sabe que o público vai ver o seu trabalho de forma diferente. Assistir a um longa em 3-D é experimentar um filme em um tom mais alto, com objetos e pessoas voando para fora da tela. Mesmo entre os gêneros que se prestam a 3-D, como o terror, os cineastas se preocupam com os sub-gêneros que são mais resistentes ao 3-D, como uma história de fantasmas sutil. Em uma era enlouquecida pelo 3-D, eles temem que esses filmes vão ser feitos de forma errada, ou nem ser feitos.

"O 3-D continua a indicar a eliminação dos criativamente medianos", diz Justin Marks, o escritor do antigo projeto de 20.000 Léguas Submarinas da Disney e do filme de ação da Sony, Shadow of the Colossus. "Se você não tiver um carro-chefe de ação que possa ser pensado de uma maneira concebível em 3-D, é melhor você fazer pequenos filmes independentes, porque os estúdios não vão estar tão interessados".

Enquanto isso, até mesmo os filmes adequados à imersão em 3-D podem acabar agredindo os espectadores, em vez de os envolverem prazerosamente. "Eu sou um pouco desconfiado do que está por vir", diz Marcus Dunstan, que, com o parceiro Patrick Melton, escreveu o últimos três filmes da franquia de Jogos Mortais e está escrevendo o próximo – que, é claro, será em 3-D. "Ver alguém levar um soco no olho repetidamente vai ser nauseante em 3-D." (E quando um criador de Jogos Mortais está preocupado com náuseas, você sabe que isso pode realmente virar o seu estômago.)

Dunstan, que trabalhou em um dos primeiros filmes modernos em 3-D, a refilmagem de 2009 do Dia dos Namorados Macabro, também está preocupado que uma série de filmes inferiores sejam feitos simplesmente porque eles podem acomodar algumas tomadas em 3-D. "Quando Pulp Fiction saiu, de repente nós vimos todos aqueles filmes com narrativas fragmentadas. Vimos pálidas imitações. E eu temo que veremos isso com o 3-D."

Dunstan e outros permanecem, em geral, entusiasmados com as novas possibilidades que o 3-D abre. Pelo menos, eles estão dispostos a dar-lhe uma chance – poucos cineastas hoje em dia vão fazer cerimônia se um estúdio estiver preparado para dar o sinal verde para seu filme. Como Mark diz, "o 3-D pode gerar entusiasmo por um projeto ao qual, de outra maneira, os estúdios poderiam não prestar muita atenção."

É, claro, compreensível que os estúdios estejam obcecados com o 3-D. Como as telas de televisão ficam maiores e os lançamentos dos estúdios chegam ao DVD e ao vídeo sob demanda mais cedo, os executivos acreditam que seja imperativo manter a experiência nas salas das cinema um passo à frente (mesmo enquanto o arrasa-quarteirão em 3-D, Avatar, pretende elevar a experiência de se assistir em casa, com o lançamento de seu Blu-Ray na última quinta-feira). Eles são atraídos pela ideia de um filme que coloca o espectador praticamente dentro da tela.

E criar oportunidades para a imersão está rapidamente se tornando uma segunda natureza para alguns roteiristas. "Assim como um escritor de sitcom tenta ter três gargalhadas por página, eu tentei ter um momento em 3-D a cada 8 a 10 páginas", diz Pitts sobre o seu método para escrever o filme Spring Break.

Esses momentos em 3-D podem ser ainda mais complicados de se obter em outros gêneros, mas isto não impediu alguns de comtemplar isso. Pelo menos um grande estúdio disse privadamente que consideraria fazer uma comédia romântica em 3-D. Isso representa uma espécie de desagradável dimensionalidade que preocupa particularmente alguns diretores, que dizem que filmes de muitos gêneros são melhor assistidos a uma certa distância. "Eu não quero assistir Preciosa em 3-D", diz o diretor Marshall. "Esse é um filme que já é difícil o suficiente de assistir em 2-D."

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Boa escrita pra você hoje! =)

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