Dicas de Roteiro

13/05/2012

Primeiras Impressões: O Título

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A pedidos, hoje teremos este texto de autoria da roteirista Alexis Niki e tirado do site Screenplay Lifetips:

LifeTips 101 Screenwriting Tips

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Muitos roteiristas ficam preguiçosos quando se trata de intitular seus roteiros. O argumento é sempre o mesmo: “Por que se incomodar? O estúdio vai mudar de qualquer jeito.”

Posso pensar em pelo menos três boas razões:

Orgulho: O título é a primeira amostra que alguém vê de sua escrita. Se ele é chato, o que isso diz sobre você como escritor? E o que vai motivar o leitor a escolher o seu roteiro na pilha? (Se você precisa de uma imagem para se convencer, vá para http://photos.oscars.org/listanevent.php?events=50 para ver Greg Beal, diretor do Nicholl Fellowship, cercado por mais de 6.000 roteiros enviados.)

Marketing: Um ótimo título torna o seu filme mais fácil de vender. O título vai de mãos dadas com a sua logline. A logline estabelece a apresentação de venda, o título oferece o gancho. Digamos que você esteja apresentando o roteiro de um filme sobre um grande tubarão branco atacando pessoas em um resort de verão. Feche com “ele se chama Tubarão” [Jaws – “maxilas”, em inglês], e você pintou um filme inteiro na imaginação do produtor – e aumentou as suas chances de fazer uma venda.

Disciplina de Escritor: Criar um título fantástico significa esclarecer a sua ideia. Ele ajuda você a ver o filme, tanto quanto ele ajuda o produtor. Se você começar a se dispersar durante a escrita ou na apresentação de venda, um único olhar para o título pode ajudá-lo a voltar aos trilhos.

Segundo o produtor Hal Croasmun, existem três tipos de títulos que funcionam.

• O mesmo título do livro best-seller no qual o filme se baseia. Isso funciona mesmo para os títulos que são confusos ou sem inspiração, porque eles já têm um público embutido (Cold Mountain, Vestígios do Dia, O Poderoso Chefão).
• Títulos intrigantes que sugerem algo escondido debaixo da superfície (Proposta Indecente, Traídos Pelo Desejo, Um Estranho no Ninho).
• Títulos que imediatamente captam a história, o ambiente, o personagem principal, etc. Estes títulos dão a essência do filme. Você não está lutando uma batalha difícil tentando explicar a história (Legalmente Loira, As Patricinhas de Beverly Hills, Até o Limite da Honra).

“Evite títulos excessivamente longos, títulos onde você tem que assistir o filme para entendê-los, ou títulos que são confusos ou fazem você pensar que é um gênero diferente”, aconselha Croasmun.

Há muitas maneiras de fazer brainstorm de ótimos títulos. Aqui estão algumas dicas de Croasmun:

• Use combinações de palavras contraditórias, como em De Volta para o Futuro ou Bad Santa [Papai Noel às Avessas].
• Dê-nos o estado interno do personagem principal, como em Endiabrado ou Os Imperdoáveis.
• Dê-nos a localização-chave, como em Moulin Rouge, Força Aérea Um.
• Use um clichê da história, como em Mens@gem para Você, ou uma guinada em um clichê, como em Assassinos Por Natureza.

Lembre-se, o título é a primeira impressão que um leitor tem de sua escrita. Certifique-se de que ele brilha!

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Ótimos títulos para suas obras! =)

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04/05/2012

Como a Tecnologia Arruinou a Comédia Romântica

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo foi escrito pelo consultor de roteiros Danny Manus, e tirado do site Movie Outline:

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Lembra-se dos bons velhos tempos quando, a fim de encontrar a alma gêmea perdida, um personagem tinha que vasculhar a terra numa grandiosa viagem romântica, sem nada além de um fio de cabelo, um desenho a carvão e uma lembrança de infância? Agora, eles podem simplesmente usar o Facebook. Leva 30 segundos, e a história acabou.

As mídias sociais e a tecnologia atual arruinaram completamente as comédias românticas e tornaram muito mais difícil criar uma história original e convincente de duas pessoas aleatórias se encontrando. Porque NÃO há mais tal coisa como o acaso. Não há tal coisa como “cortejar.” As pessoas nem sequer mais namoram – elas só “ficam”, e, eventualmente, decidem que estão juntas. Então você precisa perguntar a si mesmo – os seus personagens ainda estão vivendo na década de 1950?

Mesmo se você esbarrasse em uma total estranha na rua e tivesse aquele momento de “amor à primeira vista”, você iria para casa e a procuraria no Google, checaria a página dela no Facebook, seu MySpace, seu perfil no Linked In, seu blog, e sua conta no Twitter (que vem com localização por GPS e contra recibo, para que você possa saber exatamente onde ela esteve e o que ela comprou), e você saberia tudo o que poderia querer saber em 5 minutos. Meio que tira a diversão de uma boa e velha perseguição, não é?

Algumas das maiores comédias românticas são baseadas em um dos seguintes problemas ou planos de ação:

  • Encontrar um amor perdido ou amor de infância
  • Enviar uma mensagem para a pessoa que você ama antes que seja tarde demais
  • Relacionar-se com os amigos ou a família da pessoa que você ama
  • Superar a distância
  • Tentar separar um casal, pois eles não pertencem um ao outro
  • Conseguir a atenção de alguém que não sabe que você está vivo
  • Descobrir algo sobre a pessoa com quem você deseja estar, para que ele(a) ache que vocês têm algo em comum
  • Provar que você não está mentindo ou traindo alguém
  • Ter que rastrear alguém
  • Melhores amigos que perdem contato e então encontram-se novamente mais tarde na vida.

Estas costumavam ser ideias sobre as quais você poderia escrever 100 páginas. Agora, qualquer um destes problemas seria solucionável em questão de minutos. Uma boa história de amor ainda pode transcender o tempo, mas hoje em dia, se os seus personagens não têm nem mesmo telefones celulares, o quão verdadeiros para a vida real eles poderiam ser? Hoje em dia, Harry provavelmente teria encontrado Sally no Match.com e aquela cena do orgasmo na lanchonete teria sido o Billy Crystal assistindo a um vídeo de Meg em seu iPhone. Steve Martin não teria tido que sentar-se nos arbustos e sussurrar palavras para outro homem a fim de conquistar Roxane – ele poderia ter apenas mandado uma mensagem para ela do telefone do outro cara. E John Cusack não estaria em pé do lado de fora da casa de Ione Skye com um aparelho de som portátil sobre sua cabeça – ele teria apenas jogado o seu iPod pela janela aberta dela, e gritado: “Faixa 4!”

Sintonia de Amor funcionou porque era sobre aquelas duas pessoas em lados diferentes do país, que se encontraram em um programa de rádio. Mas, agora, 15 anos depois… quem mais ouve rádio, exceto doidos de direita, fãs de Howard Stern e meninas de 12 anos de idade?

E os relacionamentos à longa distância são certamente muito mais fáceis hoje em dia do que era há 10 anos. O recente lançamento Amor à Distância, que é sobre tentar fazer um relacionamento de longa distância funcionar, tem uma hilariante cena de sexo por telefone, mas nós já não ultrapassamos isso? Existem webcams embutidas em todos os computadores. Existe o Skype e o sexting [N.T.: Envio de mensagens eróticas e fotos através de torpedos], e sites concebidos para pessoas que querem trair. Em um mundo onde jovens de 14 anos estão tendo mais relações sexuais do que os seus pais, um em cada dois relacionamentos terminam em divórcio, e um em cada quatro relacionamentos são iniciados online, comédias românticas que não envolvam tecnologia, sobre a linda garota virgem de 25 anos ou sobre o amor verdadeiro, simplesmente não soam mais verdadeiras.

Isto certamente não significa que o amor verdadeiro – ou as comédias românticas – está morto. Significa apenas que você precisa ser mais criativo em seus ganchos e premissas, e estar consciente dos perigos de esquecer da tecnologia. Agora, talvez, se você estiver escrevendo Simplesmente Complicado e seus personagens principais estiverem em seus 50 anos de idade ou mais, não tem de focar tanto na tecnologia. Mas se você estiver escrevendo um romance adolescente, e os jovens nunca mandarem torpedos entre si – o quão verdadeiro é isso para a juventude de hoje?

Comédias românticas sempre tiveram um elemento de fantasia em si. Elas são as situações de sonho perfeitas. Elas seguem uma equação simples – Circunstância mais mágica, mais incríveis boas aparências, menos obstáculos é igual a felizes para sempre. E os espectadores vão mesmo ao cinema para escapar das realidades de suas próprias vidas, mas eles precisam ser capazes de se relacionar com o mundo que você criou. Comédias românticas tem que ser baseadas em algum tipo de realidade, e se nenhum de seus personagens usar um computador, isso simplesmente não é a realidade. Então, tenha sempre em mente o período de tempo para o qual você está escrevendo, e tudo o que ele engloba.

E quando se tratar de amor, mantenha o coração aberto e um disco rígido vazio.

NO BO livro acima é do autor deste artigo. Clicando na capa você poderá comprá-lo em e-book ou livro físico (encadernação espiral).

Boa escrita de comédia romântica pra todos! =D S2

03/05/2012

1, 2, 7, 14

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Oi, galera! Me perdoem pelo sumiço. Hoje, eu volto com esse texto bacana do nosso querido Scott Myers, e tirado do site dele, Go Into The Story (GITS):

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Eu sou um cara mais de palavras do que de matemática, mas essa ideia numérica que eu propus em 2011 é uma das coisas mais populares que já postei no GITS. É uma fórmula simples para fazer três coisas – Leia roteiros. Assista Filmes. Escreva Páginas. – que você precisa fazer para ampliar e aprofundar a sua compreensão do ofício de escrever roteiros.

4 números para você lembrar:

1, 2, 7, 14.

1: Leia 1 roteiro por semana.

Escolha seus filmes favoritos. Ou faça um estudo de gênero de vários roteiros em sequência, de um único gênero. Tente roteiros de gêneros que você particularmente não gosta, para experimentar tom e atmosfera diferentes. Mas, toda semana, leia pelo menos um roteiro de filme de longa-metragem.

2: Assista 2 filmes por semana.

Vá ao cinema e assista a um filme por puro entretenimento. Passe um tempo com uma aglomeração de gente de verdade, para lembrá-lo de seu público-alvo. Então, procure algo na Netflix ou coloque um DVD, e assista um filme a fim de estudá-lo. Observe os seus principais pontos de virada. Melhor ainda, faça uma análise cena por cena. Talvez um filme novo, um filme clássico. Mas a cada semana, assista a pelo menos 2 filmes de longa-metragem.

7: Escreva 7 páginas por semana.

Isso é uma página por dia. Você pode demorar dez minutos, pode levar uma hora, mas independentemente do tempo que levar, crie uma página por dia, de modo que a cada semana, você produza 7 páginas de roteiro.

14: Trabalhe 14 horas por semana preparando uma história.

É assim que você vai aprender a fina arte de empilhar projetos. Enquanto você está escrevendo uma história, está preparando outra. Pesquise. Faça brainstorm. Desenvolvimento do personagem. Escreva o enredo. Acorde cedo. Faça uma pausa prolongada para o almoço. Pegue algumas horas após o jantar. Fique acordado até tarde. O que for preciso, arranje duas horas por dia para preparar a história. Crie um arquivo no Word. Ou use um caderno de espiral. Coloque tudo o que você criar nesse arquivo. Você ficará espantado com quanto conteúdo você vai gerar em um mês. A maioria dos roteiristas profissionais equilibra vários projetos ao mesmo tempo. Eis como você pode começar a aprender esse conjunto de habilidades: Escrevendo um projeto, preparando outro. Duas horas por dia, de modo que a cada semana, você dedique 14 horas para a preparação.

1, 2, 7, 14.

Essas são metas simples e claras. Metas diárias, metas semanais.

Se você fizer isso, eis o que você terá feito no prazo de um ano:

Você terá lido 52 roteiros.

Você terá visto 104 filmes.

Você terá escrito 2 roteiros de longa-metragem.

Espalhe isso ao longo de 5 anos: 260 roteiros, 520 filmes, 10 roteiros originais.

Isso significa que você poderia ter lido cada um dos melhores 101 Roteiros votados pelo WGA, além de 159 mais.

Isso significa que você poderia ter visto cada um dos 250 Melhores Filmes do IMDB, além de 270 mais.

Isso significa que você poderia ter escrito o número exato de roteiros originais que Lawrence Kasdan (Corpos Ardentes, O Guarda-Costas, O Reencontro, Grand Canyon) escreveu antes de ter vendido o seu primeiro.

Tudo definindo estas metas simples: 1, 2, 7, 14.

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Boa escrita e (leitura!) pra você hoje! =)

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