Dicas de Roteiro

03/04/2012

Sendo um Roteirista de Animação – Como Escrever Roteiros de Filmes de Animação

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto de hoje é de autoria do roteirista Pinaki Ghosh, e foi tirado do site The Screenplay Writers:

captain india poster

A boa notícia é que nós do TheScreenplayWriters.com já escrevemos vários filmes de animação, como “Captain India”, e alguns outros que estão em produção. De alguma forma, espalhou-se a notícia de que temos roteiristas especializados em animação.

Mas o quão diferente é a escrita de roteiros de animação da escrita habitual de roteiros de filmes com atores em carne e osso? Vamos verificar.

1. Primeiro, se você está escrevendo o roteiro de um filme de animação – em outras palavras, se você é um roteirista de animação – idealmente você deve ser alguém que cresceu lendo histórias em quadrinhos e graphic novels. Escritores que têm vasto conhecimento de histórias em quadrinhos e graphic novels serão melhores roteiristas de animação do que os que nunca realmente gostaram de ler histórias em quadrinhos e graphic novels.

2. O formato do roteiro de animação é o de costume. Exatamente igual ao dos filmes com atores em carne e osso. Você pode escrevê-lo usando o Microsoft Word, o Open Office Word, o Final Draft ou o Movie Magic Screenwriter, no formato habitual de roteiro.

3. Mantenha os diálogos curtos e interessantes. Idealmente, frases simples. Diálogos longos e chatos são geralmente raros em roteiros de animação. Tenha isso em mente, como roteirista de animação.

4. Entretanto, mantenha as suas descrições de ação vívidas. Esta é uma forma onde os roteiros de animação são diferentes dos roteiros normais. Os artistas de animação devem ser capazes de compreender as ações e retratá-las exatamente. Como tal, o roteirista de animação deve prestar atenção em descrever claramente cada ação. Você não pode se dar ao luxo de abreviar isso aqui, visto que a sua visão pode não alcançar os artistas de animação se a sua descrição de ação for demasiada breve.

5. Mantenha um ritmo acelerado. Duas cabeças falantes que abrangem 7 minutos em uma única locação não é o que os espectadores de animação estão preparados para assistir. Como roteirista de animação, fique mudando as cenas com frequência, e evite a estagnação.

6. Evite a aglomeração de personagens em uma cena, a menos que você seja especificamente instruído a fazê-lo. Tente manter dois ou três personagens na maioria das cenas. Apenas algumas cenas devem ter um grande número de personagens. É difícil e caro construir uma cena com um grande número de personagens animados.

7. É uma boa ideia assistir a vários bons filmes de animação por uma semana antes de começar a escrever o seu roteiro de animação. Não para pegar ideias, mas para sintonizar a sua mente. Dizem que o que escrevemos constitui-se de 10% de experiência e 90% de inspiração. Boas obras nos inspiram. Esta semana vai ser um bom investimento para aumentar a sua inspiração.

rio-movie-poster

Nós ainda teremos mais artigos sobre roteiros de animação. Aguardem!

Boa escrita pra você hoje! =)

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5 Comentários

  1. Gostei muito desse post Valéria. Valeu a pena aguardar para ler. O seu blog continua sendo o mais completo e o melhor sobre roteiro que eu já encontrei pela net. Em breve iniciarei meu curso de Produção Audiovisual e terei aula de roteiro. Adoro!

    Tenha a certeza de que estou acompanhando suas atualizações. Quando possível, deixo o meu recadinho.

    Beijos!

    Comentário por Marília — 03/04/2012 @ 21:03

    • Oi, Marília!

      Peço mil perdões pela demora, era para eu ter publicado esses textos mês retrasado, mas eu tenho andado totalmente sem tempo, dormindo cinco horas (ou menos) por dia, numa roda-viva braba. Mas eu fico feliz que você tenha gostado, ainda vou traduzir mais sobre esse assunto, pode demorar um tantinho, mas sai! Rsrs! :mrgreen:

      Que legal esse curso de Produção Audiovisual, tomara que ele seja do tipo que ensina fazendo o aluno botar a mão na massa, preparando a pessoa para o mercado de trabalho, e não como outros que têm por aí (como dá pra ver, eu não sou muito fã daqueles cursos cujos professores só ficam fazendo análises críticas de filmes, de uma forma totalmente subjetiva, sem levar a lugar algum – bem, talvez isso seja bom para quem quer se tornar crítico de cinema, mas acredito não seja o nosso caso).

      Obrigada por sua companhia, querida, eu fico muito feliz que você esteja sempre acompanhando o blog (e gostando dele! 😉 ), vou tentar organizar melhor o meu tempo para poder voltar a postar com mais frequência.

      Um beijo grande e ótimo feriado pra você!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 05/04/2012 @ 11:34

  2. Mais um ótimo texto.

    Acho a animação um gênero (Ou estaria mais para uma técnica?) fascinante, mas por mais que eu goste das produções da Pixar e da Dreamworks, sinto falta daquele modelo clássico de animação, desenhado mesmo, como foram os maiores clássicos da Disney, os primeiros filmes da Dreamworks e que tem sido deixado de lado cada vez mais nos últimos anos, com raros ensaios de retomada como o ótimo Irmão Urso e aquele A Princesa e o Sapo, porém sem muito sucesso. Fora do circuito Hollywoodiano você ainda encontra as do Miyazaki (?), por exemplo, que fez A Viagem de Chihiro.

    Só bateu uma duvida aqui (Creio que funcione da mesma maneira que para um musical, por exemplo), como você escreve aquelas cenas em que há números musicas, como nas animações clássicas da Disney? Você descreve toda a coreografia ou só “Eles dançam”, precisa ter uma composição já definida ou apenas descreve “Eles cantam sobre…”?

    Abraços, obrigado!

    Comentário por André — 04/04/2012 @ 00:56

    • Oi, André!

      Eu também gosto muito dos desenhos tradicionais, e sou especialmente apaixonada pelos filmes dos Estúdio Ghibli, Viagem de Chihiro inclusive. Você deu um excelente exemplo de como ainda é possível fazer filmes de animação desenhados à mão e com uma qualidade soberba.

      Quanto à sua dúvida, eu escrevi sobre isso em um dos meus primeiros posts do blog (desculpe a escrita ruinzinha, vejo que melhorei um tantinho com o passar dos anos), eis o link: https://dicasderoteiro.com/2010/01/17/musica-nos-roteiros/

      A dança em si você deve deixar para o coreógrafo, mas assim como as lutas, é possível o roteirista dizer o que ele quer passar na cena. Veja esse post sobre lutas, ele pode te inspirar a escrever uma cena de dança diferente: https://dicasderoteiro.com/2012/02/13/escrevendo-cenas-de-luta/

      Um abraço grande, André, e um ótimo feriado pra você!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 05/04/2012 @ 12:11

      • Obrigado (Um pouco atrasado) pelos textos, ambos esclareceram minhas duvidas.

        Comentário por André — 11/04/2012 @ 17:04


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