Dicas de Roteiro

20/04/2012

Escreva o Seu Roteiro Em Dez Minutos Por Dia

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo, do site Writers Store, é de autoria da escritora, conferencista, consultora e professora de roteiro, Pilar Alessandra. Eu gosto muito do livro dela (para comprá-lo online, clique na capa abaixo). Ele é uma tábua de salvação para quem anda com pouco tempo de sobra. Essa autora também tem uma série bacana de podcasts (em inglês). Você pode baixá-los gratuitamente, basta procurar por On The Page – Screenwriting na seção de podcasts do iTunes.

The Coffee Break Screenwriter

Eu sei que você está ocupado. Confie em mim, eu estou com você. Você tem trabalho, escola, crianças, diga você. A família conta com você, os amigos precisam de você – alguém provavelmente está mandando um e-mail, um torpedo ou uma mensagem instantânea para você agora mesmo!

Então, como diabos você vai encontrar tempo para escrever? Bem, olhe para o seu smartphone ou computador. Você já encontrou.

Seja honesto. Quantas vezes por dia você furtivamente coloca um post no Facebook, envia um pensamento brilhante através do Twitter ou entretém um amigo distante com um texto? Toda vez que você faz isso, você está escrevendo.

Você está contando uma anedota; descrevendo uma pessoa que conheceu, se envolvendo numa conversa. Em outras palavras, você está se concentrando em história, personagem, e diálogo o dia todo.

Então, você poderia também fazer isso para o seu roteiro.

Experimente. Aplique esses mesmos momentos roubados de tempo para o seu roteiro. Em vez de contar à sua amiga o que aconteceu naquele dia (na verdade, ela pode esperar), rapidamente faça a sinopse de sua ideia de filme. Em vez de mandar torpedos fofocando sobre aquela pessoa que você encontrou num elevador, crie um trecho de direção de cena que possa descrever essa pessoa conforme ela entra em uma cena do filme. Em vez de se envolver num bate-papo virtual encantador, escreva um "encontro encantador" entre dois personagens.

De repente, seus momentos roubados de tempo estão produtivamente movendo você em direção a um roteiro.

Acha que não pode ser feito? Vamos testar. Veja o quão rapidamente você pode de fato fazer o esboço do filme ao optar por se concentrar em um único elemento a cada 10 minutos de pausa.

  1. Dedique 10 minutos a contar uma história simples com uma grande ideia. Descreva-a em um parágrafo ou dois, como se estivesse contando a um amigo sobre um ótimo filme. Essa é a sua sinopse.
  2. Dedique 10 minutos a dividir essa história em quatro seções. Dê a cada seção um título. Esses são os seus atos.
  3. Dedique 10 minutos por ato a fazer o brainstorm dos principais eventos que acontecem em cada seção. Essas são as suas sequências, ou "beats".
  4. Dedique 10 minutos por sequência a fazer o brainstorm de detalhes legais, momentos de personagens, e ações menores. Essas são as suas cenas.

Parabéns. Esboço terminado.

Isto não quer dizer que você precisa cortar todo o seu tempo de Facebook, Twitter e torpedos. Mas veja o quão rápido você acabou de progredir no seu esboço quando a rede social de repente se transformou em escrita de roteiro.

Todavia, continue, sim, mandando mensagens – porque na verdade você está ensinando a si mesmo a escrever. Sim, você leu corretamente. Todas essas mensagens de texto e tuítes nos ensinaram a nos concentrar em nossas histórias e a editar.

Você escolhe suas palavras com cuidado e bem quando "tuíta" uma piada usando apenas 140 caracteres. Você aprendeu como criar urgência ou induzir um sorriso com apenas algumas palavras bem escolhidas enviadas num texto rápido. Você edita os seus e-mails para se certificar de que não está deixando de mencionar um ponto importante.

Todas essas habilidades são as mesmas que um escritor usa para afiar a cena e consertar o diálogo. Então, por que não tentar uma reescrita no seu roteiro com a mesma atenção aos detalhes?

  1. Dedique 10 minutos a aprimorar o ponto principal de uma cena escrita. Então rapidamente corte fora o excesso que ameaça enterrá-la.
  2. Dedique 10 minutos a encontrar novas palavras para as suas frases de ação; palavras que tenham impacto suficiente para resumir a ação e a emoção daquele momento.
  3. Dedique 10 minutos a transformar um monólogo excessivamente escrito numa frase perfeita.

Há uma discussão de que toda a nossa rede social está nos emburrecendo como sociedade. Eu digo que ela criou uma geração de escritores. Nós nos comunicamos através da palavra escrita mais do que jamais fizemos antes. Agora, nós só temos de usar essas habilidades para a nossa arte.

Hoje, quando aquela vontade de embromar no seu trabalho surgir, vá em frente e use aqueles dez minutos – mas não entre no Facebook; concentre-se no seu roteiro.

Imagine a sua atualização de status depois que você vendê-lo!

pilar-alessandra_creator

Boa escrita para você hoje! =)

10/04/2012

As 8 Dicas de Kurt Vonnegut de Como Escrever Um Bom Conto

Filed under: Livro — valeriaolivetti @ 08:00
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Eu peguei esta lista no site do jornal The Atlantic.

 

1. Use o tempo de um completo desconhecido de tal forma que ele não vai sentir que o tempo foi desperdiçado.

2. Dê ao leitor pelo menos um personagem pelo qual ele possa torcer.

3. Todo personagem deveria querer alguma coisa, mesmo que seja apenas um copo de água.

4. Toda frase deve fazer uma de duas coisas – revelar o personagem ou avançar a ação.

5. Comece o mais próximo do final quanto possível.

6. Seja um sádico. Não importa o quão doces e inocentes [sejam] os seus personagens principais, faça com que coisas terríveis lhes aconteçam – a fim de que o leitor possa ver do que eles são feitos.

7. Escreva para agradar apenas uma pessoa. Se você abrir uma janela e fizer amor com o mundo, por assim dizer, a sua história vai pegar pneumonia.

8. Dê aos seus leitores tanta informação quanto possível, o mais rapidamente possível. Para o inferno com o suspense. Os leitores deveriam ter uma compreensão tão completa do que está acontecendo, onde e por quê, que eles poderiam terminar a história por si mesmos, se acontecesse de baratas comerem as últimas páginas.

Máquina de escrever e caneca

Boa escrita pra você hoje! =)

09/04/2012

Os Infundáveis

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 20:38
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Eu recebi um e-mail de um dos criadores do projeto O Que Tem Pra Hoje, de esquetes de humor, com a dica deste curta, que eu achei muito legal e bem produzido.

Citando-o: “São esquetes de curta duração, produzidas profissionalmente, lançadas uma vez por semana no youtube. O projeto é novo e foi lançado na internet na semana passada; temos 4 esquetes no ar, outras tantas já prontas, e mais algumas em pré-produção. Os Infundáveis, é sobre dois roteiristas tentando vender o projeto de uma série para televisão brasileira (http://www.youtube.com/watch?v=CNP7bEO656M). É possível assistí-la também em nosso site próprio: www.oquetemprahoje.tv.

Eis o vídeo:

 

Divertido e aterrorizante ao mesmo tempo, não é? Principalmente por ser muito perto da realidade. Se bobear, super fiel à realidade. ={

Vale a pena assistir os outros curtas, também bem caprichados e divertidos. =)

03/04/2012

Sendo um Roteirista de Animação – Como Escrever Roteiros de Filmes de Animação

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto de hoje é de autoria do roteirista Pinaki Ghosh, e foi tirado do site The Screenplay Writers:

captain india poster

A boa notícia é que nós do TheScreenplayWriters.com já escrevemos vários filmes de animação, como “Captain India”, e alguns outros que estão em produção. De alguma forma, espalhou-se a notícia de que temos roteiristas especializados em animação.

Mas o quão diferente é a escrita de roteiros de animação da escrita habitual de roteiros de filmes com atores em carne e osso? Vamos verificar.

1. Primeiro, se você está escrevendo o roteiro de um filme de animação – em outras palavras, se você é um roteirista de animação – idealmente você deve ser alguém que cresceu lendo histórias em quadrinhos e graphic novels. Escritores que têm vasto conhecimento de histórias em quadrinhos e graphic novels serão melhores roteiristas de animação do que os que nunca realmente gostaram de ler histórias em quadrinhos e graphic novels.

2. O formato do roteiro de animação é o de costume. Exatamente igual ao dos filmes com atores em carne e osso. Você pode escrevê-lo usando o Microsoft Word, o Open Office Word, o Final Draft ou o Movie Magic Screenwriter, no formato habitual de roteiro.

3. Mantenha os diálogos curtos e interessantes. Idealmente, frases simples. Diálogos longos e chatos são geralmente raros em roteiros de animação. Tenha isso em mente, como roteirista de animação.

4. Entretanto, mantenha as suas descrições de ação vívidas. Esta é uma forma onde os roteiros de animação são diferentes dos roteiros normais. Os artistas de animação devem ser capazes de compreender as ações e retratá-las exatamente. Como tal, o roteirista de animação deve prestar atenção em descrever claramente cada ação. Você não pode se dar ao luxo de abreviar isso aqui, visto que a sua visão pode não alcançar os artistas de animação se a sua descrição de ação for demasiada breve.

5. Mantenha um ritmo acelerado. Duas cabeças falantes que abrangem 7 minutos em uma única locação não é o que os espectadores de animação estão preparados para assistir. Como roteirista de animação, fique mudando as cenas com frequência, e evite a estagnação.

6. Evite a aglomeração de personagens em uma cena, a menos que você seja especificamente instruído a fazê-lo. Tente manter dois ou três personagens na maioria das cenas. Apenas algumas cenas devem ter um grande número de personagens. É difícil e caro construir uma cena com um grande número de personagens animados.

7. É uma boa ideia assistir a vários bons filmes de animação por uma semana antes de começar a escrever o seu roteiro de animação. Não para pegar ideias, mas para sintonizar a sua mente. Dizem que o que escrevemos constitui-se de 10% de experiência e 90% de inspiração. Boas obras nos inspiram. Esta semana vai ser um bom investimento para aumentar a sua inspiração.

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Nós ainda teremos mais artigos sobre roteiros de animação. Aguardem!

Boa escrita pra você hoje! =)

02/04/2012

Técnicas Cinematográficas de Alfred Hitchcock – Parte 5

Filed under: Direção,Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Esta é a antepenúltima parte desta série escrita pelo cineasta Jeffrey Michael Bays, e tirada de seu site, Borgus.com:

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A LISTA DEFINITIVA DOS MCGUFFINS DE HITCHCOCK

"A principal coisa que aprendi ao longo dos anos é que o MacGuffin não é nada. Eu estou convencido disso, mas acho muito difícil prová-lo para os outros." – Alfred Hitchcock

Borgus.com O diretor de cinema Alfred Hitchcock cunhou o termo "MacGuffin" ao discutir as técnicas de suspense em seus filmes. Abaixo, estamos compilando uma lista definitiva de MacGuffins dos filmes de Hitchcock. Nós lhes convidamos a enviar suas sugestões.

Definição: A definição de MacGuffin pode ser resumida a uma coisa – nada. Hitchcock, ao longo dos anos, descreveu o MacGuffin como um dispositivo da trama, ou truque, sobre o qual pendurar a tensão em um filme, "o elemento chave de qualquer história de suspense" (Gottlieb). Como Hitchcock atraía o público a um grau tão elevado de simpatia pelos personagens através de meios cinematográficos, a razão por trás de seu apuro tornava-se irrelevante para o espectador. Algo ruim está acontecendo com eles, e não importa o quê. A única razão para o MacGuffin existir é servir como um motivo fundamental para o suspense ocorrer.

O MacGuffin é como um curinga que pode ser inserido para representar qualquer coisa. Poderia ser algo tão vago como os "segredos do governo", em Intriga Internacional (1959), ou os longos e detalhados projetos de armas do Sr. Memória, em Os 39 Degraus (1935). Ou pode ser algo simples como o cão bloqueando a escada, em Pacto Sinistro (1951). Ninguém liga para o cão. Ele só está lá por uma razão – suspense. Poderia ter sido facilmente uma pessoa, um alarme, um papagaio falante, ou um MacGuffin!

A Lista Definitiva de MacGuffins : (sugestões por e-mail [em inglês] para info@borgus.com)

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Chantagem e Confissão (1929): As luvas de mulher encontradas na cena do crime.

Os 39 Degraus (1935): O Sr. Memória o memorizou, os planos para um motor de avião.

Jovem e Inocente (1937): O cinto de sobretudo (Condon-Sangster 1999).

A Dama Oculta (1938): A mensagem codificada contida em um trecho de música (Tim Durks 2010), memorizada pela Srta. Froy.

Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940): O personagem da primeira Sra. De Winter – Rebecca (Tim Durks 2010).

Correspondente Estrangeiro (1940): A Cláusula 27 de um tratado de paz (Condon-Sangster 1999).

Sabotador (1942): A manga segurando Fry no lugar, enquanto pendurado.

A Sombra de uma Dúvida (1942): 1 – O jornal. 2 – O anel.

Quando Fala o Coração (1945): 1 – A nota enfiada debaixo da porta, para Ingrid Bergman. 2 – As linhas assombrando Gregory Peck, a partir da pista de esqui.

Interlúdio (1946): O material radioativo (urânio bruto) encontrado em garrafas de vinho vintage (Tim Durks 2010).

Festim Diabólico (1948): 1 – A corda usada para estrangular. 2 – O chapéu errado pego por James Stewart.

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Pacto Sinistro (1951): 1 – O cão bloqueando a escada na casa de Bruno. 2 – O isqueiro implicando Farley Granger.

Disque M Para Matar (1954): A chave reserva do apartamento.

A Tortura do Silêncio (1953): As informações procuradas pela polícia (Condon-Sangster 1999).

Janela Indiscreta (1954): O suspeitado "assassinato" cometido pelo inquilino do apartamento, Lars Thorwald (Tim Durks 2010).

O Homem Que Sabia Demais (1956): 1 – Os címbalos batendo no momento do assassinato. 2 – A canção "Que Sera, Sera", cantada por Doris Day.

O Terceiro Tiro (1956): A causa da morte de Harry.

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One More Mile to Go [“Mais Uma Milha Restante”] (Episódio de TV de 1957): A luz traseira do carro, que não funciona direito.

Um Corpo Que Cai (1958): O colar.

Intriga Internacional (1959): 1 – Os segredos do governo em microfilme. 2 – A identidade falsa de George Caplan.

Psicose (1960): 1 – Os 40 mil dólares em dinheiro num envelope (Condon-Sangster 1999). 2 – O telefonema de Arbogast feito de uma cabine telefônica.

Os Pássaros (1963): A razão pela qual as aves atacaram (Condon-Sangster 1999).

Marnie, Confissões de uma Ladra (1964): A cor vermelha.

Cortina Rasgada (1966): 1 – O livro. 2 – O símbolo Pi. 3 – Cinco segredos Gamma.

Trama Macabra (1976): Os diamantes.

Karen Black e o diamante em Trama Macabra

Boa escrita pra você hoje!

01/04/2012

Definição de McGuffin e Set-Piece

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:01
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Este texto serve como nota de rodapé de nosso post anterior. Ele foi escrito pelo roteirista John August, e tirado de seu site:

Enquanto estava arrumando o Glossário ontem, eu adicionei duas novas definições solicitadas:

McGUFFIN

Frequentemente associado a Hitchcock, o PageWise tem uma boa definição: Um dispositivo ou elemento da trama que chama a atenção do espectador, ou dirige a trama. Em geral, é algo com que todo personagem está preocupado. O McGuffin é, essencialmente, algo em torno do qual a história toda é construída e, ainda assim, não tem nenhuma relevância real. Ou seja, é sobre o que o filme diz que se trata, mesmo que ele realmente não seja. No primeiro As Panteras, o McGuffin era um programa de identificação de voz roubado; no segundo, era uma Lista Federal de Proteção de Testemunhas. Em ambos os casos, a verdadeira motivação do vilão era a ganância e a vingança. Nas primeiras versões de As Panteras Detonando, as panteras tinham que recuperar um frasco brilhante rotulado de "Indústrias McGuffin".

SET-PIECE

Uma cena ou sequência com riscos que se intensificam e gastos de produção apropriados para o gênero. Por exemplo, em um filme de ação, uma set-piece pode ser uma perseguição de helicóptero em meio a arranha-céus. Em um musical, uma set-piece pode ser um número de dança sobre patins. Em uma comédia high-concept, uma set-piece pode encontrar o herói claustrofóbico dentro de um ônibus cada vez mais lotado, até que ele não consegue aguentar mais. Feitas corretamente, set-pieces são momentos que você lembra semanas depois de ver um filme.

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Boa escrita para você hoje! B-)

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