Dicas de Roteiro

07/03/2012

Explorando o Lado Sombrio: A Jornada do Anti-Herói

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:40
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O artigo de hoje, do site Writers Store, foi escrito pelo autor James Bonnet:

james-bonnet

Você, sem dúvida, já ouviu falar dA Jornada do Herói. Neste artigo, nós vamos explorar a jornada menos conhecida do ANTI-herói e o inexplorado lado sombrio da passagem – o lugar onde as forças das trevas vivem e planejam seus esquemas nefastos. Na vida real, é gente como Hitler, Jack, o Estripador e Saddam Hussein, que personificam estas forças das trevas. Nas histórias, são grandes vilões como Voldemort, Hannibal Lecter, Darth Vader e Satanás, que encarnam o lado sombrio.

Harrison Ford, como Indiana Jones, Jodie Foster, em O Silêncio dos Inocentes, e Sigourney Weaver, em Alien, são heróis. Suas ações são motivadas e influenciadas por uma natureza superior. Macbeth, Scarlett O’Hara, e Michael Douglas, em Wall Street, são anti-heróis. Suas ações são motivadas por uma natureza inferior, primordial.

A natureza superior liga o herói às energias criativas que procuram superar os estados negativos e alcançar os estados superiores de ser. Isso inspira-o a aproveitar o dia, a ser criativo e virtuoso, corajoso e justo. É uma fonte de grande poder, e motiva o herói a fazer sacrifícios e realizar grandes coisas.

A natureza inferior liga o anti-herói ao lado físico e animal de sua natureza. É um eu mundano, que busca as coisas terrenas. Escondidas na matriz de suas energias sedutoras estão a libido e o id – a fonte de nossos mais básicos instintos, apetites e impulsos, aqueles que controlam a fome, o sexo e a agressividade. Eles competem com a natureza superior pela influência sobre o herói e o anti-herói, e eles são os principais opositores a toda mudança positiva.

A marca dos heróis é o sacrifício pessoal. Eles personificam o lado positivo e altruísta do ego, e suas jornadas revelam o lado positivo da passagem. O modus operandi dos anti-heróis é o ato anti-social. Eles personificam o lado negativo e egoísta do ego, o lado que deu à palavra ‘ego’ um mau nome, e suas jornadas revelam o lado sombrio ou inferior do ciclo.

Vilões tornam-se anti-heróis quando a história é sobre eles; quando nós vemos o processo que eles passam para tornarem-se vilões. Essa é a única diferença. Ambos são motivados pelos mesmos impulsos mais baixos da personalidade. Darth Vader é um vilão na parte IV de Guerra Nas Estrelas, mas, sem dúvida, será o personagem central e um anti-herói na Parte III, quando ele está sendo atraído para o lado negro.

No lado positivo da passagem, o herói resiste à tentação e sobe a escada.

No lado negativo, o anti-herói cede à tentação e desce a escada.

Enquanto o herói representa aquela parte de nós que reconhece os problemas e aceita a responsabilidade, o anti-herói é o desejo de poder e a ganância insaciável, o lado materialista, faminto de poder e tirânico de nossa natureza; o lado que quer possuir tudo o que deseja, sem limites, e controlar tudo o que necessita. Na vida real, este é o Hitler, o Stalin e o Mao Tsé-Tung. Nas histórias, é o Pequeno César, o Michael Corleone, e o Commodus de Gladiador.

Os estágios do lado positivo da passagem são: separação, iniciação, integração e renascimento. As ações dos heróis em histórias como A Lista de Schindler, Armageddon, Coração Valente, O Fugitivo e Mulan ajudam a iluminar estes passos.

Os estágios do lado negativo são: fixação, regressão, alienação e morte. Os anti-heróis de histórias como "Édipo", "Fausto", Drácula, …E o Vento Levou, Cidadão Kane e, mais recentemente, Jurassic Park, Onze Homens e Um Segredo, e A Cartada Final ajudam a delinear este lado do caminho.

Histórias focadas no lado positivo focam-se no caráter do herói e giram em torno de fazer o herói entrar ou retornar para a luta. Essas histórias são sobre a transformação do caráter do herói, e mostram o herói sendo trazido de volta a um quadro heroico da mente, e retornando à luta.

Histórias focadas no lado negativo focam-se na corrupção, em vez de na reabilitação de algum anti-herói. Otelo, Macbeth, Corpos Ardentes, Atração Fatal e O Poderoso Chefão estão todos focados no lado negativo. O "Paraíso Perdido", de John Milton, é todo sobre os esforços de Satanás para corromper Adão e Eva. ‘Macbeth’, que começa no lado positivo após a batalha culminante, está focado no lado negativo e é todo sobre a corrupção e a culpa de Macbeth. ‘Otelo’ está focado no ciúme e é todo sobre a destruição do Mouro por seu servo, Iago.

O objetivo do herói é libertar uma entidade como uma família, um país ou uma galáxia da tirania e da corrupção que causaram um estado de infelicidade, e criar uma nova, unificada e restaurada. O objetivo do anti-herói é tomar posse de uma entidade e redirecioná-la em direção a objetivos que satisfaçam seus próprios desejos e necessidades, que é acumular, controlar e desfrutar de tudo o que precisa para satisfazer seus desejos insaciáveis ​​por objetos dos sentidos, segurança, riqueza e território. Em termos modernos, estamos falando de dinheiro, sexo e poder. Psicologicamente, estes são os apetites e desejos do eu inferior tomando posse do eu consciente, e redirecionando seus objetivos.

Depois do herói completar o lado positivo da passagem, ele pode, como Adão e Eva, Rei Davi ou o Robert DeNiro em Touro Indomável, ser transformado em um novo anti-herói, e ser atraído para o lado negativo. Quando isto acontece, novas forças das trevas são despertas, e o progresso do herói é invertido. E onde havia iniciação, agora existe regressão; onde havia integração, agora existe alienação; onde havia força, agora existe fraqueza; onde havia amor, agora existe luxúria; onde havia unidade, agora existe polaridade; onde havia um super-herói, agora existe um tirano; e onde a humanidade do herói estava sendo despertada, a humanidade do anti-herói está sendo desligada. Sua generosidade tornou-se ganância descontrolada; sua compaixão tornou-se ódio e aversão. Onde havia celebrações, agora existem orgias; e onde havia um paraíso, agora há um inferno.

Às vezes, os ciclos são contínuos. Na saga de ‘Guerra Nas Estrelas’, Darth Vader começa do lado positivo como um Jedi, um jovem herói alinhado com a Força, mas depois ele deserta para o Lado Negro, torna-se um anti-herói e ajuda a acarretar o estado de tirania. Mais tarde, com o alvorecer de um novo lado positivo, um novo herói, Luke Skywalker, guiado pela Força, surge para se opor a ele. Estes ciclos alternantes de mudança-de-sorte são os motores que impulsionam todo este processo.

Você pode dizer de que lado do ciclo o seu personagem principal está através de quem está iniciando a ação. No lado negativo, o mal é agressivo e o bem está na defensiva. No lado positivo, é o contrário – o bem é agressivo e o mal está na defensiva. Histórias que terminam no lado positivo, terminam felizes. Histórias que terminam no lado negativo, invariavelmente terminam tragicamente. O falecimento do anti-herói com muita frequência está ligado às suas paixões exageradas e descontroladas. A miséria que o anti-herói cria finalmente torna-se insuportável, e ele tem de ser destruído. Um novo herói, com uma visão, tem que assumir a causa e persegui-la.

Na verdade, nós temos uma grande dívida com os vilões e anti-heróis fictícios. Eles criam os problemas que os heróis têm de resolver e que cria a necessidade de uma história que revela o funcionamento interno do lado sombrio de nós mesmos. Sem Darth Vader e o Imperador do Mal, não haveria Império do Mal, e não haveria a necessidade de salvar a galáxia. Sem Hannibal Lecter e Buffalo Bill, não haveria nenhum problema para a Clarice e o FBI resolverem. E sem esses problemas, não haveria revelações concernentes à luta básica entre o bem e o mal, e nada a relatar na história. Sem as ações destas forças negativas, haveria muito poucas histórias para contar, e as forças que motivaram Hitler e Jack, o Estripador, permaneceriam eternamente um mistério para nós. Lidar com o lado sombrio da história nos ajuda a lidar com o lado sombrio de nós mesmos.

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Uma ótima escrita pra você hoje! ^.^

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06/03/2012

Vagas De Emprego Na Indústria Audiovisual, TV, Cinema E Vídeo – Tela Brasileira

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:16
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Olá, novamente! Eu recebi a indicação deste site de uma colega nossa, e nem eu ou ela sabemos se ele é confiável, mas vale a pena dar uma olhada:

telabrasileira-logo

http://www.telabrasileira.com.br/

Boa escrita para todos hoje! =)

04/03/2012

O Vilão

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:00
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Atendendo a um pedido de um colega nosso por informações sobre anti-heróis, publicaremos alguns artigos sobre o assunto. O texto de hoje foi escrito por Melanie Anne Phillips (criadora do software StoryWeaver e co-criadora do Dramatica) e publicado originalmente no site Storymind:

Coringa

Um vilão é a antítese dramática de um herói, e, portanto, tem os quatro seguintes atributos:

  • Ele é o Antagonista
  • Ele é o Personagem de Influência
  • Ele é o segundo em destaque em relação ao Personagem Central
  • Ele é um Cara Mau

Pelas nossas definições para este livro: O Antagonista é o Principal Obstáculo na trama – o principal obstáculo para a realização do objetivo geral da história.

O Personagem de Influência é o personagem mais persuasivo – o que assume a posição de advogado do diabo em relação à questão pessoal ou moral sobre a qual a história parece ser.

O Segundo Personagem Mais Proeminente é o que se destaca mais fortemente entre os jogadores, excetuando o herói.

O Cara Mau é o porta-estandarte da imoralidade – o personagem cuja intenção é fazer a coisa errada.

Juntando tudo, então, um vilão tenta impedir que a meta seja alcançada, representa o contraponto à posição do público na história, é o segundo personagem mais proeminente, e procura fazer a coisa errada. Agora podemos ver que quando criamos um herói que era um cara mau e outro que era um antagonista, estávamos na verdade tomando emprestado atributos do vilão. Da mesma forma, o vilão pode pegar emprestado atributos do herói. Por exemplo, podemos moldar um personagem com os quatro seguintes atributos:

  • Antagonista
  • Personagem de Impacto
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Bom

Tal personagem poderia ser um amigo de um anti-herói (um herói que é um Cara Mau), tentando impedi-lo de cometer um erro terrível. Imagine que o anti-herói esteja tentando alcançar um objetivo, represente a posição do público, seja o mais proeminente, mas tenha más intenções. O Cara Bom variação de vilão teria boas intenções e, portanto, tentaria frustrar o plano maligno do anti-herói (antagonista), mudar sua mente (personagem de impacto) e seria o segundo jogador mais destacado depois do anti-herói.

Outra variação do vilão típico poderia ser:

  • Protagonista
  • Personagem de Influência
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Mau

Na verdade, é esta combinação que é utilizada com mais frequência em histórias de ação/aventura. Esse personagem põe as coisas em movimento ao instigar um plano maligno (protagonista/cara mau), tenta atrair o "herói" para o lado do mal (personagem de influência), mas é o segundo em relação ao "herói" somente em destaque.

Como podemos ver, trocar atributos entre o herói e o vilão abre um mundo de oportunidades para a criação de personagens mais interessantes e menos típicos. Mas estas não são as únicas maneiras de trocar atributos. Por exemplo, só porque o herói é um Cara Bom, não significa que o vilão tem que ser um Cara Mau.

Suponha que temos os dois seguintes personagens:

Herói Típico:

  • Protagonista
  • Personagem Principal
  • Personagem Central
  • Cara Bom

Vilão Atípico:

  • Antagonista
  • Personagem de Impacto
  • Segundo Mais Proeminente
  • Cara Bom

Aqui nós temos uma história sobre duas pessoas, uma tentando realizar alguma coisa, a outra tentando impedir isso. Uma representando a posição do público na história, a outra sendo a mais influente, com um argumento de mensagem de oposição. Uma é a mais proeminente; a outra, a segunda no interesse do público, mas ambas acreditam que estão fazendo a coisa certa.

Estes dois personagens estão dramaticamente em oposição. Eles estão em conflito, tanto externa, quanto internamente. Mas cada um é levado a fazer o que ele acredita que seja certo. Então, quem está certo? Bem, na verdade, é sobre isso que uma história construída em torno desses personagens seria!

Na verdade, a mensagem do autor se centraria em convencer o público de que um desses personagens estaria equivocado e o outro, devidamente fundamentado. Uma história assim forneceria uma excelente oportunidade para explorar uma questão moral que não cai facilmente na clareza do preto e branco. Seria uma boa chance de passar a impressão de ser profundo, sério e provocante – e tudo pelo simples fato de ter dois Caras Bons competindo.

A esta altura, deve estar bastante claro que se você tem escrito apenas com heróis e vilões, você não tem feito nada de errado, mas esteve limitando as suas possibilidades criativas. E, no entanto, nós mal começamos a explorar as maneiras pelas quais os personagens podem trocar os atributos para criar mais variedade e interesse.

Vilão

Boa escrita pra você hoje! =)

03/03/2012

A Estrutura de História de Dan Harmon – Parte 6

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:00
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Oi, pessoal! Esta é a parte final desta série com a fórmula de escrita criada pelo roteirista Dan Harmon, e publicada originalmente no site Channel 101 Wiki:

Nota: Uma parte deste texto já havia sido publicada no post Estrutura de História – Por Dan Harmon.

Eu terminei o meu último "tutorial" dizendo que, a seguir, nós começaríamos a examinar alguns dos vídeos do Channel 101. Mas se passou tanto tempo desde então, que eu pensei em recomeçar primeiro com uma revisão total – com ênfase no limite de tempo de 5 minutos.

Quando eu falo de "estrutura da história", estou falando de algo muito científico, como a "geometria". A sua história poderia ter uma estrutura "perfeita", na medida em que ela toca em todos os pontos de ressonância almejados pela mente do público, mas isso não irá torná-la uma obra de entretenimento perfeita. Exemplo:

Era uma vez, um homem com sede sentado em um sofá. Ele se levantou do sofá, foi até a cozinha, procurou em sua geladeira, encontrou um refrigerante, bebeu-o, e retornou ao seu sofá, a sede saciada.

Essa foi uma "estrutura de história perfeita". Por outro lado, a história foi uma droga.

Aqui está um exemplo inverso:

Era uma vez, um carro que explodiu. Um Seal da Marinha americana matou um lobisomem. Duas lindas mulheres nuas fizeram sexo uma com a outra, e então um robô atirou na lua com um laser energizado por Jesus. O mundo tornou-se superpovoado por zumbis. Fim.

Um monte de coisas criativas e excitantes acontecendo, mas muito pouca estrutura. Novamente, búu, mas a cena lésbica me deixou com tesão.

O que você quer? Você quer ambos. Você quer ser legal, mas você vai ser mais legal se a estrutura estiver lá. Coisas legais sem estrutura nenhuma são como aquela cena perfeita que você gravou quando esqueceu a tampa na lente. "Acho que você tinha que estar lá." Mostre-me um exército de zumbis, e eu poderia dizer: "zumbis legais", mas eu não vou "estar lá".

Você também quer ter a certeza de que tudo está bem iluminado, e que o áudio está claro, e que a edição está bem-cronometrada, e seria ótimo se você tivesse atores fantásticos, e um maquiador, e um milhão de outros ingredientes. Mas nós não estamos falando de maquiagem agora, ou iluminação, atuação, edição, ou como ter ideias legais. Nós estamos nos focando em um aspecto muito particular de um vídeo: Sua estrutura, a geometria de sua história. Um pouco, ajuda um pouco; muita, ajuda MUITO; não ter nenhuma, pode lhe prejudicar.

Sobre o Channel 101, a coisa que torna muito fácil analisar a estrutura em ação é: O limite de tempo de cinco minutos. Isso são 300 segundos, 75 segundos por quarto de história, 37,5 por etapa. E quais são essas etapas? Turma?

1 – Você
2 – Necessidade
3 – Ir
4 – Procurar
5 – Encontrar
6 – Pegar
7 – Retornar
8 – Mudar

Como eu já disse, a maneira mais fácil de visualizar estes passos é desenhar um círculo, dividindo-o em 4 partes iguais, e escrevendo os números em torno dele no sentido horário, com (1) e (5) nos "polos" norte e sul do círculo, (3) e (7) nos polos leste e oeste.

1. "Você" – quem somos nós? Um esquilo? O sol? Um glóbulo vermelho? Os Estados Unidos? Até o final dos primeiros 37 segundos, nós realmente gostaríamos de saber.

2. "Necessidade" – algo está errado, o mundo está fora de equilíbrio. Esta é a razão pela qual a história vai acontecer. O "você" do (1) é um alcoólatra. Há um corpo morto no chão. Uma gangue de motoqueiros roda pela cidade. Frases de Campbell: Chamado à Aventura, Recusa do Chamado, Ajuda Sobrenatural.

3. "Ir" – Pelo (1) e o (2), o "você" estava em uma determinada situação, e agora essa situação muda. Um andarilho entra na floresta. Pearl Harbor foi bombardeada. Um chefe da máfia entra na terapia. Frase de Campbell: Travessia do Umbral. Frase de Syd Field: Ponto de Virada 1.

4. "Procurar" – adaptar, experimentar, juntar as coisas, ser analisado. Um detetive interroga suspeitos. Um cowboy reúne seu grupo. Uma cheerleader leva um nerd às compras. Frases de Campbell: Barriga da Baleia, Estrada de Provas. Frase de Christopher Vogler: Amigos, Inimigos e Aliados.

5. "Encontrar" – fosse esse o objetivo direto e consciente, ou não, a "necessidade" do (2) está cumprida. Encontramos a princesa. O suspeito dá a localização do laboratório de metanfetamina. O nerd conquista a popularidade. Frase de Campbell: Encontro com a Deusa. Frase de Syd Field: ponto central. Frase de Vogler: Aproximação da Caverna Oculta.

6. "Pegar" – A parte mais difícil (tanto para os personagens quanto para quem tenta descrevê-la). Por um lado, o preço da viagem. O tubarão come o barco. Jesus é crucificado. O bom homem velho tem um derrame. Por outro lado, um objetivo alcançado que nós nunca sequer sabíamos que tínhamos. O tubarão agora tem um tanque de oxigênio em sua boca. Jesus está morto – ah, eu entendi, a carne não importa. O bom homem velho teve um derrame, mas antes de morrer, ele queria que você ficasse com esta fivela de cinto. Agora vá ganhar aquele rodeio. Frases de Campbell: Sintonia com o Pai, Morte e Ressurreição, Apoteose. Frase de Syd Field: ponto de virada 2.

7. "Retornar" – Isso não é uma jornada se você nunca mais voltar. A perseguição de carros. O grande resgate. Voltar para casa, para a sua namorada, com uma rosa. Pular do telhado enquanto o arranha-céu explode. Frases de Campbell: Voo Mágico, Resgate de Dentro, Travessia do Limiar.

8. "Mudar" – O "você" do (1) está no comando de sua situação novamente, mas agora tornou-se alguém que muda situações. A vida nunca mais será a mesma. A Estrela da Morte foi explodida. O casal está apaixonado. O Cinto do Tempo do Dr. Bloom está pronto. Lorraine Bracco entra na selva com Sean Connery para "encontrar algumas daquelas formigas". Frases de Campbell: Senhor de Dois Mundos, Liberdade para Viver.

 

NOVAMENTE, DITO DE OUTRA FORMA: Se supormos que você vai usar os seus 5 minutos inteiros, então você tem 1 minuto e 15 segundos para estes 3 passos:

– Fazer o público se identificar com alguém ou alguma coisa – Dar àquele alguém ou algo algum tipo de necessidade – e começar a mudar as circunstâncias.

Você tem então outro 1:15 minuto para:

– Fazer aquele alguém ou algo lidar com as novas circunstâncias – e encontrar a coisa que era necessária.

Você tem mais 1:15 minuto para:

– Fazer aquele alguém ou algo pagar o preço da descoberta – e começar a voltar para as circunstâncias originais.

E 1:15 minuto final para:

– Mostrar como aquelas circunstâncias originais mudaram, como resultado.

Em TV (incluindo o Channel 101), aquele último quarto é um bom momento para deixar bem claro para o público que você tem uma série em mente. Mais pode acontecer. Como um "transformador de situação", o seu protagonista estará em mais jornadas (episódios), criando uma série viável ou "franquia".

Você quer dar uma louca? Pense em cada uma das 8 etapas como composta por 8 subetapas microcósmicas. Porque o ato de:

(1) Estabelecer um protagonista

poderia ser feito mostrando um cara em um sofá durante 4 segundos, mostrando um close de seu rosto parecendo sedento por 4 segundos, e assim por diante, até você ter gasto 37,5 segundos contando a "história do cara que bebeu um refrigerante". Então você poderia continuar até

(2) Estabelecer uma necessidade

Contando a história de 37,5 segundos do "cara cujo refrigerante acabou por conter veneno":

  • (2,1) O cara [você]
  • (2,2) Faz uma careta [necessidade]
  • (2,3) Começa a examinar a lata de refrigerante [ir]
  • (2,4) Corre o dedo sobre os ingredientes [procurar]
  • (2,5) Descobre "veneno" nos ingredientes [encontrar]
  • (2,6) Sufoca [pegar]
  • (2,7) Cai [retornar]
  • (2,8) Morto [mudar]

Isso tudo está no contexto da etapa 2, mas circulando através de um mini-círculo. Daí você poderia contar a história de 37,5 segundos dele indo para o céu, seguida da história dele procurando por toda parte por Deus, a história dele encontrando Deus, a história de Deus dizendo que ele só pode voltar para a Terra se concordar em ser um cão etc.

Eu não estou recomendando que você se sente aí com uma bússola e uma calculadora, dividindo a sua história até o ponto onde cada fala de diálogo de 4 segundos consista de 8 sílabas e conte a história de uma frase, mas isso é possível, e às vezes "ir lá" pode ajudá-lo a tomar decisões ou se desbloquear.

Por outro lado, você também pode simplesmente fazer isso de um modo mais casual. E se você tiver que gastar uns 11 segundos extras fazendo com que o público ame o seu personagem principal, ao preço de algum tempo das outras seções da história? Então, e se, no mundo de hoje, nós realmente não precisamos gastar uma quantidade proporcional de tempo dizendo "felizes para sempre", à custa de menos caratê? Ninguém vai notar. Um círculo desenhado à mão com confiança, vagamente em forma de ovo, pode ser circular o suficiente.

Você não vai ganhar nenhum prêmio por ser o Phillip Glass da estrutura de história, especialmente se ela começar a comprometer a sua criatividade. Siga a sua felicidade. Se você souber o que fazer, faça. Isso se chama criatividade. Se você não souber o que fazer, DAÍ ouça um cara como eu dizendo o que você TEM que fazer.

Ok, essa é a revisão do meu modelo de história. E aqui estão algumas dúvidas que ele às vezes levanta:

 

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES:

Pergunta: Porque as histórias têm de seguir essa estrutura?

Resposta: Não é que as histórias têm de seguir essa estrutura, é que, sem alguma semelhança com esta estrutura, ela não é reconhecida como uma história.

Eu aprendi sobre "iconografia" ao trabalhar com Rob Schrab por vários anos. Em desenhos animados, você tem que desenhar uma certa combinação de linhas antes do público reconhecer universalmente o que você desenhou.

Se eu desenhar um cilindro, posso dizer que é uma banana, mas não posso fazer você pensar em "banana" por conta própria, a menos que eu o faça amarelo, afunile as extremidades e lhe dê alguma curvatura. Para ampliar ainda mais esta metáfora: Às vezes as bananas são verdes na vida real. Se eu fizer um cilindro verde, afunilado e curvado, ele se parece com uma banana? Parece uma pimenta. Você pode bater o pé e gritar que acabou de desenhar uma banana perfeitamente boa, porque ela se parece tanto com uma banana real quanto uma amarela (cineasta estudante), mas eu estou te dizendo, cara, é a porra de uma pimenta, ATÉ você dedicar mais tempo e energia em dar-lhe OUTRAS qualidades reconhecíveis de banana – por exemplo, desenhando-a meio descascada. Ok, agora é uma banana verde. Você fundiu a minha mente.

Da mesma forma, eu estou dizendo que há 8 passos para "desenhar" uma história universalmente reconhecível. Você pode pular algumas delas? Sim. Eu faço isso o tempo todo. A "estrada de provas" de Call me Cobra é um cara sentado à uma mesa. Se eu tivesse uns 30 segundos extras, teria escrito que Steve experimenta diferentes trajes e personas, dizendo "Eu sou a Cobra" em frente a um espelho, antes de decidir por seu terno preto e ir ao seu encontro com a deusa. Mas eu pulei isso. Está implícito. O tempo era necessário em outro lugar.

 

Pergunta: Sim, mas por que um ser humano reconheceria certas coisas como histórias? Quero dizer, com uma banana, nós precisamos saber que é uma banana para que saibamos que podemos comê-la. Nós não "comemos" histórias.

Resposta: Sim, comemos, e a nossa sobrevivência como indivíduos e como comunidades depende de reconhecermos as comestíveis, nutritivas. Informação pode ser "calorias vazias", como uma lista telefônica, ou pode ser simplesmente "venenosa", como um programa de intervalo do Superbowl, um vídeo da Madonna ou imagens de um homem estourando os miolos. Os tipos certos de veneno podem te dar um barato e ajudá-lo a se divertir, mas ele está te dando um barato porque está fodendo com você, ele está te matando, e se ocasionalmente você não comer verdadeiro alimento de história – um jogo dramático de futebol onde o seu time favorito vence, uma conversa significativa com amigos de confiança, um bom livro, um bom filme, um bom programa de TV, testemunhar uma vida sendo salva na piscina pública – você vai murchar e morrer, psicologicamente, espiritualmente e socialmente falando.

 

Pergunta: Mas eu estou enjoado e cansado de histórias pré-moldadas sobre mocinhos salvando o dia contra os bandidos. Alguns dos meus filmes favoritos desafiam o seu modelo de história.

Resposta: Se for realmente o seu filme favorito, eu lhe garanto com certeza que ele está estruturado pelo menos um pouco de acordo com este modelo. Você está ouvindo "mocinhos e bandidos", mas eu não estou dizendo isso. Eu estou dizendo "protagonista descendo e retornando".

O próprio fato de que você ESTÁ cansado de filmes ordinários é a evidência de que vivemos e respiramos essa estrutura. Se você é um anarquista punk rock subversivo com um espeto atravessando o seu nariz, e odeia Shrek porque é um pedaço de merda corporativa, você está ansiando por uma descida rumo ao desconhecido. "Você" está expressando uma "necessidade" de "ir" até uma obscura revista de cinema, "procurar" por algo único, "encontrar" um sangrento filme de terror japonês, "pegá-lo", "retornar" para o seu apartamento com ele, e usá-lo para "mudar" as mentes de seus amigos sobre cinema. E eu acho que você vai descobrir que o seu festival japonês de sangue "favorito" é aquele com um protagonista reconhecível necessitando comer carne humana, indo para uma orgia, comendo todo mundo lá, estuprando uma mulher, matando os policiais e pulando pela janela, antes de dirigir noite adentro.

Schrab tem esse vídeo que nós assistimos o tempo todo: É um vídeo de orientação desenvolvido para ensinar meninas com deficiência mental sobre o seu período menstrual. A protagonista é uma garota retardada. Ela começa a fazer perguntas sobre períodos menstruais. Ela é levada para dentro de um banheiro por sua irmã mais velha, e depois de uma estrada de provas muito desconfortável, as coisas tomam um rumo para o bizarro. Eu não vou entrar em detalhes. Não só a protagonista está indo numa jornada, como o público também.

Eu fiz um grande esforço para evitar qualquer posicionamento ético em minhas observações de estrutura. Histórias não são necessariamente sobre o amor conquistando tudo, elas não são sobre alcançar o equilíbrio espiritual, não são sobre "aprender lições valiosas da vida", e não são sobre manter a ordem. Elas são sobre mudança. Subversão da ordem. Por falar nisso, Shrek não tinha uma estrutura tão boa.

Boa estrutura é a melhor arma que podemos usar na luta contra o lixo corporativo, porque a boa estrutura não custa nada, é instintiva para o indivíduo, e importante para o público. Com todo o seu dinheiro, computadores e atores famosos, a fábrica de Hollywood está constantemente sendo desafiada, e frequentemente sendo enterrada por pessoas como você, pessoas que começaram a perceber que estavam fartas da merda que estavam vendo, e escreveram uma boa história a partir do nível mais profundo de suas mentes inconscientes. Eu estou tentando mostrar-lhe como fazer a sua própria pólvora. Você pode usá-la para fazer belos fogos de artifício, ou pode usá-la para explodir um edifício cheio de bebês inocentes, isso não é comigo.

 

Pergunta: Se este negócio é instintivo, por que ele tem de ser "ensinado?"

Resposta: Porque nós não vivemos mais no mundo real. Nós não estamos em sintonia com os nossos instintos. Os bebês sabem nadar quando nascem, mas alguns adultos afundam como uma pedra até que outro adulto lhes mostre alguns movimentos.

 

Pergunta: Se você é tão incrível, por que não escreveu nada de bom?

Resposta: Isso não é sempre assim? Eu não sou um grande escritor. Sou apenas um cara que tem estado obcecado por estrutura de história pelos últimos sete anos, sem parar. Como eu disse no início, estrutura perfeita não é sinônimo de "bom programa". Isto se trata do que o público reconhece como histórias, e não de como ser um bom escritor.

 

Pergunta: Eu discordo do seu modelo, não acho que todas as histórias são obrigadas a fazer isto ou aquilo.

Resposta: Prove que estou errado. Seria um ótimo exercício. Não tenha um protagonista. Ou tenha um, mas não dê a [ele] uma necessidade. Ou tenha um protagonista com uma necessidade, cujas circunstâncias nunca mudam. Ou tenha um protagonista com uma necessidade entrando numa nova série de circunstâncias, fracassando em  se adaptar e nunca encontrando o que precisava. Ou mande-o fazer tudo, exceto retornar. A primeira lição que você vai aprender é que é muito difícil desafiar ativamente esse modelo história. Assim que você se concentrar e estiver escrevendo algo que está lhe fazendo feliz, você vai perceber com horror que acidentalmente acertou um dos passos da história exatamente no momento certo.

Hero's Journey Cycle

Boa escrita pra você hoje! =)

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