Dicas de Roteiro

03/03/2012

A Estrutura de História de Dan Harmon – Parte 6

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:00
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Oi, pessoal! Esta é a parte final desta série com a fórmula de escrita criada pelo roteirista Dan Harmon, e publicada originalmente no site Channel 101 Wiki:

Nota: Uma parte deste texto já havia sido publicada no post Estrutura de História – Por Dan Harmon.

Eu terminei o meu último "tutorial" dizendo que, a seguir, nós começaríamos a examinar alguns dos vídeos do Channel 101. Mas se passou tanto tempo desde então, que eu pensei em recomeçar primeiro com uma revisão total – com ênfase no limite de tempo de 5 minutos.

Quando eu falo de "estrutura da história", estou falando de algo muito científico, como a "geometria". A sua história poderia ter uma estrutura "perfeita", na medida em que ela toca em todos os pontos de ressonância almejados pela mente do público, mas isso não irá torná-la uma obra de entretenimento perfeita. Exemplo:

Era uma vez, um homem com sede sentado em um sofá. Ele se levantou do sofá, foi até a cozinha, procurou em sua geladeira, encontrou um refrigerante, bebeu-o, e retornou ao seu sofá, a sede saciada.

Essa foi uma "estrutura de história perfeita". Por outro lado, a história foi uma droga.

Aqui está um exemplo inverso:

Era uma vez, um carro que explodiu. Um Seal da Marinha americana matou um lobisomem. Duas lindas mulheres nuas fizeram sexo uma com a outra, e então um robô atirou na lua com um laser energizado por Jesus. O mundo tornou-se superpovoado por zumbis. Fim.

Um monte de coisas criativas e excitantes acontecendo, mas muito pouca estrutura. Novamente, búu, mas a cena lésbica me deixou com tesão.

O que você quer? Você quer ambos. Você quer ser legal, mas você vai ser mais legal se a estrutura estiver lá. Coisas legais sem estrutura nenhuma são como aquela cena perfeita que você gravou quando esqueceu a tampa na lente. "Acho que você tinha que estar lá." Mostre-me um exército de zumbis, e eu poderia dizer: "zumbis legais", mas eu não vou "estar lá".

Você também quer ter a certeza de que tudo está bem iluminado, e que o áudio está claro, e que a edição está bem-cronometrada, e seria ótimo se você tivesse atores fantásticos, e um maquiador, e um milhão de outros ingredientes. Mas nós não estamos falando de maquiagem agora, ou iluminação, atuação, edição, ou como ter ideias legais. Nós estamos nos focando em um aspecto muito particular de um vídeo: Sua estrutura, a geometria de sua história. Um pouco, ajuda um pouco; muita, ajuda MUITO; não ter nenhuma, pode lhe prejudicar.

Sobre o Channel 101, a coisa que torna muito fácil analisar a estrutura em ação é: O limite de tempo de cinco minutos. Isso são 300 segundos, 75 segundos por quarto de história, 37,5 por etapa. E quais são essas etapas? Turma?

1 – Você
2 – Necessidade
3 – Ir
4 – Procurar
5 – Encontrar
6 – Pegar
7 – Retornar
8 – Mudar

Como eu já disse, a maneira mais fácil de visualizar estes passos é desenhar um círculo, dividindo-o em 4 partes iguais, e escrevendo os números em torno dele no sentido horário, com (1) e (5) nos "polos" norte e sul do círculo, (3) e (7) nos polos leste e oeste.

1. "Você" – quem somos nós? Um esquilo? O sol? Um glóbulo vermelho? Os Estados Unidos? Até o final dos primeiros 37 segundos, nós realmente gostaríamos de saber.

2. "Necessidade" – algo está errado, o mundo está fora de equilíbrio. Esta é a razão pela qual a história vai acontecer. O "você" do (1) é um alcoólatra. Há um corpo morto no chão. Uma gangue de motoqueiros roda pela cidade. Frases de Campbell: Chamado à Aventura, Recusa do Chamado, Ajuda Sobrenatural.

3. "Ir" – Pelo (1) e o (2), o "você" estava em uma determinada situação, e agora essa situação muda. Um andarilho entra na floresta. Pearl Harbor foi bombardeada. Um chefe da máfia entra na terapia. Frase de Campbell: Travessia do Umbral. Frase de Syd Field: Ponto de Virada 1.

4. "Procurar" – adaptar, experimentar, juntar as coisas, ser analisado. Um detetive interroga suspeitos. Um cowboy reúne seu grupo. Uma cheerleader leva um nerd às compras. Frases de Campbell: Barriga da Baleia, Estrada de Provas. Frase de Christopher Vogler: Amigos, Inimigos e Aliados.

5. "Encontrar" – fosse esse o objetivo direto e consciente, ou não, a "necessidade" do (2) está cumprida. Encontramos a princesa. O suspeito dá a localização do laboratório de metanfetamina. O nerd conquista a popularidade. Frase de Campbell: Encontro com a Deusa. Frase de Syd Field: ponto central. Frase de Vogler: Aproximação da Caverna Oculta.

6. "Pegar" – A parte mais difícil (tanto para os personagens quanto para quem tenta descrevê-la). Por um lado, o preço da viagem. O tubarão come o barco. Jesus é crucificado. O bom homem velho tem um derrame. Por outro lado, um objetivo alcançado que nós nunca sequer sabíamos que tínhamos. O tubarão agora tem um tanque de oxigênio em sua boca. Jesus está morto – ah, eu entendi, a carne não importa. O bom homem velho teve um derrame, mas antes de morrer, ele queria que você ficasse com esta fivela de cinto. Agora vá ganhar aquele rodeio. Frases de Campbell: Sintonia com o Pai, Morte e Ressurreição, Apoteose. Frase de Syd Field: ponto de virada 2.

7. "Retornar" – Isso não é uma jornada se você nunca mais voltar. A perseguição de carros. O grande resgate. Voltar para casa, para a sua namorada, com uma rosa. Pular do telhado enquanto o arranha-céu explode. Frases de Campbell: Voo Mágico, Resgate de Dentro, Travessia do Limiar.

8. "Mudar" – O "você" do (1) está no comando de sua situação novamente, mas agora tornou-se alguém que muda situações. A vida nunca mais será a mesma. A Estrela da Morte foi explodida. O casal está apaixonado. O Cinto do Tempo do Dr. Bloom está pronto. Lorraine Bracco entra na selva com Sean Connery para "encontrar algumas daquelas formigas". Frases de Campbell: Senhor de Dois Mundos, Liberdade para Viver.

 

NOVAMENTE, DITO DE OUTRA FORMA: Se supormos que você vai usar os seus 5 minutos inteiros, então você tem 1 minuto e 15 segundos para estes 3 passos:

– Fazer o público se identificar com alguém ou alguma coisa – Dar àquele alguém ou algo algum tipo de necessidade – e começar a mudar as circunstâncias.

Você tem então outro 1:15 minuto para:

– Fazer aquele alguém ou algo lidar com as novas circunstâncias – e encontrar a coisa que era necessária.

Você tem mais 1:15 minuto para:

– Fazer aquele alguém ou algo pagar o preço da descoberta – e começar a voltar para as circunstâncias originais.

E 1:15 minuto final para:

– Mostrar como aquelas circunstâncias originais mudaram, como resultado.

Em TV (incluindo o Channel 101), aquele último quarto é um bom momento para deixar bem claro para o público que você tem uma série em mente. Mais pode acontecer. Como um "transformador de situação", o seu protagonista estará em mais jornadas (episódios), criando uma série viável ou "franquia".

Você quer dar uma louca? Pense em cada uma das 8 etapas como composta por 8 subetapas microcósmicas. Porque o ato de:

(1) Estabelecer um protagonista

poderia ser feito mostrando um cara em um sofá durante 4 segundos, mostrando um close de seu rosto parecendo sedento por 4 segundos, e assim por diante, até você ter gasto 37,5 segundos contando a "história do cara que bebeu um refrigerante". Então você poderia continuar até

(2) Estabelecer uma necessidade

Contando a história de 37,5 segundos do "cara cujo refrigerante acabou por conter veneno":

  • (2,1) O cara [você]
  • (2,2) Faz uma careta [necessidade]
  • (2,3) Começa a examinar a lata de refrigerante [ir]
  • (2,4) Corre o dedo sobre os ingredientes [procurar]
  • (2,5) Descobre "veneno" nos ingredientes [encontrar]
  • (2,6) Sufoca [pegar]
  • (2,7) Cai [retornar]
  • (2,8) Morto [mudar]

Isso tudo está no contexto da etapa 2, mas circulando através de um mini-círculo. Daí você poderia contar a história de 37,5 segundos dele indo para o céu, seguida da história dele procurando por toda parte por Deus, a história dele encontrando Deus, a história de Deus dizendo que ele só pode voltar para a Terra se concordar em ser um cão etc.

Eu não estou recomendando que você se sente aí com uma bússola e uma calculadora, dividindo a sua história até o ponto onde cada fala de diálogo de 4 segundos consista de 8 sílabas e conte a história de uma frase, mas isso é possível, e às vezes "ir lá" pode ajudá-lo a tomar decisões ou se desbloquear.

Por outro lado, você também pode simplesmente fazer isso de um modo mais casual. E se você tiver que gastar uns 11 segundos extras fazendo com que o público ame o seu personagem principal, ao preço de algum tempo das outras seções da história? Então, e se, no mundo de hoje, nós realmente não precisamos gastar uma quantidade proporcional de tempo dizendo "felizes para sempre", à custa de menos caratê? Ninguém vai notar. Um círculo desenhado à mão com confiança, vagamente em forma de ovo, pode ser circular o suficiente.

Você não vai ganhar nenhum prêmio por ser o Phillip Glass da estrutura de história, especialmente se ela começar a comprometer a sua criatividade. Siga a sua felicidade. Se você souber o que fazer, faça. Isso se chama criatividade. Se você não souber o que fazer, DAÍ ouça um cara como eu dizendo o que você TEM que fazer.

Ok, essa é a revisão do meu modelo de história. E aqui estão algumas dúvidas que ele às vezes levanta:

 

DÚVIDAS MAIS FREQUENTES:

Pergunta: Porque as histórias têm de seguir essa estrutura?

Resposta: Não é que as histórias têm de seguir essa estrutura, é que, sem alguma semelhança com esta estrutura, ela não é reconhecida como uma história.

Eu aprendi sobre "iconografia" ao trabalhar com Rob Schrab por vários anos. Em desenhos animados, você tem que desenhar uma certa combinação de linhas antes do público reconhecer universalmente o que você desenhou.

Se eu desenhar um cilindro, posso dizer que é uma banana, mas não posso fazer você pensar em "banana" por conta própria, a menos que eu o faça amarelo, afunile as extremidades e lhe dê alguma curvatura. Para ampliar ainda mais esta metáfora: Às vezes as bananas são verdes na vida real. Se eu fizer um cilindro verde, afunilado e curvado, ele se parece com uma banana? Parece uma pimenta. Você pode bater o pé e gritar que acabou de desenhar uma banana perfeitamente boa, porque ela se parece tanto com uma banana real quanto uma amarela (cineasta estudante), mas eu estou te dizendo, cara, é a porra de uma pimenta, ATÉ você dedicar mais tempo e energia em dar-lhe OUTRAS qualidades reconhecíveis de banana – por exemplo, desenhando-a meio descascada. Ok, agora é uma banana verde. Você fundiu a minha mente.

Da mesma forma, eu estou dizendo que há 8 passos para "desenhar" uma história universalmente reconhecível. Você pode pular algumas delas? Sim. Eu faço isso o tempo todo. A "estrada de provas" de Call me Cobra é um cara sentado à uma mesa. Se eu tivesse uns 30 segundos extras, teria escrito que Steve experimenta diferentes trajes e personas, dizendo "Eu sou a Cobra" em frente a um espelho, antes de decidir por seu terno preto e ir ao seu encontro com a deusa. Mas eu pulei isso. Está implícito. O tempo era necessário em outro lugar.

 

Pergunta: Sim, mas por que um ser humano reconheceria certas coisas como histórias? Quero dizer, com uma banana, nós precisamos saber que é uma banana para que saibamos que podemos comê-la. Nós não "comemos" histórias.

Resposta: Sim, comemos, e a nossa sobrevivência como indivíduos e como comunidades depende de reconhecermos as comestíveis, nutritivas. Informação pode ser "calorias vazias", como uma lista telefônica, ou pode ser simplesmente "venenosa", como um programa de intervalo do Superbowl, um vídeo da Madonna ou imagens de um homem estourando os miolos. Os tipos certos de veneno podem te dar um barato e ajudá-lo a se divertir, mas ele está te dando um barato porque está fodendo com você, ele está te matando, e se ocasionalmente você não comer verdadeiro alimento de história – um jogo dramático de futebol onde o seu time favorito vence, uma conversa significativa com amigos de confiança, um bom livro, um bom filme, um bom programa de TV, testemunhar uma vida sendo salva na piscina pública – você vai murchar e morrer, psicologicamente, espiritualmente e socialmente falando.

 

Pergunta: Mas eu estou enjoado e cansado de histórias pré-moldadas sobre mocinhos salvando o dia contra os bandidos. Alguns dos meus filmes favoritos desafiam o seu modelo de história.

Resposta: Se for realmente o seu filme favorito, eu lhe garanto com certeza que ele está estruturado pelo menos um pouco de acordo com este modelo. Você está ouvindo "mocinhos e bandidos", mas eu não estou dizendo isso. Eu estou dizendo "protagonista descendo e retornando".

O próprio fato de que você ESTÁ cansado de filmes ordinários é a evidência de que vivemos e respiramos essa estrutura. Se você é um anarquista punk rock subversivo com um espeto atravessando o seu nariz, e odeia Shrek porque é um pedaço de merda corporativa, você está ansiando por uma descida rumo ao desconhecido. "Você" está expressando uma "necessidade" de "ir" até uma obscura revista de cinema, "procurar" por algo único, "encontrar" um sangrento filme de terror japonês, "pegá-lo", "retornar" para o seu apartamento com ele, e usá-lo para "mudar" as mentes de seus amigos sobre cinema. E eu acho que você vai descobrir que o seu festival japonês de sangue "favorito" é aquele com um protagonista reconhecível necessitando comer carne humana, indo para uma orgia, comendo todo mundo lá, estuprando uma mulher, matando os policiais e pulando pela janela, antes de dirigir noite adentro.

Schrab tem esse vídeo que nós assistimos o tempo todo: É um vídeo de orientação desenvolvido para ensinar meninas com deficiência mental sobre o seu período menstrual. A protagonista é uma garota retardada. Ela começa a fazer perguntas sobre períodos menstruais. Ela é levada para dentro de um banheiro por sua irmã mais velha, e depois de uma estrada de provas muito desconfortável, as coisas tomam um rumo para o bizarro. Eu não vou entrar em detalhes. Não só a protagonista está indo numa jornada, como o público também.

Eu fiz um grande esforço para evitar qualquer posicionamento ético em minhas observações de estrutura. Histórias não são necessariamente sobre o amor conquistando tudo, elas não são sobre alcançar o equilíbrio espiritual, não são sobre "aprender lições valiosas da vida", e não são sobre manter a ordem. Elas são sobre mudança. Subversão da ordem. Por falar nisso, Shrek não tinha uma estrutura tão boa.

Boa estrutura é a melhor arma que podemos usar na luta contra o lixo corporativo, porque a boa estrutura não custa nada, é instintiva para o indivíduo, e importante para o público. Com todo o seu dinheiro, computadores e atores famosos, a fábrica de Hollywood está constantemente sendo desafiada, e frequentemente sendo enterrada por pessoas como você, pessoas que começaram a perceber que estavam fartas da merda que estavam vendo, e escreveram uma boa história a partir do nível mais profundo de suas mentes inconscientes. Eu estou tentando mostrar-lhe como fazer a sua própria pólvora. Você pode usá-la para fazer belos fogos de artifício, ou pode usá-la para explodir um edifício cheio de bebês inocentes, isso não é comigo.

 

Pergunta: Se este negócio é instintivo, por que ele tem de ser "ensinado?"

Resposta: Porque nós não vivemos mais no mundo real. Nós não estamos em sintonia com os nossos instintos. Os bebês sabem nadar quando nascem, mas alguns adultos afundam como uma pedra até que outro adulto lhes mostre alguns movimentos.

 

Pergunta: Se você é tão incrível, por que não escreveu nada de bom?

Resposta: Isso não é sempre assim? Eu não sou um grande escritor. Sou apenas um cara que tem estado obcecado por estrutura de história pelos últimos sete anos, sem parar. Como eu disse no início, estrutura perfeita não é sinônimo de "bom programa". Isto se trata do que o público reconhece como histórias, e não de como ser um bom escritor.

 

Pergunta: Eu discordo do seu modelo, não acho que todas as histórias são obrigadas a fazer isto ou aquilo.

Resposta: Prove que estou errado. Seria um ótimo exercício. Não tenha um protagonista. Ou tenha um, mas não dê a [ele] uma necessidade. Ou tenha um protagonista com uma necessidade, cujas circunstâncias nunca mudam. Ou tenha um protagonista com uma necessidade entrando numa nova série de circunstâncias, fracassando em  se adaptar e nunca encontrando o que precisava. Ou mande-o fazer tudo, exceto retornar. A primeira lição que você vai aprender é que é muito difícil desafiar ativamente esse modelo história. Assim que você se concentrar e estiver escrevendo algo que está lhe fazendo feliz, você vai perceber com horror que acidentalmente acertou um dos passos da história exatamente no momento certo.

Hero's Journey Cycle

Boa escrita pra você hoje! =)

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4 Comentários

  1. Oi Valeria

    Definir a estrutura de uma história de ficção parece ir na direção contrária da ideia que muitos escritores têm de uma abordagem criativa, porque associamos criatividade com total liberdade de pensamento e ausência de regras. Mas como profissional de criação publicitária, essa é uma das primeiras lições que aprendi: você precisa estabelecer certas restrições para poder encontrar soluções originais que façam sentido.

    Aqueles que renunciam esses princípios básicos porque desejam criar suas próprias estruturas, provavelmente estão mais preocupados com a originalidade da forma do que do conteúdo. A estrutura que o Dan Harmon apresenta (que não é necessariamente a única possível) permite que o escritor concentre sua energia criativa no desenvolvimento de personagens e enredos originais.

    Vários dos pontos que ele faz no texto são similares ao que o Robert Mckee fala no seminário e no livro dele, que é uma das referências mais sólidas que utilizo para criar histórias. Você conhece?

    Obrigado por compartilhar mais um texto fantástico.
    abs
    Diego

    Comentário por Diego Schutt — 04/03/2012 @ 10:53

    • Oi, Diego! =)

      É verdade, já conheci muita gente avessa a aprender técnicas de roteiro, mas isso costuma ser um tiro no pé, pois eu vi essas mesmas pessoas cometendo erros básicos (como terminar o filme num ponto qualquer do segundo ato), ou achando que estavam sendo originais em diversos aspectos, quando aquilo que estavam fazendo já havia sido feito e analisado milhares de vezes. Isso que você falou, do pessoal se preocupar mais com a originalidade da forma do que do conteúdo, eu acredito que seja uma herança do Cinema Novo, especialmente do mito existente em torno do Glauber Rocha, que fez com que muitos achassem que apenas “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” daria a eles o reconhecimento e o sucesso que almejavam. Mas nós sabemos que o buraco é beeeem mais embaixo, não é verdade?

      Essa estrutura do Dan Harmon, assim como a do Robert McKee, estão baseadas nos estudos dos mitos feitos por Joseph Campbell; muita gente se baseou nele, inclusive o Christopher Vogler, que escreveu A Jornada do Escritor.

      Eu gosto muito do livro Story do Robert McKee, e costumo sempre recomendá-lo para todos, mas infelizmente não tive a possibilidade de assistir o seminário dele quando ele veio ao Brasil. :-/

      E, para finalizar, não há de quê, Diego! Fico muito feliz que você esteja gostando dos textos! Eu tive uma semana difícil, mas agora devo voltar com tudo. Amanhã sairá mais um texto bacana.
      Um abração, e muito obrigada pela visita! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 06/03/2012 @ 13:19

  2. Os celulares e câmeras digitais ajudaram a popularizar ainda mais o mito da “câmera na mão”. E ideias na cabeça todo mundo tem. Mas ainda que elas sejam boas ideias, não são garantia de boas histórias. A estrutura que o Dan Harmon apresenta permite que se explore o potencial dramático das ideias em histórias que envolvam a audiência.

    Eu acho interessantíssimo esse estudo dos mitos. Não li o Campbell ou o Vogler ainda, mas ambos estão na minha lista. 😉

    O seminário do Mckee é muito bacana. É uma performance do conteúdo do livro. Absolutamente TUDO que ele fala no seminário está no Story. Até mesmo partes da análise que ele faz de Casablanca, cena por cena, estão no livro. Mas a experiência de ler é bem diferente da de ouvir ele ao vivo. Vale a pena.

    Você trabalha com cinema?
    abs
    Diego

    Comentário por Diego Schutt — 09/03/2012 @ 07:13

    • Oi, Diego!

      Legal a sua descrição do seminário do McKee. Confirma o que li em alguns blogs americanos. É curioso notar que algumas pessoas reclamaram do seminário ser exatamente como o livro, mas, como você disse, ouvi-lo ao vivo é diferente.

      Infelizmente eu não trabalho na área cinematográfica. AINDA. :mrgreen:

      P.S.: Adorei o seu site, vou colocá-lo nos favoritos do blog!

      Um abração, Diego!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 09/03/2012 @ 13:54


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