Dicas de Roteiro

15/02/2012

5 Razões Pelas Quais Os Programas de TV Devem Definir Uma Data Final

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este artigo escrito por Kris LoPresto, foi tirado do site The Huffington Post, onde foi publicado originalmente em 17/08/2011:

Data final

Neste fim de semana, o criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e a AMC chegaram a um acordo para manter o programa aclamado pela crítica na rede, por vezes criticamente desprezada, pelos 16 episódios finais. Definir uma data final para Breaking Bad permite que Gilligan e seus escritores elaborem a conclusão da história de Walter White exatamente como eles querem, sem a preocupação de negociações contratuais e o medo de ficar sem ideias.

Isto não é uma coisa nova. Na Grã-Bretanha, muitos programas têm uma ou duas temporadas (veja: The Office, Coupling, Life on Mars) e se eles são realmente bem-sucedidos ao final de sua exibição, lhes é oferecido um episódio de acompanhamento (Programa de Natal do The Office) ou mesmo um spin-off (Ashes to Ashes). (Nos Estados Unidos, Lost aproveitou essa ideia de uma data-limite, assim como Matthew Weiner e Mad Men). Mais programas deveriam anunciar uma data final, e aqui está o porquê:

1.) Melhor Escrita.

Ninguém quer ir arrastando um público (os produtores de The Killing, não se opondo). Em vez de diluir os episódios com tramas de encheção de linguiça que não vão a lugar nenhum (veja: a 6ª temporada de 24 Horas) e episódios de descartáveis ​​(veja: o episódio das tatuagens de Jack em Lost), os escritores podem se concentrar em uma história concisa que não dilui a sua ideia original. Prison Break não terminou com uma fuga da prisão, por exemplo.

2.) Estrelas Maiores.

Diga ao Al Pacino que você tem essa ideia incrível para uma temporada televisiva que só lhe tomaria cinco meses para gravar (e que ele ganharia percentuais sobre as vendas de DVD), e são boas as chances de que ele vá morder a isca. (O cara faz qualquer coisa, mas ainda assim – você entendeu a questão.) Ao limitar o compromisso com uma série de televisão, mais estrelas podem querer estrelar um seriado televisivo. Como as coisas estão atualmente, pessoas como Jason Segel são forçadas ("forçadas" com muito dinheiro) a estrelar uma série de televisão durante metade do ano, e depois espremer filmes durante o período de entressafra. Difícil de imaginar que ele – e os muitos outros como ele – não se ressinta desse compromisso nem um pouco.

3.) Próxima parada, a Tela Grande.

Se o programa é um sucesso em suas pequenas doses, pode-se apostar em um filme ou uma sequência. Não é disso que tudo isto se trata, afinal? A maioria dos dirigentes de programas não querem usar a televisão como um trampolim para longas-metragens? J.J. Abrams fez isso com Alias, Judd Apatow fez isso com Freaks & Geeks, e Michael Patrick King o fez com Sex and the City.

4.) Maiores Índices de Audiência.

As notícias do final de Breaking Bad após esta temporada fez com que muitos de nós fizéssemos uma coisa: Colocar as temporadas de 1 a 3 em nossa fila do Netflix. Agora que o mundo sabe que há uma data de validade em um programa, mais pessoas vão querer ver como ele termina. Os executivos de TV deveriam dar um passo além, e dizer ao público que seu próximo programa high concept será uma série de uma temporada que a rede pagou adiantado; faça isso, e você transforma um programa que "pode ​​ser bom ou pode ser ruim" em um evento pelo qual os fãs (e anunciantes) ficariam animados.

5.) Lendário.

O que o Chapelle’s Show e Minha Vida de Cão têm em comum? Eles são lendários! Na terra da TV é melhor se inflamar de uma vez só até o fim do que se apagar aos poucos; ninguém vai esquecer tão cedo a Cerveja do Samuel Jackson ou o cabelo do Jared Leto. Eles são a versão televisiva de Jimi Hendrix e James Dean. Eles morreram muito antes de seu tempo, mas deixaram uma lembrança duradoura. Quando The Office estiver ralando pela oitava temporada daqui a poucas semanas, pense em como as coisas poderiam ter sido se o programa fosse um pouco mais como Charlie Murphy.

Siga Kris Lopresto no Twitter: www.twitter.com/krislopresto

*****

Num dos comentários, um leitor disse: “Ah, meu Deus, isso é tão verdadeiro. É por isso que eu amo Novelas (mesmo que eu não consiga entender uma palavra do que eles estão dizendo, suas expressões faciais e movimentos corporais são universais). Elas geralmente ficam no ar por apenas seis meses, então a história acaba e uma nova aparece.”

E outro leitor respondeu: “E os índices de audiência delas estão nas alturas, enquanto as novelas americanas estão em seus últimos estertores.”

Data final 2

Boa escrita pra você hoje! =^.^=

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4 Comentários

  1. Sou totalmente a favor. Tudo chega a um fim, e por ser inevitável que seja da melhor forma possível e ainda em seu auge.

    Comentário por Fernando — 15/02/2012 @ 17:49

    • Pois é, Fernando, isso foi bem o que você estava dizendo outro dia. Eu achei este artigo pouco depois, achei uma coincidência incrível.

      E eu concordo 100% contigo! =)

      Um abração, e um excelente carnaval pra você, Fernando! ^‿^
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 17/02/2012 @ 11:11

  2. Eu concordo com artigo. Mas vejo isso mais como uma forma de organização. Além de exigir uma disciplina por conta do que você já começou é também forma de você se preparar para os próximos que com certeza virão sem ter aquela preocupação.

    Seus artigos como sempre estão ótimos!!
    😉

    Bjs

    Comentário por Marcia Freddy — 21/02/2012 @ 23:07

    • Oi, Marcia, como vai?! 😀

      Eu também acho que é super importante o escritor, ou escritores, ser organizado e disciplinado, saber como será o final, o meio e o começo da série. Mas talvez o maior problema dessas séries seja a ganância dos produtores, que querem espremer tudo o que aquela série pode dar, até a última gota (dólar), e danem-se os espectadores. Quantas séries bacanas não acabaram abruptamente depois de um monte de encheção de linguiça que não tinha absolutamente nada a ver com a premissa? Isso é triste, porque nós não sabemos se, como escritores, teremos chance de decidir qual o momento certo de terminar a série, ou se seremos obrigados pelo produtor a seguir por este caminho condenável. (*Suspiro*). Bem, só podemos tentar fazer a nossa parte e torcer pelo melhor, não é mesmo? :-/

      Um abração, Marcia, obrigada pela força e pela companhia, eu fiquei muito feliz com sua visita! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 22/02/2012 @ 09:16


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