Dicas de Roteiro

11/02/2012

Discurso Ímpar

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:01
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Este artigo é de autoria de David Freeman e foi tirado do site da Writers Store:

Tipos de diálogo

O nosso leitor Singh, de Toronto, pergunta:

Os meus diálogos soam insípidos e indistinguíveis entre os personagens. Como posso fazer para escrever diálogos mais interessantes?

David Freeman responde:

Há muito, o diálogo tem sido um problema para os escritores. O problema é que o diálogo tem de servir a uma variedade de funções: (1) fazer os personagens soarem diferentes uns dos outros, (2) captar os ritmos e sons da linguagem falada, (3) empregar um “subtexto", de modo que o que os personagens estão dizendo não seja sempre o que eles tencionam dizer, e (4) revelar todos os tipos de coisas sobre os personagens e, às vezes, seu tempo e seu lugar.

Quando você fala de “personagens indistinguíveis”, está falando do (1). Quando fala de “insípidos”, eu suspeito que você esteja falando do (3). As técnicas usadas para resolver estes problemas são muito diferentes. O (1) levaria muito tempo para responder, mas aqui vai uma dica rápida para o (3); pergunte a si mesmo: “Como eu posso deixar o público saber o que o personagem está sentindo, sem que o personagem nos diga?”

Então, digamos que Shannon esteja atraída por Richard, que trabalha em seu escritório. Como podemos saber disto através de suas ações e seu diálogo, sem ela jamais mencionar sua atração, direta ou indiretamente?

Talvez ela comece uma briga manhosa e afetuosa com ele, no escritório. Talvez apenas “aconteça” de ela lembrar do tipo de café do Starbucks preferido dele, e ela compra-lhe um copo a caminho do trabalho.

Talvez, em uma conversa, ela traga à tona algo que ele disse três meses antes. (Se não gostasse dele, por que ela lembraria?)

Talvez descubramos que um comentário inadvertido que ele fez para ela, por exemplo, ele disse que um certo livro o inspirou, fez com que ela lesse aquele livro. (Ela estima as opiniões dele.)

A propósito, este é um conselho de REESCRITA. Não se preocupe com isto na primeira versão. E perceba que a relutância dos escritores em empregar este conselho vem de seu temor de que os espectadores sejam burros demais para entender o que os personagens estão implicitamente sentindo. Confie em mim, eles não são burros.

Eu sou burro

“Eu sou burro?”

Boa escrita pra você!

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3 Comentários

  1. O meu maior problema em escrita são roteiros. Apesar de gostar deste post fabuloso sinto dificuldades. Mas é questão de praticar para aperfeiçoar. Leio bastante o blog, mas não sou muito de comentar. xD Valeu tem ajudado pracas o blog a produzir os meus roteiros.

    Comentário por Alan Silva — 11/02/2012 @ 09:16

  2. Errata: Meu maior problema são os diálogos. xD~~

    Comentário por Alan Silva — 11/02/2012 @ 09:16

    • Oi, Alan!

      Não se preocupe, diálogos são mesmo complicados. Eu acho que o que ajuda muito é a gente ficar de orelha em pé sempre que conversarmos com outras pessoas. Um diálogo de roteiro não deve ser exatamente como o da vida real, mas é legal a gente perceber certos vícios de linguagem ou frases pitorescas que as pessoas soltam, e anotá-las. É bom também a gente tentar perceber a diferença no modo de se comunicar de homens e mulheres, de jovens e idosos, de ricos e pobres. Quando a gente fica alerta para essas coisas, ouvindo como um roteirista, ouvindo mais do que falando, a gente acaba conseguindo pérolas de valor incalculável.

      Apesar de não comentar muito aqui, eu sei que você está sempre me apoiando no Twitter, sempre me dando uma força danada. Obrigadão, Alan!

      Uma ótima semana, Alan, e pode deixar que, sempre que eu tiver mais posts sobre diálogos, eu postarei aqui pra você! ^_^
      Um abração!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 13/02/2012 @ 10:10


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