Dicas de Roteiro

09/02/2012

Scott Myers – Como Eu Escrevo Um Roteiro (Parte 9)

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui está a penúltima parte desta série escrita pelo roteirista Scott Myers e tirada do site Go Into The Story:

SCRIPT

PARTE 9: A SEGUNDA VERSÃO

A segunda versão é toda sobre consertar problemas da história. Os problemas podem ser diversos, mas as questões típicas com que eu topo incluem:

* Estrutura da história: Talvez o primeiro ato tenha 45 páginas. Dois grandes pontos de virada no Ato II parecem estar perto demais um do outro. O ato final parece corrido. Eu gasto muito tempo sentindo como está todo o meu percurso, e reformulando a estrutura da história.

* Problemas de lógica: Eventos acontecem ou personagens realizam coisas que não fazem sentido. Se o leitor não aceita que um dos meus personagens logicamente faria aquilo que faz, então eu tenho um grande problema.

* Falta de foco: Isto diz respeito à trama, às subtramas, às funções dos personagens, aos temas e aos arcos de transformação. Quase sempre, ao se escrever a primeira versão, muitas destas “coisas” surgem, então a questão é na verdade mais sobre cavar mais fundo naquilo que eu trouxe à tona, reunindo os diversos elementos.

* Episódico: Haverá partes ou cenas dentro do roteiro que parecerão episódicas; isto quase sempre é o resultado daquelas “coisas” não terem uma ligação forte e direta com a trama ou com uma subtrama adjacente.

* Emoção: A experiência emocional do enredo está funcionando? Eu sinto algo? Eu sinto as coisas certas? Um leitor de roteiros quer sentir alguma coisa. Quais são os pontos de ressonância emocional do meu roteiro?

Eu também estou sempre de olho nas callbacks [N.T.: Piadas que fazem referência a uma piada anterior], nas falas ou nos trechos de ação que eu tenha descoberto no processo de escrita: Implementá-los cuidadosamente no roteiro é uma ótima maneira de proporcionar continuidade e de medir o crescimento emocional de um personagem. Além disso, eu gosto de examinar os temas que surgem de vários ângulos, ver como eu posso usar melhor aqueles que se unem à história global.

Eu posso levar até duas ou três semanas para analisar a primeira versão. Isto pode requerer mais brainstorm, trabalhar mais os personagens, o enredo e o resto. Se precisar, eu crio um esboço híbrido para ajudar a conduzir a escrita da segunda versão. E daí eu a escrevo.

De certa forma, esta é quase mais difícil do que a primeira versão, porque ela representa um bocado de trabalho duro, sabendo-se o tempo todo que ainda pode haver problemas de história à espreita. Aí é onde eu recorro a um outro mantra de escrita:

“A única saída é ir até o fim”

Se eu me permitir ser apanhado na enormidade do processo, isso pode me paralisar. E, assim, eu me concentro nesta cena, nesta página, e até neste lado do diálogo.

Uma vez que eu comece a parte da reescrita de escrever de fato a página, normalmente demora em torno de quatro a seis semanas para chegar ao FADE OUT. Obviamente, isso pode variar, mas eu quero ter certeza de gastar tempo suficiente para resolver os grandes problemas da história.

Depois de ter terminado a segunda versão, frequentemente eu darei o roteiro para um punhado de roteiristas amigos meus, para receber feedback.

Logo que termino a segunda versão, eu gosto de tirar alguns dias de folga. Provavelmente é uma boa ideia tentar esticar isso para uma semana, para conseguir alguma distância do material, mas geralmente eu fico bem animado para chegar à minha parte favorita do processo: a terceira versão. E esse é o assunto do meu último post sobre o assunto, que estará disponível amanhã.

caminho

Boa escrita pra você hoje!

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