Dicas de Roteiro

04/02/2012

Scott Myers – Como Eu Escrevo Um Roteiro (Parte 4)

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui está a quarta parte desta série escrita pelo roteirista Scott Myers, e tirada de seu site Go Into The Story:

Liga da Justiça

PARTE 4: DESENVOLVIMENTO DO PERSONAGEM

Eu estou compartimentando o meu processo criativo, o que é enganador. Porque, conforme estou fazendo o brainstorm e a pesquisa, os personagens surgem, as ideias da trama aparecem, os temas evoluem. Então não pense nisso como se eu primeiro fizesse o brainstorm por duas semanas, então passasse para a pesquisa por outras duas semanas, e daí para os personagens. Não, é melhor, eu acho, cada um seguir seus próprios instintos. E, a certa altura, você terá acumulado suficiente ‘material’ de história para que personagens-chave ganhem vida. Então é hora de nos voltarmos para eles.

Eu crio arquivos individuais (no meu computador) para os personagens primários. Eu passo tempo com cada um deles, “sento-me” com eles, meus dedos no teclado conforme tento me envolver com eles. Às vezes eu os levarei em um passeio, imaginando-nos numa conversação. Tal como acontece com o processo de brainstorm, eu tento não pré-julgar; a minha tarefa aqui é deixar a coisa fluir. Isto permite que os personagens estejam livres para evoluir para o que eles vão se tornar.

Pense nesta palavra: evoluir. Nunca tinha me ocorrido até recentemente, mas ela está implícita na palavra “desenvolvimento”, não é? Então, à medida que desenvolvemos os nossos personagens, no melhor de todos os mundos criativos, nós estamos deixando-os evoluir para seres.

A maior chave que eu encontrei sobre como trabalhar com personagens é ser curioso sobre eles. Faça-lhes perguntas. Entreviste-os. Converse com eles. Isso funciona com alguns personagens; para outros eu me encontro escrevendo uma narrativa de seu passado. Eu não sei por que é assim – de novo, eu apenas sigo o meu instinto.

Sempre que uma atitude, ação, ou linha de diálogo aparecer associado a um dos meus personagens, eu seguirei a minha curiosidade: Por que você pensa isso? Por que você acredita nisso? Por que você age dessa maneira?

A certa altura, eu faço sete perguntas aos meus personagens para tentar ver quais funções narrativas cada um deve desempenhar na história:

* Quem é o meu Protagonista?

* O que eles querem (Objetivo Externo)?

* O que eles querem (Objetivo Interno)?

* Quem está impedindo-os de obtê-lo? (Nêmese)

* Quem está ligado ao crescimento emocional do Protagonista? (Atrativo)

* Quem está ligado ao crescimento intelectual do Protagonista (Mentor)?

* Quem testa o Protagonista ao trocar de alianças, de aliado a inimigo (Trapaceiro)?

Eu acredito que estas cinco funções narrativas representadas por este grupo de arquétipos primários – Protagonista, Nêmese, Atrativo, Mentor, Trapaceiro – ocorrem na maioria dos filmes. Uma vez que eu possa identificar a função central de cada personagem, eu posso usar isso como uma lente através da qual eu interpreto cada um deles, desta forma ligando-os direta e intimamente à jornada do Protagonista.

Na Parte 5, exploraremos como escrever o enredo.

batman-sol

Boa criação de personagens pra você hoje! =D

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