Dicas de Roteiro

03/02/2012

Scott Myers – Como Eu Escrevo Um Roteiro (Parte 3)

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Aqui está a terceira parte da série escrita pelo roteirista Scott Myers e tirada do site Go Into The Story:

Pesquisa

PARTE 3: PESQUISA

Isso geralmente anda de mãos dadas com o processo de brainstorm, visto que a pesquisa alimenta esse processo. Eu adoro ir a bibliotecas. Eu já fiz um montão de pesquisa na biblioteca de Beverly Hills e na UCLA. Agora que estou na UNC-Chapel Hill, eu uso suas bibliotecas. Mas, claro, há a Internet, que é absolutamente indispensável.

Quando eu estava pesquisando para um roteiro original chamado SNOWBIRDS, que era ambientado na subcultura RV [N.T.: Recreational vehicle, ou ‘veículo de recreio’, denominação usada nos EUA para os trailers ou ônibus modificados que por dentro contém muitos dos confortos encontrados num lar], eu me inscrevi para receber boletins informativos por e-mail sobre RV, me afiliei a fóruns sobre RV, e troquei e-mails com usuários de RV de todo o país. Da mesma forma, quando fiz pesquisa para TULLY’S WAR, que se passava durante o Transporte Aéreo de Berlim, eu devo ter lido 20 livros sobre o assunto. Em ambos os casos, as anedotas que eu coletei ao longo do caminho acabaram inspirando cenas dos meus roteiros. Você também encontrará ótimas falas e diálogos durante a pesquisa. Em SNOWBIRDS, eu exibi os adesivos de para-choque de todos os três RVs bem no começo, para dar ao leitor uma ideia de quem eram os respectivos casais. Truman e Berenice tinham um adesivo em seu RV: "Lar É Onde Você Estaciona". Consegui isso da pesquisa.

Por melhor que os livros e a Internet sejam, não há nada melhor do que falar com seres humanos de fato. Para uma comédia que eu co-escrevi chamada HAND JIVE, que era ambientada no Venice High School, em LA, eu visitei o campus apenas para conversar com os adolescentes. A maioria deles não se importava que eu gravasse as nossas conversas, uma vez que expliquei que eu queria ouvir o seu linguajar e pegar o ritmo de sua conversação. Novamente, é assim que você pode gerar diálogos, pegando emprestado aquilo que você descobre nas entrevistas.

Quase invariavelmente, o que você descobre em sua pesquisa vai alimentar o seu processo de brainstorm. Eu tomo notas copiosas dos livros que leio, e destaco anedotas ou histórias que eu acho que posso usar no roteiro. Então eu digito essa informação em meu arquivo principal de brainstorm. Embora possa parecer trabalhoso, eu acho que há algo nisso que ajuda a me colocar ‘dentro’ do mundo da história.

Uma palavra de advertência: Você pode se perder fazendo pesquisa. Eu conheço pessoas que me dizem que têm um conceito fantástico para um roteiro, que elas mal podem esperar para começar, e então eu as vejo seis meses depois, apenas para descobrir que: "Eu ainda estou fazendo pesquisa". A menos que esteja escrevendo um épico histórico de 4 horas, você não deve precisar de mais do que dois a três meses para fazer brainstorm e pesquisa, e, se você puder se dedicar ao projeto em tempo integral, provavelmente pode conseguir o que precisa em quatro a seis semanas. Mas se você se encontrar usando a pesquisa como uma desculpa para não escrever FADE IN, está na hora de tirar as mãos dos livros e colocá-las sobre o seu teclado!

Uma anedota sobre pesquisa: A certa altura, Siegel & Myers trabalharam num projeto com Howard Gottfried, que produziu os filmes O Hospital (1971), Rede de Intrigas (1976) e Viagens Alucinantes (1980), de Paddy Chayefsky. Lembro-me de uma conversa na qual eu perguntei a Howard sobre como Chayefsky tinha feito a pesquisa para Viagens Alucinantes, e em particular sobre os rituais de drogas alucinógenas nativos da América Central e do Sul. Quanto tempo Chayefsky havia passado com os habitantes aprendendo seus costumes. Howard disse: "Nenhum", e, em seguida, passou a explicar que Chayefsky fez a maior parte de sua pesquisa usando a coleção de revistas da National Geographic que ele tinha em escritório de escritor. Isso e sua imaginação era tudo do que ele precisava.

Eu me pergunto o que Chayefsky teria pensado do Google.

Na parte 4, veremos o desenvolvimento do personagem.

Revista-National-Geographic - Fev-2011

Boa pesquisa pra você hoje! =)

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