Dicas de Roteiro

31/01/2012

Vendendo Uma História Sem Ser Um Roteirista

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:01
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Este artigo também é do roteirista John August:

Vendendo Ideias

Pergunta: Como milhões de outros americanos por aí, eu tenho o que meus pares consideram algumas ótimas ideias para filmes, baseadas em alguns personagens de desenho animado conhecidos. É um filme de ação de grande orçamento com atores, grande quantidade de efeitos especiais e uma reviravolta extremamente inteligente. Eu não sou capaz de escrever a coisa sozinho, mas posso participar de seu desenvolvimento. Qual curso de ação você recomenda? Existe um grupo de roteiristas competentes esperando por pessoas com ideias nas quais se basear? O que eu posso fazer para vender o meu conceito e ter outros desenvolvendo a história?

– Paul Threatt

Resposta: Nós geralmente não publicamos sobrenomes, mas “Paul Threatt” parece tão cosmicamente calculado para o sucesso, que quem iria resistir? Se eu fosse você, eis o que faria:

  1. Mesmo não sendo um escritor, faça o melhor trabalho que puder anotando as ideias, apenas em forma de prosa. Registre estes tratamentos no Sindicato dos Escritores. Tenha em mente que isto na verdade é muito pouca proteção, já que você não possui o direito de nenhum dos personagens registrados nos quais a sua ideia se baseia. Mas este empreendimento todo é um risco maluco, de forma que mesmo a fração de uma porcentagem de prudência vale alguma coisa.
  2. Mude-se para Los Angeles.
  3. Arranje um emprego em um dos seguintes lugares: uma grande agência, um grande estúdio, uma poderosa firma de gestão, ou para um cineasta de sucesso (produtor, roteirista ou diretor). Isto não é fácil, mas não é impossível. Comece na sala de correspondências, ou como um estagiário. Aprenda tudo o que você puder. Descubra quem são os melhores escritores.
  4. Trabalhe muito duro para que seja promovido a alguns degraus acima. Isto pode envolver trocar de empresa várias vezes.
  5. Neste momento, e não antes, apresente a melhor de todas as suas ideias para o seu patrão, ou outra pessoa poderosa com quem você tenha feito amizade ao longo do caminho. Então procure o cineasta que possa realizá-lo, e o estúdio que controla os direitos.

Se tudo funcionar perfeitamente, você pode ter um filme em produção em menos de cinco anos. O que é muito tempo, com certeza, mas na média do andamento da terra do cinema.

Esta situação toda pode soar forçada, mas é essencialmente o que tem acontecido por décadas. Quase todo mundo que vem a Hollywood tem uma ou duas ótimas ideias das quais estão convencidos que deveriam ser feitas. E, felizmente, notavelmente, eles estão certos. Boa sorte.

Selling Ideas

Boa escrita pra você!

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4 Comentários

  1. Que mês hein Valéria. Que começo de ano. Você tá cumprindo bem as suas resoluções de ano novo. Não só na quantidade, em postar todos os dias. Mas, também na qualidade. Sem esquecer que teve que retirar dois excelentes textos.
    Você tá de parabéns, Valéria. Continue assim. Nós, seus leitores e fãs, agradecemos.

    Beijos!!!!!

    Comentário por Paulo Henrique — 31/01/2012 @ 16:44

    • Pois é, que mês, Paulo!! E, para piorar, eu estou às voltas com obras (coisa que acho uma chatice, apesar de necessária), o meu banheiro está todo quebrado (e meu apartamento uma poeirada só! – cof, cof, cof!) por conta de obras do condomínio. Que começo de ano!!! 😯

      E, apesar disso, janeiro foi um recorde de posts, mesmo retirando dois deles!! Legal! Mas eu só consegui isso porque já tinha vários posts adiantados, senão… tem dias que eu mal tenho tempo de dormir, com tanta coisa pra resolver. Eu espero que este mês as coisas sejam um pouco mais tranquilas!

      Obrigadão, Paulo Henrique, pela força e pela companhia constante, isso me dá muita alegria e uma vontade renovada pra continuar a trabalhar, apesar dos perrengues. Que tudo isso volte multiplicado por mil pra você, esse é o meu desejo. Muito obrigada mesmo! 😀

      Um abraço grande e um excelente fim de semana pra você! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 03/02/2012 @ 10:52

  2. Olá,Valéria!Estou com uma dúvida cruel quando vou escrever o meu roteiro.É as cenas que fica de dia,noite,as cenas que passa imagens da cidade,das praias…É preciso escrever isso?Ou essa parte fica com a parte técnica de quem vai produzir o seu roteiro?

    Abraço!

    Comentário por Lucas Alencar — 01/02/2012 @ 05:32

    • Oi, Lucas!

      Quando a gente vai escrever as cenas, deve fazer o cabeçalho com a localização, e se é dia ou noite, externa ou interna, como você já deve saber. Então, digamos que você está em EXT. PRAIA – DIA e a cena seguinte será na mesma praia à noite. Ou você coloca EXT. PRAIA – NOITE no próximo cabeçalho (o que é mais recomendável), ou escreve apenas MAIS TARDE no cabeçalho seguinte. Este último tem seus seguidores e aqueles que o rejeitam totalmente. Devemos evitar usar outros termos de transição, tipo CORTA PARA:, FADE IN/FADE OUT, DISSOLVER etc. entre as cenas, isso deixa o roteiro meio pesado e, quando a gente muda de cena, isso já é um corte/transição.

      Se você vai da praia para a cidade, ou coloca apenas EXT. CENTRO DA CIDADE – NOITE, por exemplo, ou faz uma cena de transição, em que mostre os personagens no carro dirigindo-se da praia para a cidade. Neste caso, será uma mistura de externas (a estrada) com internas (dentro do carro). Ou você apenas faz uma cena curta para estabelecer a mudança de tempo e local. Se seus personagens estão na praia, será um choque de repente eles estarem em casa na cena seguinte. O que nós vemos muito em novelas, por exemplo, é uma série de tomadas externas da cidade, a movimentação de carros e pessoas, o céu anoitecendo (ou amanhecendo) e, para finalizar, uma tomada da frente da casa dos personagens, para mostrar que eles já voltaram. Essas tomadas também são boas para o exemplo que dei no primeiro parágrafo, dos personagens na praia. Escreva cenas curtinhas (de tomadas externas) para estabelecer que o tempo passou mas eles continuam lá. Você pode colocar no cabeçalho EXT. PRAIA – DIA/CREPÚSCULO (ou só CREPÚSCULO, sem o “DIA”) e MONTAGEM embaixo. Daí, descreva em frases curtas (cada uma numa linha) como a praia está ficando deserta, com as pessoas saindo de carro, o estacionamento esvaziando etc., enquanto o sol se põe.

      Um abraço, Lucas, espero ter ajudado com sua dúvida! Boa escrita pra você!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 03/02/2012 @ 11:15


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