Dicas de Roteiro

17/01/2012

Eu Tenho a Melhor Ideia Para um Roteiro! Err… Então, e Agora?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto de hoje é da roteirista/dramaturga Beth Brandon e foi tirado do site Script Frenzy:

bethbrandon

Então você tem uma ideia para este roteiro incrível. (Não temos todos?) O que você faz com essa ideia? Por onde você começa? Você faz um esboço? Você simplesmente mergulha nela? A parte mais difícil de escrever um roteiro realmente é, bem, escrever.

Para decidir o que fazer com a sua joia de ideia, basta começar a escrever. Tire tudo do seu sistema, e rápido, antes que ela passe por você. Rapidamente, anote todos os seus pensamentos e ideias sobre o assunto. Aquilo que pode acontecer na história e o que talvez nunca veja a verdadeira versão final, tudo é igualmente importante.

Você pode fazer isso para um esboço, para o roteiro de fato, para um tratamento, ou mesmo dar corpo a personagens em potencial que você pode ver no filme.

(Para saber mais sobre esta noção, confira este vídeo/palestra de 20 minutos sobre a ideia de criatividade, por Elizabeth Gilbert, autora de Comer, Rezar, Amar).

E se você ficar emperrado? E se, de repente, a sua grande ideia não parecer mais tão boa? Não desista. Os professionais se encorajam através dos tempos difíceis, mesmo quando eles abominam o que estão escrevendo. Utilizar coisas como o Script Frenzy é uma ótima maneira de manter-se motivado.

Nenhuma ideia de como se encorajar?

  • Faça o brainstorm de cenas e momentos em potencial que poderiam estar no seu roteiro.
  • Faça o brainstorm dos defeitos, vontades e desejos dos personagens, e de como você pode desafiar essas características a cada passo do caminho.
  • Descubra o que os seus personagens significam uns para os outros. E, além disso, o que significaria se eles perdessem um ao outro.
  • Escreva monólogos a partir do ponto de vista deles, explicando como eles veem o mundo.
  • Abra um texto totalmente diferente e comente – sem editar – sobre o que você acha do seu roteiro – o que você gosta, o que não está funcionando, como você se sente sobre isso. Bote toda a sua ansiedade e medos e dúvidas para fora de seu sistema. Isso vai clarear a sua cabeça e abrir espaço para o brilhantismo ainda por vir.
  • Deixe os seus personagens terem uma briga esmagadora, arrastada e sangrenta. E, em seguida, descubra como eles fazem as pazes.
  • Pegue uma cena que atualmente se passa em algum lugar "chato" como uma cozinha ou um parque, e coloque-a em algum lugar exótico, como o Louvre, ou dentro de uma pirâmide egípcia. Em seguida, descubra uma razão pela qual seus personagens estariam lá, ou como eles voltariam para a cozinha ou o parque.

Por favor, não mantenha nada disso na sua versão final. Se você realmente tem uma cena que ocorre dentro de uma pirâmide egípcia, é melhor que haja a busca de uma múmia envolvida. Em outras palavras, isso tudo é apenas prática; um exercício para você sair da rotina de sua história.

Abrir a sua imaginação ao ridículo, abre a sua mente para o que você não está vendo de outra forma. Em outras palavras, isso abre espaço para o gênio passar. Se você fizer qualquer uma ou todas essas coisas, nunca vai ter bloqueio de escritor novamente. Eu prometo.

Você nunca vai saber se isso é uma boa ideia até tentar escrever de fato. Claramente, não será perfeito. Lide com isso e abrace a imperfeição dela. Esta é a sua primeira versão de bosta, e ela é só para você praticar a sua história. Como diz o ditado, a prática faz a perfeição. Especialmente se você praticar todos os dias.

Tente o seguinte: Escreva cinco páginas por dia, durante três semanas. Pode ser divertido às vezes, mas também haverá momentos de miséria total e absoluta. Após três semanas escrevendo cinco páginas por dia, você terá cerca de 100 páginas de um roteiro – e a esta altura você saberá se tem ou não um filme. Três semanas de escrita para descobrir se você escreveu a coisa errada é um inferno muito mais rápido e mais produtivo do que três meses, ou mesmo anos de ramerrame para descobrir se você sequer tem uma ideia.

E a melhor parte? Você já tem uma versão de bosta concluída. Que é muito mais do que a maioria das pessoas pode dizer de qualquer uma de suas "ideias".

Agora. O que você está fazendo ainda lendo isto? Você tem escrita para fazer!

hand writing

Boa escrita pra você hoje!

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3 Comentários

  1. Como isso tudo é possível, Valéria. Terminei uma caixa de lenço de papel. Estou exausto. Chorei muito com tanta insensibilidade. Três semanas e agora, de bosta que denomino os meus filhos, minha esposa querida, até a chata da minha sogra, na gaveta… jogar na gaveta e esquecer.

    Vocês, mulheres, são, ao mesmo tempo, amorosas e castradoras. Como podem imaginar que vou abandonar a minha família… quer dizer, os meus personagens… bonitos, alegres, alguns chatos e realmente deveriam desaparecer… mas, pensando bem, como o “mocinho” vai se der bem, no final, com a “mocinha” se não existir confronto e delitos, sustos e apreensões… bem, vocês são insensíveis e ponto.

    Você, mulheres, são o melhor da vida, escritor ou não. E não quero deixar na gaveta ela, a mocinha… e a filhinha também… e o açougueiro, o verdureiro… bem, todo o pessoal… não consigo evitar. E está pronto o meu roteiro. Deveria ser lido, comentado, aprovado e filmado. Mas, quer saber, vou deixar na gaveta, repensar. Talvez tenha razão. Li e é mesmo uma bosta. Mas não os desprezei, assim, de imediato. Vou explicar, em detalhes, porque os acho uma… vejamos… “porcaria”, nunca bosta, como a Beth escreveu e a Valéria traduziu. Vou dizer assim, para eles, são suas titias… benzinhos, elas são assim mesmo.

    Vou parar de chorar… não posso lembrar toda essa desfaçatez… será que pode dar uma novela, pelo menos, esse apelo para compreenderem. Olha só, estão todos chorando sem saber o motivo… eu também. Esses personagens nos matam, qualquer dia, por serem assim. Insensíveis.

    Abraços, Valéria!
    Ótima escrita para você, também.
    Jogou fora o que fez ontem?

    Bem, adeus… até logo… sabe, eu ainda acho que pode dar uma novela… deixa para lá.

    Adeus… mas, pensando bem… Vão para a gaveta já, seus chatos… Que coisa, gente irritante…

    Comentário por Cilas Medi — 17/01/2012 @ 09:16

  2. Cilas, mesmo na gaveta, tenho a impressão de que esses “irritantes” insistem em continuar vivos. Acho que não nos livramos deles nunca.

    Comentário por Leonardo — 18/01/2012 @ 17:37

  3. Oi, Cilas!

    😆 Ah, mas ninguém disse pra você matar seus filhos assim, a sangue frio, até porque eu acho que nenhum escritor passaria neste teste como Abraão, e se proporia a docilmente matar suas crias. Mas se os deixamos um pouquinho na gaveta, quando nos reencontramos, a alegria costuma ser imensa! E se precisamos ralhar com um para mudar um pouco seus modos, ou falar pra outro que ele não pertence àquele lugar, que ele deve ficar quietinho e obediente aguardando a hora dele, isso também faz parte do trabalho educador dos pais, não é mesmo? Apesar de que o Leonardo está certo, muitas vezes eles não só são desobedientes, como impossíveis de matar e/ou esquecer! Afinal de contas, como verdadeiros filhos, já são parte inseparável de nós mesmos. Inclusive as ovelhinhas negras que a gente sabe que não prestam (mas as amamos assim mesmo).

    Um abração, Cilas e Leonardo! Cuidem bem dos pimpolhos, que eles crescerão e aparecerão e darão muito orgulhos aos pais!
    Valéria Olivetti 😀

    Comentário por valeriaolivetti — 19/01/2012 @ 13:53


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