Dicas de Roteiro

10/01/2012

Fantasia Épica na Verdade É Sobre o Sentido da Vida

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Continuando nossa série sobre fantasia épica, aqui está mais um artigo do site Epic-Fantasy:

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A fantasia épica tem sido há muito considerada literatura escapista e algo que adolescentes leem para passar o tempo. Ela traz à mente heróis musculosos que lutam com dragões e resgatam princesas. Mas a fantasia épica na verdade é muito mais do que isso. É sobre a busca para encontrar significado em nossas vidas.

Desde o início dos tempos a humanidade tem inventado histórias de fantasia épica na forma de mitos para refletir o seu papel no universo. O mais antigo fragmento de obra escrita é o Épico de Gilgamesh. Ele foi inscrito em tábuas de pedra mil anos antes da Ilíada ter sido escrita e é do gênero de fantasia épica. Desde que esta obra foi escrita, muitas mais se seguiram.

Estamos todos familiarizados com a história de Jasão e o Velo de Ouro, ou a história do Rei Arthur e do Santo Graal. Nós também estamos todos familiarizados com a jornada do hobbit Bilbo Bolseiro. Por que essas histórias e outras como elas sobreviveram por tanto tempo? Por que elas estão tão completamente gravadas em nossa psique como raça? Será que é porque são histórias divertidas? É verdade que elas são boas histórias e aventuras grandiosas, mas também transmitem um significado mais profundo sobre o que é ser humano. E esta busca por um significado mais profundo tem existido com os seres humanos desde o início dos tempos.

Os antigos gregos criaram mitos que giravam em torno de heróis que enfrentam a ira de uma variedade de deuses. Isto os ajudou a compreender o seu lugar no mundo e aplicou sentido às suas vidas em relação ao mundo em que eles viviam. Nos tempos medievais a humanidade mudou. O Renascimento trouxe consigo uma nova compreensão do mundo em que vivemos. E esse novo entendimento trouxe novas questões. Já não estávamos sujeitos aos caprichos de uma variedade de deuses. Nós, como povo, ganhamos um novo controle de nossas próprias vidas e chegamos à conclusão de que não eram deuses que nos controlavam, mas éramos nós que controlávamos a nós mesmos. Isto nos fez olhar para dentro. Nos motivou a procurar as coisas dentro de nós mesmos que nos faziam como os deuses antigos. Esta nova perspectiva se refletiu nos mitos de fantasia épica dos tempos. Heróis olhavam para dentro de si mesmos. Eles faziam grandes avanços em tornarem-se pessoas melhores. Eles acreditavam que havia uma maneira correta de ser e esta crença é sintetizada pelo código do cavaleiro.

Não há dragões para matar, não há mais cavaleiros, e não há princesas para salvar. Como é que essas histórias de missões heroicas se aplicam a você hoje?

A cada personagem destas histórias é dada uma tarefa de natureza aparentemente impossível. E cada personagem tem que encontrar o seu caminho através de um mundo forjado com perigos, dificuldades e obstáculos. O paralelo aqui é óbvio e todos nós percorremos um caminho semelhante ao de Gilgamesh e Jasão, mas esta não é a verdadeira razão pela qual a fantasia épica é tão relevante para nossas vidas. Este tipo de conflito e busca é encontrado em quase todas as obras de ficção e em todos os veículos. O segredo de por que a fantasia épica se eleva acima de todos os outros está escondido dentro de cada história em si.

Joseph Campbell, em seu livro O Herói de Mil Faces, delineou os doze passos que cada herói deve dar em sua jornada pessoal para realizar sua busca. Uma etapa inicial crítica que deve ser percorrida é o encontro com o mentor. O próprio mentor já percorreu a sua jornada pessoal, aprendeu muitas lições ao longo do caminho e transmite essa sabedoria para nosso herói. Nosso herói aprende algumas lições valiosas de alguém que já esteve lá e fez aquilo. Isto é exatamente o que a fantasia épica faz por você. Ela funciona como um mentor.

Num belo sentido de dobrar-se sobre si mesmo, o herói de uma história de fantasia épica torna-se um mentor para você. Você viaja junto com o herói e aprende as lições que ele aprende. Você aprende o valor da confiança ou o perigo da ganância. E, o mais importante, você aprende o valor de persistir em sua busca pessoal e de seguir o seu coração, porque no final você vê a recompensa.

Leia as histórias do herói da fantasia épica e ouça as lições que ele pode lhe ensinar. Talvez não existam mais dragões nem mais donzelas em perigo, mas você está no meio de uma jornada épica chamada sua vida e você deve seguir esta jornada até o fim. Esta jornada é a busca para encontrar o significado de sua vida, e a fantasia épica é o mentor que o ajudará a encontrá-lo.

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Boa escrita pra você hoje!

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7 Comentários

  1. Olá, tenho uma dúvida.

    Estou pensando em ingressar na carreira de roteirista e queria saber quais os processos que um roteiro passa para chegar a sua versão definitiva? E como devo fazer? Sair escrevendo logo e melhorar o roteiro nas revisões seguintes ou primeiro criar uma história e sò depois escrever o roteiro?

    Abraços!

    Comentário por Arnaldo Abranches — 10/01/2012 @ 19:48

    • Arnaldo, vou opinar, permita.
      Emoção e conte a história primeiro. Depois, as técnicas para o roteiro virão com a mesma completa.
      Boa sorte.

      Abraços!

      Comentário por Cilas Medi — 11/01/2012 @ 09:09

  2. Oi, Arnaldo! 😀

    O Cilas já respondeu muito bem, foi curto, preciso e direto. (Obrigadão, Cilas! :D)

    Só para dar um exemplo, o que eu costumo fazer é escrever minha ideia em forma de prosa, coloco tudo o que me vem à mente, enredo, diálogos, características de personagens, tudo tudo, sem me preocupar com formato, nem mesmo com gramática, a coisa vai saindo aos borbotões; nesta fase o importante é não perder a ideia nem nenhum detalhe importante. Depois, eu divido aquilo entre argumento e perfis dos personagens, reescrevendo, encontrando e tapando buracos (geralmente aparecem muitos) e deixando tudo prontinho: começo-meio-e-fim e pontos de virada com lógica e emoção. Se tiver mais ideias para diálogos, eu anoto por fora, para não perdê-los. Só depois disso tudo (que é a parte mais demorada e difícil), eu passo para o formato de roteiro, o que leva uns poucos dias (até mesmo um dia, dependendo de quantas horas você tem disponível e de quantos diálogos você já deixou prontos).

    Escrever um argumento original, com personagens interessantes e uma premissa surpreendente e emocionante é o mais difícil de tudo. O formato pode parecer complicado, mas é mamão com açúcar. Se tiver problemas com isso, use um programa de formatação, como o Celtx, que é gratuito e em português. Tem muitos outros no excelente site do Fernando Marés (onde você também vai encontrar roteiros para ler, que é uma ótima maneira de se familiarizar com o formato).

    Para ajudar também neste começo, eu recomendo a leitura do livro do Syd Field, Roteiro – Fundamentos do Roteirismo, que mostra as bases de como escrever um roteiro, e o do Robert McKee, Story – Substância, Estrutura, Estilo, que dá uma visão geral do ofício e é um complemento do outro.

    Um grande abraço, Arnaldo, espero que este blog lhe ajude bastante a começar uma carreira de muito sucesso!
    Valéria Olivetti

    Comentário por valeriaolivetti — 11/01/2012 @ 12:23

    • Gostei da técnica. =)

      Comentário por Inteligivel — 13/01/2012 @ 21:56

      • Que bom que gostou, Leonardo! E se já gostou desta pequena dica, então acho que vai gostar bastante da nossa próxima série, em que o roteirista Scott Myers explica o passo-a-passo de sua rotina de escrita. Vai sair em 10 (!!) partes, a partir do dia 1º de fevereiro. Espero que goste! 😀

        Comentário por valeriaolivetti — 15/01/2012 @ 10:50

  3. “Num belo sentido de dobrar-se sobre si mesmo, o herói de uma história de fantasia épica torna-se um mentor para você. Você viaja junto com o herói e aprende as lições que ele aprende. Você aprende o valor da confiança ou o perigo da ganância. E, o mais importante, você aprende o valor de persistir em sua busca pessoal e de seguir o seu coração, porque no final você vê a recompensa.”

    O autor é perfeito em sua análise.

    Indo além do texto, acho que tem algo que diferencia a fantasia épica de outras histórias (porque “a jornada do herói” não precisa ser épica, pode-se fazer um roteiro com uma curva de aprendizagem, mentor, busca pessoal, tratando da vida de um trabalhador pobre que decide ser lutador de boxe). Acho que o que diferencia uma fantasia épica de uma outra história é o mundo. Nessas histórias a recriação do mundo (ambientes, criaturas, regras, moral, política, magia) é tão importante quanto o arco dos personagens.

    Comentário por Inteligivel — 13/01/2012 @ 21:54

    • Oi, Leonardo! 😀

      Eu sempre me pergunto por que alguns filmes (de guerra, por exemplo) conseguem o status de épico e outros não. Seria a direção? A música pungente? O modo de mostrar os personagens? A maior quantidade de personagens? O tipo de mundo, como você disse? A escala maior dele? Eu realmente queria saber o que faz um filme ser um épico e outro, com o mesmo tema e personagens parecidos, ser apenas outro filminho comum. Eu sinto a “aura” diferente, mas, tecnicamente, acho que precisamos saber a diferença, para escrevermos um, se quisermos. E esse tipo de informação não está muito disponível por aí. Mas vou continuar procurando, se encontrar algo, eu posto aqui.

      Um abração, Leonardo, e obrigadão pela visita! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 15/01/2012 @ 10:46


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