Dicas de Roteiro

02/01/2012

Planejador de Enredos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Este texto é um dos três que complementam o post do dia 04/12/2011. Ele também é de autoria de Martha Alderson e foi tirado de seu blog, Plot Whisperer For Writers And Readers:

florescer (1)

Faça o enredo de sua história usando o formulário universal de história em prol de estrutura e impacto.

Um Planejador de Enredo simula a história universal e é a moldura para desenvolver uma história emocionante. Em vez de criar uma lista árida e episódica de cenas a cobrir, organize a sua história através de causa e efeito, para melhor envolver o leitor.

Pense no Planejador de Enredo como a rota ou mapa do caminho que você imagina para a sua história. Quando você começar a planejar o seu enredo, a sua rota é suscetível de ser esboçada com muitas lacunas e becos sem saída. Estas lacunas serão menores e preenchidas conforme você vem a conhecer melhor a sua história e os personagens. Ao longo da rota de sua história, os elementos de ação dramática, personagens e significação temática do enredo irão subir e descer, como ondas se formando. O fluxo destes elementos é como o fluxo de energia que os chineses chamam de "qi" (pronuncia-se "chi"). O qi é o esteio da força da vida, inerentemente presente em todas as coisas.

Dentro de sua história, a energia ondula. Apesar de toda história ter a sua própria energia, um padrão universal de energia subindo e descendo se repete. Quanto maior a sua compreensão deste formato estável, mais você é capaz de determinar onde e quando permitir que a energia suba, a fim de tornar a sua história mais atraente para o leitor. Permita que a energia de sua história direcione o fluxo de suas cenas. Quanto mais aproximadamente você puder recriar este padrão em sua apresentação para o leitor, mais sólida e atraente a sua história. Um planejador de enredo lhe ajuda a mapear a energia e direção da sua história.

DESCRIÇÃO

Todas as grandes histórias têm um começo, meio e fim.

1. O Começo

O começo geralmente abrange um quarto da história toda. A maioria de nós começa forte no início, mas luta para manter o ritmo.

2. O Meio

O meio é a parte mais longa do projeto – metade da história toda. Ele governa a maioria das cenas, e é onde muitos escritores fracassam. Quando o fascínio do começo acaba, a história começa a ficar confusa. Os escritores frequentemente conhecem o começo e o fim de sua história, mas atolam na criação do meio. Crise é a carne do meio.

Coloque a crise – a cena de maior intensidade e energia em sua história até aqui – em torno do ponto de três quartos em sua história, quando o público precisa de uma recarga para combater a fadiga, a frustração e a irritação. Crise é onde a tensão e o conflito têm um pico – é um ponto de virada na sua história. A crise é desenvolvida através das cenas para fornecer o maior impacto no fluxo de energia de sua história.

A crise é o cume falso de seu caso, onde o público pode perceber o cume verdadeiro. Aqui, a energia da sua história cai após o drama da crise, dando ao seu público a oportunidade de recuperar a energia na expectativa de atingir o clímax.

3. O Fim

O último quarto de sua apresentação representa o fim, que compreende três partes: a preparação para o clímax, o clímax em si, e a resolução. A preparação para o clímax representa os passos a tomar para levar o leitor a imaginar como a história deve terminar. O clímax é o ponto de maior drama de sua história, o momento de coroação quando a significação temática de sua história torna-se clara para o leitor. A resolução é a sua oportunidade de atar totalmente esse significado e deixar a sua história completa.

BENEFÍCIOS DO PLANEJADOR DE ENREDO

Um Planejador de Enredo lhe ajuda a visualizar a sua história. Use um Planejador de Enredo para situar suas ideias e sequenciar suas cenas para um maior efeito. Um Planejador de Enredo lhe permite fazer experimentos com mudanças na trama ou na apresentação para evocar uma reação e um interesse mais intensos do leitor, e lhe dá uma noção de como a história pode ser ritmada. Um Planejador de Enredo também permite que você colabore com outros para gerar ideias para desenvolver melhor a sua história e para solidificar a sua compreensão de elementos centrais da história, e ajuda a assegurar que você entenda a história que está apresentando. De forma importante, o Planejador de Enredo permite que você mantenha o quadro geral de sua história em plena vista enquanto você se concentra em criar partes distintas da história, lhe ajudando a manter o foco primordial na elaboração de uma história que vai transmitir a sua mensagem central para o leitor ou o público de uma maneira atraente.

CONSTRUINDO UM PLANEJADOR DE ENREDO

Eu recomendo a construção do seu Planejador de Enredo em grandes pedaços de papel para cartaz publicitário [banner], usados horizontalmente. Isso ocupa um pouco de espaço, mas serve como um permanente lembrete visual do projeto inteiro.

Um Planejador de Enredo é apenas uma linha que separa cenas repletas de conflitos e emoção (acima da linha do planejador de enredo) daquelas que são passivas, cheias de resumo da história e de história pregressa, ou pesadas ​​com informação (abaixo da linha do planejador de enredo). Cenas são onde a história se desenrola, onde a ação acontece momento-a-momento em sua apresentação.

A ação dramática externa de histórias contadas em cena e repleta de conflitos pertence àcima da linha, como as espumas brancas cobrem a superfície do mar conforme uma onda cresce em direção à costa. Cenas que mostram complicações, conflitos, tensões, dilemas e suspense pertencem àcima da linha. Qualquer cena que reduza a energia da história pertence àbaixo da linha.

Ao colocar ideias acima e abaixo da linha, você cria um mapa visual para analisar informações críticas da história, o fluxo de apresentação, e os pontos fracos da sequência geral de sua história.

Uma linha de Planejador de Enredo não é plana – ela se move continuamente para cima, construindo a sua história lenta e metodicamente à medida que a tensão aumenta. Cada cena oferece mais tensão e conflito do que a cena anterior, com a intensidade crescendo até o clímax da sua história.

Dois de janeiro

1. – Que dia é hoje? / – Dois de janeiro.

2. É !?!

3. Nossa… Este ano está indo rápido.

Boa escrita pra você em 2012! =D

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4 Comentários

  1. 2012? É? Gostei!

    Comentário por Antonieta Mercês — 02/01/2012 @ 09:48

  2. Olá! Queria perguntar se pra vc querer mostrar a sua série de TV,um criação sua,o q você tem q fazer.Escrever a série,ou montar o projeto para outra pessoa escrever?É pq eu quero mostrar a minha série,que eu criei,mais não sei se tenho que escrever ou montar um projeto! Bjs

    Comentário por Rebecca — 03/01/2012 @ 01:53

    • Oi, Rebecca!

      Você precisa escrever o roteiro dos 3 primeiros episódios e enviar a sinopse do primeiro para a produtora para a qual você pretende trabalhar. Se eles gostarem, podem pedir para lê-lo, assim como a bíblia da série, que seria a relação das sinopses de todos os episódios e a descrição dos personagens. Por isso é bom já tê-la pronta também antes de enviar o primeiro roteiro. Primeiras temporadas costumam ter entre 6 e 12 a 13 episódios, dependendo da rede que vai exibi-la e do tamanho da história que você quer contar.

      No mais, já temos vários posts sobre como escrever para a TV, inclusive sobre como formatar, dá uma olhada no nosso Índice de Posts (o link está nesta coluna à direita do blog), tem muita coisa ali. E ainda temos muitos textos bacanas sobre este assunto vindo por aí, é só ficar antenada, que os textos já estão programados.

      Beijos, Rebecca, e boa sorte com a sua série. Muito sucesso em 2012!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 04/01/2012 @ 15:07


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