Dicas de Roteiro

03/12/2011

Escreva Um Roteiro Digno de Respeito

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 21:22
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O artigo de hoje é de autoria de Richard Walter e foi tirado do site da Writers Store:

screenplays

Nosso leitor Jimmy Pearson, de Minneapolis (Minnesota), pergunta:

Eu já tenho 3 roteiros prontos. Como posso conseguir que alguém leia o meu trabalho?

O Professor Richard Walter, presidente de longa data da cadeira de Roteiro da lendária Faculdade de Cinema da UCLA, responde:

Os escritores nunca param de me perguntar como eles conseguem que seu trabalho seja lido por agentes, empresários e produtores. A minha resposta é sempre a mesma. Você "simplesmente" precisa ter algo DIGNO do tempo e da atenção de um Insider da Indústria. Eles não são inacessíveis. Todavia, os escritores querem continuar a pensar que eles são. Deste modo eles podem culpar Hollywood, ao invés de seu próprio trabalho, por não estarem sendo lidos. Os escritores devem dedicar o tempo e o cuidado adequado para escrever um roteiro que se destaque.

Então, o maior erro de todos é: Os escritores mostram o seu trabalho cedo demais – antes que ele esteja pronto.

O segundo maior erro que um escritor comete é escrever demais. As cenas são longas demais. Os diálogos são longos demais. E a contagem de páginas é alta demais. Os roteiros atuais são curtos, apenas pouco mais de cem páginas. Corte as suas cenas e encurte os roteiros, até que cada cena mova a história adiante e desenvolva ainda mais os personagens.

Conseguir ser lido é fácil. Escrever um patrimônio digno de respeito não é.

screenplay-reading

Boa escrita pra você hoje!

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9 Comentários

  1. O Richard deveria ter puxado sua sardinha: matricule-se em uma de nossas classes, assim ao menos os outros alunos vao ler seus roteiros.

    O problema continua, se seu roteiro e’ muito bom, nao significa que alguem vai ler pois ninguem le material que nao tenha sido solicitado, ninguem solicita material de quem nao se conhece, nao se consegue agente nos confundos do Minessota e em LA o aspirante e apenas mais um que empacota no caixa do supermercado, onde o uniforme nao permite estampar seu roteiro nele.

    Enquanto isto a industria contrata os escritores-que-sabem-escrever para escrever sob-encomenda (ou reescrever material ja opcionado) que sentam seus bumbums numa mesa redonda com uma duzia de executivos que vao meter a colher para determinar o que e como se vai escrever e em poucas semanas os sabem-tudo apresentam seus patrimonios-dignos-de-respeito e so nao se sabe porque a industria cinematografica americana esta afundando em filmes ruins.

    Um filme entao se salva por conta do diretor ou da estrela que o estrela ou das dezenas de milhoes gastos em efeitos especiais como por exemplo Avatar, historinha que em termos de roteiro esta longe de ser um patrimonio digno de respeito. Exemplos e que nao faltam de quase todos os outros roteiros filmados, cada um com umas duas duzias de reescrita e meia duzia de autores disputando a autoria da ultima versao. Basta baixar um roteiro para ler e voce vai verificar que mesmo quando a historia acabou “decente” nas telas, o roteiro nao era nenhuma obra-prima. Uma grande maioria e assinada por alguem que ja estava contratado antes mesmo de escrever uma linha. Nao, nao era um desconhecido de Minneapolis.

    O autor que se dedica anos a um boa ideia, cultiva seus roteiros, e nao consegue nem ser lido pode entao querer acreditar que nao-sou-lido porque meu roteiro nao chega aos pes dos patrimonios-dignos-de-respeito.

    Melhor teria sido a verdade nua-e-crua: voce nao e lido porque voce nao e ninguem e nao conhece ninguem que conhece alguem. Se um dia voce chegar dentro, provavelmente vai estar escrevendo historias tao ruins que nao vai se lembrar nem dos seus tres primeiros roteiros que eram historias apaixonantes. Detalhe: vai estar escrevendo historias ruins mas de um jeito respeitoso.

    Comentário por Regia Mendonca — 04/12/2011 @ 05:43

  2. Tá. Nesse post eu desejo comentar algo que acho ser útil: o mercado brasileiro não se compara ao americano e não temos agentes de roteiro só para começar. A indústria funciona de uma maneira completamente única onde seus contatos valem muito mais do que seu trabalho e a meritocracia é um caminho que existe, mas é um caminho “diagonal” na melhor das hipóteses. Sem contatos quentes não se pode ter nem um roteiro avaliado. É necessário criar uma estrutura de produção própria, investir dinheiro e tempo em produzir algo que alavanque o que você escreve ou seu nome para que só assim você tenha alguma chance real. Exemplo 1.: você poderia fazer uma oficina de roteiro da Globo se soubesse quando elas acontecem, mas eles evitam contar ao público. Se você sabe que ela existe, só pode entrar nela se possuir um patrono autor na Globo e um patrono autor precisa já conhecer seu trabalho produzido porque legalmente o contrato de autores da Globo não permite o autor ler roteiro de terceiros. Exemplo 2: você poderia tentar levar seu roteiro para uma TV a cabo, mas elas só irão ler seu roteiro se estiver atrelado a um projeto assinado por uma produtora de bom nome que provavelmente não fará isso porque não irá arriscar apoiar um projeto sem chances reais de lucro (TV a cabo no Brasil tem menos audiência que certos blogs e faz pouca grana). Os caminhos aqui são fechados e não há uma porta que se abre. No máximo você consegue arrombar uma janela com muito custo. Até roteiristas freelas que conseguem ser lidos e terem seus trabalhos produzidos sofrem preconceito em redes de TV pelos funcionários da casa e possuem pouca chance de serem contratados após o trabalho (seja qual for). A TV não precisa de mais roteiristas. Ela até permite vez ou outra algum entrar na roda, mas a indústria não acredita na necessidade de bons roteiros ou novos roteiristas. Eles dão em penca na família de qualquer um que já trabalhe por lá.

    Comentário por Alexandre Nix — 04/12/2011 @ 06:01

    • Alexandre Nix

      Concordo em letra e numero com sua avaliacao e frustracao, sobretudo com sua perspicacia em entender o estranho fenomeno das pencas de talentos em familias que ja estao entronizadas na industria. Vai haver transferencia genetica assim la na casa-do-chapeu! Mas nao pense que o mercado americano oferece alguma oportunidade que se baseie em meritocracia. So para deixar um exemplo, quando eu me sentava nos bancos da UCLA lembro-me que eramos 12 aspirantes numa aula de desenvolvimento de roteiro, e o unico que tinha os ovos babados a exaustao era um australiano cujo projeto ainda nao tinha nem as eiras nem as beiras, nem meia duzia de linhas ja escritas e o professor estava encantado dizendo que ele mesmo garantiria os futuros contatos, e bla-bla-bla. Eu guardava os outros alunos, alguns com historias mais interessantes e muito mais executadas e executaveis do que uma historia que, se nao me falha a memoria, iria meter uns jovens num navio emprestado pelo pai de um deles e perde-los numa ilha onde iriam ser mortos ou coisa assim…o autor ainda nao tinha ainda uma clara ideia de como iriam morrer, porque iriam morrer, quem iria matar, pra que iria matar nem porque era um navio, uma ilha, se era terror, se era drama, se era acao… a ideia era pra ca de incipiente… nao digo que nao era uma ideia filmavel, apenas que eu nao conseguia enxergar a genialidade exacerbada da coisa que, no papel, ainda nao havia praticamente nada e era tudo aparentemente cliche. Se nao falha a minha memoria – quica estou confundindo – o professor convenceu o aluno a iniciar outro roteiro que ele queria apresentar pessoalmente a um talento-A pois via no aluno um potencial extremo de criar esta outra historia que nada tinha com a primeira, etc. A unica coisa que nao me passava despercebida era a jovialidade, beleza, o tesao de rapaz que era o australiano, e a discrecao com que o professor deixava a baba rolar. Tinha de fazer forca para nao deixar o professor entender que ja havia entendido que ele estava en-can-ta-do com o aluno. Que fim tera tido aqueles roteiros e o rapaz bonito so os astros sabem, mas ali eu visualizei perfeitamente que alem do quem-e-seu-tio, rola muito tambem como-sao-lindos-seus olhos. Nao e por talento nato que as vezes um Brad Pit chega onde chega nem e por meritocracia que alguns chegaram e outros nao. No Brasil entao, nem o Estado coloca verba nas maos daqueles que escrevem por desejo verdadeiro de escrever ou por competencia em escrever, mas la fora um bom roteirista nao vai encontrar mais facilidade nao. Quem perde e a audiencia, que fica sem bons filmes.

      Comentário por Regia Mendonca — 04/12/2011 @ 11:54

      • Acrescentando: para ser aceito pela USC ou UCLA para cursos de graduacao na setima arte, se nao me engano (posso sempre estar enganada) o aspirante tem de trazer duas cartas de recomendacao. O sobrinho de um grande diretor consegue sempre. Sem as cartas, voce nao se qualifica nem para o processo de inscricao. Fora isto, voce pode se contentar com os cursos de extensao, abertos a todos, pois e uma verdadeira fabriqueta para manter autores como professores sobrevivendo na entresafra pois uma vez que voce e sindicalizado, voce nao pode vender seus roteiros abaixo de um valor, e para nao morrer de fome, dar aula e uma boa alternativa de ter uma fonte de renda que pague suas contas de luz. Sao milhares de aspirantes com seus milhares de roteiros fazendo as doze aulas para melhorar o proprio produto acreditando na maxima do Richard de que um bom roteiro abre portas, as mesmas portas que o Alexandre Nix sabe que estao fechadas.

        Comentário por Regia Mendonca — 04/12/2011 @ 12:03

  3. É por essas e outras que é preciso ter muito amor, porque não há dia que não me pergunto onde fui amarrar minha égua.

    Comentário por Alexandre Nix — 09/12/2011 @ 21:10

  4. Mas ouvi dizer que cada página equivale a um minuto de filme, e sei que os filmes de hoje duram em média 2 horas, isso não quer dizer que o roteiro deve ter em média 200 páginas?

    Ficarei agradecido se me tirar essa dúvida.

    Parabéns pela matéria, leio seus posts e acho todos muito interessantes, parabéns novamente pelo conteúdo.

    Comentário por Rafael Santos — 20/12/2011 @ 22:11

    • Oi, Rafael!

      O que aconteceu aqui foi um pequeno erro de cálculo. Como temos um sistema de numeração decimal, é comum multiplicarmos automaticamente tudo por 10. Só que as horas são compostas por 60 minutos; portanto, duas horas são 120 minutos. Mas os roteiros atuais estão tendendo a um número de páginas entre 100 e 110, já que a duração dos filmes tem diminuído um pouco.

      Muito obrigada, Rafael, fico super feliz que esteja gostando das matérias, em janeiro terão muitas mais, pode voltar no dia primeiro pra conferir! 😀

      Um maravilhoso Natal pra você e sua família, e um 2012 cheio de roteiros super bacanas pra vender (e muitos profissionais interessados em comprá-los, claro!). :mrgreen:

      Um abração e até janeiro! =D
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 24/12/2011 @ 12:05

  5. Vamos ser práticos. Quer fazer cinema? Quer mesmo? Então forme um grupo que queira o mesmo que você, uns ajudam os outros, se abastecem e assim conseguem trabalho. Agora como formar um grupo? Tem várias formas, a melhor eu acho é na Universidade, ali você vai conhecer pessoas com os mesmos interesses. Eu entendo que esta é a melhor maneira. Ficar com esta choradeira, que é difícil, que é impossível, não leva a lugar nenhum. E como diz um grande amigo meu, muito mais difícil que fazer cinema é fazer uma padaria, faça uma para você ver.

    Comentário por Antunes — 31/12/2011 @ 22:50

    • Rsrs! Adorei a comparação com a padaria! E eu acredito em seu amigo, padaria deve ser uma dureza, ela não para! É pão fresquinho (entre outras coisas) várias vezes por dia, todo santo dia, sem domingo nem feriado! Deve ser uma loucura! (Eu tenho primos distantes que tinham um bar e também sofriam a mesma coisa, eles tinham de abrir o ano inteirinho e ainda por cima o bar NUNCA fechava!! O que significava NENHUM descanso! Como esse povo consegue? Eita, pensando bem, cinema é facinho, facinho!! Rsrs!! :mrgreen: )

      E é sempre bom a gente manter nossa esperança acesa, não é mesmo? Caso contrário, desistir torna-se uma tentação grande demais.

      Eu estarei sempre aqui botando o pouquinho de lenha que tenho pra manter essa chama acesa pra todo mundo que aparecer por estas bandas. 😉

      Um abração, Antunes, valeu pela visita! Um excelente (e cinematográfico) 2012!! =D

      Comentário por valeriaolivetti — 01/01/2012 @ 09:50


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