Dicas de Roteiro

19/11/2011

Quer Ser Um Bom Escritor?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:00
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O artigo de hoje é da romancista, professora e orientadora, Rosanne Bane, e foi tirado de seu site (um dos meus favoritos), The Bane of Your Resistance:

Bloqueio de escritor1

Esperar Perfeição É Uma Passagem Só de Ida Para a Cidade da Resistência

Uma das principais fontes de resistência à escrita é o desejo de escrever coisas boas. E a exigência de produzir escrita perfeita é uma viagem garantida só de ida para a Cidade da Resistência. Então, como fazemos para escrever coisas boas, se apenas querer isso significa que vamos acionar a nossa resistência?

Nós nos esquivamos dela. Nós renunciamos ao desejo de qualquer resultado em particular e nos tornamos dispostos a escrever mal.

Você Tem Que Estar Disposto a Ser Ruim!

Para escrever bem, primeiro você tem que escrever algo. E para escrever algo, você tem que estar disposto a escrever mal, porque, seja o dia que for, você não tem como saber se o que você vai produzir nesse dia será a prosa brilhante ou a luminosa poesia pela qual você anseia, ou um lixo total e completo. Se você não estiver disposto a se arriscar a escrever lixo, você não vai escrever nada.

Escrever mal é o que Anne Lamont chama de o Primeiro Rascunho de M*rda, ou o que Marla Beck chama de Rascunho Queijo Suíço.

O Rascunho de Lixo

Eu chamo isso de escrever o Rascunho de Lixo. No meu curso Escrevendo Nosso Caminho Através da Sombra, eu desafio os meus alunos – e agora eu desafio você – a escrever algo realmente horrível, clichê, banal, desajeitado, estúpido, incompleto, inacreditável, bobo, sentimental, chato, pomposo, ou qualquer outro adjetivo que você odiaria que fosse atribuído à sua escrita.

Você ficará surpreso com como liberar isso é não só dar a si mesmo a permissão para escrever mal, mas para intencionalmente escrever a pior coisa que você possa pensar. E você pode se surpreender com o quão difícil é continuar escrevendo mal, o que é o objetivo do exercício: escrever qualquer coisa, mesmo escrevendo mal, lhe liberta e você entra no seu ritmo de escrita. Antes que perceba, você está escrevendo, e então, se não tiver cuidado, você pode simplesmente começar a escrever bem.

Se você está ficando preocupado que escrever um Rascunho de Lixo desintegrará as suas habilidades, que se continuar tentando escrever mal, você vai ficar bom em ser ruim, isso é apenas a sua resistência falando. O objetivo final não é escrever mal, é estar disposto a escrever mal. O Rascunho de Lixo é apenas um exercício para desenvolver a sua vontade. Você realmente não pode continuar escrevendo abaixo de sua própria habilidade e nível de talento por muito tempo.

Nada de Bom em Ser Ruim

Eu não fico nem um pouco decepcionada ou surpresa quando os meus alunos dizem algo como: "Bem, eu comecei a tarefa do Rascunho de Lixo, mas não pude fazê-la. Eu escrevi uma página ou mais de lixo, mas ele foi ficando bom, então eu desisti da tarefa e apenas escrevi." BINGO!

Então vá em frente e escreva lixo!

Escreva o Rascunho de Lixo

Disposição de Escrever Lixo = Disposição de Escrever Algo

Boa escrita pra você hoje! =)

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13 Comentários

  1. Já fiz escrevi uma temporada inteira para minha série. Já está tudo pronto. Mas qual é o próximo passo?

    Comentário por Gustavo Melo — 19/11/2011 @ 14:22

    • Oi, Gustavo!

      Em primeiro lugar, PARABÉNS!!! Você terminou uma temporada inteirinha?!! Isso é fantástico!! Estou realmente muito feliz por você! =D

      Se você já escreveu, reescreveu, está satisfeito com o resultado, já registrou devidamente o seu trabalho, então chegou a hora de vendê-lo. Bem, digamos que aí é que a porca torce o rabo. Eu já fiz um post sobre isso, dê uma lida nele: https://dicasderoteiro.com/2010/05/05/como-comecar-uma-carreira-de-roteirista-no-brasil/

      Infelizmente, não há um concurso público pra se entrar na carreira de roteirista, a gente tem que “bater na porta” dos profissionais do ramo e rezar para que eles leiam nosso trabalho (e gostem dele! e queiram comprá-lo!). Este é um ramo muito concorrido e muito fechado, mas é possível entrar nele.

      É isso, Gustavo, estou torcendo para que você supere todas essas barreiras e comece uma carreira de muito sucesso como roteirista! Toda história de sucesso é extremamente importante, porque ela torna-se uma luz de esperança pra todos nós que temos o mesmo sonho.

      Um abraço grande! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 20/11/2011 @ 09:22

  2. Olá!
    Eu tenho o hábito de escrever um romance, sem perceber se estou indo bem ou ruim. Conto a história do início ao fim e depois de centenas de páginas escritas, que eu vou me preocupar com o que ficou realmente ruim. O que não presta ou não tem conserto, jogo fora. Se eu parar o que eu faço, para ver se estou indo bem e tentar corrigir, eu não consigo dar seguimento ao que estava fazendo. Me perco!
    Idêntico ao um trem desgovernado. Totalmente sem freio. É assim que eu escrevo.

    Um abraço

    Comentário por Edson Gomes — 19/11/2011 @ 15:12

    • Oi, Edson! 😀

      Sabe que você está totalmente certo? Deixar o trem desgovernado chegar ao seu destino é a melhor coisa a se fazer, ele pode estar sem freio, mas está indo em frente, não é mesmo? E quando a gente põe tudo o que está preso em nossa cabeça pra fora, no papel, conseguimos passar pra próxima fase, de crítica, análise e correção, com muito mais tranquilidade.

      Eu gostei muito do trem desgovernado e sem freio, é uma ótima imagem mental que define bem o que frequentemente acontece no processo de escrita. :mrgreen:

      Um abraço grande, Edson, e obrigadão pela contribuição!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 20/11/2011 @ 09:30

  3. Estou passando por esse problema atualmente. Escrevendo e voltando ao que já está escrito para conferir se não há lixo. O problema é que quando volto a escrever já não sei mais o que escrever. É o mesmo que o Edson disse acima. Preciso parar com isso urgentemente. Engraçado que antigamente eu escrevia direto, sem me preocupar se está bom ou ruim, e me lembro que minha escrita saía de forma mais fluída e fácil, o que não ocorre hoje. Vai ver é por isso que ando frequentemente em “bloqueio criativo”. Adorei a dica! ^^

    Comentário por Luiz Fernando Teodosio — 19/11/2011 @ 21:16

    • Oi, Luiz Fernando! 😀

      Ih, você sabe que eu já fiquei um tempão presa nessa? É verdadeiramente enlouquecedor, a gente acaba deixando tudo de lado, porque não dá pra terminar nada desse jeito. Eu ainda tenho que tomar cuidado pra não retomar esse hábito maldito toda vez que termino um projeto e começo outro. Como eu terminei algo que me deixou satisfeita, eu quero logo começar um que esteja à altura, me esquecendo que tive que escrever muita porcaria antes, para chegar até lá. Pois é, maus hábitos são traiçoeiros, se a gente deixar, eles voltam com tudo! Como dizem os escoteiros, devemos ficar “sempre alertas”!

      Outra dica boa para acabar com o bloqueio de escritor são os 15 minutos mágicos (https://dicasderoteiro.com/2010/06/29/os-15-minutos-magicos/), eles realmente funcionam. Juntando essas duas técnicas, então, não vai ter bloqueio que te segure mais.

      Um abraço grande, Luiz Fernando, obrigadão pela visita e uma ótima escrita pra você! Sucesso!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 20/11/2011 @ 09:41

  4. Tenho uma dúvida. No meu roteiro alguns personagens falam errado, eu tenho que escrever com erros de português? Tipo “É mermo”, “Pra tu”…

    Comentário por xJunior — 20/11/2011 @ 19:43

    • Oi, xJunior!

      Sim, seria bom se você escrevesse com as características de linguagem do personagem. Alguns autores dizem que se um personagem tem um sotaque estrangeiro, você não deve escrever os diálogos desse jeito, só deve deixar bem claro no começo, na descrição inicial do personagem, que ele fala sempre assim. Mas no seu caso, eu acho interessante você escrever como se fala, com os erros especificados. Um personagem como a Magda, do antigo programa da Globo, Sai de Baixo, que errava todos os ditados populares, deve ser escrito do jeito que a atriz vai falar, a piada está exatamente nos diálogos.

      Dê uma lida no roteiro do longa Cidade dos Homens, lá você verá que eles usam gírias, palavrões, e modo coloquial de falar (apesar de terem maneirado bastante nos erros de português).

      Um abraço, xJunior, espero ter ajudado um pouco!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 21/11/2011 @ 16:12

      • ajudou muuito 😉

        Comentário por xJunior — 25/11/2011 @ 19:02

  5. Eu conheço essa tática! já usei nos tempos de teatro e ajudou muito.
    Porém, na escrita ainda não consegui fazer isso, simplesmente não sai 😦
    Tem alguma dica de como seguir essa dica ? kk

    Abraço

    Comentário por Fábio — 01/12/2011 @ 02:28

    • Oi, Fábio!

      Eu acho que para seguir esta tática, basta simplesmente relaxar e escrever o que vêm à mente, sem censura. O resultado pode até ser bom, mas o objetivo aqui é exatamente não se bloquear por causa da busca pela perfeição. Se a gente escreve do jeito que jamais aceitaria escrever, colocando tudo de “ruim” pra fora, fica mais fácil relaxar para escrever o bom. O perfeccionismo pode ser uma maldição na vida do escritor.

      De qualquer forma, continue tentando, sem pressão, caso contrário isso pode acabar se transformando em outra fonte de bloqueio, que é exatamente o oposto do que queremos, não é mesmo? Apenas divirta-se botando no papel todos os lixos que ficam rondando a mente; quando a gente olha pra eles ali, no papel, cara a cara, vemos que não somos tão mal escritores quanto pensávamos.

      Um abraço grande!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 01/12/2011 @ 10:34

  6. Olha, vou ser sincera, tenho orgulho dos lixos que eu escrevi. De verdade!!
    😉

    Bjs!!!

    Comentário por Marcia Freddy — 03/12/2011 @ 22:23


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