Dicas de Roteiro

13/11/2011

Cinco Armadilhas de Roteirismo a Evitar

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:11
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Este artigo é de autoria de Nathan Marshall, e tirado do site Script Frenzy:

armadilha

Eu passo muito tempo no meu site, www.scriptfaze.com, falando sobre coisas que os escritores DEVEM FAZER para melhorar a sua escrita, e para tornar seus roteiros tão ágeis e vendáveis quanto possível. Também estou espantado com todas as ótimas dicas e insights fornecidos aqui no site Script Frenzy – que recurso incrível! Dito isto, eu achei que era hora de alguém dar uma de Super Sincero só por um minuto, e cobrir algumas armadilhas que todos os escritores devem ter cuidado de NÃO FAZER ao fabricarem o seu mais novo roteiro.

Então, aqui estão cinco erros comuns que todo roteirista deve EVITAR:

1) PERSONAGENS DE APOIO COMO CAIXAS DE RESSONÂNCIA

É verdade. O seu antagonista precisa de pessoas com quem conversar, e não há melhor maneira de inserir um pouco de exposição do que criar uma conversa inteligente entre o herói e seu melhor amigo, sua mãe, ou mesmo aquele estranho com quem ele esbarra no metrô. O problema no qual muitos escritores incorrem, todavia, é esquecer de fazer esses personagens de apoio personagens completamente formados – e não apenas caixas de ressonância para o seu protagonista. Agora, eu não estou dizendo que cada pessoa com uma fala mereça o trabalho de dez páginas de cena interessante. Às vezes, você pode relacionar tudo o que o público precisa saber sobre as características de um personagem em apenas algumas linhas. Entretanto, se você escolheu escrever um personagem para o seu filme, ele não pode ser apenas uma folha em branco que continua fazendo ao seu herói um monte de perguntas convenientes. Todo personagem deve aparecer como uma PESSOA REAL, e suas ações e diálogos devem sempre parecer ser motivados por seus desejos, metas e atitudes individuais.

2) FINAIS ÓBVIOS

Esta observação pode soar um pouco, bem… óbvia. E ainda assim, esse é um dos erros mais comuns que os escritores cometem quando embarcam numa nova carreira de escrita de roteiros. A questão principal é esta: O seu público é mais inteligente do que você pensa. Se você soltar uma dica bem no começo do seu roteiro sobre um casamento, concurso, ou impasse apocalíptico próximo, eles vão imediatamente SUPOR que este evento irá coroar o final do seu filme. E se acontecer do seu herói ser uma esposa frívola, um músico que luta para sobreviver, ou um super-herói perdedor, eles também vão supor o RESULTADO final do seu antagonista durante este clímax. Definir expectativas específicas PODE ser uma coisa boa, mas somente se você subvertê-las depois. Não cometa o erro de levar o seu público por um caminho esperado até uma conclusão esperada.

3) MUDANÇAS DE TOM

Você já esteve numa sala de cinema assistindo um suspense ou um drama sério, quando de repente a trama ficou doida ou os personagens disseram algo totalmente ERRADO para o momento – e todos no cinema começaram a rir? Se sim, você experimentou uma MUDANÇA DE TOM. TOM é coisa frágil, e uma vez que você tenha fixado a SENSAÇÃO específica do seu roteiro – seja ele uma clara comédia, um suspense sério, um drama leve etc. – você deve ter cuidado para MANTER este tom do início ao fim. Não há maneira melhor de perder o seu público do que puxar o tapete de debaixo dele no meio de um roteiro, e fazer o seu tom MUDAR de um gênero para outro. Agora, eu não estou dizendo que não pode haver momentos cômicos em um filme dramático, ou uma cena comovente no meio de Superbad. Tenha cuidado, entretanto, para que estas cenas fora-da-norma sejam fiéis à sensação do filme que você está escrevendo.

4) DESCRIÇÃO ININTERRUPTA

Escrita de roteiros é toda sobre personagens, enredo e diálogos – NÃO sobre os detalhes de decoração de um quarto, as minúcias da mudança das estações, ou o tintim por tintim de cada passo que o personagem dá. Livros de ficção são mais pensamento abstrato. E se você PREFERIRIA estar escrevendo um romance – NaNoWriMo estará aqui antes que você perceba! Roteiros, no entanto, NÃO SÃO LIVROS, e os seus blocos de descrição devem ser tão focados e minimalistas quanto possível. Antes que o seu filme enfeite a tela de um cinema local, ele deve ser escolhido, entre PACOTES de outros roteiros, por estagiários, agentes e produtores. Você pode ter escrito o melhor filme de prisão desde Um Sonho de Liberdade, mas se você passou as duas primeiras páginas descrevendo as bolinhas de poeira do corredor da morte, ninguém jamais irá lê-lo.

5) PROTAGONISTA FRACO

Este é o mais importante e, infelizmente, o mais comum. Eu mesmo já fiz isso: Escrevi um roteiro cheio de papéis coadjuvantes excelentes, loucas reviravoltas inesperadas e acrobacias que desafiavam a morte – só para relê-lo e perceber que o meu personagem principal MAL ESTAVA PRESENTE. Claro – ele estava lá em todas as cenas, geralmente cumprindo seu papel como líder, mas todos à sua volta eram simplesmente… MAIS LEGAIS. Surpreendente, um monte de escritores comete esse erro. Personagens menores são mais fáceis de apimentar, enquanto o PROTAGONISTA frequentemente está sobrecarregado com história pregressa, subtexto, e motivações mistas – tudo o que pode torná-lo arredio e desinteressante. Para combater isso, certifique-se de que o seu herói seja sempre ATIVO e que ele INFLUENCIE cada cena de que faça parte. E dê-lhe alguma personalidade! Claro, a vigilante mãe do jogador de futebol que conduz a sua história pode ser inteiramente baseada em VOCÊ – mas ela não deveria ser a versão engraçada, espirituosa e brincalhona de você mesma que normalmente só se revela nas viagens à Disneylândia? Acho que sim.

Cinderella - Scarlett Johansson

Boa escrita pra você hoje!

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