Dicas de Roteiro

10/11/2011

Como Criar Grandes Metas de História

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:20
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Este artigo é de autoria do roteirista, cineasta, professor universitário de roteirismo e consultor de roteiros, V. Prasad, e foi tirado do site Script Lab:

rosebud

Se você já se encontrou na beirada de seu assento no final de um jogo de futebol, saberia que um roteirista pode aprender muito com esportes. Um ótimo jogo de bola (futebol americano, basquete ou qualquer outro) pode ensinar-lhe lições importantes sobre suspense e manter o interesse do público.

Esportes usam os mesmos princípios dramáticos que o roteirismo. Há um protagonista (o time pelo qual você está torcendo) e um antagonista (o time contra o qual ele está jogando). E o seu time tem um objetivo claro: marcar mais pontos do que a outra equipe antes do jogo acabar.

Se o jogo está quase empatado nos minutos finais, você é cativado pela esperança de que o seu time vá ganhar, e pelo medo de que ele vá perder, porque você sabe exatamente o que o seu time precisa fazer para vencer e quanto tempo ele tem para fazer isso.

No futebol americano, para marcar um touchdown, tem que se colocar a ponta da bola no outro lado do plano da linha de gol. Faz-se isso e o seu time consegue seis pontos. Se errar, mesmo que seja por um milímetro, não ganha nada.

Esse é o tipo de objetivo que você deseja definir para o seu personagem principal: Um em que ele consegue tudo ou não consegue nada. A linha entre o sucesso e o fracasso deve ser clara e inconfundível.

A maleta cheia de dinheiro. Os planos de guerra secretos. O Falcão Maltês. Às vezes, o objetivo é o aspecto menos interessante da história. Alfred Hitchcock cunhou o termo "MacGuffin" para descrever a coisa que seus personagens estavam tentando conseguir. Para Hitchcock, o "MacGuffin" em si não era importante, desde que ele fosse específico e que o público entendesse o que estava em jogo se o personagem principal não o obtivesse.

Se você não estiver escrevendo um filme de ação ou um suspense, provavelmente não terá um MacGuffin. Mas você ainda deve encontrar um objetivo distinto para o seu personagem principal, um onde o sucesso ou o fracasso seja completo. Onde não haja meio-termo.

Certifique-se de expressar o seu objetivo como uma conquista. Evite usar as palavras "ser" ou "tornar-se." "Tornar-se um dançarino" não é um objetivo claro. "Entrar na Academia Real de Balé" ou "Ganhar o Concurso ‘Se Ela Dança Eu Danço’" funcionam melhor, porque eles dão ao personagem algo específico pelo qual trabalhar e, no clímax do filme, o público vai saber definitivamente se ele foi bem-sucedido ou fracassou.

Agora, e se você está fazendo um filme "movido pelo personagem"? Um em que a história centra-se sobre o que o personagem inconscientemente necessita, em oposição ao que ele conscientemente quer? Aquela necessidade inconsciente ainda vai manifestar-se em objetivos tangíveis.

Em Cidadão Kane, ao longo da história, Kane tenta construir um império jornalístico, concorrer a um cargo público, e transformar a sua amante em uma estrela da ópera. Cada uma dessas metas é clara em si mesma e todas elas são guiadas pela necessidade inconsciente de Kane, que é enigmaticamente sugerida em sua fala ao morrer: "Rosebud."

Então, da próxima vez que você se encontrar envolvido em um jogo emocionante, preste atenção às metas de curto e longo prazo e como elas mantêm você, o espectador, na beirada de seu assento.

gol

Boa partida escrita pra você hoje! 😄

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2 Comentários

  1. Excelente texto!!!

    Interessante a relação que ele fez entre filme e esporte. No esporte, seja qual for ele, sempre elegemos heróis e vilões, metas a serem alcançadas. Muito suspense e muita ação.

    Abraços, Valéria!!!!!!!!!

    Comentário por Paulo Henrique — 11/11/2011 @ 15:30

    • Sabe que eu nunca tinha analisado isso assim antes? Agora já vejo os esportes de outro jeito. Mas, se pensar bem, sempre existiram muitos filmes sobre atletas e times, não é mesmo? Desde dançarinos e patinadores no gelo a golfe e surfe. Alguns são bem interessantes, feito o Invictus (2009), com o Matt Damon e Morgan Freeman, onde o inimigo do time de rúgbi da África do Sul não estava representado apenas pelos times adversários, ele, na verdade, residia principalmente dentro de seus próprios jogadores.

      Valeu, Paulo Henrique, um abração!! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 12/11/2011 @ 10:57


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