Dicas de Roteiro

01/11/2011

Sete Truques de Roteirismo Tirados de Filmes de Terror

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:28
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Olá! Ontem foi witch[3] Dia das Bruxas/Halloween Diabo Alienígena e amanhã é Dia de Finados! Morcego vampiro Fantasma Então, hoje é o dia perfeito para escrever sobre terror (meu gênero favorito :mrgreen: ). O artigo a seguir foi tirado do blog Scr(i)nk e escrito por Jason Davis. Atenção:SPOILERS dos filmes citados.

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O Incrível Homem Que Encolheu (1957)
Roteiro de Richard Matheson
Baseado em seu romance O Incrível Homem Que Encolheu

A Lição: Mesmo o mundano pode ser extraordinário quando abordado por um novo ângulo.

O escritor Richard Matheson (Em Algum Lugar do Passado), frequentemente brinca que a palavra "incrível" não é realmente necessária em um título como O Homem Que Encolheu. A redundância do adjetivo fala da magia inerente da premissa na qual Scott Carey (Grant Williams) passa através de uma nuvem radioativa e começa a encolher. O drama, que centra-se na mudança do relacionamento de Carey com sua família em um nível emocional, e com o próprio mundo em um nível prático, resume a importância do ponto de vista na narrativa. Conforme o tamanho dele diminui, o comum torna-se bizarro e perigoso, visto que Carey deve lutar primeiro com o gato da família e, posteriormente, com uma aranha doméstica. Sua odisséia faz aquilo no qual Matheson e o romancista Stephen King se notabilizam – criar horror no meio da banalidade. Poucos de nós temos a possibilidade de vagar através de um cemitério amaldiçoado ou de uma casa mal-assombrada, mas cada um de nós enfrentamos os inimigos de Scott Carey diariamente. É preciso apenas uma mudança de percepção para torná-los matéria-prima de algo excitante na tela grande.

Desafio ao Além (1963)
Roteiro de Nelson Gidding
Baseado no romance de Shirley Jackson

A Lição: Deixe o espectador fazer o trabalho pesado.

Como tantos filmes, O Incrível Homem Que Encolheu exige que seu público suspenda a descrença. O roteiro de Matheson torna isso fácil ao enraizar a história em ambientes mundanos, mas o tratamento para as telas de Nelson Gidding (The Andromeda Strain) do conto seminal de Shirley Jackson, The Haunting of Hill House, leva a confiança do filme no espectador um passo além do que a maioria. No filme, quatro indivíduos – cada um com seus próprios demônios pessoais – conduzem uma investigação sobre os fenômenos paranormais que assolam uma notória mansão mal-assombrada. Ao contrário da refilmagem carregada de efeitos especiais de 1999, a adaptação original de The Haunting deposita a maior parte do ônus sobre o público, para imaginar o que causa os fenômenos pertubadores dentro da casa. Combinada com o comportamento histérico dos personagens, a própria imaginação do espectador evoca manifestações muito mais perturbadoras do mal-estar metafísico da casa do que o orçamento de 1,1 milhões dólares do diretor Robert Wise jamais poderia esperar. É deixado para a imaginação dos espectadores preencher os espaços em branco – como com o uso mínimo do tubarão em Tubarão – criando uma experiência muito mais gratificante do que poderia ser conduzido à tela.

Psicose (1960)
Roteiro de Joseph Stefano
Baseado no romance de Robert Bloch

A Lição: Nunca deixe o público assumir nada como garantido.

Como a ameaça sobrenatural de Desafio ao Além, a alegada vilã de Psicose só faz a sua aparição post mortem após ser revelado que seu filho é o responsável pelas atrocidades do filme. Baseado no romance de Robert Bloch – que foi ele próprio inspirado pelas façanhas do assassino em série Ed Gein – Psicose narra a fuga da defraudadora Marion Crane (Janet Leigh) para um hotel remoto, onde ela é rapidamente assassinada pelo gerente psicótico, Norman Bates (Anthony Perkins). "E daí?", você pode perguntar, se não percebeu que o acima mencionado acontece todo no primeiro ato do filme, e que Leigh foi anunciada como a estrela do longa apenas para encontrar o seu emblemático fim bem antes do meio do filme. A ousada execução sumária da suposta estrela do filme tão cedo na narrativa assegurou aos espectadores que qualquer personagem no roteiro de Joe Stefano (The Outer Limits) era um alvo, e criou uma atmosfera de tensão que escapa à maioria dos filmes onde é assegurado ao protagonista um final feliz.

Pânico (1996)
Escrito por Kevin Williamson

A Lição: Confunda as expectativas do espectador.

O escritor Kevin Williamson (Dawson’s Creek) e o diretor Wes Craven (A Hora do Pesadelo) pegaram uma dica de Psicose ao elaborarem o primeiro filme da trilogia Pânico para a Dimension Films. [N.T.: Este ano (2011) saiu o quarto filme da série] Eles mataram a Drew Barrymore nos momentos de abertura do filme, antes de apresentar adequadamente o seu público ao mundo de Woodsboro, Califórnia, uma cidade assolada por uma série de assassinatos em série. Conforme a contagem de corpos aumenta, a protagonista Sidney Prescott (Neve Campbell) e o público tornam-se cada vez mais desconcertados, visto que nem um único suspeito entre o conjunto do elenco do filme poderia ter cometido todos os assassinatos. Como observou Sherlock Holmes em "O Roubo da Coroa de Berilos", de Sir Arthur Conan Doyle,  "É uma velha máxima minha que, quando você tiver excluído o impossível, aquilo que permanecer, ainda que improvável, deve ser a verdade." Tal é o caso de Pânico, onde é finalmente revelado que dois assassinos igualmente fantasiados estão cometendo os homicídios em conjunto – tentativas de confundir para impedir de desvendar o mistério.

O Silêncio dos Inocentes (1991)
Roteiro de Ted Tally
Baseado no romance de Thomas Harris

A Lição: Respeite o seu antagonista.

Os vilões de Pânico provam sua engenhosidade com seu reinado de terror de dupla vertente, mas são amadores quando comparados com o psicótico psiquiatra Hannibal Lecter. Demasiadas vezes, os filmes apresentam um vilão imbatível que parece invulnerável até que o herói precisa derrotá-lo a tempo para um final feliz. Não é assim com O Silêncio dos Inocentes. Embora o serial killer Buffalo Bill (Ted Levine) seja levado à justiça via Smith e Wesson, um antagonista muito mais mortal escapa da lei na forma do diabólico Dr. Lecter. O roteiro de Ted Tally (Espírito Selvagem), adaptado do segundo romance sobre Lecter escrito por Thomas Harris, cria o vilão máximo – um homem tão intuitivo que consegue se infiltrar na mente da agente do FBI, Clarice Starling (Jodie Foster), e despertar seus maiores medos de infância. Ao longo do filme, Lecter joga uma sutil partida de xadrez com as autoridades. Ele oferece à Starling dicas sobre Bill, enquanto avança em seu próprio esforço de criar uma oportunidade para escapar. O espectador pode nunca saber o que Lecter está pensando em qualquer dado momento, mas sabe que ele está pensando, e isso produz um vilão eficiente e carismático.

Inverno de Sangue em Veneza (1973)
Roteiro de Alan Scott e Chris Bryant
Baseado na história de Daphne Du Maurier

A Lição: Uma imagem emblemática vale páginas inteiras de diálogo.

O Silêncio dos Inocentes está repleto de imagens memoráveis ​​— a mariposa retirada da boca da vítima de Bill e a requintada máscara facial de Lecter, para citar alguns – mas uma maneira infalível de imprimir ideias na mente de um público é casar a noção com um imagem tão potente, que ela traga de volta as circunstâncias de seu uso inicial em cada reincidência. Inverno de Sangue em Veneza, adaptado por Alan Scott (D.A.R.Y.L.) e Chris Bryant (Reencarnação) a partir do conto de Daphne Du Maurier, narra a história do restaurador arquitetônico John Baxter (Donald Sutherland) e sua esposa, Laura (Julie Christie), que viajam a Veneza após a morte de sua filha (Sharon Williams). O filme começa com a menina se afogando em um lago perto da casa da família, enquanto vestia um casaco vermelho brilhante. Ao longo de sua estada em Veneza, John Baxter repetidamente vislumbra uma pequena figura usando o mesmo casaco emblemático, e a nauseante memória de uma criança morrendo retorna tanto para o pai quanto para o espectador, conforme John tenta desvendar o significado do que ele acredita ser uma experiência psíquica. No final, a figura revela-se ser algo bastante inesperado, e a revelação carrega consigo o impacto da morte para o auge do filme, juntamente com o choque criado por uma súbita mudança no significado do casaco vermelho dentro da história.

O Exorcista (1973)
Roteiro de William Peter Blatty
Baseado em seu romance

A Lição: Sempre jogue pelas maiores apostas.

A perda de um filho é uma ideia poderosa que permeia Inverno de Sangue em Veneza e fornece uma âncora para a narrativa excêntrica do diretor Nicholas Roeg (Bad Timing), mas a adaptação de William Peter Blatty de seu próprio romance, O Exorcista, para o diretor William Friedkin (Operação França), usa a vida de uma criança para um efeito ainda maior. No filme, assim como no livro, a jovem Regan MacNeil (Linda Blair) é possuída por um demônio chamado Pazuzu, e o Padre Lancester Merrin (Max Von Sydow) é convocado a salvar a alma da criança do intruso maligno. O roteiro de Blatty demonstra um profundo entendimento dos riscos ao equilibrar a história tanto sobre a vida de uma criança inocente quanto sobre a guerra mais metafísica entre o bem e o mal. Empregando o princípio de Psicose, o padre Merrin é desigual para a tarefa e encontra o seu criador, deixando para o conturbado Damien Karras (Jason Miller) terminar a luta contra a escuridão. Como o trabalho de Matheson, a história nos acerta onde vivemos, desdobrando-se em uma casa suburbana enquanto uma menina torna-se algo aterrorizante. A entidade sobrenatural também cumpre o papel de um adversário superlativo em um filme que define o gênero de terror e que serve como referência de narrativa poderosa.

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Boa escrita pra você hoje! =D

4 Comentários

  1. Linda a cena da Morte “roubando” o velocípede e o pirulito do menino. Melhor do que os pais, os avós e assim por diante, com a foice tirando o pouco da nossa alegria nesse mundo. Veja que ele não está chorando, somente o normal para um garoto esperto. Parabéns, Valéria, a sua busca pelos melhores roteiros. Continue a nos “assustar” durante todo o ano, não somente nas datas específicas.

    Abraços!

    Comentário por Cilas Medi — 01/11/2011 @ 13:15

    • Oi, Cilas, como vai? 😀

      😆 Pois é, você observou bem, nem sempre o pior é a morte tirar a nossa vida, mas acabar com a diversão da nossa vida, tirando nossos doces e brinquedos na hora em que estamos mais nos divertindo! Crueldade! :mrgreen:

      Ah, e pode deixar, com incentivo assim eu vou me esbaldar nos sustos, viu? Rsrs! 😀

      Um abração, Cilas!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 03/11/2011 @ 09:57

  2. Excelente post Valéria. Aliás, mais um.

    E esse é o primeiro post desse autor, não é? Muito bons os truques que ele nos mostra. Com certeza ajuda bastante àqueles que querem fazer filmes de terror.

    Um abração, Valéria.

    Comentário por Paulo Henrique — 01/11/2011 @ 15:24

    • Oi, Paulo Henrique, como vai? =D

      Tem razão, é o primeiro desse autor, mas o blog de onde eu tirei o texto pertence a outra pessoa, e não sei se tem outros artigos dele espalhados pela rede. Mas vou ficar de olho, ele escreve bem e é bem observador (e também gosta de terror! :mrgreen: ).

      Um abração, Paulo Henrique, e obrigada pela visita, valeu! 😀
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 03/11/2011 @ 10:07


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