Dicas de Roteiro

27/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 2

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 23:25
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Aqui vão mais três exemplos de voice-over tirados deste artigo do site The Script Lab, e escrito por Ally Sinyard. Há SPOILERS dos filmes citados:

Julie-AnnDean_VoiceOver

9. Os Excêntricos Tenenbaums (2001)

Narrador (V.O.): Entre os poucos bens que ele deixou aos seus herdeiros estava uma coleção completa da Enciclopédia Britânica guardada no Hotel Lindbergh Palace sob os nomes de Ari e Uzi Tenenbaum. Ninguém falou no funeral, e a perna do Padre Petersen ainda não tinha sido consertada, mas eles concordaram que o Royal teria achado o evento muito satisfatório.

Se você ainda não viu este filme, o Narrador (Alec Baldwin) narra o conto de uma família de prodígios esgotados, saída direto de um livro de histórias. Na realidade, o livro não existe. Na verdade, é um cumprimento às Crônicas da Família de Vidro, de J.D. Salinger, particularmente, de "Franny e Zooey", de 1961. Em muitos filmes, os diretores poderiam fazer bem em remover a voice-over, mas em Os Excêntricos Tenenbaums, a voice-over é absolutamente essencial para definir o humor do filme, que, como você saberá se for um fã de Wes Anderson, é bastante específico. A voz de Baldwin ajuda a quebrar o silêncio e o vazio emocional do filme, bem como a aliviá-lo um pouco, o que é enormemente apreciado! Como todos os narradores úteis, ele também vai, ocasionalmente, preencher as lacunas.

8. Clube da Luta (1999)

O Narrador (V.O.): Você acorda no Seatac [Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma], no SFO [Aeroporto Internacional de São Francisco], no LAX [Aeroporto Internacional de Los Angeles]. Você acorda no O’Hare [Aeroporto Internacional de Chicago], Dallas-Fort Worth [Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth], BWI [Aeroporto Internacional de Baltimore-Washington]. Pacífico, montanha, central. Perde uma hora, ganha uma hora. Esta é a sua vida, e ela está acabando um minuto por vez. Você acorda no Air Harbor International [Aeroporto Internacional de Phoenix]. Se você acordar num horário diferente, num lugar diferente, você poderia acordar como uma pessoa diferente?

O Narrador (Edward Norton) está morto por dentro. Ele está com um olhar perdido, fotocopiando, em luto por sua própria existência inútil. Ele perdeu a sua identidade e foi para dentro de si mesmo. A sua voice-over permite-nos saber que ele ainda está vivo. Se não houvesse nenhuma voice-over, a maior parte do primeiro ato seria em completo silêncio. A sua voz sarcástica e num tom monótono tem funções diferentes. Ela preenche lacunas, permite-nos conhecê-lo, ela adiciona bastante humor do tipo impassível, e mais tarde ela até mesmo ajuda a explicar como emendar órgãos sexuais em filmes para a família. O que é mais interessante sobre este uso de voice-over é o quão SÃO o nosso narrador aparenta. Ele faz piadas, ele também fica nervoso, e até revela que está com um pouco de inveja de Tyler Durden (Brad Pitt). Você jamais imaginaria que ele está na verdade sofrendo de transtorno de personalidade múltipla. E é isso que torna esta voice-over ainda mais eficaz. Pelo filme todo, ele é representado como apenas outro yuppie americano viciado em IKEA.

7. Crepúsculo dos Deuses (1950)

Joe Gillis (V.O.): Sim, esta é a Avenida Sunset [“Sunset Boulevard”, título original do filme], Los Angeles, Califórnia. São cerca de cinco horas da manhã. Esse é o Esquadrão de Homicídios, completo com detetives e jornalistas. Um assassinato foi denunciado em uma dessas casas bem grandes no quarteirão dez mil. Vocês vão ler tudo sobre isso nas edições noturnas, eu tenho certeza. Vocês vão procurar no rádio, e ver na televisão – porque uma estrela dos velhos tempos está envolvida. Uma das maiores. Mas antes de ouvirem tudo distorcido e fora de proporção, antes daqueles colunistas de Hollywood colocarem suas mãos sobre isso, talvez você goste de ouvir os fatos, toda a verdade…

Crepúsculo dos Deuses é um filme é contado em um flashback, com uma voz narrativa do além-túmulo. Assim, desde o começo, com uma cena de abertura composta do nosso narrador Joe Gillis (William Holden) virado para baixo em uma piscina, com dois tiros nas costas e um no estômago, sabemos que o nosso protagonista já está morto. Mas nenhuma surpresa foi estragada; não é a morte que é importante. As decisões que Gillis toma ao longo do caminho para chegar àquela piscina é o que prende a nossa atenção. Só porque conhecemos o fim antes de começar, isso não diminui a nossa expectativa. Nós estamos interessados ​​porque queremos descobrir como tudo isso aconteceu e por quê. Este uso de um narrador fantasma também contribui para a atmosfera fatalista do filme, o que era especialmente eficaz para os Filmes Noir de mistério de assassinato da época.

sunsetboulevard_Holden

Boa escrita pra você hoje!

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