Dicas de Roteiro

26/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 1

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:12
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O artigo de hoje (por falta de tempo, terei que dividi-lo em 4 partes), sugerido por um colega nosso, foi tirado do site The Script Lab, e escrito por Ally Sinyard. Lembrando que voice-over, também conhecida no Brasil como “narração em off”, é quando um narrador está falando fora da cena.

Scott Chapin_Voice-over

Em Adaptação, Robert McKee (interpretado por Brian Cox) clama: "Deus os ajude se vocês usarem voice-over em seu trabalho, meus amigos. Deus os ajude. Isso é escrita flácida, desleixada. Qualquer idiota pode escrever uma narração em voice-over para explicar os pensamentos de um personagem."

Até certo ponto, ele está correto. Um monte de filmes usa voice-over sem nenhum efeito real. Eles dizem o que você já vê na tela. Ou eles explicam algo que, com um pouco de inteligência e imaginação, você poderia ter desvendado por si mesmo. Ou eles lhe informam sobre algo que teria sido melhor se deixado em paz, para o público ruminar aquilo. Mas não. Alguns cineastas simplesmente acham que nós somos idiotas e insistem em que cada pedacinho de informação seja dado de mão beijada para nós.

"Tudo o que eu escrevi é genial. Eu não quero que eles percam nem uma partezinha simples e inteligente disso. Mas eles são idiotas, então eu vou enfiar algumas voice-overs para fazê-los realmente entender." Eu não estou dizendo que todos os cineastas que usam a voice-over desta forma são tão paternalistas assim; a maioria deles provavelmente nem mesmo percebe que está fazendo isso. É simplesmente mais seguro para eles suporem que não seremos capazes de descobrir isso.

Mas, daí, há alguns roteiristas e cineastas que vão usar a voice-over para complementar o trabalho, e sem ela, eu diria que o filme não seria tão bom. O uso de voice-over desafia o espectador; em alguns casos, até mesmo perturba o espectador. De qualquer maneira, eles vão esperar que o espectador faça alguma coisa com esta narração, ao invés de apenas absorvê-la negligentemente.

Alguns escritores utilizarão a voice-over para adicionar um pouco de realidade a uma situação que parece fantástica. Alguns irão usá-la para criar uma tensão irônica. Um dos meus usos favoritos é embalar o espectador numa falsa sensação de segurança. E então, buum! O personagem no qual você colocou sua fé, o personagem em quem você confiou ao longo do filme e de quem começou a gostar… bem, ele é na verdade um serial killer. E a maior parte do que ele disse, não chegou a acontecer. E ele está morto. Como você se sente quanto a isso? Enganado? Horrorizado? Violado? Bom. Você não deve sempre acreditar em tudo o que ouve!

Mas antes de mergulhar nesses 10 melhores filmes, é importante esclarecer o que quero dizer com "Melhores Voice-Overs em Filmes". Eu NÃO quero dizer os 10 melhores filmes (e roteiros) que têm alguma voice-over neles. Mais importante, e, especificamente, eu quero dizer os 10 melhores usos de voice-over em filmes.

10. Medo e Delírio (1998)

Raoul Duke (V.O.): Estávamos em algum lugar ao redor de Barstow, na beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito. Eu lembro de dizer algo como:

Rauol Duke: Eu me sinto um pouco tonto. Talvez você devesse dirigir.

Raoul Duke (V.O.): De repente, houve um bramido terrível à nossa volta, e o céu estava cheio do que pareciam enormes morcegos, todos atacando violentamente e guinchando e mergulhando ao redor do carro, e uma voz estava gritando:

Raoul Duke: Santo Deus. Que malditos animais são esses?

Se Medo e Delírio não tivesse nenhuma narração de voice-over, ele consistiria basicamente do Raoul Duke (Johnny Depp) e do Dr. Gonzo (Benicio Del Toro) correndo e gritando por aí – com uma mala cheia de drogas extremamente perigosas – por duas horas . É um filme selvagem, mas você tem que, pelo menos, ser capaz de compreender algo dele para desfrutá-lo. Além disso, adaptar um livro pode ser um negócio meio complicado. Ainda é preciso haver um traço da voz do autor lá, e a prosa de Hunter S. Thompson é uma parte integral da experiência da história. Capturar sua voz única era mais do que essencial no processo de adaptação. Além disso, ter voice-over no filme fez com que a ação não precisasse ser interrompida ou diluída para o nosso próprio entendimento. Mesmo se Duke transmite algumas informações de uma forma tagarela que é difícil de entender, você ainda se sente seguro de que há algum nível de controle aqui. Ufa!

fear_and_loathing

Amanhã teremos mais três exemplos.

Boa escrita pra você hoje e até lá! =)

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2 Comentários

  1. Gostei muito dos filmes escolhidos para representar casos de voice-over, porém notei falta de Possuídos (Fallen). O filme todo eu pensei que a voz era do Denzel Washington para só no final entender que era do anjo (ou demônio?) Azazel. Genial.

    Parabéns pelo blog. É ótimo.
    At.
    Jorge

    Comentário por Jorge Vaz — 07/11/2011 @ 15:12

    • Oi, Jorge, seja bem-vindo! 😀

      Obrigada, me deixa muito feliz saber que você está gostando do blog! =D

      Ótima a sua observação. Acho que essa lista sempre será injusta de uma forma ou de outra, sempre vai ficar um bom exemplo de fora. Mas eu não tinha lembrado desse filme, valeu pela dica!

      Um abração, Jorge, e obrigada pela visita, gostei muito!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 09/11/2011 @ 10:12


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