Dicas de Roteiro

31/10/2011

O Cinema Digital Deve Dominar o Mercado Exibidor Até 2015

Filed under: Produção — valeriaolivetti @ 17:25
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A seguir está o link do artigo “Alerta nas Telas: Enquanto 48% dos cinemas do mundo já são digitais, o Brasil só modernizou 14% de suas salas”, que saiu no jornal O Globo de 23/10/2011, e foi escrito pelo jornalista André Miranda (andre.miranda@oglobo.com.br). Vale a pena ler.

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/10/22/enquanto-48-dos-cinemas-do-mundo-ja-sao-digitais-brasil-so-modernizou-14-de-suas-salas-925636792.asp

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Boa escrita pra você! =)

30/10/2011

Escrevendo Fantasia Épica Com Coragem

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 19:55
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A pedido de um colega nosso, nos próximos dias teremos alguns artigos sobre como escrever fantasia épica. Todos eles serão relativos a como escrever livros de ficção, mas muita coisa se aplica a roteiros também. O artigo de hoje foi tirado do site Epic-Fantasy:

Eowyn and the Nazgul by Nick Deligaris

Fantasia épica é um gênero acerca de heróis assumindo desafios de proporções épicas e superando obstáculos que são aparentemente impossíveis de superar; contudo, o gênero produz romances de multi-volumes do tipo pré-fabricado (seguros) que seguem uma fórmula específica estabelecida por Tolkien e Campbell. Quebre essa tendência em sua própria escrita.

Uma das citações mais ouvidas no nosso mundo, especialmente nos círculos motivacionais e de marketing na Internet é: "Não reinvente a roda." O conselho para o escritor é ler o trabalho de outras pessoas, observar o que é bem sucedido, e seguir as fórmula que eles aperfeiçoaram. Desta forma, você pode ser "bem sucedido" sem ter que executar muito trabalho. Se é isto o que você quer fazer, então eu coloquei a fórmula para você aqui. Em oito etapas fáceis, você também pode ser um romancista de fantasia épica de sucesso.

A fórmula do sucesso:

1. Crie um bando de interessantes personagens não-humanos, como orcs, dragões, elfos ou anões; claro que o seu herói deve ser humano ou quase humano
2. Coloque-os em um mundo fantástico repleto de lugares mágicos e secretos
3. Inicie o seu romance com algo emocionante para fisgar o leitor
4. Mantenha a ação em movimento – insira uma série de pequenos obstáculos que precisem ser superados
5. Prenuncie que algo realmente grande irá acontecer (não vai acontecer neste romance, todavia – se é que um dia irá acontecer)
6. Crie duas coisas importantes que irão acontecer, e quando elas forem resolvidas, elas se anulam mutuamente para que o enredo não avance nem um pouco
7. Elabore um grande acontecimento para o próximo romance (prometa a lua)
8. Repita os passos 3 a 7 no próximo romance

Antes de seguir esta fórmula (que é garantia de torná-lo um romancista rico e bem sucedido em menos de 30 dias) por que você não para e pensa sobre por quê você quer escrever fantasia épica?

Você provavelmente está escrevendo fantasia épica, ou pensando em escrevê-la, por causa do apelo de criar um herói que se pode admirar. Você quer escrever uma história sobre uma pessoa comum (ou hobbit) que vai contra a natureza, ignora a opinião popular, e ainda assim sai triunfante no final. Então, por que você não segue esse caminho em sua própria escrita?

Isto não é um tanto irônico? É meio como assistir a um monte de filmes de Bruce Lee e, em seguida, escrever um livro sobre auto-defesa. É tudo tecnicamente sólido, mas em sua própria vida, você realmente faz isso?

Na Fantasia Épica, o princípio básico tem a ver com coragem – coragem em face de dificuldades insuperáveis ​​ou até mesmo de morte provável, e a coragem para continuar quando o caminho é sombrio. É o que nós admiramos no gênero. É o motivo de lermos o gênero. O pequeno rapaz (frequentemente, ‘pequeno’ é literal, como um hobbit em O Senhor dos Anéis, ou mesmo um coelho, como em Era Uma Vez em Watership Down) supera tudo para fazer o que é certo. Ele luta um conflito interno, batalha com criaturas do mal, e aprende algo sobre si mesmo ao longo do caminho. Os grandes escritores do gênero tiveram essa coragem.

Tolkien foi terrivelmente criticado por seu trabalho, quando foi publicado pela primeira vez. Mas ele acreditava no mundo que estava criando, e perseverou. Stephen King teve a coragem de se movimentar livremente entre diferentes gêneros, mesmo dentro do mesmo livro. Robert Howard teve a coragem de escrever o que ele queria escrever, mesmo nunca tendo ganhado a recompensa financeira que ele merecia. Frank Herbert teve a coragem de lidar com as grandes questões e os grandes temas da vida. E você acha que Harry Potter teria alcançado tais alturas, se J.K. Rowling não acreditasse verdadeiramente em Harry?

Então, onde estão os musculosos escritores batalhadores do mundo da fantasia épica, com a coragem de defender o que é certo? O próximo escritor a avançar o gênero está em algum lugar aí fora? Talvez seja você?

Alguns conselhos

Tenha coragem! Não escreva algo porque você acha que vai vender. Não almeje algo popular. Não leia os romances de fantasia épica atualmente em voga para seguir a mesma fórmula. Lembre-se: esta é uma das lições básicas da fantasia épica em si – não seguir a opinião popular. Você está escrevendo uma história de fantasia épica e o seu personagem principal, sem dúvida, vai enfrentar desafios em escala épica. Tenha a coragem de fazer a mesma coisa. Crie algo novo.

É sobre ideias

Fantasia Épica não é realmente sobre assassinato de dragões e resgate de princesas. É sobre um significado mais profundo. É sobre encontrar sentido na vida. Trata-se de escolher um caminho nunca antes tomado e enfrentar os desafios desconhecidos que esperam. Siga o mesmo caminho em sua vida e em sua escrita.

Esqueça a gramática – por enquanto

Muitas vezes um escritor fica preso em estrutura de frases, gramática e uma série de outras minúcias técnicas. Você vai abrir novos caminhos. Deixe a história crescer e as ideias fluírem. Preocupe-se com a gramática mais tarde. Por enquanto você deve apenas escrever. Bote suas ideias no papel. O mundo está esperando pelo seu livro. Arrisque-se e vá contra a corrente da crença popular. O mundo vai lhe agradecer por isso.

Precisa de uma ajuda?

Se você escreveu um romance de Fantasia Épica que você acha que é corajoso, e que nenhuma editora vai tocar nele porque é arriscado demais, então, envie o manuscrito para mim. Se eu concordar que é algo especial, algo digno de um herói, vou publicá-lo, mesmo se tiver que pagar por isso eu mesmo. Sem nenhum agradecimento necessário e nenhuma recompensa financeira levada em consideração. Apenas pense em si mesmo como Bilbo e em mim como o seu Sam Gamgi.

Nota da Tradutora: O autor não colocou nem seu nome, nem o endereço de e-mail para contato no artigo. No entanto, através do link abaixo você pode mandar suas dúvidas (em inglês) para ele:

http://www.epic-fantasy.com/Help/ask_question_form.htm

Frodo-and-Sam-lord-of-the-rings-1024-768

Boa escrita pra você hoje! =)

29/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 4

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:49
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Esta é a última parte do artigo de Ally Sinyard, tirado do site The Script Lab. Atenção:SPOILERS dos filmes citados.

leonardo-dicaprio-narrates

3. Laranja Mecânica (1971)

Alex (V.O.): Havia eu, ou seja, Alex, e meus três companheiros, ou seja, Pete, Georgie e Dim, e nós sentamos no Korova Milkbar tentando descobrir o que fazer à noite. O Milkbar Korova vendia leite-plus, leite mais vellocet ou synthemesc ou drencrom, que é o que estávamos bebendo. Isso te deixa afiado e te torna pronto para um pouco da velha ultra-violência.

Em Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, adaptado do romance de Anthony Burgess, nós nos encontramos simpatizando com um cara muito, muito ruim: um ladrão, um estuprador, um assassino… cheio de ultra-violência. Como podemos fazer isso? Será que é porque nós sempre sentimos a necessidade de nos conectarmos com os nossos protagonistas? Eu suponho que, se não tivéssemos no mínimo empatia, não nos importaríamos com o que aconteceria com eles. E se nós não nos importamos, porque iríamos querer continuar assistindo? Claro, Alex (Malcolm McDowell) é um psicopata, mas ele também é inteligente, charmoso e espirituoso; você não pode evitar de ser atraído por ele, especialmente quando ele se torna vítima do equivalente pavloviano de Burgess do clássico condicionamento de Pavlov – ser transformado em um "bom menino", ou, mais precisamente, em uma máquina que não é mais capaz de escolha moral.

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2. Os Suspeitos (1995)

Verbal (V.O.): Nova Iorque. – seis semanas atrás. Um caminhão carregado com peças de armas foi roubado fora dos limites do Queens. O motorista não viu ninguém, mas alguém pisou na bola. Ele ouviu uma voz. Às vezes, isso é tudo o que você precisa.

Nunca confie num aleijado. Ou melhor, não acredite em tudo o que você ouve! Quando Verbal entrou no carro, eu pulei da minha cadeira e gritei: "Me pegaram!", como eu frequentemente gosto de fingir que sou uma espécie de artista de vaudeville da velha guarda. Os Suspeitos me faz pensar sobre a relação entre cinema/público de hoje. Nós raramente somos inspirados a realmente interagir com o que está acontecendo. De muitas maneiras, os espectadores tornaram-se zumbis, olhando fixamente a tela brilhante e acreditando em tudo que ouvem e veem; e eu não os culpo – eu culpo os cineastas que não desafiam o público, por não encontrarem formas interessantes de nos fazer participantes ativos. Mas o que é tão brilhante em relação a Os Suspeitos é que mesmo estando envolvidos, nós ainda não vemos aquilo vindo. Sentimo-nos tão tolos quanto o policial. Deixamos que as convenções genéricas ganhassem de nós. Vocês sabem que apenas sentaram lá e não suspeitaram do velho e doce aleijado. Seus tolos! Mas vocês poderiam ter previsto isso? Ele realmente conta uma história muito boa! Me engane, Johnny!

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1. Um Sonho de Liberdade (1994)

Red (V.O.): A primeira noite é a mais difícil, sem dúvida quanto a isso. Eles fazem você entrar marchando, nu como no dia em que você nasceu, a pele queimando e meio cego por aquela merda de despiolhamento que eles jogam em você, e quando eles te colocam naquela cela… e aquelas grades se fecham… é aí que você sabe que é para valer. Uma vida inteira acabada num piscar de olhos. Nada resta além de todo o tempo do mundo para pensar nisso.

A narração em voice-over de Um Sonho de Liberdade é um clássico tal, que Morgan Freeman atingiu um tipo de status divinal e lendário como narrador. É que tem algo a ver com a sua voz… tão reconfortante… mmm… de qualquer forma, se este filme não tivesse narração em voice-over, teria sido quase impossível espremer mais de duas décadas de detalhes importantes em um filme. Devido aos grandes saltos no tempo, as lacunas precisam ser preenchidas, e é aí que a voice-over vem a calhar. Há também um monte de detalhes da vida na prisão que um "peixe" novo teria de aprender ao longo do tempo. E nós não temos esse tipo de tempo à nossa disposição como público, então isso ajuda a nos ensinar rapidamente sobre as regras da vida na prisão, o que é ser um "peixe novo", e como acessar o contrabando etc. Um Sonho de Liberdade trata de incluir esta narração em voice-over sem que ela pareça excessivamente intrusiva, e, claramente, isso foi cuidadosamente construído. Escolher Red (Freeman) no lugar de Andy Dufresne (Tim Robbins) para narrar também foi uma boa sacada, já que permite Dufresne cuidar de seus assuntos, todo estoico e misterioso, sem revelar muito. E além disso, é claro, há a voz de Morgan Freeman. Suspiro.

April 26, 2005
Warner Brothers Independent
Morgan Freeman Voice Over
Photo by Alex Berliner©Berliner Studio/BEImages
All Rights Reserved

Boa escrita pra você hoje! =D

28/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 3

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 11:11
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Continuamos aqui com a tradução do artigo de Ally Sinyard, tirado do site The Script Lab. Nota: Há SPOILERS dos filmes citados.

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6. Taxi Driver (1976)

Travis (V.O.): Eles são todos animais, de qualquer modo. Todos os animais saem à noite: Putas, depravadas, pederastas, drag queens, michês, drogados, viciados, doentes, mercenários. (pausa curta) Algum dia, uma chuva de verdade virá e lavará toda esta escória pra fora das ruas.

Travis Bickle (Robert De Niro) é um daqueles personagens icônicos que lhe assombram por um longo tempo depois de sua primeira experiência assistindo–o. Tanto suas palavras quanto ações são deliberadamente ambíguas, fazendo-nos questionar o que exatamente é "bondade". A voice-over pode não esclarecer tudo, mas é certamente muito bem usada em Taxi Driver. Contado em forma de anotações de diário desconexas, é importante reconhecer que Bickle não está realmente conversando com o seu público, ele está falando consigo mesmo, e não temos escolha a não ser ouvir e tentar buscar algum tipo de entendimento. No começo, ele fala com autoridade e verdade, e nós acreditamos nele e nos identificamos com ele. Todavia, uma vez que as rachaduras começam a aparecer, nós começamos questioná-lo. São essas as divagações de um homem perturbado, ou ele está apenas dizendo o que o resto do mundo não se atreve a dizer?

5. Adaptação (2002)

Charlie Kaufman (V.O.): Eu sou patético, eu sou um perdedor…

Robert McKee: Então, qual é a essência da escrita?

Charlie Kaufman (V.O.): Eu falhei, eu estou em pânico. Eu me vendi, eu não valho nada, eu… Que diabos eu estou fazendo aqui? Que diabos eu estou fazendo aqui? Foda-se. É a minha fraqueza, a minha derradeira falta de convicção que me traz aqui. Respostas fáceis usadas para arranjar um atalho para o próprio sucesso. E aqui estou eu, porque o meu salto no poço abismal – esse não é apenas um risco que alguém corre ao tentar algo novo? Eu deveria sair daqui agora. Eu vou começar de novo. Eu preciso encarar este projeto de frente e…

Robert McKee: …e Deus os ajude se vocês usarem voice-over em seu trabalho, meus amigos. Deus os ajude. Isso é escrita flácida, desleixada. Qualquer idiota pode escrever uma narração em voice-over para explicar os pensamentos de um personagem.

Adaptação é um filme escrito por Charlie Kaufman, sobre Charlie Kaufman (Nicholas Cage), escrevendo uma adaptação de um romance para o cinema. E o filme contém cenas de ambos os processos de escrita de Charlie no momento da adaptação, bem como o próprio filme adaptado… ou algo assim. De qualquer forma, você pode concluir que é tudo muito metalinguagem e que vai haver alguns momentos metalinguísticos auto-reflexivos. A voice-over é usada desta forma. No ponto onde McKee discorre sobre como "qualquer idiota" pode usar voice-over, a voice-over de Charlie desaparece do filme até que finalmente Charlie declara que não se importa mais, que "isso parece certo". O ego é triunfante! Como todos sabemos, escrever pode ser um processo muito solitário e, por vezes, frustrante. Escutar os pensamentos e as ansiedades de Charlie torna-o empático e simpático, sem ser demasiado avassalante. Eu me senti confortável sabendo que não sou a única a ocasionalmente encarar uma tela em branco, refletindo sobre muffins.

Adaptação - Pensando em muffins

4. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)

Alvy Singer (V.O.): Depois disso, ficou muito tarde, e nós dois tínhamos que ir, mas foi ótimo ver Annie novamente. Eu… Eu percebi que pessoa fantástica ela era, e… e como era divertido apenas conhecê-la; e Eu… Eu, eu pensei naquela velha piada, sabe, o, este… esse cara vai ao psiquiatra e diz: "Doutor, ãhn, o meu irmão está maluco; ele pensa que é uma galinha." E, ãhn, o médico diz: "Bem, por que você não o interna?" O cara diz: "Eu faria isso, mas eu preciso dos ovos." Bem, eu suponho que essa seja a forma como me sinto agora sobre relacionamentos; você sabe, eles são totalmente irracionais, e loucos e absurdos, e… mas, ãhn, acho que continuamos passando por isso, porque, ãhn, a maioria de nós… precisa dos ovos.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é um divertido e brincalhão, mas notável, comentário sobre relacionamentos, e todo executado através de uma infinidade de dispositivos de narração de histórias. Nós temos um pouco de quebra da quarta parede, personagens entrando nos flashbacks uns dos outros, telas divididas, legendas que contradizem o diálogo, assim como a voice-over. Quer se trate de Alvy Singer (Woody Allen) e Annie (Diane Keaton) discutindo uma cena que estamos assistindo com eles, ou Alvy preenchendo uma lacuna no tempo, isso certamente conecta a plateia, fazendo você se sentir intimamente envolvido, como um participante ativo no filme . E é isso o que Woody quer. Isso só serve para fazer você simpatizar ainda mais com seu personagem, não importa o quão patético, e levemente irritante, ele seja.

Woody Allen no set do filme Annie Hall

Boa escrita pra você hoje!

27/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 2

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 23:25
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Aqui vão mais três exemplos de voice-over tirados deste artigo do site The Script Lab, e escrito por Ally Sinyard. Há SPOILERS dos filmes citados:

Julie-AnnDean_VoiceOver

9. Os Excêntricos Tenenbaums (2001)

Narrador (V.O.): Entre os poucos bens que ele deixou aos seus herdeiros estava uma coleção completa da Enciclopédia Britânica guardada no Hotel Lindbergh Palace sob os nomes de Ari e Uzi Tenenbaum. Ninguém falou no funeral, e a perna do Padre Petersen ainda não tinha sido consertada, mas eles concordaram que o Royal teria achado o evento muito satisfatório.

Se você ainda não viu este filme, o Narrador (Alec Baldwin) narra o conto de uma família de prodígios esgotados, saída direto de um livro de histórias. Na realidade, o livro não existe. Na verdade, é um cumprimento às Crônicas da Família de Vidro, de J.D. Salinger, particularmente, de "Franny e Zooey", de 1961. Em muitos filmes, os diretores poderiam fazer bem em remover a voice-over, mas em Os Excêntricos Tenenbaums, a voice-over é absolutamente essencial para definir o humor do filme, que, como você saberá se for um fã de Wes Anderson, é bastante específico. A voz de Baldwin ajuda a quebrar o silêncio e o vazio emocional do filme, bem como a aliviá-lo um pouco, o que é enormemente apreciado! Como todos os narradores úteis, ele também vai, ocasionalmente, preencher as lacunas.

8. Clube da Luta (1999)

O Narrador (V.O.): Você acorda no Seatac [Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma], no SFO [Aeroporto Internacional de São Francisco], no LAX [Aeroporto Internacional de Los Angeles]. Você acorda no O’Hare [Aeroporto Internacional de Chicago], Dallas-Fort Worth [Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth], BWI [Aeroporto Internacional de Baltimore-Washington]. Pacífico, montanha, central. Perde uma hora, ganha uma hora. Esta é a sua vida, e ela está acabando um minuto por vez. Você acorda no Air Harbor International [Aeroporto Internacional de Phoenix]. Se você acordar num horário diferente, num lugar diferente, você poderia acordar como uma pessoa diferente?

O Narrador (Edward Norton) está morto por dentro. Ele está com um olhar perdido, fotocopiando, em luto por sua própria existência inútil. Ele perdeu a sua identidade e foi para dentro de si mesmo. A sua voice-over permite-nos saber que ele ainda está vivo. Se não houvesse nenhuma voice-over, a maior parte do primeiro ato seria em completo silêncio. A sua voz sarcástica e num tom monótono tem funções diferentes. Ela preenche lacunas, permite-nos conhecê-lo, ela adiciona bastante humor do tipo impassível, e mais tarde ela até mesmo ajuda a explicar como emendar órgãos sexuais em filmes para a família. O que é mais interessante sobre este uso de voice-over é o quão SÃO o nosso narrador aparenta. Ele faz piadas, ele também fica nervoso, e até revela que está com um pouco de inveja de Tyler Durden (Brad Pitt). Você jamais imaginaria que ele está na verdade sofrendo de transtorno de personalidade múltipla. E é isso que torna esta voice-over ainda mais eficaz. Pelo filme todo, ele é representado como apenas outro yuppie americano viciado em IKEA.

7. Crepúsculo dos Deuses (1950)

Joe Gillis (V.O.): Sim, esta é a Avenida Sunset [“Sunset Boulevard”, título original do filme], Los Angeles, Califórnia. São cerca de cinco horas da manhã. Esse é o Esquadrão de Homicídios, completo com detetives e jornalistas. Um assassinato foi denunciado em uma dessas casas bem grandes no quarteirão dez mil. Vocês vão ler tudo sobre isso nas edições noturnas, eu tenho certeza. Vocês vão procurar no rádio, e ver na televisão – porque uma estrela dos velhos tempos está envolvida. Uma das maiores. Mas antes de ouvirem tudo distorcido e fora de proporção, antes daqueles colunistas de Hollywood colocarem suas mãos sobre isso, talvez você goste de ouvir os fatos, toda a verdade…

Crepúsculo dos Deuses é um filme é contado em um flashback, com uma voz narrativa do além-túmulo. Assim, desde o começo, com uma cena de abertura composta do nosso narrador Joe Gillis (William Holden) virado para baixo em uma piscina, com dois tiros nas costas e um no estômago, sabemos que o nosso protagonista já está morto. Mas nenhuma surpresa foi estragada; não é a morte que é importante. As decisões que Gillis toma ao longo do caminho para chegar àquela piscina é o que prende a nossa atenção. Só porque conhecemos o fim antes de começar, isso não diminui a nossa expectativa. Nós estamos interessados ​​porque queremos descobrir como tudo isso aconteceu e por quê. Este uso de um narrador fantasma também contribui para a atmosfera fatalista do filme, o que era especialmente eficaz para os Filmes Noir de mistério de assassinato da época.

sunsetboulevard_Holden

Boa escrita pra você hoje!

26/10/2011

As 10 Melhores Voice-Overs em Filmes – Parte 1

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:12
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O artigo de hoje (por falta de tempo, terei que dividi-lo em 4 partes), sugerido por um colega nosso, foi tirado do site The Script Lab, e escrito por Ally Sinyard. Lembrando que voice-over, também conhecida no Brasil como “narração em off”, é quando um narrador está falando fora da cena.

Scott Chapin_Voice-over

Em Adaptação, Robert McKee (interpretado por Brian Cox) clama: "Deus os ajude se vocês usarem voice-over em seu trabalho, meus amigos. Deus os ajude. Isso é escrita flácida, desleixada. Qualquer idiota pode escrever uma narração em voice-over para explicar os pensamentos de um personagem."

Até certo ponto, ele está correto. Um monte de filmes usa voice-over sem nenhum efeito real. Eles dizem o que você já vê na tela. Ou eles explicam algo que, com um pouco de inteligência e imaginação, você poderia ter desvendado por si mesmo. Ou eles lhe informam sobre algo que teria sido melhor se deixado em paz, para o público ruminar aquilo. Mas não. Alguns cineastas simplesmente acham que nós somos idiotas e insistem em que cada pedacinho de informação seja dado de mão beijada para nós.

"Tudo o que eu escrevi é genial. Eu não quero que eles percam nem uma partezinha simples e inteligente disso. Mas eles são idiotas, então eu vou enfiar algumas voice-overs para fazê-los realmente entender." Eu não estou dizendo que todos os cineastas que usam a voice-over desta forma são tão paternalistas assim; a maioria deles provavelmente nem mesmo percebe que está fazendo isso. É simplesmente mais seguro para eles suporem que não seremos capazes de descobrir isso.

Mas, daí, há alguns roteiristas e cineastas que vão usar a voice-over para complementar o trabalho, e sem ela, eu diria que o filme não seria tão bom. O uso de voice-over desafia o espectador; em alguns casos, até mesmo perturba o espectador. De qualquer maneira, eles vão esperar que o espectador faça alguma coisa com esta narração, ao invés de apenas absorvê-la negligentemente.

Alguns escritores utilizarão a voice-over para adicionar um pouco de realidade a uma situação que parece fantástica. Alguns irão usá-la para criar uma tensão irônica. Um dos meus usos favoritos é embalar o espectador numa falsa sensação de segurança. E então, buum! O personagem no qual você colocou sua fé, o personagem em quem você confiou ao longo do filme e de quem começou a gostar… bem, ele é na verdade um serial killer. E a maior parte do que ele disse, não chegou a acontecer. E ele está morto. Como você se sente quanto a isso? Enganado? Horrorizado? Violado? Bom. Você não deve sempre acreditar em tudo o que ouve!

Mas antes de mergulhar nesses 10 melhores filmes, é importante esclarecer o que quero dizer com "Melhores Voice-Overs em Filmes". Eu NÃO quero dizer os 10 melhores filmes (e roteiros) que têm alguma voice-over neles. Mais importante, e, especificamente, eu quero dizer os 10 melhores usos de voice-over em filmes.

10. Medo e Delírio (1998)

Raoul Duke (V.O.): Estávamos em algum lugar ao redor de Barstow, na beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito. Eu lembro de dizer algo como:

Rauol Duke: Eu me sinto um pouco tonto. Talvez você devesse dirigir.

Raoul Duke (V.O.): De repente, houve um bramido terrível à nossa volta, e o céu estava cheio do que pareciam enormes morcegos, todos atacando violentamente e guinchando e mergulhando ao redor do carro, e uma voz estava gritando:

Raoul Duke: Santo Deus. Que malditos animais são esses?

Se Medo e Delírio não tivesse nenhuma narração de voice-over, ele consistiria basicamente do Raoul Duke (Johnny Depp) e do Dr. Gonzo (Benicio Del Toro) correndo e gritando por aí – com uma mala cheia de drogas extremamente perigosas – por duas horas . É um filme selvagem, mas você tem que, pelo menos, ser capaz de compreender algo dele para desfrutá-lo. Além disso, adaptar um livro pode ser um negócio meio complicado. Ainda é preciso haver um traço da voz do autor lá, e a prosa de Hunter S. Thompson é uma parte integral da experiência da história. Capturar sua voz única era mais do que essencial no processo de adaptação. Além disso, ter voice-over no filme fez com que a ação não precisasse ser interrompida ou diluída para o nosso próprio entendimento. Mesmo se Duke transmite algumas informações de uma forma tagarela que é difícil de entender, você ainda se sente seguro de que há algum nível de controle aqui. Ufa!

fear_and_loathing

Amanhã teremos mais três exemplos.

Boa escrita pra você hoje e até lá! =)

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