Dicas de Roteiro

25/09/2011

As 10 Maiores Dicas de Escrita de Joss Whedon

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje foi tirado do blog Scriptwriting in the UK, do roteirista Danny Stack, mas foi originalmente publicado na revista 4 Talent, do Channel 4, edição de dezembro de 2008:

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"Joss Whedon é mais famoso por criar Buffy – A Caça-Vampiros, o seu spin-off, Angel, e a série de vida curta, mas muito amada, Firefly. Mas o escritor e diretor também trabalhou despercebido como script doctor em filmes que vão desde Velocidade Máxima a Toy Story. Aqui, ele compartilha as suas dicas sobre a arte de escrever roteiros.

1. TERMINE-O
Realmente terminá-lo é o que eu vou colocar como passo um. Você pode rir disso, mas é verdade. Eu tenho tantos amigos que escreveram dois terços de um roteiro, e então o reescreveram por cerca de três anos. Terminar um roteiro é antes de tudo verdadeiramente difícil, e em segundo lugar, realmente libertador. Mesmo se ele não for perfeito, mesmo se você souber que vai ter que voltar a ele, digite até o fim. Você tem que ter um pouco de desfecho.

2. ESTRUTURA
Estrutura significa saber aonde você está indo; certificar-se de que você não vagueia sem destino. Alguns grandes filmes foram feitos por pessoas errantes, como Terrence Malick e Robert Altman, mas isso não é tão bem feito hoje, e eu não recomendo. Eu sou um louco por estrutura. Eu realmente faço gráficos. Onde estão as piadas? As emoções? O romance? Quem sabe o quê, e quando? Você precisa que essas coisas aconteçam nas horas certas, e é ao redor disso que você constrói a sua estrutura: a maneira como você deseja que o seu público se sinta. Tabelas, gráficos, canetas coloridas, qualquer coisa que signifique que você não entre nessa cego, é útil.

3. TENHA ALGO A DIZER
Este realmente deveria ser o número um. Mesmo se você estiver escrevendo um plágio de Duro de Matar, tenha algo a dizer sobre plágios de Duro de Matar. A quantidade de filmes que não são sobre o que eles pretendem ser é impressionante. É raro, especialmente em filmes de gênero, encontrar um longa com uma ideia, e não apenas: ‘Isto vai levar a muitos belos lances espetaculares’. A Ilha evolui para um filme de perseguição de carros, e os momentos de alegria são quando eles têm momentos de clone e você diz: ‘Como é a sensação de ser esses caras?’

4. TODO MUNDO TEM UMA RAZÃO PARA VIVER
Todo mundo tem uma perspectiva. Todos em suas cenas, inclusive o bandido que acompanha o seu vilão, têm uma razão. Eles têm a sua própria voz, a sua própria identidade, a sua própria história. Se alguém fala de tal maneira que está apenas estabelecendo as falas da próxima pessoa, então você não tem diálogo: tem trechos de discurso. Nem todo mundo tem de ser engraçado; nem todo mundo tem que ser bonito; nem todo mundo tem de ser encantador; e nem todo mundo tem que falar, mas se você não sabe quem todos são e porque eles estão lá, por que eles estão sentindo o que estão sentindo e por que eles estão fazendo o que estão fazendo, então você está em apuros.

5. CORTE O QUE VOCÊ AMA
Aqui está um truque que eu aprendi bem cedo. Se algo não está funcionando, se tem uma história que você construiu e está bloqueada e você não consegue solucionar, pegue a sua cena favorita, ou a sua melhor ideia ou peripécia, e corte-a. Isso é brutal, mas às vezes, inevitável. Aquela coisa pode encontrar o seu caminho de volta, mas o corte normalmente é um exercício extremamente libertador.

Joss Whedon with James Marsters

6. OUÇA
Quando eu era contratado como script doctor, normalmente era porque alguém não conseguiu passar para o próximo nível. É verdade que os escritores são substituídos quando os executivos não sabem mais o que fazer, e isso é terrível, mas a verdade é que, em relação à maioria dos roteiros nos quais trabalhei, eu tinha sido necessário, quer eu tivesse ou não a permissão para fazer algo de bom. Muitas vezes, os indivíduos apenas ficaram bloqueados, eles ossificaram, ficaram tão presos em suas cabeças que não conseguiam ver as pessoas ao seu redor. É muito importante saber quando se ater às suas armas, mas também é muito importante ouvir a absolutamente todos. A pessoa mais burra da sala pode ter a melhor ideia.

7. RASTREIE O HUMOR DO PÚBLICO
Você tem um objetivo: conectar-se com o seu público. Portanto, você deve rastrear o que o seu público está sentindo em todos os momentos. Um dos maiores problemas que eu enfrento ao assistir filmes de outras pessoas é que eu direi: ‘Esta parte me confunde’, ou o que for, e eles vão dizer: ‘O que eu estou pretendendo dizer é isto’, e vão continuar falando sobre suas intenções. Nada disto tem a ver com a minha experiência como um membro da plateia. Pense em termos do que o público pensa. Eles vão ao cinema, e ou percebem que suas bundas estão dormentes, ou não. Se você estiver fazendo o seu trabalho direito, eles não percebem. As pessoas acham que exibições-teste de estúdios são terríveis, e isso é porque muitos estúdios são bem idiotas quanto a isso. Eles entram em pânico e refilmam, ou dizem: "Ih, o Brasil não pode ter um final infeliz"; e essa é a história de terror. Mas isso pode fazer muito sentido.

8. ESCREVA COMO UM FILME
Escreva o filme tanto quanto você puder. Se algo for exuberante e vasto, você pode descrevê-lo brilhantemente; se alguma coisa não for assim tão importante, apenas passe por ela laconicamente. Deixe a leitura ter a sensação do filme; isso faz muito do trabalho por você, pelo diretor, e pelos executivos, que dirão: ‘Como isso vai ficar quando o colocarmos de pé?’

9. NÃO OUÇA
Tendo dado o conselho de escutar, eu tenho que dar o conselho oposto, porque, em última análise, o melhor trabalho surge quando alguém fode com o sistema, faz o inesperado e deixa a sua própria voz pessoal entrar na máquina que é a arte cinematográfica. Escolha as suas batalhas. Não teríamos Paul Thomas Anderson, ou Wes Anderson, ou qualquer um desses caras, se toda a arte cinematográfica fosse completamente pré-moldada. Mas o processo leva você nessa direção; é um processo de homogeneização, e você tem que lutar um pouco contra isso. Houve um momento enquanto estávamos fazendo Firefly em que eu pedi à rede de TV para não para adquiri-lo: eles tinham começado a falar sobre um programa diferente.

10. NÃO SE VENDA
O primeiro centavo que ganhei, eu guardei. Então me certifiquei de que eu nunca teria que aceitar um emprego só porque precisava. Eu ainda precisava de empregos, é claro, mas era capaz de pegar os que eu amava. Quando eu digo que isso inclui Waterworld, as pessoas coçam a cabeça, mas essa é uma ideia maravilhosa para um filme. Qualquer coisa pode ser boa. Até mesmo O Último Grande Herói poderia ter sido bom. Há uma ideia em algum lugar em quase todo filme: se você puder encontrar algo que você ame, então você pode fazê-lo. Se não puder, não importa o quão habilidoso você seja: isso se chama prostituição."

Joss Whedon is my master now

Joss Whedon é meu mestre agora

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Eu admiro muito o trabalho dele, mas, ei, o que é isso do Brasil não poder ter finais tristes? O Brasil não aguenta é ter filmes ruins, oras! [ligeiramente esfumaçando de indignação…]

Boa escrita pra você hoje! =)

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