Dicas de Roteiro

16/09/2011

Por Que Estrutura de História É Importante

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O texto de hoje é de autoria de Phil Gladwin e foi tirado do blog Screenwriting Goldmine:

mafalda

Eu estou fazendo uma faxina geral no momento, e fiz uma escavação arqueológica nas caixas do topo das prateleiras do meu escritório.

Eu encontrei uma pasta fascinante cheia de contos e capítulos de romances que escrevi durante os meus primeiros dez anos como escritor. Eu acertei um golpe de sorte logo no comecinho – nos idos de 1986, a minha história "Indian Summer" foi de algum modo pré-selecionada para o prestigioso prêmio Sunday Times/Victor Gollancz (julgado por nada menos que J.G. Ballard, Angela Carter e Malcolm Edwards) e acabou sendo publicada.

Depois disso, convencido de que esta brincadeira de escrever iria ser fácil, eu escrevi conto após conto, trabalhei até tarde da noite, em trens, na minha mesa quando o meu chefe não estava olhando – e, surpreendentemente, depois de dez anos, eu tinha vendido precisamente três.

Encontrei outra pasta completamente recheada com cartas de rejeição do final dos anos 80 e início dos anos 90.

Olhando para trás é fácil perceber porquê. Alguma prosa bela e inteligente, algumas ideias maravilhosas, observação sutil de personagens, todas essas coisas boas – mas sem droga de história nenhuma!

Nenhuma estrutura narrativa. Nada de subenredos. Frequentemente sem enredo nenhum. Conflitos que irrompiam de forma aleatória e vacilavam mais tarde. Claramente, eu não tinha ideia nenhuma sobre estrutura de atos, ou de arcos, ou de antagonistas, ou de qualquer coisa que torne até a pior das histórias legível.

Foi interessante ler todas aquelas páginas de prosa – todo aquele esforço prodigioso de dar voltas e voltas e, literalmente, ir a lugar nenhum. Eu que diga sobre marcar passo no mesmo lugar.

Tudo isso só mudou quando eu comecei trabalhar na BBC em 1995 e finalmente consegui a resposta para essa grande questão de "O que é uma história?" que tinha me deixado completamente perplexo por dez anos completos.

Se apenas eu soubesse na época o que sei agora. Por favor, não ache que você pode automaticamente escrever grandes histórias sem estudar a arte e as técnicas. Você pode ser sortudo e ter um conhecimento instintivo de como envolver o público e mantê-lo preso o tempo que você quiser. Por outro lado, como eu, você pode não saber, e anos de sua vida podem se passar até você perceber isso.

Isso me faz pensar em tentar um romance agora, todavia.

Screenwriting Goldmine

Para saber onde comprar o livro, é só clicar na imagem.

Boa escrita pra você hoje! =)

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5 Comentários

  1. Olá Valéria, estou com uma duvida..
    A Rubrica, é importante utilizada em dialogo?
    Exemplo.

    JÉSSICA
    (Gritando)
    Você pegou aquela maldita chave e abriu aquele maldito carro.

    DIEGO
    (Ironico)
    Não, peguei a chave a abri a geladeira.

    rs

    Att : Douglas Cavalcante

    Comentário por Douglas Cavalcante — 16/09/2011 @ 14:54

    • Oi, Douglas! =)

      Olha, segundo praticamente todos os manuais de roteirismo que li, deve-se evitar ao máximo as rubricas, usá-las apenas quando forem imprescindíveis. Usando o seu exemplo, ao invés de usar (Gritando) na fala de Jéssica, você poderia usar um ponto de exclamação no final da frase, isso já passaria a ideia de que ela está alterada. Se estiver MUITO alterada, use dois pontos de exclamação (mas também evite exagerar nisso, é bom usar só muito ocasionalmente).

      Na fala do Diego não há necessidade da rubrica, pois a própria frase já demonstra a ironia. Só se ele dissesse algo que pudesse ser interpretado de outra forma, então seria a ocasião de se usar a rubrica. Eis uma frase que dá abertura para várias interpretações:

      DIEGO
      Mas eu jamais faria isso com você.

      [Esta seria a frase normal, ele falando sério.]

      DIEGO
      Mas eu jamais faria isso com você!

      [Neste caso a exclamação mostra que ele está um tanto indignado, mas ainda não precisa de rubrica.]

      DIEGO
      (irônico)
      Mas eu jamais faria isso com você.

      DIEGO
      (distraído)
      Mas eu jamais faria isso com você.

      [Para todas as interpretações que não são óbvias, é necessário usar rubricas, e só assim.]

      – Se ele estiver com raiva, por exemplo, você pode usar uma ação física na descrição para demonstrar esse sentimento, ao invés da rubrica:

      Diego joga a chave no chão, com violência.

      DIEGO
      Mas eu jamais faria isso com você!

      [Neste caso, ao invés da descrição, duas exclamações também dariam conta, mas eu sempre prefiro inserir algum movimento para o ator na descrição, para não ficarem duas cabeças falantes na tela o tempo todo.]

      É mais ou menos isso, Douglas, espero ter explicado direito. Na verdade eu acho que essas rubricas são uma tentação para o roteirista, porque a gente quer deixar bem claro para quem está lendo o sentimento que estamos visualizando, mas como o diretor e os atores odeiam isso, a gente deve usar só quando estritamente necessário mesmo, e lançar mão de nossa criatividade para tentar dizer a mesma coisa de outra maneira (que às vezes até fica melhor do que a rubrica!).

      Um abração! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 17/09/2011 @ 11:51

      • Obrigado novamente Valéria!
        Explicou perfeitamente, como sempre! 🙂

        Att: Douglas Cavalcante

        Comentário por Douglas Cavalcante — 18/09/2011 @ 19:21

  2. Olá, Valéria.
    Eu tenho uma pequena dúvida, será que no Brasil vende itens (papel tipo carta, Martelinho de Encadernar Roteiros, Papel com três furos etc…) para roteirista ? Tenho procurado, mas não obtive sucesso.

    Um abração.
    Igor

    Comentário por Igor — 16/09/2011 @ 17:45

    • Oi, Igor, como vai? 🙂

      Olha, aqui no Rio tem uma papelaria chamada União onde eu encontrei papel com três furos, só que eu comprei isso há mais de 10 anos, não sei se ainda vende lá, mas também eles não vendem pela internet, então não tem muita utilidade.

      Já papel tipo carta tem em muitas papelarias. Você pode comprar online pela Casa Cruz ou pela loja Kalunga, por exemplo. Eu botei os links dos papéis mais grossos, de maior qualidade (92g), mas tem outros modelos de 75g que são uns dois reais mais baratos e as folhas são mais finas. Se preferi-los, é só procurar nessas lojas.

      Porém, martelinho de encadernar roteiros, capas de roteiros e outros materiais específicos do ofício, infelizmente, só nas lojas dos EUA mesmo. A americana é a única (até por ser a maior) indústria do mundo que chegou a este ponto de especialização e de ofertas de produtos. É chato, mas acho que ainda estamos longe.

      Um abração, Igor, espero que esses endereços ajudem um pouco!
      Valéria Olivetti

      P.S.: Ah, acabei de encontrar um furador de papel de 3 furos à venda na Casa Cruz! E até que está num bom preço (R$ 31,50). A longo prazo, fica muito mais barato do que importar papel furado dos EUA. Tem nas cores preta e cinza. Lá também tem um outro furador de 3 furos, mas é super caro (R$ 446,00), e é algo mais profissional, talvez para quem vende fichários ou coisa assim, não acho que seja para o nosso caso.

      Comentário por valeriaolivetti — 17/09/2011 @ 13:16


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