Dicas de Roteiro

07/09/2011

“Dez Regras Para Escrever Ficção”: Geoff Dyer

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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Esta é mais uma lista de dicas tirada do site do jornal The Guardian:

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1. Nunca se preocupe com as possibilidades comerciais de um projeto. Isso é coisa para os agentes e os editores se preocuparem – ou não. Conversa com o meu editor americano. Eu: "Estou escrevendo um livro tão chato, de apelo comercial tão limitado, que se você publicá-lo, isso provavelmente vai custar-lhe o seu emprego." Editor: "É exatamente isso que me faz querer permanecer em meu emprego."

2. Não escreva em locais públicos. No início dos anos 1990, eu fui morar em Paris. As razões habituais de escrita: naquela época, se você fosse pego escrevendo em um pub na Inglaterra, você poderia ter a sua cabeça chutada, enquanto que em Paris, dans les cafés… Desde então, eu tenho desenvolvido uma aversão a escrever em público. Agora eu acho que deveria ser feito apenas em privado, como qualquer outra atividade de lavabo.

3. Não seja um daqueles escritores que se condenam a uma vida inteira babando o ovo de Nabokov.

4. Se você usa um computador, constantemente aperfeiçoe e expanda as suas configurações de autocorreção. A única razão para eu permanecer fiel ao meu computador de merda é que eu investi muita engenhosidade na construção de um dos maiores arquivos de autocorreção da história literária. Palavras perfeitamente formadas e escritas emergem de algumas breves teclas: "Niet" torna-se "Nietzsche", "foia" torna-se "fotografia" e assim por diante. Gênio!

5. Mantenha um diário. O maior arrependimento da minha vida de escrita é que eu nunca mantive apontamentos ou um diário.

6. Tenha arrependimentos. Eles são o combustível. Na página, eles se expandem em desejo.

7. Tenha mais de uma ideia pronta a qualquer momento. Se for uma escolha entre escrever um livro e não fazer nada eu vou sempre escolher o último. Só se eu tiver uma ideia para dois livros que eu escolho um ao invés do outro. Eu sempre tenho que sentir que estou cabulando alguma coisa.

8. Cuidado com os clichês. Não apenas os clichês contra os quais Martin Amis está em guerra. Existem clichês de reação, bem como de expressão. Existem clichês de observação e de pensamento – até mesmo de concepção. Muitos romances, até aqueles muito adequadamente escritos, são clichês de forma, que se conformam com os clichês de expectativa.

9. Faça isso todos os dias. Crie o hábito de colocar as suas observações em palavras e, gradualmente, isto se tornará instinto. Esta é a regra mais importante de todas e, naturalmente, eu não a sigo.

10. Nunca ande de bicicleta com os freios apertados. Se algo estiver se revelando difícil demais, desista e faça alguma outra coisa. Tente viver sem recorrer à perseverança. Mas a escrita está toda relacionada à perseverança. Você tem que continuar tentando. Quando tinha 30 anos, eu costumava ir à academia de ginástica, apesar de odiá-la. O propósito de ir para a academia era adiar o dia em que eu pararia de ir. Isso é o que a escrita é para mim: uma maneira de adiar o dia em que não vou mais fazer isso, o dia em que eu vou afundar em uma depressão tão profunda que isso será indistinguível da felicidade perfeita.

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Boa escrita pra você hoje! =)

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