Dicas de Roteiro

30/09/2011

Como Nomear os Personagens e Fazer os Nomes Valerem

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é de autoria de Greg Miller e foi tirado de seu site, The Other Network Writers Room:

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Não subestime o poder de um bom nome de personagem. O nome é geralmente a primeira coisa que o leitor sabe sobre o personagem. É a nossa primeira impressão.

Eu posso dizer-lhe, como leitor e analista de histórias para estúdios de cinema, companhias produtoras e agências literárias, que uma coisa que faz um roteiro ou livro destacar-se – ou não – é o nome dos personagens. Os nomes são uma pista para os leitores de quão inventiva o resto da escrita será. E isso vale para não-ficção e biografias também.

Num nível prático, é difícil para o leitor acompanhar um grupo de personagens com nomes que soem semelhantes como Joe, John, Jane e Joan. Qual era mesmo o Joe? E ele estava casado com a Jane ou a Joana? O leitor (com sorte) continuará lendo e vai esperar que os personagens se diferenciem por meio da ação, mas por que não nos facilitar de reconhecer os jogadores sem precisarmos da ajuda de uma tabela?

O nome ajuda a definir o personagem, e o arranjo de nomes em um projeto pode fazer muito para definir o tom geral.

8 Dicas Para Nomear os Seus Personagens

  1. Use uma lista telefônica
  2. Leia a seção de esportes do jornal
  3. Mantenha uma lista de nomes interessantes, conforme você os encontra
  4. Use uma diversidade de nomes e sobrenomes
  5. Inclua uma variedade étnica
  6. Use um mapa ou atlas
  7. Varie o número de sílabas nos nomes de personagens diferentes
  8. Faça um brainstorm das qualidades que o personagem exibe e transforme uma delas num nome

AVISO: Nomear os seus personagens pode ajudar a desenvolver o seu projeto, ou tornar-se um enorme desperdício de tempo. Não espere até encontrar o nome perfeito para cada personagem. Siga em frente de qualquer modo. Às vezes, os personagens não estão tão bem definidos no início, por isso não fica claro que tipo de nome seria melhor para eles, do mesmo modo que algumas pessoas só dão um nome ao seu bebê depois que ele nasce.

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Boa escolha de nome para os seus bebês hoje! =D

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29/09/2011

Conheça a Sua História

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é do site Script Frenzy, e foi escrito pelo cineasta Greg Marcks (que estreou em 2003, escrevendo e dirigindo o interessante longa 11:14, que tornou-se um cult):

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O cineasta Greg Marcks rodando o seu segundo filme, A Chamada

Eu não tenho dez dicas, ou cinco, nem mesmo três. Só posso lhe dar uma dica: Por favor, pelo amor de tudo o que é sagrado, conheça a sua história antes de começar a escrever.

Isso é muito mais difícil do que parece. Eu sempre achei que a escrita fosse exploratória, uma tentativa de exorcizar um tema subconsciente com o qual eu estivesse lutando. Embora essa abordagem possa funcionar com contos ou roteiros de curta-metragens, torna-se complicada e demorada ao lidar com roteiros de longas ou romances.

ANTES de digitar FADE IN:, planeje o início, o meio e o fim.

Se você pular etapas na fase de planejamento, dizendo que vai resolver tudo "durante a escrita", você vai ser como o Pernalonga, cavando cegamente um túnel subterrâneo para chegar à praia de Pismo. Quando você botar novamente a cabeça para fora, acima do solo, e der uma olhada no seu roteiro terminado, muito provavelmente irá encontrar-se desejando que tivesse virado à esquerda em Albuquerque. Faça a si mesmo um favor: Planeje o seu itinerário e consulte o seu mapa no caminho.

História ≠ Roteiro.

Pense na história como o plano, e no roteiro como a execução. Um roteiro é uma história contada em cenas, cada cena necessária para contar a história. Nesta fase você está apenas testando se cada cena é necessária. Ao planejar um roteiro, eu tento escrever a história em prosa primeiro, sem diálogo, com cada cena representada por uma frase ou um parágrafo. Então eu leio e reviso a história condensada, omitindo o que é desnecessário.

Seja específico.

Este plano, o "tratamento" [argumento] do seu roteiro, pode variar de uma a quarenta páginas. Quanto mais detalhado o seu trabalho nesta fase, menor a chance de que o seu roteiro vá descarrilar durante a escrita. Portanto, não basta dizer que é uma história de um garoto que conhece uma garota. Descubra quem são os personagens, e então se pergunte: O que acontece? Daí, o que acontece? E então, o que acontece?

Como você sabe quando está pronto para começar a escrever roteiros?

Tente contar a sua história a um amigo. (Se você não consegue contá-la, como vai escrevê-la?) Não narre um roteiro. Apenas conte-a como se você estivesse contando sobre o que aconteceu ontem à noite. Se eles estiverem interessados ​​e acompanharem sem perguntas, provavelmente você está pronto. Se não, pegue o que você aprendeu e aperfeiçoe mais o seu tratamento. É mais fácil obter feedback sobre um resumo de uma página do que conseguir que um amigo leia um roteiro de 120 páginas.

Agora ADAPTE a sua história em formato de roteiro.

Agora que você já testou a estrutura da história, pode concentrar as suas energias no que é realmente importante: cenas emocionantes, momentos memoráveis, e diálogos inteligentes. Agora só depende de você como vai organizar cada cena. Deixe a sua individualidade brilhar: Diferentes escritores irão fazer a mesma história de formas totalmente diferentes.

Seja paciente consigo mesmo.

Eu estou sempre com muita pressa de terminar. Mas se você abrevia a fase de planejamento da sua história, e a fase de distinguir os pontos fracos com antecedência, vai gastar dez vezes o trabalho em revisão. Pior ainda, você vai ter em mãos algo que se parece com um roteiro mas não é o que você imaginou, e pode até perder o entusiasmo pela história.

Uma abordagem estrutural à escrita de roteiro exige paciência e disciplina, mas as recompensas são grandes. Você pode descobrir que, se passar três semanas trabalhando na sua história, a escrita do roteiro em si levará apenas uma semana. Então, por favor, nem sequer instale o Final Draft até conhecer a história que você está contando. Use o Microsoft Word, fichas de anotações, listas, o que quiser, mas reserve a Courier tamanho 12 para quando você tiver um mapa na mão.

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– EU SABIA QUE DEVIA TER VIRADO À ESQUERDA EM ALBUQUERQUE

Boa escrita pra você hoje! =D

28/09/2011

Para Quem Você Está Escrevendo?

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é um complemento ao de ontem, e também foi escrito por David Trottier e tirado do site Keep Writing:

Roteirista

Em um artigo de uma edição anterior do meu boletim eletrônico, um outro escritor desafiou a minha noção de escrita enxuta de descrição. O exemplo de descrição enxuta que eu usei foi tirada do roteiro de especulação de Rocky. Ela dizia o seguinte:

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Eu gosto dela porque diz muito com poucas palavras, e um leitor é capaz de facilmente visualizá-la. Ele preferiu a versão seguinte (abaixo) porque ajudaria mais os atores, o diretor, o cenógrafo e o diretor de arte. "Afinal de contas", ele disse, "é para quem nós estamos escrevendo." Ela contém mais detalhes, apesar de não ser tão legível.

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Um princípio fundamental está em questão aqui. A menos que você esteja sendo pago antecipadamente para escrever, você não está escrevendo para o diretor ou o cenógrafo, nem mesmo para os atores. Você está escrevendo o seu roteiro de especulação para um leitor, ou seja, um analista de história profissional, um agente ou um produtor. Todos aqueles detalhes extras poderão ser adicionados ao roteiro de filmagem.

É importante usar uma linguagem concreta e fornecer detalhes específicos, mas escolha apenas aqueles detalhes que ajudem o leitor a visualizar a ação. A essência da escrita de especulação é dizer o máximo possível com o mínimo de palavras possível.

Ao escrever a descrição, tente usar verbos específicos para descrever as ações, sem depender de advérbios, e escolha substantivos específicos, sem usar adjetivos. Estou dizendo que adjetivos e advérbios devem ser evitados?

Não, eu estou dizendo que você deve se concentrar em verbos e substantivos primeiro. Você não vai precisar usar tantos adjetivos e advérbios se usar substantivos específicos e concretos, e verbos.

Por exemplo, aqui está uma frase que contém um advérbio e um par de adjetivos: Ele está andando lentamente para o grande barco amarelo. Repare que os adjetivos e o advérbio oferecem pouca ajuda, porque o verbo e o substantivo não são específicos, em primeiro lugar.

Agora, aqui está a mesma frase, usando um verbo específico e ativo e um substantivo concreto: Ele cambaleia para o iate.

Como eu uso uma linguagem concreta e específica, não preciso de advérbio e de adjetivo, pelo menos neste caso em particular. E observe como o verbo cambaleou caracteriza o meu personagem melhor do que o verbo mais fraco caminhou. Finalmente, você vê que o verbo ativo cambaleia é mais forte do que a forma passiva está cambaleando? [N.T.: em português, um gerúndio – não confundir com voz passiva.] Linguagem específica pode ajudá-lo a trazer personagens e ação à vida.

Mesmo quando você usa substantivos concretos e verbos, ainda pode ver a necessidade de adjetivos concretos e advérbios. Na frase a seguir, eu uso um par de adjetivos para esclarecimento visual: Ela desliza para o bangalô de tijolos cor-de-rosa. Deste modo, o meu ponto verdadeiro é este: Use uma linguagem visual e concreta na sua descrição narrativa. Adjetivos e advérbios são palavras de apoio, por isso certifique-se primeiro de que os seus verbos e substantivos sejam fortes, e então procure por palavras de apoio, se você precisar delas.

O grande e saudoso Paddy Cheyvsky (Marty, Rede de Intrigas) disse uma vez: "Eu tenho duas regras. Em primeiro lugar, corte toda a sabedoria; então, elimine todos os adjetivos."

Eu não acho que ele quis dizer que de fato repassava o roteiro e omitia todos os adjetivos; eu acredito que ele estava se referindo à linguagem enxuta, concreta e específica. O "cortar toda a sabedoria" faz alusão à tendência de alguns escritores a soar enfadonho e didático, ou a exagerar seu tema, ou a escrever diálogo pretensioso e antinatural.

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Boa escrita pra você hoje! =)

27/09/2011

Meus Erros Preferidos

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje é do roteirista, autor e consultor de roteiros Dave Trottier, e foi tirado de seu site, Keep Writing:

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Eu li um zilhão roteiros durante os últimos anos, e os seguintes são os meus dez clichês e deslizes gritantes favoritos. Evite estes erros em seu roteiro, ou lide com eles de uma forma criativa.

1. A primeira cena do roteiro é um sonho, após o que o personagem se senta ereto em sua cama. Isto é tão clichê que o Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3 abre com ele. Confira no YouTube. É lógico que se isso já era um clichê naquela altura, certamente é um agora. Entretanto, a sua abordagem criativa a ele pode ser simplesmente certa para o seu filme.

2. A última cena do roteiro nos diz que tudo era apenas um sonho. Sim, eu vi O Mágico de Oz, mas os leitores não resmungavam depois de lerem o roteiro de O Mágico de Oz. Seja tão inteligente quanto um espantalho e espante esta tática.

3. Não reconhecer os pontos fortes do seu roteiro. Você já ouviu a expressão Mostrar é melhor do que contar. Eu gostaria de acrescentar um corolário a isso: Reconheça os momentos cinematográficos.

Por exemplo, eu acabei de ler uma cena de quatro páginas de diálogos, onde os personagens discutiam o que tinham feito e o que iam fazer. Aquelas quatro páginas foram seguidas pelo seguinte parágrafo:

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Fascinante, não é? De alguma forma, eu acho que o leitor gostaria de ver mais detalhes da ação deste momento cinematográfico e ouvir um pouco menos de diálogo sobre tudo o que está acontecendo e vai acontecer. No mínimo, nós gostaríamos de saber quem matou Martinelli. Como isso foi feito? Como a ação se desenvolveu? E Martinelli foi morto por causa de uma garrafa de suco de maçã?

4. Descrições de coisas que não podem aparecer na tela do cinema. Por exemplo:

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Os pensamentos, os sentimentos, as percepções e a agitação interior de John não são capazes de aparecer na tela do cinema simplesmente por descrevê-los como ação. No lugar disso, você deveria descrever as ações, os gestos, as expressões faciais e os sons que ajudam a comunicar ao leitor o que está acontecendo dentro de John.

5. Escrever em excesso tanto o diálogo quanto a descrição. Imagine o vilão apontando uma arma na cabeça de uma refém, enquanto o mocinho aponta a sua arma para o vilão.

arma apontada

Não há espaço para subtexto no discurso acima. O seguinte funciona melhor:

Dirty Harry

Aqui está um exemplo de descrição excessiva:

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A "revisão" abaixo foi tirada diretamente do roteiro de Rocky.

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Menos é mais.

6. Exposição óbvia.

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…E assim por diante. Deixe a exposição emergir naturalmente nas conversas… a menos que você esteja escrevendo uma óbvia comédia.

Exposição óbvia inclui narração em off que acrescente pouco ao que já vemos na tela do cinema; também inclui flashbacks que interrompam a dinâmica do filme. Como orientação geral (o que significa que pode haver exceções), não nos conte sobre o passado até que nos preocupemos com o presente.

7. O personagem central é um escritor tentando entrar no ramo e que tem êxito no final, ao vender a história que acabamos de assistir na tela do cinema. É de fato uma ideia inteligente. Eu mesmo tive esta ideia uma vez, assim como milhares de outros roteiristas.

Outro clichê favorito de enredo é este: A família de Sue é morta e agora Sue tem de encontrar o assassino para provar a sua inocência/vingar a sua família. Se esta é a sua ideia, acrescente uma reviravolta diferente a ela ou execute-a de uma maneira original e atraente.

8. Cabeçalhos de cena no roteiro que são confusos. Por exemplo, nenhum local é identificado no seguinte cabeçalho de cena:

cabeçalho de cena

Outro problema são os cabeçalhos secundários que surgem do nada. Por exemplo, note como o cabeçalho secundário abaixo não segue logicamente o cabeçalho de cena principal:

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Como pode um banheiro ser parte de um pântano, e como passamos de uma tomada externa para uma interna? Certifique-se de compreender os cabeçalhos de cena principais e os secundários, e como eles são usados.

Finalmente, eu vejo com frequência descrição demais nos cabeçalhos de cena. Por exemplo:

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Isso, na verdade, deveria ser escrito da seguinte forma:

lua pálida

Guarde a descrição para a parte de descrição do seu roteiro.

9. O personagem principal é "rusticamente bonito." Se o seu personagem é rusticamente bonito, deixe-o provar isso com suas ações rústicas. [N.T.: Em português, a palavra “rústico” também pode designar uma aparência, além de um comportamento. No original, o termo escolhido pelo autor referia-se mais a uma atitude.]

10. Este último exemplo de clichê é de uma carta consulta: "Suzie confronta os seus demônios."

Deve haver um monte de demônios por aí, porque eles são constantemente confrontados em cartas de consulta. E as cartas de consulta não são o único lugar. Ao escrever esta confissão pessoal, eu tentei confrontar os meus próprios demônios. Mas, oh, os pesadelos continuam…

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Continue escrevendo… e faça isso com um toque criativo.

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Boa escrita pra você hoje! =D

26/09/2011

A Jornada Cômica de John Truby

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje foi tirado do site Storylink e é de autoria do guru de roteirismo, John Truby:

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Escrever é uma arte, e, sem dúvida, é a arte mais complicada do mundo. É por isso que eu coloco tanta ênfase em técnicas específicas e práticas. Grandes palavras esotéricas e slogans inspiradores podem soar bem, mas eles não põem a história na página.

Arrasa-quarteirões são história
Verão é tempo de grandes filmes arrasa-quarteirão. O que a maioria das pessoas não percebe é que os arrasa-quarteirões não surgem das estrelas ou dos efeitos especiais. Eles surgem da história. Filmes de grande sucesso usam um número de técnicas singulares de história que o público ama. Muitas delas têm estado por aí por centenas, talvez milhares, de anos. Você apenas tem que saber o que elas são, e como aplicá-las em um roteiro.

Uma técnica que eu ensino no meu Curso de 22 Passos de Estrutura de História tem a ver com escrever comédia, um dos mais populares de todos os gêneros, e a fundação de vários arrasa-quarteirões de verão.

O Problema da Comédia
A comédia coloca um problema sem igual para quem deseja escrever um arrasa-quarteirão. Um verdadeiro arrasa-quarteirão é um com apelo mundial. O estúdio tem que ser capaz de vendê-lo fora dos Estados Unidos. Histórias de ação e histórias míticas viajam muito bem, porque são dois gêneros com base em uma linguagem universal. Mas a comédia está notoriamente presa ao seu lar de origem. O que é engraçado nos EUA pode não ser engraçado na Alemanha, Itália e Japão.

Vantagens da Jornada Cômica
A solução é uma técnica conhecida como a Jornada Cômica. A Jornada Cômica lhe dá uma série de vantagens ao tentar vender uma comédia para o mercado mundial. Primeiro, ela permite que você crie a comédia a partir da estrutura, e não do diálogo. Isso porque ela está usando a estratégia narrativa conhecida como ironia. A ironia diz que a vida é repleta de fracassos em alcançarmos nossos objetivos, ou chegarmos a um objetivo diferente do que pretendíamos. Aquele objetivo é a espinha dorsal da história.

Por que isto é tão valioso? Porque o diálogo é específico; a estrutura é universal. A estrutura viaja; o diálogo fica em casa.

Uma segunda vantagem da Jornada Cômica é que ela lhe dá os benefícios da viagem – tais como o movimento da história, a ação heroica e a mudança do personagem – e acrescenta os benefícios da comédia – como a ironia e o riso. Esta é uma combinação muito poderosa e popular.

Uma terceira vantagem da Jornada Cômica é que essa é uma excelente maneira de fazer crítica social, uma vez que o seu herói encontra muitas pessoas diferentes, de muitos estratos da sociedade, pelo caminho. Isso tende a dar à sua comédia um tema mais forte, o que é sempre uma boa ideia, e lhe permite povoar a sua história com uma riqueza de personagens divertidos e peculiares.

Chaves para a Jornada Cômica
Então, como você inicia uma Jornada Cômica? Comece concentrando-se no seu herói. Você provavelmente já ouviu falar do quão importante é para a comédia originar-se do personagem. Na Jornada Cômica, uma das maneiras de fazer isso é criar uma pessoa pomposa que encontra uma dura realidade, ou uma pessoa normal que encontra pessoas pomposas ou insanas. Note que, de qualquer forma, você cria um contraste cômico que lhe permite soltar os personagens, a fim de esvaziá-los ao longo do roteiro. Isto é crucial. Muitos filmes de comédia morrem após os primeiros 20 minutos porque o contraste cômico essencial desaparece.

A seguir, dê ao herói um objetivo que o force a viajar. Esta é a espinha dorsal da história e é a linha em que você pendura todos os seus encontros cômicos. Como a Jornada Cômica é inerentemente episódica, também é uma boa ideia dar a esse objetivo uma certa urgência. Quanto mais intensa a linha de desejo do herói, mais encontros cômicos você pode pendurar nela, sem que ela desabe.

Traga a família
Um dos melhores truques para uma grande Jornada Cômica é inventar uma razão para o herói levar a família junto no passeio. Mais uma vez, a natureza episódica da jornada é o seu maior problema. Numa história de Jornada Cômica, esta qualidade surge da sucessão de oponentes que o seu herói encontra ao longo do caminho. Cada vez que o seu herói encontra e supera um adversário, essa é uma mini-história. Daí a sensação episódica.

Mas se você trouxer a família no passeio, o herói tem uma oposição contínua que nunca vai embora. Você arranja um fio condutor para a jornada, bem como outros personagens além do herói que o público pode vir a conhecer e a investir.

O próximo truque é descobrir uma sequência lógica para o desfile de pessoas que o herói encontra. Esta é outra maneira de superar a sensação episódica da história, e é a principal maneira de você construir o seu tema satírico. Por exemplo, os personagens podem tornar-se progressivamente mais perigosos, mais pomposos, de classes mais altas, ou mais poderosos.

Acima de tudo, ao escrever a Jornada Cômica certifique-se de que os encontros do herói criem comédia, e não apenas conflito. Risadas só acontecem quando uma pessoa inflada é perfurada. Estruturalmente, existem apenas dois modos disso acontecer. Uma pessoa pomposa continua topando contra uma dura realidade, ou uma pessoa sã continua encontrando e expondo um bando de gente pomposa ou falsa. Em cada encontro alguém deve ser esvaziado, ou você estará desperdiçando a cena.

Se você quiser alguns modelos para estudar antes de escrever a sua Jornada Cômica, você tem muitos a escolher. Alguns dos mais famosos são Don Quixote, As Aventuras de Huck Finn, As Viagens de Gulliver, Pequeno Grande Homem, Os Irmãos Cara de Pau, Crocodilo Dundee, Thelma e Louise (uma Jornada Cômica de amizade que termina tragicamente), os filmes de férias do National Lampoon, Rain Man, Perfume de Mulher, Babe – O Porquinho Atrapalhado, e Procurando Encrenca.

A Jornada Cômica é apenas uma das centenas de técnicas de história que você pode usar para ser bem sucedido. A coisa mais importante é perceber que o sucesso vem de dominar o ofício. É preciso muito trabalho e muito estudo, mas as recompensas são tremendas.

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Boa escrita pra você hoje! =)

25/09/2011

As 10 Maiores Dicas de Escrita de Joss Whedon

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 08:00
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O artigo de hoje foi tirado do blog Scriptwriting in the UK, do roteirista Danny Stack, mas foi originalmente publicado na revista 4 Talent, do Channel 4, edição de dezembro de 2008:

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"Joss Whedon é mais famoso por criar Buffy – A Caça-Vampiros, o seu spin-off, Angel, e a série de vida curta, mas muito amada, Firefly. Mas o escritor e diretor também trabalhou despercebido como script doctor em filmes que vão desde Velocidade Máxima a Toy Story. Aqui, ele compartilha as suas dicas sobre a arte de escrever roteiros.

1. TERMINE-O
Realmente terminá-lo é o que eu vou colocar como passo um. Você pode rir disso, mas é verdade. Eu tenho tantos amigos que escreveram dois terços de um roteiro, e então o reescreveram por cerca de três anos. Terminar um roteiro é antes de tudo verdadeiramente difícil, e em segundo lugar, realmente libertador. Mesmo se ele não for perfeito, mesmo se você souber que vai ter que voltar a ele, digite até o fim. Você tem que ter um pouco de desfecho.

2. ESTRUTURA
Estrutura significa saber aonde você está indo; certificar-se de que você não vagueia sem destino. Alguns grandes filmes foram feitos por pessoas errantes, como Terrence Malick e Robert Altman, mas isso não é tão bem feito hoje, e eu não recomendo. Eu sou um louco por estrutura. Eu realmente faço gráficos. Onde estão as piadas? As emoções? O romance? Quem sabe o quê, e quando? Você precisa que essas coisas aconteçam nas horas certas, e é ao redor disso que você constrói a sua estrutura: a maneira como você deseja que o seu público se sinta. Tabelas, gráficos, canetas coloridas, qualquer coisa que signifique que você não entre nessa cego, é útil.

3. TENHA ALGO A DIZER
Este realmente deveria ser o número um. Mesmo se você estiver escrevendo um plágio de Duro de Matar, tenha algo a dizer sobre plágios de Duro de Matar. A quantidade de filmes que não são sobre o que eles pretendem ser é impressionante. É raro, especialmente em filmes de gênero, encontrar um longa com uma ideia, e não apenas: ‘Isto vai levar a muitos belos lances espetaculares’. A Ilha evolui para um filme de perseguição de carros, e os momentos de alegria são quando eles têm momentos de clone e você diz: ‘Como é a sensação de ser esses caras?’

4. TODO MUNDO TEM UMA RAZÃO PARA VIVER
Todo mundo tem uma perspectiva. Todos em suas cenas, inclusive o bandido que acompanha o seu vilão, têm uma razão. Eles têm a sua própria voz, a sua própria identidade, a sua própria história. Se alguém fala de tal maneira que está apenas estabelecendo as falas da próxima pessoa, então você não tem diálogo: tem trechos de discurso. Nem todo mundo tem de ser engraçado; nem todo mundo tem que ser bonito; nem todo mundo tem de ser encantador; e nem todo mundo tem que falar, mas se você não sabe quem todos são e porque eles estão lá, por que eles estão sentindo o que estão sentindo e por que eles estão fazendo o que estão fazendo, então você está em apuros.

5. CORTE O QUE VOCÊ AMA
Aqui está um truque que eu aprendi bem cedo. Se algo não está funcionando, se tem uma história que você construiu e está bloqueada e você não consegue solucionar, pegue a sua cena favorita, ou a sua melhor ideia ou peripécia, e corte-a. Isso é brutal, mas às vezes, inevitável. Aquela coisa pode encontrar o seu caminho de volta, mas o corte normalmente é um exercício extremamente libertador.

Joss Whedon with James Marsters

6. OUÇA
Quando eu era contratado como script doctor, normalmente era porque alguém não conseguiu passar para o próximo nível. É verdade que os escritores são substituídos quando os executivos não sabem mais o que fazer, e isso é terrível, mas a verdade é que, em relação à maioria dos roteiros nos quais trabalhei, eu tinha sido necessário, quer eu tivesse ou não a permissão para fazer algo de bom. Muitas vezes, os indivíduos apenas ficaram bloqueados, eles ossificaram, ficaram tão presos em suas cabeças que não conseguiam ver as pessoas ao seu redor. É muito importante saber quando se ater às suas armas, mas também é muito importante ouvir a absolutamente todos. A pessoa mais burra da sala pode ter a melhor ideia.

7. RASTREIE O HUMOR DO PÚBLICO
Você tem um objetivo: conectar-se com o seu público. Portanto, você deve rastrear o que o seu público está sentindo em todos os momentos. Um dos maiores problemas que eu enfrento ao assistir filmes de outras pessoas é que eu direi: ‘Esta parte me confunde’, ou o que for, e eles vão dizer: ‘O que eu estou pretendendo dizer é isto’, e vão continuar falando sobre suas intenções. Nada disto tem a ver com a minha experiência como um membro da plateia. Pense em termos do que o público pensa. Eles vão ao cinema, e ou percebem que suas bundas estão dormentes, ou não. Se você estiver fazendo o seu trabalho direito, eles não percebem. As pessoas acham que exibições-teste de estúdios são terríveis, e isso é porque muitos estúdios são bem idiotas quanto a isso. Eles entram em pânico e refilmam, ou dizem: "Ih, o Brasil não pode ter um final infeliz"; e essa é a história de terror. Mas isso pode fazer muito sentido.

8. ESCREVA COMO UM FILME
Escreva o filme tanto quanto você puder. Se algo for exuberante e vasto, você pode descrevê-lo brilhantemente; se alguma coisa não for assim tão importante, apenas passe por ela laconicamente. Deixe a leitura ter a sensação do filme; isso faz muito do trabalho por você, pelo diretor, e pelos executivos, que dirão: ‘Como isso vai ficar quando o colocarmos de pé?’

9. NÃO OUÇA
Tendo dado o conselho de escutar, eu tenho que dar o conselho oposto, porque, em última análise, o melhor trabalho surge quando alguém fode com o sistema, faz o inesperado e deixa a sua própria voz pessoal entrar na máquina que é a arte cinematográfica. Escolha as suas batalhas. Não teríamos Paul Thomas Anderson, ou Wes Anderson, ou qualquer um desses caras, se toda a arte cinematográfica fosse completamente pré-moldada. Mas o processo leva você nessa direção; é um processo de homogeneização, e você tem que lutar um pouco contra isso. Houve um momento enquanto estávamos fazendo Firefly em que eu pedi à rede de TV para não para adquiri-lo: eles tinham começado a falar sobre um programa diferente.

10. NÃO SE VENDA
O primeiro centavo que ganhei, eu guardei. Então me certifiquei de que eu nunca teria que aceitar um emprego só porque precisava. Eu ainda precisava de empregos, é claro, mas era capaz de pegar os que eu amava. Quando eu digo que isso inclui Waterworld, as pessoas coçam a cabeça, mas essa é uma ideia maravilhosa para um filme. Qualquer coisa pode ser boa. Até mesmo O Último Grande Herói poderia ter sido bom. Há uma ideia em algum lugar em quase todo filme: se você puder encontrar algo que você ame, então você pode fazê-lo. Se não puder, não importa o quão habilidoso você seja: isso se chama prostituição."

Joss Whedon is my master now

Joss Whedon é meu mestre agora

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Eu admiro muito o trabalho dele, mas, ei, o que é isso do Brasil não poder ter finais tristes? O Brasil não aguenta é ter filmes ruins, oras! [ligeiramente esfumaçando de indignação…]

Boa escrita pra você hoje! =)

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