Dicas de Roteiro

13/08/2011

Como Formatar Diálogos em Diferentes Situações

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:10
Tags: , , ,

Este é outro artigo escrito por Elaine Radford (nome artístico de Elaine Bossik) e tirado do site Scriptologist:

dialogo (1)

Às vezes, o diálogo em um roteiro não envolve um personagem falando com outro personagem cara a cara. Em vez disso, pode haver diálogo fora da tela, diálogo ao telefone, ou uma narração em off.

Diálogo Fora da Tela (Off-Screen Dialogue)

Quando o público não vê um personagem que está falando, o diálogo no roteiro deve ser formatado de modo que fique claro qual personagem está falando e onde o personagem está localizado. Por exemplo, uma cena pode se passar em uma sala onde uma mulher chama uma criança que está lá em cima em seu quarto. O público vê a mulher, mas não a criança. No entanto, o público ouve a criança respondendo.

Exemplo:

off screen

No exemplo acima, O.S. aparece entre parênteses e é utilizado para indicar que Andrew está FORA DA TELA (OFF SCREEN). Nós não vemos Andrew, mas ouvimos a sua resposta. A abreviação O.S. é usada para formatar diálogos FORA DA TELA. A voz de um personagem pode ser ouvida de uma outra sala, de fora da casa, através de um alto-falante, ou em qualquer lugar FORA DA TELA.

Diálogo ao Telefone

Muitas vezes, é necessário, em um roteiro, um personagem falar ao telefone. O público não vai ver com quem o personagem está falando, mas vai ouvir a voz do outro personagem pelo telefone. Este uso de formatação de diálogo é conhecido como VOICE OVER [N.T.: Algo como: voz (vinda) do lado de fora], que é abreviado e colocado entre parênteses ao lado do nome do personagem.

Exemplo:

voice over2

Narração

Alguns roteiros utilizam um narrador que ouvimos, mas não vemos. Quando o público ouve a sua voz, mas não o vê na cena, o seu diálogo é referido como um VOICE OVER e é abreviado para a leitura como (V.O.). O narrador dá ao público a informação necessária para mover a história adiante rapidamente.

Um excelente exemplo do uso eficaz de narração é o roteiro de Um Sonho de Liberdade. Depois que o protagonista, Andy Dufresne, é condenado a cumprir pena na prisão de Shawshank, o personagem Red é apresentado como outro prisioneiro de Shawshank. Ele é um personagem principal que faz amizade com Andy e faz parte do enredo. Mas Red também é um narrador. Quando ele age como um narrador, a voz dele fornece informações e faz comentários sobre a ação.

Exemplo de The Shawshank Redemption:

voice over3

(Darabont, Frank. The Shawshank Redemption: The Shooting Script. New York. Newmarket Press. 1966.)

Forrest Gump é um exemplo de outro roteiro que usa a narração para dar aos espectadores informações que eles não iriam obter a partir da ação. Forrest, o protagonista, participa da ação da história e às vezes age como um narrador que nos dá informações em VOICE OVER..

Exemplo:

voice over4

(Roth, Eric. Forrest Gump. Baseado no romance Forrest Gump, de Winston Groom. Washington Square Press.)

Tenha em mente que a ação é o elemento mais importante em um roteiro. As ações dos personagens definem e movem a história para um clímax. Mas a narração não pode tomar o lugar da ação. Em vez disso, a narração realça a ação e fornece informações às necessidades do público.

Ler roteiros que usam diálogos O.S. e diálogos V.O. pode ajudar os roteiristas aspirantes a obterem uma melhor compreensão de como e quando usar estas técnicas de formatação.

Essential-Script-Library

Boa escrita pra você hoje! =)

Anúncios

5 Comentários

  1. Valeu, Valéria, muito obrigado mesmo! Era isso o que eu procurava.

    Abraços.

    Comentário por Elton Martins — 13/08/2011 @ 10:43

  2. Legal! Legal! Muito legal esssa ‘matéria’.
    Eliminou o resto das minhas duvidas. haha

    Att: Douglas Cavalcante

    Comentário por Douglas Cavalcante — 13/08/2011 @ 11:42

    • Olá, Elton e Douglas! =)

      Que bom que vocês gostaram, fiquei muito feliz por terem tirados suas dúvidas! 😀

      Ainda teremos dois posts sobre narração em off em breve, espero que eles também contribuam para os seus roteiros!

      Um abração e um excelente final de semana pra vocês!
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 13/08/2011 @ 16:44

  3. Vamos ver se eu entendi…
    Um O.S – usamos para determinar algo que está “fora da tela”. Então, neste caso, o “fora da tela” seria como estar “fora de cena”. Ou seja, enquanto a ação acontece eu não vejo o personagem porque o mesmo não está de “corpo presente” naquele momento, porém posso escutá-lo. Já no V.O usamos para dizer que algo está “do lado de fora” mais no sentido de estar “fora de cena” mesmo estando de “corpo presente”. Ou seja, eu estou na ação mais passo a sensação de como se eu não tivesse porque ocorre um certo distanciamento.

    Resumindo é como se fosse “de dentro pra fora” (O.S) e de “fora para dentro” (V.O).

    Louco isso. rsrs

    Comentário por Marcia Fr. — 28/08/2011 @ 02:38

    • É meio enlouquecedor mesmo! 😆

      Mas na verdade, este V.O. de telefonema não é o mais usado, e sim O.S. Dê uma olhada neste post: https://dicasderoteiro.com/2009/12/12/como-escrever-uma-cena-de-telefonema/

      O uso principal do V.O. é a narração. Ou seja, um narrador está contando a história, mas não está falando de dentro da cena, é como se víssemos as memórias do que ele está narrando.

      Se, por exemplo, uma personagem disser “Era uma vez…” e contar a sua história, será V.O., mesmo ela sendo a personagem principal do filme. Ela está apenas contando o que viveu. Mas se ela olhar para a câmera e disser “Era uma vez…” e for interrompida por outro personagem que vira a câmera para si, enquanto a primeira personagem fica atrás da câmera (fora de vista) xingando-o, então ela estará falando em O.S.

      Ai, acho que compliquei mais as coisas, né? Mas dá uma olhada naquele post que eu citei, talvez ele explique melhor!

      Um beijo grande, Marcia, e obrigadão pela visita! =)
      Valéria Olivetti

      Comentário por valeriaolivetti — 28/08/2011 @ 14:13


RSS feed for comments on this post.

%d blogueiros gostam disto: