Dicas de Roteiro

31/08/2011

Escreva Agora

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:53
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O artigo de hoje é de autoria do roteirista Danny Stack e foi tirado de seu blog, Scriptwriting in the UK:

Danny-Stack

Ninguém lhe pediu para ser um escritor. Ninguém se importa se você escreve ou não. Você pode receber incentivos e conselhos de familiares e mentores, com certeza, mas a decisão de seguir a vida literária só pode ser encontrada em um lugar. Felizmente, a escrita pode ser perseguida como um hobby, ou como um curso noturno, ou durante a pausa para o almoço. Portanto, se o seu desejo emocional básico de se expressar no papel pode ser alcançado e satisfeito enquanto ainda ganha R$ 4.500 por mês no escritório, então você encontrou um feliz equilíbrio entre as responsabilidades de rotina e os impulsos criativos que existem em sua personalidade. Mas se você tem uma necessidade mais profunda de escrever e pensar, muito possivelmente, você poderia ganhar a vida com isso, então precisa seriamente considerar empurrar-se a tentar ser bem sucedido como um profissional.

Esta não é uma escolha fácil. E a vida tem o péssimo hábito de ficar no caminho de seus melhores planos. Relacionamentos, dinheiro, saúde, crianças; as distrações e demandas diárias da condição humana. O esforço necessário para ser bem sucedido como um escritor profissional, de qualquer natureza, é enorme. Exige determinação constante; um desejo incansável de ter sucesso, uma crença inerente em si mesmo e em seu talento. E um pouquinho de sorte. É fisicamente e mentalmente desgastante. Isso desafia você em uma base diária. Porque você só tem a si mesmo em quem confiar. E você só tem a si mesmo a quem culpar. Tudo isso são motivos de crítica à sua decisão de desistir de seu trabalho, e quase tudo o mais, para que você possa escrever.

Seis anos atrás, eu desisti do meu trabalho diário. Eu sempre soube que queria escrever, e me sentia bastante confiante de que eu tinha o talento básico para fazê-lo. Trabalhar na mídia me deu a oportunidade de satisfazer a minha sensibilidade criativa sem realmente ter de me desafiar a criar o hábito de minha própria escrita. Mas isso me incomodava e eu sabia que tinha de fazer uma mudança. Mesmo quando eu desisti do meu trabalho no Channel 4, eu escolhi ‘editor de roteiros’ ou ‘desenvolvimento’ como o provável título do meu novo cargo. No meu primeiro ano sendo autônomo, o medo de não ganhar nenhum dinheiro e a minha insegurança básica de me tornar um escritor se estabeleceu. Como resultado, eu fiz bicos em dois programas de TV e editei roteiros de algumas animações curtas para o Channel 4. Eu percebi que tinha de abraçar plenamente a minha escolha se fosse algum dia realizar o meu sonho. Deste modo, a escrita tornou-se o foco.

A competição, no entanto, é ao mesmo tempo enorme e feroz. Há uma série de escritores talentosos por aí sendo rejeitados todos os dias. Para me dar uma chance, eu adotei a abordagem de Keyser Soze: "ele mostrou a esses homens de vontade, o que vontade realmente era." Eu ia fazer o que a maioria dos aspirantes a escritor não estavam preparados para fazer (seja lá o que fosse isso). Eu ia me jogar no processo com tanta disciplina, determinação e bom senso que as minhas chances de sucesso iriam imediatamente disparar só porque saí da cama de manhã. O meu trabalho no Channel 4 tinha me exposto ao fato de que um monte de roteiros estava mal escrito e os escritores estavam cometendo erros comuns. Eu decidi que precisava saber mais e descobri o que era que tinha de fazer que a maioria dos aspirantes a escritores não faziam. Eu tive que ler roteiros. Muitos deles.

Passaram-se seis anos. Meu Deus. Cinco, se você levar em conta aquele primeiro ano de distração em programas de TV. Dizem que leva 10 anos para se ter sucesso como escritor, mas eu estou indo bem. Tem sido uma viagem tão emocional, e continua a sê-lo. Dias ruins, dias de desespero, dias bons, dias ótimos. A primeira coisa que você pode esperar quando avança sozinho é que o telefone não vai tocar. E a tentação de assistir a vídeos e ligar o Playstation (e chamar isso de pesquisa) irá oprimi-lo. Mas você é um escritor agora, então você tem de escrever, e ser pago por isso ou, pelo menos, ser reconhecido.

Eu chorei feito um bebê quando fui pré-selecionado para um prêmio. Pré-selecionado. Eu nem tinha ganhado ainda (eu de fato o ganhei, eventualmente, você deve ter me visto então), mas a carta chegou em um momento especialmente vulnerável, e eu desmoronei. A minha primeira encomenda para a TV; urros de prazer, correndo ao redor do apartamento feito um doido (quando eu vi que o chão da cozinha precisava de uma esfregação, então eu fiz isso – o glamour muda rápido feito um interruptor). As dúvidas e inseguranças ainda existem, mas o meu conhecimento e experiência crescem. Eu tenho que fazer isso. Eu não sei o que mais eu poderia fazer agora. Eu leio roteiros e ensino roteirismo para ajudar a pagar as contas, mas este ano eu tenho sido capaz de diminuir ambos conforme o meu capacho torna-se um ponto habitual de pouso de cheques. Certamente, não há sensação melhor…

Começar a escrever

Boa escrita pra você hoje! =)

29/08/2011

As 13 Regras de Ouro de Mike Newell

Filed under: Direção — valeriaolivetti @ 11:55
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O texto de hoje foi tirado do site da revista Movie Maker e seu título original é: Bicado Por Pombos Até a Morte: As Regras de Ouro de Mike Newell (publicado em maio de 2010).

Mike Newell

O diretor de Príncipe da Pérsia compartilha suas dicas para manter-se motivado

Diretores são animais solitários. Eles nunca veem outros de sua espécie no trabalho, eles detestam intromissão e são dominadores, gorilas machos adultos de temperamentos incertos. Fazer um filme é uma briga de faca, e como é dito logo antes de Butch Cassidy chutar seu oponente nas bolas: "Regras? Em uma briga de faca? Não há regras!". No entanto, aqui estão alguns guias para navegação – alguns rituais privados que eu não gosto de ficar sem quando trabalho.

1. Ao ler pela primeira vez um roteiro, livro, ou tratamento, eu terei um pequeno choque imediato de emoção, se a coisa tiver algo a dizer para mim.
Eu tenho que fixar essa ideia antes de qualquer outra coisa. Se você tem uma ideia grande e clara do que deseja que o seu público sinta e pense – e, acima de tudo, do que você quer – então, mesmo nos tempos do mais sombrio caos (o que quase certamente cairá sobre você), você tem uma rocha para se segurar.

2. Tente conhecer os roteiros quase de cor.
Eu penso nas cenas com antecedência várias e várias vezes, com tantos detalhes quanto possível. Daí, no dia em que filmamos, eu estou preparado para abandonar tudo aquilo se ideias melhores surgirem. Espontaneidade é a qualidade que só os atores podem trazer e é uma qualidade vale seu peso em ouro. Esteja preparado para o fato de que nenhum plano sobrevive ao primeiro contato com o inimigo e ouça muito atentamente os atores. Não imponha-lhes. Em vez disso, tente incentivá-los a ficarem confortáveis em suas peles.

3. Todo mundo na equipe vai ter ideias sobre como as cenas devem ser feitas; eles terão ideias, ângulos e movimentos que você nunca tinha imaginado.
Um dos melhores operadores de câmera com quem eu já trabalhei ouvia as minhas opiniões sobre onde a câmera deveria ser colocada e então marchava para a posição completamente oposta.

4. Eu tenho um mantra que tento desesperadamente lembrar durante o trabalho de cada dia: Por favor, que eu não seja um babaca hoje.
Esperança vã, mas é bom ter uma ambição!

5. Muita gente puxa o saco de um diretor.
Vale a pena não acreditar em nada do que dizem. Eu tento sobreviver sem querer saber o que todo mundo pensa de mim. Alguns pensam que você é ótimo, alguns pensam que você é uma porcaria. A realidade vai estar em algum lugar no meio e, de qualquer maneira, não deveria importar. Um monte de coisas rudes são ditas para você, então é bom ter uma pele grossa o suficiente para absorver o dano e fina o suficiente para entender por que estas coisas estão sendo ditas.

Mike_Newel

6. Converse calmamente.

7. Tenha boas maneiras.

8. Se você for perder a sua paciência (realmente tente não perdê-la), deve ser irresistivelmente para valer.
Não há nada pior do que raiva falsa.

9. Não coma o bufê na hora do almoço.

10. Durma sempre que puder.

11. Use um par de sapatos confortáveis.

12. O processo de fazer um filme parece com ser bicado por pombos até a morte.
Mil pequenas mordidas lentamente irão remover os seus motivos para começar em primeiro lugar. Você vai esquecer por que está lá. É aí que você deve retornar àquela centelha inicial de animação (veja o nº 1) para atravessar isso.

13. Acima de tudo, "Nunca foda com o talento."
(Veja Charlton Heston, cerca de 1979.)

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O cara é bem humorado, né? Ri muito com o nº 3! Já o número 13, eu não consegui descobrir se a frase é figurativa ou literal, nem o que Charlton Heston fez em 1979 que tem a ver com o que ele disse. Se alguém souber, por favor, me conte!

E boa escrita pra você hoje! =)

27/08/2011

10 Passos Para Escrever Um Roteiro de Terror

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 14:34
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Este artigo foi escrito por Henrik Holmberg e tirado do site Simply Scripts:

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Um filme de terror tem certas regras. Se você quebrar muitas delas, o público vai se decepcionar.

Este é um esquema muito curto, sem supérfluos, de como escrever um roteiro de terror.

1. O Gancho. Comece com um estrondo. Entre logo com uma cena de suspense. ("Pânico" abre com uma sequência assustadora com a Drew Barrymore ao telefone com um assassino).

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2. O Defeito. Apresente o seu herói. Dê a ele um defeito. Antes que você possa colocar o seu herói em risco, nós devemos nos importar com ele. Devemos querer que o nosso herói tenha sucesso. Então, faça-o humano. (Em "Sinais", Mel Gibson interpreta um padre que perdeu a sua fé depois que sua esposa morreu).

3. O Medo. Uma variante do Defeito. O herói tem um medo. Talvez um medo de altura, ou claustrofobia. (Em "Tubarão", Roy Scheider tem medo de água. No final, ele tem que vencer seu medo saindo para o oceano para matar o tubarão).

4. Sem Escapatória. Bote o seu herói em um local isolado, onde ele não possa escapar do horror. (Como o hotel de "O Iluminado").

O Iluminado

5. Preliminares. Provoque a plateia. Faça-os pular em cenas que pareçam assustadoras – mas que acabam por ser completamente normais. (Como o gato pulando do armário). Dê a eles um pouco mais de preliminares antes de trazer o monstro real.

6. O Mal Ataca. Um par de vezes durante o meio do roteiro mostre o quão perverso o monstro pode ser – enquanto ele ataca as suas vítimas.

7. Investigação. O herói investiga e descobre a verdade por trás do horror.

8. A Ação Decisiva. O confronto final. O herói tem de enfrentar tanto o seu medo quanto o monstro. O herói usa seu cérebro, ao invés dos músculos, para enganar o monstro. (No final de "A Vila", a garota cega engana o monstro para ele cair no buraco no chão).

9. Consequência. Tudo está de volta para o jeito como estava no início – mas o herói mudou para melhor ou para pior. (No final de "Sinais", Mel Gibson põe o seu colarinho clerical de novo – ele recupera a sua fé).

10. O Mal Espreita. Vemos evidências de que o monstro pode retornar em algum lugar… de alguma forma… no futuro… (Quase todos os filmes "Sexta-Feira 13" terminam com Jason mostrando sinais de voltar para outra sequência).

Agora você pode começar a escrever o seu roteiro de terror. Boa sorte!

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Boa escrita de terror pra você hoje! =D

26/08/2011

Flashbacks!

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 19:15
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O artigo de hoje é do roteirista William C. Martell, tirado do site dele, Script Secrets:

flashback!

O problema é que um roteiro é como um tubarão – ele tem que estar movendo-se para frente ou morre. Quando você pensa sobre flashbacks em filmes, o que eles fazem é mover a história adiante… e não preencher um pouco do passado. O flashback em CÃES DE ALUGUEL é um bom exemplo – o Sr. Laranja está sangrando no chão após o roubo dar errado… todos ao redor dele, os outros assaltantes estão apontando armas uns para os outros e acusando-se mutuamente de informar a polícia – como a polícia chegou lá tão rápido? Agora temos o flashback do Sr. Laranja… ele é um policial disfarçado. Agora, nós podemos estar voltando no tempo, mas o Sr. Laranja ser um policial disfarçado AGRAVA O CONFLITO – eles vão matá-lo se descobrirem! Ele não pode correr, ele levou um tiro. Assim, cada pedaço daquele flashback move a história adiante –estamos descobrindo mais e mais informações que tornam a situação presente muito pior. O flashback move a história adiante – não está preenchendo um buraco do enredo.

A Vida de David Gale

A VIDA DE DAVID GALE é um exemplo clássico de como NÃO usar flashbacks. Uma repórter jovem e ambiciosa (Kate Winslet) consegue uma entrevista com David Gale (Kevin Spacey), um professor universitário e ativista anti-pena de morte, que será executado no final da semana. A ela será dada uma entrevista em cada um dos três últimos dias de sua vida. Winslet e as entrevistas tornam-se desculpas para flashbacks dos acontecimentos que levaram à condenação de Gale. Os dois primeiros flashbacks referem-se à vida de Gale como um professor universitário… como ele teve um caso com uma aluna que lhe custou o seu emprego e o seu casamento. Como ele caiu no alcoolismo. Como ele não conseguiu manter nem mesmo os mais simples empregos. Como ele perdeu quase todos os seus amigos e acabou como um bêbado sem-teto.

Ok – alguns de vocês podem estar se perguntando o que isso tem a ver com estar no corredor da morte. E essa é uma boa pergunta. O primeiro problema é que estes dois flashbacks não têm nada a ver com a história de um homem no corredor da morte. Embora estes eventos proporcionem uma desculpa para a razão de um júri condenar um homem inteligente e articulado por assassinato quando não há quase nenhuma evidência – os flashbacks são chatos e não mudam a história ATUAL em nada. No final de cada flashback Gale ainda está no corredor da morte e nós não aprendemos nada que possa ajudar no seu caso. Você pensaria que um cara com apenas três dias de vida iria direto ao ponto! Como os flashbacks não têm impacto nenhum sobre os acontecimentos presentes, eles são inúteis. Eles não movem a história para a frente, eles apenas desperdiçam o nosso tempo. Nós passamos a conhecer quem David Gale é… mas é a história de vida de um professor universitário que estraga a sua vida. Não é a história mais emocionante do mundo. Os primeiros dois terços são como sentar-se ao lado de alguém em uma longa viagem de avião que insiste em contar-lhe sobre sua vida em Topeka. Quem se importa?

O terceiro flashback é aquele com todo o material da história. É aqui onde nós finalmente chegamos ao assassinato e à condenação por homicídio. Mas, apesar de Winslet chegar a vasculhar uma casa e encontrar uma fita de vídeo, e correr por toda a cidade para tentar suspender a execução por causa da nova evidência… o curso da história não muda realmente. A situação no final do terceiro flashback é EXATAMENTE IGUAL à situação no início do filme… tornando todos os flashbacks (e o próprio filme) sem sentido. Os flashbacks não mudam a história de nenhuma maneira – eles não nos dão qualquer informação que não poderíamos ter adivinhado a partir da premissa em si (muitas pessoas adivinharam), e dois dos flashbacks são apenas para matar o tempo. Um flashback precisa MOVER A HISTÓRIA ADIANTE. Um flashback precisa MUDAR a situação presente. Estes flashbacks só desperdiçaram o nosso tempo.

Os roteiros são contados no presente do indicativo, portanto as histórias contadas nos roteiros geralmente ocorrem no presente – nós vemos a história se desenrolar conforme ela está acontecendo. Flashbacks não são sobre o passado, eles são sobre a história do tempo presente. Se eles não mudam a história do tempo presente, eles estão, provavelmente, ou tampando um buraco no enredo ou são alguma forma de “Reviravolta no Enredo de Novela de TV Americana”.

HISTÓRIA PREGRESSA?

Ei, mas e se esse flashback fornecer uma história pregressa crucial? Bem, onde você coloca a sua história pregressa vai depender de onde ela move a história para a frente –isso pode significar que ela é a cena de abertura! Ou pode aumentar o conflito se você guardar essa informação e revelá-la mais tarde.

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Se você tem 7 histórias pregressas diferentes que são de fato matéria de origem e, portanto, precisam ser estabelecidas antes que a história comece… você está em apuros. Digamos que a sua história seja sobre 7 pessoas que foram ferradas por George Lucas enquanto ele galgou seu caminho até o topo, e que decidem se unir e matá-lo na pré-estreia do filme de animação CLONE WARS. O problema é que você precisa estabelecer as suas motivações antes que a história comece, pois a revelação de que o Personagem nº 3 foi o editor que disse que "R2-D2 seria um grande nome para um robô!" não aumenta o conflito em nada. Então você tem que começar com estas 7 histórias… e cada uma terá de estabelecer a relação entre o personagem e Lucas, de modo que a facada-nas-costas-a-caminho-do-topo seja uma traição real. Isso não é como os trechos que temos em O COMBOIO DO MEDO, que só precisam nos mostrar por que aqueles caras estão quebrados na América do Sul… cada uma dessas coisas de Lucas é a sua própria história. Então, o início do seu roteiro vai ser de 7 histórias que precisam ser contadas antes que você possa chegar à história VERDADEIRA – matar George Lucas. Se cada uma destas histórias forem cortadas para 12 minutos – e vai ser difícil estabelecer o vínculo de amizade e o modo como ela é traída em tão pouco tempo – você tem 84 minutos antes mesmo de poder chegar à história verdadeira! Se você for um maldito gênio e conseguir que essa história de amizade e traição tenha até 5 minutos cada, você ainda está com 35 minutos de matéria de origem antes mesmo da história começar! Assim, uma história como esta está mais adequada para um formato onde você possa gastar mais tempo com a história de origem – como um romance.

O Comboio do Medo

O problema em usar um flashback apenas para revelar o passado é que ele está só tapando um buraco do enredo – é “reboco de roteiro”. Se precisamos conhecer este pedaço de história pregressa a fim de entender a história do tempo presente, mas essa história pregressa tem zero impacto sobre a história do tempo presente – isso é o clássico tapar buraco de enredo. Você precisa estabelecer qualquer história pregressa que seja exigida muito mais cedo – o Ato I é o Ato de Apresentação. Geralmente você quer plantar estas informações o mais cedo possível, e talvez até mesmo usar a "regra de três" e reapresentar as informações uma segunda vez em algum lugar da história para que o público simplesmente conheça-as, sem fazer grande rebuliço sobre isso… e usar qualquer "revelação", já que a terceira vez é que rompe o padrão. Quando você apresenta informações – em um flashback, logo antes daquilo se tornar importante para a história, parece que você está inventando enquanto avança (e não num bom sentido), e a história parece falsa. Você quer que a história pareça como se estivesse se desenrolando naturalmente… e não que o escritor teve que voltar e acrescentar um trecho para que ela fizesse sentido.

Coisas que aconteceram no passado, antes da sua história começar, só são importantes se elas causam impacto na história atual – se mudam a história atual. Usar flashbacks como "reviravoltas de novela americana" – onde uma pequena informação chocante sobre o passado de um personagem é revelada e que não muda a história atual em nada também é uma perda de tempo. Claro, isso pode dar um susto no público – mas assim como aquelas reviravoltas no enredo de uma novela de TV americana ("Ele… era… o meu… namorado!") eles acabam por ser bobos e exagerados, porque não têm nenhum significado real. A história continua a mesma. Se essa informação mudar a direção da história do tempo presente, tudo bem – mas se for apenas informação revelada que não importa… ela não importa.

FLASHBACKS MOVEM A HISTÓRIA PARA A FRENTE – ELES NÃO VOLTAM & TAPAM BURACOS DO ENREDO.

ENQUADRADO!

Pacto de Sangue

Um roteiro é contado no presente do indicativo e é sobre coisas que estão acontecendo agora… mas existe uma ótima pequena "trapaça" chamada de "dispositivo de enquadramento", que é frequentemente usada em filmes que podem começar um pouco lentos. Dois grandes exemplos são PACTO DE SANGUE e CREPÚSCULO DOS DEUSES – ambos começam pelo final e então fazem um "flashback" para o começo. O negócio sobre esta técnica é que, após aquela cena inicial, o resto do filme acontece numa forma de tempo presente… onde o conflito da história está. Em PACTO DE SANGUE, o protagonista Walter Neff está sangrando até a morte e liga o seu ditafone para gravar a sua confissão… e depois todo o resto do filme é o que o trouxe a este ponto no tempo. Assim, mesmo que tecnicamente seja um flashback, é o desdobramento da história em um período de tempo. Não há flashbacks dentro desse flashback. CREPÚSCULO DOS DEUSES abre com o protagonista morto – flutuando em uma piscina, enquanto os paparazzi tiram fotos suas… e então nós voltamos em flashback para como ele veio a ser morto. Mas, uma vez que voltamos ao passado, ficamos no passado. O modo como estas histórias funcionam é que, eventualmente, nós atravessamos a história até chegarmos àquele ponto onde começamos (o fim) e então temos um pequeno trecho da história (ou não, no caso de CREPÚSCULO DOS DEUSES). Estes não são realmente flashbacks, porque eles contam a história toda. Só para lançar um outro exemplo, o ATÉ A VISTA, QUERIDA abre com Marlowe sendo interrogado pela polícia – olhos com bandagens e cego. Muitas pessoas foram assassinadas e a polícia acha que ele pode ser o responsável. Então, conforme Marlowe "confessa", nós voltamos ao começo da história e ela é contada naquela versão do "presente" até chegarmos à delegacia de polícia nessa versão do "tempo presente" – a nossa história fez a volta completa para o começo! Então temos aquele minuto ou dois de "rabicho" no final. Como os dois filmes de Billy Wilder, este é um flashback apenas tecnicamente, já que apenas 1% da história se passa no presente. Os outros 99% ocorrem no mesmo período de tempo, conforme a história se desenrola como qualquer outra história se desenrolaria. Geralmente isto é feito quando uma história começa lenta, para dar uma pista para a plateia de que há coisas interessantes por vir, e/ou construir um mistério (como o Marlowe ficou cego?). Esta é uma grande técnica para a caixa de ferramentas.

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Eu suspeito de que esta pode ser a ideia por trás dos flashbacks em DAVID GALE, exceto que o problema com que eles se depararam foi que nada acontece nos dois primeiros flashbacks – os dois primeiros terços do filme – então eles tiveram que voltar para o elemento do Corredor da Morte para nos lembrar por que devemos nos importar. Mas o problema é que nada acontece durante dois terços do desgraçado do filme, e nenhuma quantidade de flashback artificial vai torná-lo mais interessante. Este é um problema de história que não pode ser resolvido com a técnica de "enquadramento". Se você observar os dois filmes de Billy Wilder e o ATÉ A VISTA, QUERIDA, uma vez que passamos o "quadro" inicial de abertura, a história realmente começa – muitas coisas interessantes acontecem. O problema com DAVID GALE é que quando temos flashback, nada acontece. Nada acontece por dois terços do filme! É todo o tipo de história pregressa chata. Compare isto com o ATÉ A VISTA, QUERIDA, onde há uma arma e uma ameaça no momento em que voltamos em flashback… ou com o PACTO DE SANGUE, onde vamos diretamente para Neff e Phyllis se encontrando e flertando e falando sobre a política de um seguro de vida para o marido que ela não ama mais… ou com o CREPÚSCULO DOS DEUSES, que tem o nosso protagonista correndo dos caras de reintegração de posse de propriedade que estão atrás de seu carro porque ele é um roteirista falido. E mesmo depois que voltamos para a história, não há escassez de conflito e emoção. O problema com DAVID GALE é que nada acontece até o último terço (ou menos) da história, então aqueles dois flashbacks iniciais são apenas para matar o tempo. Esta é uma história com sérios problemas de estrutura, e esses não podem ser resolvidos com um dispositivo de enquadramento.

murder_my_sweet

 

Quando você usa um dispositivo de enquadramento, o conflito vivo e ativo naquele "passado" – uma vez que voltamos e nos envolvemos na história, nós ficamos lá e lidamos com aquele conflito até que ele esteja resolvido. O problema com DAVID GALE é que mesmo quando voltávamos para o "passado", não havia conflito… o único conflito na história é que ele está no corredor da morte. Portanto, o flashback é apenas expositivo, e não só não muda o conflito do presente momento… como não há conflito no passado também! O único conflito na história é a execução – e esse é um conflito morto. Ele não pode ser mudado. Você quer encontrar um conflito que esteja ativo e vivo, e não morto. Toda vez que você tem um conflito onde a resolução está gravada na pedra, ele está morto, Jim. Se cada um dos flashbacks em DAVID GALE estivesse cheio de conflitos e reviravoltas e coisas acontecendo, o filme teria funcionado. Em vez disso, toda vez que saíamos de um flashback… estávamos no mesmo lugar exato e nenhuma coisa tinha mudado.

E a história parece parada e morta.

LISTA DE CHECAGEM DE SEU ROTEIRO:

  • Qual é o impacto de seu flashback na história do tempo presente?
  • O flashback aumenta o conflito, ou apenas dá informações?

Um roteiro é como um tubarão – a história deve estar sempre movendo-se para frente… mesmo quando é um flashback.

ARKive image GES070610 - Blue shark

Boa escrita pra você hoje! =)

25/08/2011

Guia de Comédia Britânico (Parte 2) – Perguntas e Respostas com Dave Cohen

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 20:57
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Estamos de volta com esta série tirada do site The British Comedy Guide. Neste post temos uma entrevista com o roteirista Dave Cohen em que ele primeiramente fala sobre o seu curso de escrita de comédia e em seguida responde as perguntas mais frequentes:

Dave-Cohen

Perguntas e Respostas, com Dave Cohen:

Dave Cohen é um locutor de rádio e escritor de comédia que foi, por muitos anos, um dos maiores comediantes de comédia em pé da Inglaterra. Ele foi indicado para o Perrier, em 1984, e em 1985 começou o The Comedy Store Players com Paul Merton e Mike Myers. Em 1999, ele escreveu e atuou na aclamada série de seis partes Travels With My Anti-Semitism na BBC Radio 4.

Desde 2001, ele tem escrito para o Have I Got News For You, e em 2004 foi convidado por Fred Barron a juntar-se à equipe de roteiristas da sitcom My Family. Atualmente, ele tem sitcoms em desenvolvimento na BBC1, Channel 4 e Radio 4. Outros créditos de escrita incluem os programas vencedores do BAFTA, Sketch Show (ITV), Dead Ringers, Sunday Format, News Quiz e Jammin, que lhe valeram inúmeros prêmios Sony Radio. Ele também é um dos escritores do 15 Minute Musical e da terceira série de Not Going Out​​.

Umas poucas vezes por ano, Dave conduz o seu aclamado curso sobre como escrever e vender sitcoms. Pedimos para Dave nos contar tudo sobre o curso, e mais ainda…

O que eu recebo por gastar todo esse dinheiro?

Esperançosamente, um curso intensivo que foca você na melhor forma de continuar em direção ao seu objetivo de longo prazo de tornar-se um escritor de sitcoms remunerado. Começamos com piadas, então passamos rapidamente para as sitcoms, e vemos a melhor abordagem para conseguir terminar o seu trabalho.

Eu estou muito animado com isso porque desde que comecei a ensinar, o tão caluniado público de sitcoms foi finalmente arrastado para o século 21, graças ao The IT Crowd e o Not Going Out. Nós falamos sobre o que compõe uma sitcom de sucesso, e então passamos um tempo observando atentamente os personagens, o enredo e os diálogos – nunca perdendo de vista a única regra da comédia – ela tem que ser engraçada. Nós nos juntamos e trabalhamos em cenas e ideias. Com sorte, você vai adquirir uma noção da emoção de ter que produzir um trabalho sob pressão, que é uma parte importante do processo que eu não acho que vão lhe ensinar em nenhum outro lugar.

Além disso, falaremos sobre ‘encontrar a sua voz de comédia’. Esta é uma daquelas frases que os produtores preguiçosos citam sem informar aos escritores novatos o que diabos ela significa. Eu não posso prometer que você terá encontrado essa voz até o final do curso, mas espero, pelo menos, estar apontando você na direção certa.

Eu falarei brevemente sobre todas as maneiras pelas quais você pode entrar em comédia, além das sitcoms – que, afinal, é como muitos dos maiores escritores de sitcom começaram. Isto inclui escrever esquetes para o rádio, comédia em pé (e escrever com comediantes de comédia em pé), para a internet, para programas de jurados e comédias atuais. E haverá tempo de sobra para as Perguntas e Respostas.

No final, você recebe um robusto arquivo recheado de toneladas de informações úteis, incluindo diretrizes atuais sobre o que a  BBC Radio está procurando (com os meus comentários adicionados), uma tentativa de explicar como os departamentos de comédia da BBC, da ITV e dos Canais 4 e 5 trabalham, e uma lista enorme de contatos atualizados, e onde ir para obter as últimas informações.

E, claro, se você for um membro do BSG, recebe um desconto de 10 por cento!

Escrever – até aqui tudo bem. E sobre a outra metade do título – vender a sitcom?

Nós falamos um pouco sobre o processo de licenciamento, e, como eu mencionei acima, existem muitos comentários sobre o assunto, mas a verdade é que, na maioria dos casos, se um roteiro de sitcom está brilhantemente escrito, ele será vendido. Há exceções, quando, por exemplo, a emissora de TV está interessada demais em conseguir um veículo para uma de suas estrelas para realmente investir em uma escrita decente, mas para o resto de nós, mortais, nós só temos as nossas habilidades de escrita. Eu não posso escrever a sua brilhante sitcom para você, mas espero dar-lhe ajuda suficiente para empurrá-lo em direção aos seus objetivos.

Posso aprender a escrever piadas?

Er… não realmente. Essa é a habilidade com a qual você começa, que lhe diz se você deseja ou não perseguir viver como um escritor de comédia. Você pode aprender a tornar as suas piadas mais engraçadas, e como escrever mais delas. O meu ponto de partida é ensinar as regras básicas e a preparação que você precisa antes de escrever uma palavra – de modo que quando você chegar à história, ou à cena, você dê a si mesmo a chance de espremer o máximo humor dela.

A escrita de sitcom pode ser ensinada?

Bem, sim e não. Eu saliento que o que estou ensinando é o método que funciona melhor para mim. Certamente não é o único caminho. Graham Linehan, por exemplo, que é, na minha opinião, o melhor escritor de comédia que já vimos por 25 anos, tem uma abordagem completamente diferente. E "Seinfeld", uma das minhas sitcoms favoritas de todos os tempos, quase não segue nenhuma das "regras" que eu falo. Eu acho que "ferramentas" talvez seja uma palavra melhor do que regras, rima [N.T.: Em inglês, “tools” rima com “rules”.] e é mais engraçada. Quanto mais você sabe, mais fácil deve ser quebrar as regras. (Exceto a de que tem que ser engraçado!).

É realmente possível ganhar a vida como um escritor de comédia?

Sim, isso pode ser feito – mas é muito difícil. Você não deve ter ilusões quanto a isso. Existem talvez três ou quatro centenas de pessoas em todo o país [N.T.: No Reino Unido], vivendo de escrever comédia. Você pode, provavelmente, citar o nome de um par de dúzias. E, claro, esse número inclui agora um número crescente de escritores-artistas – pessoas como Al Murray, Lee Mack, Steve Coogan, Ricky Gervais, Matt Lucas, Liga de Cavalheiros, que ganham todos quantias substanciais como escritores. Então, provavelmente há outras 3 ou 400 centenas na periferia, que ocasionalmente ganham dinheiro escrevendo, mas não o suficiente para desistirem do emprego diário ou da herança da família. Então, existem milhares de pessoas tentando entrar de alguma forma.

Você fala sobre escrever filmes de comédia?

Eu tenho tendência a afastar-me desta área, por duas razões. Primeiro, o triste fato é que quase nenhum filme de comédia é feito neste país, a menos que eles já tenham um escritor de sucesso vinculado. Segundo, eu nunca ganhei a vida com roteiros de cinema, então não me sinto bem qualificado para ensinar sobre o assunto. No ano passado, Stack Danny veio à minha turma de fim de semana para falar sobre o que as empresas britânicas estão procurando em um filme de comédia, e há uma abundância de comentários dele. Danny, que é um dos maiores leitores de roteiro do país, agora está, ele próprio, alcançando o sucesso como escritor, e conduz um blogue brilhante para candidatos a roteiristas.

Leu algum bom livro sobre como escrever comédia?

Eu temo não ter lido tudo o que tem por aí. John Byrne e Marcus Powell são escritores de sitcom de sucesso, Marcus também é um excelente comediante de comédia em pé e um personagem cômico, então é garantido conseguir algumas dicas úteis deles.

Writing Sitcoms

Se realmente quer saber como escrever comédia brilhante, eu sugiro que você leia comédia brilhante. Os roteiros de Seinfeld e Frasier estão disponíveis em forma de livro, e existem centenas de excelentes roteiros de episódios que você pode encontrar na web – se você é um fã de sitcom eu garanto que vai encontrar roteiros de pelo menos três dos seus programas favoritos.

Por que tanta comédia na televisão é tão medíocre?

Porque, com o dinheiro tão apertado como está, os editores de licenciamento estão muito mais propensos a assumir um risco com alguém que já tenha sido bem sucedido do que com alguém novo. Dada a escolha entre apoiar um projeto superior com uma equipe inexperiente, e um projeto medíocre com uma equipe experiente, os encarregados inevitavelmente escolherão o projeto medíocre, porque as chances de sucesso são muito maiores.

Peter Fincham

Mesmo assim, todos os encarregados sabem que têm de correr riscos. O controlador da ITV, Peter Fincham (foto), cuja base é a comédia, assumiu riscos ao vincular relativamente desconhecidos da TV como Lee Mack e Omid Djalili, quando ele estava na BBC1. Os riscos parecem estar compensando, embora, infelizmente, Fincham tenha ido embora, então, quem sabe o que o seu sucessor fará.

Diabos, eu não tenho nenhuma esperança, tenho?

A distância entre onde você está agora e onde você quer estar pode parecer enorme nesta fase. Mas muitos já fizeram isso antes de você e muitos ainda farão. Você pode ter qualquer idade. E uma vez que você encontre a sua voz de comédia, as coisas podem acontecer muito rapidamente. A minha abordagem de ensino é dar-lhe a base sobre a qual construir a sua carreira.

Boa sorte!

Perguntas Frequentes…

Também pedimos a Dave para responder algumas Perguntas Frequentes – e você pode se surpreender com algumas das respostas…

Como eu consigo um agente?

Você se torna um escritor empregado antes. Há muito poucos agentes que aceitam escritores de comédia, e eles tendem a esperar que você esteja trabalhando antes de aceitá-lo. Ter um agente é útil quando você é um escritor empregado, mas nesta fase isso não é crucial para o seu sucesso.

Como eu impeço alguém de roubar a minha ideia?

Você não pode, e não vai. Se você for bom o suficiente, algo que você disse ou escreveu vai ser roubado em algum momento. Já aconteceu comigo várias vezes e eu gastei energia demais ficando amargo e alterado por causa disso. O melhor conselho que posso lhe dar vem do comediante de comédia em pé Mark Thomas, que estava interpretando um personagem "branco excêntrico tentando ser negro" em sua apresentação, anos antes de Ali G surgir. "O fato é", disse ele, "Sacha Baron Cohen pegou esse personagem e transformou-o em algo de muito mais sucesso do que eu poderia ter conseguido." Aceite isso, e siga em frente.

Como faço para formatar um roteiro?

Os produtores querem desesperadamente comprar o seu roteiro e, mais do que qualquer outra coisa, eles querem que ele os faça rir. Se ele fizer isso, eles vão lhe perdoar quaisquer erros de ortografia, erros gramaticais, espaçamento incorreto das margens, fontes de tamanho errado ou manchas de caneta Bic. Se você é disléxico, como muitos dos maiores escritores de comédia e artistas são, talvez você queira que um amigo legal dê uma olhada no seu trabalho antes de enviá-lo.

É verdade que não é o que você sabe, é quem você conhece?

Não. Se você conhece alguém que trabalha na televisão, ou alguém famoso, isso pode te arranjar uma apresentação para um emprego. Mas, uma vez que você esteja lá, se você não fizer o serviço, eles não irão mantê-lo ali. Pessoas famosas são convidadas a fazer favores, trabalhos de caridade, inaugurar supermercados (sim, elas ainda fazem isso) o tempo todo, e não há muito o que possam fazer por você. Muito ocasionalmente, alguém vai ficar famoso por associação com um nome realmente famoso, por exemplo, Dave Spikey através do Peter Kay. Mas Dave continua a conseguir trabalho agora porque as pessoas o querem, não porque ele é companheiro do Peter Kay.

Como eu mando o meu roteiro para um produtor de TV?

Fácil, você manda por e-mail para eles, ou manda pelo correio. Fazê-los lê-lo, isso é mais complicado. Se você nunca teve nada transmitido em rádio ou TV, não se surpreenda se aquele roteiro terminar sua vida no fundo de uma pilha que vai para a reciclagem na próxima vez que o produtor mudar de escritório. Ponha algumas esquetes ou piadas no rádio, ou na televisão, ou piadas na boca de um comediante atuante de comédia em pé, e então comece a fazer o seu nome circular. Uma vez que o produtor tenha se deparado com o seu nome, ele ou ela vai se sentir obrigado a ler o que você enviou. Eventualmente.

Última palavra…

Isso pode ser feito, mas não espere que o seu primeiro roteiro de sitcom seja aquele a fazer isso por você. Para usar um clichê bem usado, isso é uma maratona, não uma corrida de velocidade. Ponha o básico no lugar, e você deve fazer um progresso lento, mas constante.

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Se você estiver interessado em tornar-se um escritor de comédia empregado, frequente os cursos de Dave. Para mais detalhes e o formulário de registro, visite www.raindance.co.uk. Mencione o British Comedy Guide no seu formulário de inscrição para obter um desconto de 10%.

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Boa escrita pra você hoje! =D

24/08/2011

“Oito Regras Para Escrever Ficção”: Neil Gaiman

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 06:00
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Olá! Estou de volta com a continuação desta série tirada do site do jornal The Guardian (faz tempo que não volto a ela, mas eu não esqueci Smiley piscando):

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1. Escreva.

2. Coloque uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, escreva-a.

3. Termine o que você está escrevendo. O que quer que seja que você tenha de fazer para terminá-lo, termine-o.

4. Coloque-o de lado. Leia-o fingindo que você nunca o leu antes. Mostre-o a amigos cuja opinião você respeite e que gostem do mesmo tipo de coisa.

5. Lembre-se: quando as pessoas dizem que algo está errado ou que aquilo não funciona para elas, elas quase sempre estão certas. Quando elas lhe dizem exatamente o que acham que está errado e como corrigi-lo, elas quase sempre estão erradas.

6. Corrija-o. Lembre-se que, mais cedo ou mais tarde, antes que ele chegue à perfeição, você terá que deixá-lo ir, e seguir em frente e começar a escrever a próxima coisa. Perfeição é como perseguir o horizonte. Mantenha-se em movimento.

7. Ria das suas próprias piadas.

8. A regra principal da escrita é que se fizer isso com segurança e confiança o suficiente, você está autorizado a fazer o que quiser. (Essa pode ser uma regra para a vida, bem como para a escrita. Mas é definitivamente verdade para a escrita.) Então escreva a sua história como ela precisa ser escrita. Escreva-a honestamente, e conte-a da melhor forma que puder. Eu não tenho certeza de que existam outras regras. Não as que importam.

Boa escrita pra você hoje! =)

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