Dicas de Roteiro

31/07/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 9

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 15:12
Tags: , , ,

Esta é a nona parte de nossa série tirada do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips:

pergunta9

8. Julgamento do Personagem Principal – Bom ou Ruim

Como autor, você pode temperar o Resultado da história ao proporcionar um Julgamento quanto a se o Personagem Principal resolve a sua angústia pessoal ou não. Independentemente de Sucesso ou Fracasso no esforço para atingir a meta, o seu Personagem Principal é capaz de resolver a sua angústia pessoal? Se sim, escolha Bom, e se não, escolha Mal.

A noção de que os mocinhos ganham e os vilões perdem nem sempre é verdade. Nas histórias, como na vida, muitas vezes vemos pessoas muito ruins conseguindo muitos benefícios para si mesmos (se não para os outros). E, ainda mais frequentemente, vemos pessoas muito boas fracassando.

Se nós julgássemos os resultados apenas por sucesso e fracasso, não importaria se ele fosse Bom ou Ruim, desde que fosse concluído. A escolha de Bom ou Ruim tempera o sucesso ou o fracasso da história, ao mostrar se o Personagem Principal resolve os seus problemas pessoais ou não.

O Julgamento da História lhe oferece a oportunidade de tratar de mocinhos que vencem e de vilões que fracassam, bem como mocinhos que fracassam e vilões que vencem. Ele também lhe permite comentar sobre o sucesso ou fracasso do crescimento de seus personagens como seres humanos.

Um exemplo de uma história onde o problema pessoal de um Personagem Principal – encontrar a paz interior – continua não-resolvido no final é O Silêncio dos Inocentes. O rapto da filha do senador inicia a História Geral, de modo que o resgate dela fornece a sua resolução. Mas o problema pessoal de Clarice – seus pesadelos recorrentes de cordeiros gritando enquanto estão sendo abatidos – é enfatizado conforme ela joga "gato e rato" com o Dr. Lecter. Quando ele pergunta a ela, no final, se "os cordeiros ainda estão gritando", fica claro pelo silêncio dela que eles estão. Ela não vai estar em paz até liberar a sua necessidade de salvar inocentes; assim, a história termina com um sentimento Ruim, embora a História Geral seja bem sucedida e seu futuro como uma agente do FBI pareça brilhante. Esta justaposição cria um final agridoce, que é ainda mais enfatizado pela música melancólica tocando nas tomadas finais.

Em contraste, Charlie Babbott (interpretado por Tom Cruise) em Rain Man está buscando receber uma herança deixada por seu pai rico ao irmão autista que ele nunca conheceu. Quando Raymond (Dustin Hoffman) acaba por ser um "sábio idiota" em matemática, capaz de memorizar um catálogo telefônico inteiro e de "contar cartas", Charlie o arrasta para Las Vegas. Lá ele espera que Raymond faça-lhe algum dinheiro rápido para salvar o seu negócio à beira da falência. No entanto, a namorada de Charlie protesta e acaba rejeitando-o enquanto ele usa Raymond para propósitos egoístas. Ao longo do caminho, porém, a profundidade do sentimento que Charlie descobre por seu irmão há muito perdido o surpreende e o muda. No fim, Charlie é obrigado a devolver Raymond para o hospital, onde ele pode ser tratado apropriadamente, mas fica claro para o público que o vínculo que Charlie sente por Raymond é real quando ele promete visitar Raymond. Ele ganhou tanto uma família quanto auto-estima através da jornada deles; por isso, embora Charlie fracasse em obter a herança no final, o que ele ganhou pessoalmente supera o que ele perdeu financeiramente. Conforme a história termina, fica claro que o autor julga este Fracasso/Bom como positivo e o público se sente esperançoso por Charlie, embora seus problemas financeiros continuem não-resolvidos.

Exemplos de Bom e Ruim:

BOM RUIM
Rain Man – Charlie Babbott resolve seus conflitos com sua família O Silêncio dos InocentesClarice Starling ainda escuta os cordeiros gritando
Tootsie – Michael Dorsey é capaz de arranjar e de manter papéis como ele mesmo Os Imperdoáveis – William Munny torna-se um assassino frio e sem coração
Quem Tem Medo de Virginia Woolf? – George é capaz de começar o processo de cura de seu casamento Vestígios do Dia – O personagem de Anthony Hopkins continuará a ser solitário e não-realizado
O Veredicto – Frank Galvin é capaz de abandonar a bebida e outras más influências  

Boa escrita pra você hoje! =)

30/07/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 8

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 12:32
Tags: , , ,

Esta é outra parte de nossa série tirada do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips:

pergunta8

7. Resultado da História – Sucesso ou Fracasso

O Sucesso ou o Fracasso é determinado unicamente pelo fato da meta da história ser alcançada ou não, independente de como os seus personagens se sentem sobre isso. Se você quiser que o Objetivo seja alcançado em sua história, escolha Sucesso. Se você quiser uma história em que os seus personagens não alcançam o Objetivo, então escolha Fracasso.

Embora possa ser temperado por grau, o Sucesso ou o Fracasso é facilmente determinado ao ver se os personagens (em geral) alcançaram o que eles se propuseram atingir no início da história.

Certamente, os personagens podem descobrir que realmente não querem o que eles achavam que queriam, e optarem por não perseguir aquilo por mais tempo. Apesar de terem crescido, isto é considerado um fracasso porque eles não completaram a sua intenção original. Da mesma forma, eles podem realmente conseguir o que queriam, e mesmo que eles achem aquilo insuficiente ou insatisfatório, deve-se dizer que eles tiveram sucesso. O ponto aqui não é passar um valor de juízo sobre o mérito de seu sucesso ou fracasso. É simplesmente determinar se eles atingiram ou não o seu objetivo original.

Exemplos de Sucesso e Fracasso:

SUCESSO FRACASSO
Guerra Nas Estrelas – a Estrela da Morte é destruída Rain Man – a herança não é compartilhada
O Silêncio dos Inocentes – o assassino é identificado e morto Instinto Selvagem – a assassina (Catherine Tramell) incrimina falsamente, e com sucesso, a Dra. Garner e se safa da acusação de assassinato
O Veredicto – o acusado ganha o caso e recebe um monte de dinheiro À Margem da Vida – a família se desfaz (e nenhum marido é encontrado para a Laura)
Os Imperdoáveis – os vilões são mortos e a recompensa é reivindicada Hamlet – todo mundo é morto e a família real é destruída

Boa escrita pra você hoje!

29/07/2011

Vídeos Sobre Roteiro

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 13:12
Tags: , , ,

Olha só que dica bacana me mandaram por e-mail: No site do Story Touch (novo software de roteiro sobre o qual falei há alguns posts), tem um monte de entrevistas com roteiristas brasileiros falando sobre roteirismo (em português, claro, o que é uma raridade!) e é super interessante. São vídeos curtinhos, mas com dicas muito legais, e é sempre bom ver como os profissionais da área encaram o próprio ofício. Eis o link:

http://www.storytouch.com/interviews

story_touch

Vale conferir! =D

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 7

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 10:58
Tags: , , ,

A seguir está mais uma parte desta série do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips:

pergunta7

6. Limite da História – Determinado por Tempo ou por Opção

A fim de criar tensão em seu público, você vai querer estabelecer um limite para a história. Este limite vai indicar ao público o que vai levar a história a um momento de verdade, seja ficar sem tempo ou ficar sem opções. Se você quiser que a tensão aumente conforme os seus personagens ficam sem tempo, escolha Limite de Tempo. Se você quiser que a tensão aumente conforme os seus personagens ficam sem opções, então escolha Limite de Opção.

Todo argumento deve chegar a um fim ou nenhum conceito pode ser passado. O mesmo é verdadeiro para as histórias. Para um autor explorar um problema, um limite para o alcance do argumento deve ser estabelecido.

Para estabelecer quanto terreno o argumento cobrirá, os autores limitam a história em duração ou em tamanho. Limites de Tempo criam um argumento em que "vale tudo" dentro dos limites de tempo previsto. Limites de Opção criam um argumento que vai se estender o tempo necessário para garantir que todos os assuntos especificados sejam discutidos.

Ao selecionar o tipo de limite em função na sua história, você restringe ou a duração do argumento (Limite de Tempo), ou o terreno coberto (Limite de Opção).

Por exemplo, no filme 48 Horas, mais tempo na verdade mudaria a natureza dos esforços do policial estressado Cates de rastrear um assassino em série. Se ele tivesse tempo suficiente para uma busca sem pressa por conta própria, Cates (interpretado por Nick Nolte) poderia não precisar de "pegar emprestado" o presidiário tagarela Reggie (Eddie Murphy) da prisão. Assim, a história contém um Limite de Tempo, claramente declarado em seu título, para impulsionar a ação ininterrupta para a frente.

Em Fuga à Meia-Noite, entretanto, o "trabalho fácil" do caçador de recompensas Jack Walsh de voar com o contador e fugitivo da condicional, Jonathan Marduka (interpretado por Charles Grodin), da cidade de Nova Iorque para Los Angeles, torna-se um pesadelo logístico conforme suas opções se tornam cada vez mais limitadas. Walsh (Robert De Niro) tenta de todos os meios disponíveis transportar Mardukas para Los Angeles, mas Mardukas veta cada um por um bom motivo. Mais atrasos são causados, permitindo que os mafiosos, os agentes do FBI e os caçadores de recompensas rivais sigam seu rastro para alcançá-los conforme a perseguição se intensifica. Se um Limite de Tempo estivesse em função aqui, Walsh ignoraria o medo professo de Mardukas de voar no início e o forçaria a estar no primeiro avião para Los Angeles, chegando antes do prazo se esgotar… mas essa seria uma outra história.

Exemplos de Limite de Tempo e de Opção

Limite de Tempo Limite de Opção
A Lenda dos Beijos Perdidos A Tartaruga e a Lebre
48 Horas Fuga à Meia-Noite
Matar ou Morrer Guerra Nas Estrelas
Um Conto de Natal Hamlet
Domingo Negro O Veredicto

Boa escrita pra você hoje!

28/07/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 6

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 16:10
Tags: , , ,

E aqui estamos com a sexta parte (de treze) desta série tirada do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips:

pergunta6

5. Condutora da História – a Ação ou a Decisão

Algumas histórias são movidas por ações. Outras são forçadas para frente por decisões. Todas as histórias têm algum grau de ambas. Esta questão determina qual "dispara" a outra, mas não determina a relação entre as duas.

Se as ações que ocorrem em sua história determinam os tipos de decisões que precisam ser feitas, escolha Ação.

Se as decisões ou deliberações que acontecem em sua história precipitam as ações que se seguem, escolha Decisão.

Condutor da História: O mecanismo pelo qual o enredo é movido para frente.

Ação ou Decisão descreve como a história é conduzida para a frente. A questão é: Ações precipitam Decisões ou vice-versa?

Toda história gira em torno de uma questão central, mas essa questão central só se torna um problema quando uma ação ou uma decisão coloca eventos em movimento. Se uma ação faz as coisas acontecerem, então muitas decisões podem se seguir em resposta. Se uma decisão inicia as coisas, então muitas ações podem se seguir até aquela decisão ter sido acomodada.

A relação Ação/Decisão irá se repetir ao longo de toda a história. Em uma história de Ação, as decisões parecerão resolver o problema até uma outra ação fazer as coisas acontecerem de novo. Histórias de Decisão funcionam da mesma maneira. As Ações vão botar tudo em ordem até que outra decisão bagunce tudo de novo. Da mesma forma, no final de uma história haverá uma necessidade essencial para uma ação ser tomada ou uma decisão ser feita. Ambas irão ocorrer, mas uma delas será o obstáculo que deve ser removido a fim de possibilitar a outra.

Sejam Ações ou Decisões que movem a sua história para a frente, o Condutor da História será visto nos eventos instigantes e nos concludentes, formando um suporte inicial e final em torno da dramaturgia.

Exemplos de Ação e de Decisão:

AÇÃO DECISÃO
O Silêncio dos Inocentes O Veredicto
Na Linha de Fogo À Margem da Vida
Guerra Nas Estrelas Quem Tem Medo de Virginia Woolf?
Os Imperdoáveis Corpos Ardentes
Hamlet O Fugitivo

Boa escrita pra você hoje e até amanhã! =)

27/07/2011

As 12 Perguntas Essenciais Que Todo Escritor Deve Responder – Parte 5

Filed under: Roteiro — valeriaolivetti @ 09:56
Tags: , , ,

Oi, pessoal! Depois de 3 (sim, TRÊS!!! Smiley decepcionado) gripes consecutivas, experiência pela qual passei pela primeira vez na vida (bem, dizem que tudo tem uma primeira vez, mas estou oficialmente abrindo mão de pegar quatro gripes consecutivas, essa é uma experiência que eu dispenso!) e cerca de um mês e meio de cama, completamente imprestável, estou de volta com a quinta parte de nossa série (vamos ver se agora ela sai de vez: Xô, urucubaca!!) tirada do site Storymind e de autoria de Melanie Anne Phillips. Gostaria de aproveitar também para pedir desculpas a todos que enviaram e-mails e ficaram sem resposta nas duas últimas semanas. Vou responder a todos aos poucos até o final de semana, pois ainda estou fraca e beeem lerda. Mas devagar se vai ao longe! :mrgreen:

duvida5

4. O Estilo de Resolução de Problemas do Personagem Principal: Lógico ou Intuitivo?

Todo Personagem Principal deve ter um Estilo de Resolução de Problemas. Seja o seu Personagem Principal um cavalo, uma casa, uma pessoa ou um alienígena, o público não será capaz de sentir empatia por ele a menos que o personagem possua uma mente Lógica ou Intuitiva. Se você quiser que o seu Personagem Principal tenda a procurar soluções lineares para os seus problemas, escolha o Estilo de Resolução de Problemas Lógico. Se você quiser que o seu Personagem Principal tenda a procurar soluções holísticas para os seus problemas, escolha o Estilo de Resolução de Problemas Intuitivo.

NOTA: O Estilo de Resolução de Problemas de um personagem não precisa corresponder ao seu Gênero.

Estilo de Resolução de Problemas: Uma diferenciação entre as técnicas de resolução de problemas lógica e intuitiva.

Muito do que somos como indivíduos é um comportamento aprendido. Todavia, o sistema operacional básico da mente é projetado biologicamente antes do nascimento como sendo mais sensível ao espaço ou tempo. Todos nós temos uma noção de como as coisas são organizadas (espaço) e de como as coisas estão indo (tempo), mas o modo como cada um filtra o nosso pensamento determina o nosso Estilo de Resolução de Problemas como sendo Lógico ou Intuitivo, respectivamente.

O Estilo de Resolução de Problemas Lógico descreve pensadores espaciais que tendem a usar a Resolução de Problemas linear como o seu método de escolha. Eles estabelecem um Objetivo específico, determinam os passos necessários para atingir esse Objetivo, e então embarcam em um esforço para completar esses passos.

O Estilo de Resolução de Problemas Intuitivo descreve pensadores temporais que tendem a usar a Resolução de Problemas holística como o seu método de escolha. Eles têm uma noção do jeito que eles querem que as coisas sejam, determinam como as coisas precisam ser equilibradas para realizar essas mudanças, e então fazem ajustes para criar esse equilíbrio.

Para ter certeza, podemos ir longe para contrabalançar essas sensibilidades, mas debaixo de toda a nossa experiência e formação, a tendência de ver as coisas mais em termos de espaço ou de tempo ainda permanece. Para lidar com a psicologia dos Personagens Principais, é essencial compreender a base sobre a qual repousa a experiência deles.

Sexo Mental Masculino (Gênero Feminino) Sexo Mental Feminino (Gênero Masculino)
Ripley, Alien & Aliens Tom Wingo, O Príncipe das Marés
Clarice Starling, O Silêncio dos Inocentes  
Hildy Johnson, A Primeira Página  
V. I. Warshawski, Bonita e Perigosa  

Amanhã, se Deus quiser, volto com a próxima parte da série. Ótima escrita a todos hoje!

Próxima Página »

%d blogueiros gostam disto: